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ÉTICA PÓS-MODERNA NO PENSAMENTO DE BAUMAN

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Daniela Moura Queiroz

on 25 March 2018

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Transcript of ÉTICA PÓS-MODERNA NO PENSAMENTO DE BAUMAN

Esse artigo destina-se a sinalizar as reflexões de Zygmunt Bauman sobre
Ética e a Moral na Pós-Modernidade. Qual será a função da Ética no momento presente? É possível pensar numa moralidade sem ética? O referido autor demonstra, ao longo deste texto, a necessidade de se caracterizar a Ética na Pós-Modernidade como a Era da Moral.

A lógica “ou/ou” passou a não ter mais sentido,
um horizonte de escolhas em que era preciso adotar critérios estritamente pessoais para a tomada de decisões.
Tornou-se necessária, para cada um,
a constituição da própria identidade por meio do processo contínuo de tomada de decisões.



Princípios universais constitutivos da razão humana.
A defesa da autonomia do sujeito considerado por ele capaz de definir por si mesmo suas as próprias leis de conduta com base em princípios racionais que podem ser compartilhados por todos os seres humanos.
Para Zygmunt Bauman, os “eus reais” são o desafio. Afinal, não é a razão um bem compartilhado por todos os seres humanos, sem exceção? Normas voltadas para o bem comum?


A tranquilidade da consciência, portanto, é grande devedora da sensação ou crença da universalidade das normas morais em vigor. Por isso, inquietações sempre hão de sobrar para filósofos encarregados da manutenção de tal crença, uma vez que a ela é que se vincula a obediência da maioria.
São sentimentos e emoções capazes de fazer emergir a crise dos valores ao escoar a credibilidade de códigos construídos e mantidos por artifícios de retórica e da força.

A necessidade de grandes esforços retóricos deriva, em muito, da incapacidade em lidar de forma tranquila com a diversidade de formas de se encarar o bem e o mal.
Segundo Bauman, poucos autores foram como Montaigne: "As diferenças, na maioria dos casos, são vistas com horror, como supremo absurdo a desafiar o pensador pela permanente ameaça que representa às conquistas do mundo civilizado".

As inquietações do universalismo:
Paroquianos, parentes e outros habitantes locais, filósofos de boa-fé
,
como também a autoridade moral reivindicada pelo estado.

Segundo Bauman, não há como esconder a evidência de que existem várias concepções de moralidade universal e que somente a superioridade da força de um dos poderes permite que sua concepção prevaleça sobre as outras.

Para Zygmunt Bauman, códigos de moralidade supranacionais são mais uma forma de conceituação processual de universalização: último abrigo ao sonho de universalidade como destino último da espécie humana.
Mas como seria possível o êxito de códigos que desqualificam a potência primordial da conduta moral, qual seja, a autonomia de escolha, normas impostas de fora pra dentro, sob coação, por uma administração racional?
Para os legisladores, esses ideais de universalidade e fundamentação à uniformização dos valores e práticas sociais.
Para os filósofos, fundamentos para construir o sujeito do estado como a síntese do destino humano.
"Uma moralidade não-aporética (não dúvida), não ambivalente (dois caminhos), uma ética universal e objetivamente fundamentada talvez seja uma impossibilidade, uma contradição nos termos”.
ÉTICA pós-moderna no PENSAMENTO DE BAUMAN
A problemática da moralidade começou a tomar suas feições atuais no início da era moderna, quando o indivíduo passou a se firmar como autônomo.

A grande dificuldade era que a nova sociedade num mundo assim esparso, dividido, como esperar o sucesso de uma ideia que se pretendia “onicompreensiva” que promovesse uma visão unitária? O dilema levou legisladores e pensadores modernos a tratar a moralidade como algo que precisa ser planejado um sistema coeso de regras morais transmitidas por meio de ensinamentos para posterior cobrança e obediência.


As inúmeras tentativas de
substituição da crença pela razão não lograram êxito, gerando fonte de instabilidade.

Era preciso
criar mecanismos de recompensa e de punição
para que os indivíduos chegassem, sob cálculo, à conclusão de que lhes valeria a pena seguir o caminho.

Responsabilidades morais e normas éticas.

A deslegitimação seguiu-se um certo vácuo de normas que pudessem se legitimar como aquelas que visam o bem comum. Esta ausência foi como que uma semente de fruto amargo deixada no solo em que se plantou a modernidade.

A liberdade para escolhas individuais e a carência de normas gerais, gerou a crise ética que se estendeu ao longo de toda a era moderna. Crise que se tentou superar com elaborações constantes de códigos éticos que tinham em comum a pretensão de dar conta da totalidade da convivência humana.

Obsessão que os óculos da modernidade faziam ser chamada de otimismo por uso da razão e por conta da evolução da ciência. Assim justificou-se a crença na possibilidade de um futuro conjunto sistêmico de leis morais que visem ao bem de todos e de cada um.


Para Zigmunt Bauman, a ética pós-moderna é o bem estar da sociedade.

Seria louvável sujeitos capazes de decisões próprias sem serem coagidos por um sistema de normas elaboradas por legisladores que contam com a força para fazê-las cumprir, são sujeitos que desenvolvem o senso de responsabilidade necessário para lidar com situações que exigem consenso.

Bauman diz que a insistência em modelos de sociedade que não promovem a responsabilidade individual acaba por aumentar as chances de ocorrer o que mais se teme: o triunfo da imoralidade. Isso porque leis coercitivas partem da pressuposição de que todos não são confiáveis e devem ser submetidos à coação moral.

Porm, essa incapacidade faz com que, em momentos de crise, os sujeitos aceitem com facilidade
sistemas opressivos de governo que apresentados como solução.

A universalidade ilusória

A moralidade autêntica não é instância que se submete a moldes ou manipulações por parte de poderes instituidores de códigos éticos. Escapa, como água por entre os dedos, a toda tentativa de determinação forçada.
No entanto, o homem parece não estar disposto a abrir mão das tentativas de encontrar o código ético por excelência.
Para Zygmunt Bauman, as imagens de bem e de mal que partilhamos não duram mais do que o tempo do consenso que nos permite alguma estabilidade social, algum sentido de conjunto temporário.

Parecem satisfazer-se em agir conforme aquilo que o grupo espera de cada um, pessoas que compartilham daquele mesmo espaço e “momento histórico de eticidade”.


A temporalização atesta ainda que outras formas de moralidade são como relíquias que dilataram seu tempo, sendo praticadas por quem já está de fato morto.
A maneira de lidar com qualquer presença de contundente negação da norma é o menosprezo. A difusão das formas de raciocínio coerente é tarefa preponderante de todo filósofo comprometido com a justificação das normas
pois trata-se de uma forma de pensar que tende à previsibilidade, característica comportamental valiosa para todo e qualquer governante que exerce o poder em nome de sua própria vontade.

A prática moderna de universalização manifestou-se como força de opressão, ato de violência praticado contra a liberdade humana. Seus costumes locais foram ridicularizados e relegados ao plano das superstições que resistiam ao poder centralizador, tendo que, por isso, ser condenadas à morte.

Que argumentos, então, poderiam ser usados para fazer com que membros de comunidades
locais adquirissem visão mais ampla e facilitadora da substituição de um código moral por outro?

Particularismos comunais e aceitar a submissão ao modelo de cidadania arquitetado pelo estado?
Também para os universalistas de boa-fé,
sempre direcionada contra a polis, uma vez que esta, como recurso de autoafirmação, sempre defende a particularidade de seus membros em relação aos membros de outras polis.

O outro,
a alteridade localizada além das próprias fronteiras
.
Pregam os filósofos de boa fé que um poder, para ser universalista de fato, deve ser capaz de identificar a população que está (ou que pode vir a estar) sob
sua administração com a espécie humana em sua totalidade
. Com isso, o forma-se um emaranhado de autoridades que se consideram detentoras de padrões universais de moralidade, diversidade de posições que p
õe sob suspeita o valor de cada uma das ditas universalidades.

A ideia de moralidade universal, depois de despedir-se da fundamentação na
“missão civilizadora”
das nações-estados que se proclamavam mais desenvolvidas ou mais avançadas culturalmente, se é que deva sobreviver, a todo e qualquer resultado comum ao
processamento social, produtos derivados de ações legisladora, ordenadora e educadora.

Considerações finais

No campo de batalha em que se trava a luta por hegemonias de concepções morais, as organizações políticas estatais porque
restringem e congelam a perspectiva universalizante no interior das fronteiras nacionais para atender a interesses políticos.
Ao contrário do que é pregado pelos universalistas, as nações-estado particularizam seus membros frente aos de outras nações, propagando entre seus indivíduos a crença em sua unidade e semelhança que os opõe aos estrangeiros,
tomados como outros diferentemente situados por estarem enraizados em outras polis.

Segundo Bauman, a alternativa é formulação e a defesa de uma tal
moralidade universal
requer uma visão mais tranquila quanto ao fato de as imagens de bem e mal diferirem de um lugar para o outro e de um tempo para outro tempo. Afinal,
tais imagens têm sido forjadas
não a partir da perspectiva do universalismo mais abrangente – aquela que
tem como base a própria espécie humana - mas sim a partir de perspectivas circunstanciais, originadas de interesses políticos e econômicos.

Referência
BAUMAN, Zygmunt. Ética pós-moderna. São Paulo: Paulus, 1997.
Disponível em: http://filogutosofando.blogspot.com.br/2014/11/zygmunt-bauman-etica-pos-moderna.html Acessado: 14/08/2015.
QUESTÕES DE MORALIDADE E UNIVERSALIDADE EM ZYGMUNT BAUMAN
Sérgio Augusto Borges

No campo de batalha em que nos deparamos com pluralidade nova ou renovada de desafios morais, estão à espreita os comunitários, adversários dos pregadores do universalismo e que oferecem como
alternativa um já familiar refúgio cômodo e acolhedor da “comunidade nativa”.
Uma aceitação que pode ser ancorada no território frio e abstrato dos
valores morais universais.
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