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PLE II - Aula de revisão

24/mar/2014
by

Edna Maria Rangel de Sá

on 23 April 2014

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Transcript of PLE II - Aula de revisão

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Escola de Ciências e Tecnologia
PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA II
Professores
Ada Lima, Edna Rangel de Sá, Glícia Azevedo Tinoco, José Romerito Silva e Natalia Nobre.
Aula de Revisão
24 de março de 2014

Iniciando nossa conversa...
Durante este semestre, tratamos de argumentação, considerando a natureza do discurso argumentativo, os componentes e as características de textos dessa ordem. Discutimos também a respeito das melhores estratégias argumentativas e dos procedimentos que devem ser evitados. Por fim, estudamos os gêneros "artigo de opinião" e "carta argumentativa".

Na aula de hoje, vamos retomar esses tópicos, a título de revisão para o exame do dia
31 de março
, próxima segunda-feira. Para começar, leiamos o artigo de opinião a seguir e, depois, façamos uma breve análise do conteúdo dele.
Os vencedores levam tudo


Competição exagerada entre cientistas tem provocado abusos. Existe uma solução para isso?
Arturo Casadevall e Ferric C. Fang
Quando Isaac Newton desenvolveu o cálculo infinitesimal e a teoria da gravidade, seu prêmio foi muito maior que acumular opções para um trabalho recém-iniciado ou um grande bônus de final de ano. Seu trabalho mereceu crédito e reconhecimento de seus pares e, posteriormente, de um mundo muito maior. Desde Newton, a ciência mudou muito, mas esse fato basicamente não mudou. Crédito pelo trabalho realizado ainda é a moeda de troca na ciência. No entanto, é necessário refletir acerca das consequências disso para a ciência.

Os direitos de uma descoberta científica têm sido outorgados àquele que primeiro a relata, o que não necessariamente depende de o relator comprová-la “por A + B”, como se diz na linguagem popular. Não obstante, essa regra continua sendo considerada pelas pessoas como um incentivo poderoso para os cientistas compartilharem conhecimento. As pessoas acreditam que ela também ajuda a garantir que a sociedade receba um retorno compensador pelo investimento em ciência (já que parte dele é proveniente dos impostos), porque são premiados os cientistas que mais beneficiam a sociedade.
<Disponível em <http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/os_vencedores_levam_tudo.html>
Acesso em 11/09/2013. Com adaptações
A definição de benefício à sociedade é estabelecida por órgãos como o CNPq, que tem como função, dentre outras, avaliar a produção científica de professores vinculados às universidades federais. Por exemplo, um dos critérios para que um desses profissionais seja promovido é publicar constantemente artigos, livros, entre outros trabalhos acadêmicos, com os resultados das pesquisas que vêm desenvolvendo.
Não obstante, é necessário considerar que sob o aspecto de “os vencedores levam tudo”, a regra da prioridade, do modo como tem sido utilizada, não é tão vantajosa. Por levar muito em consideração critérios como a quantidade de publicações de um pesquisador, ela pode encorajar a dissimulação, a falta de critério na realização de experimentos, a desonestidade e a ênfase excessiva em medidas subsidiárias da qualidade científica, como publicação em revistas de alto impacto. Os editores da revista Nature exortaram recentemente os cientistas a tomar mais cuidado com seus trabalhos mencionando a baixa reprodutibilidade dos resultados publicados, erros numéricos, controles inadequados, descrições incompletas de métodos e análises estatísticas impróprias.
Como a competição por recursos escassos tem aumentado considera-velmente, essas desvantagens da regra da prioridade podem ter começado a ir além de seus benefícios. As taxas de êxito dos cientistas que solicitam recursos para o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) têm atingido, nos últimos anos, valores cada vez mais baixos. Como resultado, assistimos a um aumento exagerado na competição não saudável entre cientistas, acompanhado de uma proliferação incrível no número de publicações científicas contestadas devido a fraude ou a erro. Escândalos recentes na ciência são semelhantes aos casos de doping nos esportes, quando prêmios desproporcionalmente grandes atribuídos aos vencedores têm estimulado fraudes.
Uma prática que ajudaria a pôr um fim a problemas como esses seria o estímulo ao trabalho em grupo. Estudos sobre publicações nos últimos 50 anos mostram que pesquisas desenvolvidas dessa maneira têm dominado cada vez mais a ciência e estão contribuindo para pesquisas de maior impacto, embora a regra da prioridade ainda possa estar minando esse processo.
A conveniência da regra da prioridade na ciência nunca foi seriamente questionada. É necessário mudar o paradigma da “regra de prioridade”: talvez os cientistas possam negociar prazerosamente as vantagens dela (por recompensas individuais) num sistema que ofereça maior estabilidade de apoio e coleguismo, compartilhamento mais livre de informação, mais integridade, rigor científico aprimorado e maior cooperação. Essas condições beneficiariam enormemente as iniciativas científicas e a sociedade a que servem.
1. O olho do artigo ("Competição exagerada entre cientistas tem provocado abusos. Existe uma solução para isso?”) representa
(a) o recorte temático.
(b) a tese.
(c) o problema.
(d) o tema.

1. O olho do artigo ("Competição exagerada entre cientistas tem provocado abusos. Existe uma solução para isso?") representa
(a) o recorte temático.
(b) a tese.
(c) O PROBLEMA.
(d) o tema.
2. Indique a opção que apresenta o tema e o recorte temático do texto, respectivamente.
(a) Descobertas científicas / Incentivo financeiro à pesquisa científica.
(b) Ciência / O incentivo financeiro à pesquisa causa problemas.
(c) Pesquisa / Pesquisa científica desenvolvida no Brasil.
(d) Pesquisa científica / Atribuição de crédito à pesquisa científica.

2. Indique a opção que apresenta o tema e o recorte temático do texto, respectivamente.
(a) Descobertas científicas / Incentivo financeiro à pesquisa científica.
(b) Ciência / O incentivo financeiro à pesquisa causa problemas.
(c) Pesquisa / Pesquisa científica desenvolvida no Brasil.
(d) PESQUISA CIENTÍFICA / ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITO À PESQUISA CIENTÍFICA.
3. A tese defendida no artigo de opinião lido encontra-se no seguinte trecho:
(a) “Crédito pelo trabalho realizado ainda é a moeda de troca na ciência.” – 1º§.
(b) “A definição de benefício à sociedade é estabelecida por órgãos como o CNPq, que tem como função, dentre outras, avaliar a produção científica de professores vinculados às universidades federais.” – 3º§.
(c) “Como a competição por recursos escassos tem aumentado consideravelmente, essas desvantagens da regra da prioridade podem ter começado a ir além de seus benefícios.” – 5º§.
(d) “É necessário mudar o paradigma da ‘regra de prioridade’[...]” – 7º§.

3. A tese defendida encontra-se no seguinte trecho:
(a) “Crédito pelo trabalho realizado ainda é a moeda de troca na ciência.” – 1º§.
(b) “A definição de benefício à sociedade é estabelecida por órgãos como o CNPq, que tem como função, dentre outras, avaliar a produção científica de professores vinculados às universidades federais.” – 3º§.
(c) “Como a competição por recursos escassos tem aumentado consideravelmente, essas desvantagens da regra da prioridade podem ter começado a ir além de seus benefícios.” – 5º§.
(d) “É NECESSÁRIO MUDAR O PARADIGMA DA ‘REGRA DE PRIORIDADE’[...]” – 7º§.
4. O principal objetivo do texto é
(a) discutir acerca dos benefícios e malefícios da regra de atribuição de créditos na ciência.
(b) informar os leitores acerca dos problemas causados pelas políticas de incentivo à pesquisa.
(c) alertar os pesquisadores acerca de possíveis fraudes científicas.
(d) opinar acerca da forma como se premiam os pesquisadores.
4. O principal objetivo do texto é
(a) DISCUTIR ACERCA DOS BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS DA REGRA DE ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS NA CIÊNCIA.
(b) informar os leitores acerca dos problemas causados pelas políticas de incentivo à pesquisa.
(c) alertar os pesquisadores acerca de possíveis fraudes científicas.
(d) opinar acerca da forma como se premiam os pesquisadores.
5. Analise novamente o 5º parágrafo:

“Como a competição por recursos escassos tem aumentado consideravelmente, essas desvantagens da regra da prioridade podem ter começado a ir além de seus benefícios. As taxas de êxito dos cientistas que solicitam recursos para o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) têm atingido, nos últimos anos, valores cada vez mais baixos. Como resultado, assistimos a um aumento exagerado na competição não saudável entre cientistas, acompanhado de uma proliferação incrível no número de publicações científicas contestadas devido a fraude ou a erro. Escândalos recentes na ciência são semelhantes aos casos de doping nos esportes, quando prêmios desproporcionalmente grandes atribuídos aos vencedores têm estimulado fraudes.”

Qual das estratégias de argumentação NÃO é utilizada no parágrafo?
(a) Confronto.
(b) Exemplificação.
(c) Relação causa/efeito.
(d) Comparação.

5. Estratégia argumentativa NÃO utilizada no 5º parágrafo.
(a) CONFRONTO.
(b) Exemplificação.
(c) Relação causa/efeito.
(d) Comparação.

6. Analise o excerto a seguir, retirado do 6º parágrafo:

“Estudos sobre publicações nos últimos 50 anos mostram que pesquisas desenvolvidas dessa maneira têm dominado cada vez mais a ciência e estão contribuindo para pesquisas de maior impacto, embora a regra da prioridade ainda possa estar minando esse processo.”

Um problema de argumentação que pode ser identificado no parágrafo é:
(a) falso pressuposto.
(b) uso de noção vaga/imprecisa.
(c) falso prognóstico.
(d) argumento ad hominem.


6. Um problema de argumentação que pode ser identificado no parágrafo é:
(a) falso pressuposto.
(b) USO DE NOÇÃO VAGA/IMPRECISA.
(c) falso prognóstico.
(d) argumento ad hominem.
7. Julgue como “verdadeira” (V) ou como “falsa” (F) cada uma das afirmações a seguir sobre o texto.
( ) No último parágrafo, há um falso pressuposto.
( ) A atual regra de prioridade na ciência incentiva o individualismo.
( ) Os critérios de avaliação de produtividade científica são falhos.
( ) Não há punição severa para os que cometem fraudes científicas.
( ) É cada vez mais comum a trapaça no meio científico.
(
V
) No último parágrafo, há um falso pressuposto.
(
V
) A atual regra de prioridade na ciência incentiva o individualismo.
(
F
) Os critérios de avaliação de produtividade científica são falhos.
(
F
) Não há punição severa para os que cometem fraudes científicas.
(
V
) É cada vez mais comum a trapaça no meio científico.

Agora, para melhor entendermos o que é uma argumentação convincente, vamos rever e comentar os textos da
AP2,
realizada em 24 de fevereiro.
O que faz uma argumentação ser mais convincente ou menos convincente?
Vamos aos textos?

Atividade presencial 02 (TIPO 01)

Na aula de hoje, lemos um artigo de opinião intitulado “Em defesa do voto obrigatório”, cuja autoria é de João Feres Júnior e Fábio Kerche. No texto, os articulistas defendem a tese de que “o fim do voto obrigatório é uma proposta que pode piorar o que se busca consertar”. Agora, leia outro artigo que trata da mesma temática e responda às questões que
seguem.

Voto democrático é voto facultativo
Instituído em 1932 pelo Código Eleitoral, tornando-se norma constitucional em 1934, o voto obrigatório até hoje persiste no Brasil, tendo completado 81 anos de existência. Nas Américas, o voto também é obrigatório na Bolívia, Argentina, Equador, Honduras, Panamá, Peru, Paraguai, Costa Rica, República Dominicana e Uruguai. No resto do mundo, o voto é obrigatório na Angola, Áustria, Austrália, Chipre, Egito, Grécia, Luxemburgo, República de Nauru, Filipinas, Ruanda, Singapura, Turquia, Bélgica, Ilhas Fiji e Tailândia. Nos demais países, ou o voto é facultativo ou não há eleições [1]. Nesse universo temático, interessante é perceber que
quase 42% dos 26 casos mundiais de votação obrigatória ocorrem no continente americano e que mesmo em Cuba o voto é facultativo.
Ainda que o Brasil não esteja isolado na obrigatoriedade do voto, pois até mesmo notáveis democracias como Bélgica, Áustria e Austrália assim também o fazem, forçoso é constatar que há muito o voto no Brasil deveria ser facultativo.
Não há argumento a favor do voto obrigatório que fique em pé diante da própria natureza do libertário ato de votar, que traz na sua essência um ato de vontade independente, autônomo, livre de amarras. Por isso mesmo causa estranheza a recente deliberação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal que, ao analisar a proposta de Emenda à Constituição 55/2012, rejeitou-a por 16 votos a 6, com o epidérmico argumento de que o voto é um dever do cidadão, devendo comparecer à urna para manifestar a sua vontade, mesmo que seja para anular o voto ou votar em branco.
Confundiram os nobres senadores da república o dever sociopolítico do ato de votar — um ato de consciência cívica —, com a obrigatoriedade jurídica imposta aos eleitores para que compareçam à sessão eleitoral no dia do pleito.


Aqueles que são favoráveis ao voto obrigatório argumentam ainda que o voto facultativo não deve ser acolhido, pois colocaria em risco a representação democrática, uma vez que haveria um elevado índice de eleitores faltosos com a sua implantação, e isso deslegitimaria o resultado das urnas. Para combater essa afirmação, trazemos à baila

o exemplo da maior democracia do mundo: os Estados Unidos da América.
Lá, nas eleições ocorridas em 2002, 2006 e 2010,
os índices de comparecimento de eleitores foram respectivamente de 45%, 47% e 41%. Mas nem por isso se ousou dizer que essas eleições estariam maculadas de invalidez por não terem comparecido às urnas ao menos 50% dos eleitores registrados
. Outro exemplo é o Chile, onde desde 2012, o voto passou a ser facultativo e, no segundo turno das eleições presidenciais, realizadas recentemente em 15 de dezembro de 2013,
apenas 42% dos 13,5 milhões de eleitores compareceram às urnas
.
Desse universo de votos
,
a candidata eleita, Michelle Bachelet Jeria, obteve 3,4 milhões de votos, o que representa tão-somente 25,18% de todo o eleitorado chileno
. Mas quem ousaria dizer que as eleições chilenas não produziram um resultado legítimo
Quer nos parecer que a existência d
o voto obrigatório no Brasil

representa antes a manifestação dos interesses próprios e inconfessáveis de diversos atores políticos, que veem os eleitores como uma massa inerme e de fácil convencimento, do que um gesto altivo e zeloso que almeje o aprimoramento da democracia nacional.

O octogenário voto obrigatório em solo brasileiro há muito deveria estar abolido, mas, infelizmente, não é esse o desejo da maioria dos parlamentares que, ao defenderem a sua continuidade, sempre com muito denodo e afinco, argumentam estar buscando o melhor para a nação.
Voto democrático é voto espontâneo, voto livre, voto facultativo!
O QUE FAZ DESSE ARTIGO UM TEXTO CONVINCENTE?
AS ESTRATÉGIAS DE ARGUMENTAÇÃO PLAUSÍVEIS QUE SUSTENTAM A TESE ESCOLHIDA.
AP2, TIPO 03.

O túmulo do voto obrigatório

Em 2012, entendemos que acabou mais uma eleição no país e, como as outras, não deixou saudades. Elegeram-se os mesmos ou quase os mesmos.
“Quanto mais muda, mais é a mesma coisa”
- dize
m os franceses. O ditado vale como uma luva para o Brasil. E o que permanece igual? É a nossa escravidão ao voto, que sempre foi dever por aqui, porque não muda nada. Se realmente mudasse, seria um direito. Assim, em terras de vera cruz, as coisas mudam para permanecerem iguais. Os direitos podem ser reivindicados, mas jamais impostos. Todos os querem.
O brasileiro luta sempre por eles e

as elites
fingem que os concedem
, lentamente e na base das migalhas.
Acontece o mesmo com o voto obrigatório.
As elites
argumentam que, se ele for abolido, ninguém irá votar. Sabem, por intuição, que
o brasileiro tem tal raiva dos políticos e da política que, para aguentá-los, só mesmo sendo tangido ao matadouro
.
No entanto, obrigatório não é o voto; é o comparecimento. O sujeito precisa ir à seção ou justificar a não presença por motivo de força maior. Assim,
o brasileiro resolveu protestar, forçando a abstenção, por absenteísmo, a nulidade ou a brancura do voto. Afinal, a única forma de se omitir, de mostrar inconformidade com o velho instituto é
lavar as mãos
,
inclusive no pavoroso segundo turno, em que se deve decidir entre candidatos aparentemente menos desprezados.
Dessa vez, as eleições foram ainda mais higiênicas, com a lei da ficha limpa finalmente em vigor.
As autoridades, no entanto, não contavam com a opinião dos mais pobres, que impelidos a votar a contragosto adoraram votar em gente de reputaçãonão ilibada.
Neste país, continua vigendo o princípio não escrito:
quanto mais ladrão, mais querido!
– e ele vale entre os miseráveis desde vereador até presidente.
Os pobres, sem oportunidades de educação, e estupidificados pela mídia, acostumaram-se a conviver com as dificuldades próprias de seu nível de renda, convivendo com a corrupção, os bandidos, os traficantes, os agiotas e os milicianos que pululam em seu dia a dia, não se comovendo com a palavra “ética”, cujo significado positivamente não lhes interessa. Disso resulta uma representação capenga, mas os políticos porventura eleitos nessa camada ainda são melhores do que o estado social dos seus eleitores.
O que sobra é sempre a fome, a seca, as enchentes, as estradas mal construídas, a falta de educação, de saúde, de moradia e de saneamento.

A classe média e a rica, por outro lado, que pensam em moralidade, bem- -estar, qualidade de vida e sustentabilidade,
elegem também alguns representantes, mas raramente eles vencem em eleições majoritárias. O discurso tecnocrático de eternos candidatos – como aconteceu em São Paulo – não convence mais a ninguém.
Assim, na prática,
tivemos uma abstenção geral de 20% em quase todo país,
demonstrando que o povo já se encheu do voto obrigatório. Mas quem decide por ele ainda não. As elites estão esperando o enterro da oligarquia do atraso, por decurso de prazo, para suscitar a “novidade”, adotada sem dor nem risco nas melhores democracias do mundo: a não obrigatoriedade do pronunciamento nas eleições.
Chegamos ao paradoxo de sermos uma democracia de massas, com enorme eleitorado, mantendo os votantes em regime de exigente compulsão, como se isso fosse um flagelo. Quanto mais os políticos se distanciam da cidadania, mais é necessário obrigar o povo a votar neles. Ou seja, aqui construímos o maior fosso possível entre a democracia representativa e a participativa.
Ora,
é claro que a população vai sumir dos pleitos nas primeiras eleições sem o voto obrigatório. Naturalmente provará do porre da liberdade e não irá se pronunciar.
Esse é o desejo, sem dúvida, da maioria espoliada e revoltada. Algumas eleições depois, porém,
o contingente voltará a comparecer, mas nesse ínterim os partidos e candidatos serão outros,
mais bem escolhidos e selecionados. Isso é cristalino como boa água mineral.
O voto obrigatório traz a escória eleitoral para os pleitos.
Os pobres nada esperam deles
, porque
sabem que serão esquecidos depois
, atrás dos cordões de isolamento. E os ricos continuarão explorando os políticos para as suas jogadas de superfaturamento e de privatização do Estado brasileiro em tenebrosas transações – que
ninguém é de ferro!
Na verdade, o mais paradoxal é que
o voto obrigatório serve ao pior conservadorismo dos partidos dominantes e que explora os grotões, que nada têm e nada podem sem o auxílio e a caixa do governo.
No Brasil, enfim, acontece uma coisa muito engraçada: o povo é otimista, mas o futuro é pessimista...
02.
Explicitem a tese defendida pelo articulista.
O voto obrigatório não contribui com a democracia no Brasil.

03 –
O articulista se mostrou convincente no texto? Justifiquem essa resposta, utilizando trechos do artigo.
Não.

O texto não é convincente, porque não apresenta estratégias de argumentação plausíveis, mas muitos defeitos de argumentação.
Essa resposta já valia
1,0
.

Para justificar a resposta, o aluno deveria apontar dois trechos em que foram detectados
defeitos de argumentação (
1,0 + 1,0 = 2,0
) e as
razões pelas quais entendia serem esses trechos exemplos de defeitos de argumentação (
1,5 + 1,5 = 3,0
).
Os aspectos linguístico-textuais valiam
1,0
.
Valor total: 7,0.

O QUE FAZ DESSE ARTIGO UM TEXTO NÃO CONVINCENTE?
A PRESENÇA DE MUITOS E VARIADOS DEFEITOS DE ARGUMENTAÇÃO, O QUE ACABA NÃO SUSTENTANDO A TESE ESCOLHIDA.
Agora, para finalizar a nossa revisão, vamos ver como seguir, corretamente, as instruções para elaboração de uma questão discursiva sobre a produção de um texto argumentativo.
Vamos começar com o
artigo de opinião.
A questão discursiva vem precedida, quase sempre, de uma explanação geral sobre o tema.
1 – ARTIGO DE OPINIÃO

(a) Atribuição de um título ao texto e, na linha abaixo, à direita, inserção do seu nome seguido de e-mail.
(b) Parágrafo introdutório no qual você explicite o tema, o recorte temático e a tese a ser defendida.
(c) Parágrafos de desenvolvimento em que você justifique o ponto de vista explicitado na introdução, seguido de, pelo menos, dois argumentos convincentes para alicerçá-lo (use um parágrafo para cada argumento).
(d) Parágrafo conclusivo ratificando a pertinência do raciocínio desenvolvido.
(e) Escrita conforme a norma padrão.
CARTA ARGUMENTATIVA

(a) Interlocutor: aqui virá, determinado, o interlocutor. É fundamental que você faça a correta interlocução em toda a carta.
(b) Parágrafo introdutório no qual você explicite o fato motivador da carta e a tese a ser defendida.
(c) Parágrafos de desenvolvimento em que você justifique o ponto de vista explicitado na introdução, seguido de, pelo menos, dois argumentos convincentes para alicerçá-lo (use um parágrafo para cada argumento e estabeleça a devida interlocução com o destinatário da carta).
(d) Parágrafo conclusivo ratificando a pertinência do raciocínio desenvolvido.
(e) A interlocução, na carta, exige também a adequada despedida e a assinatura do remetente.
(f) Escrita conforme a norma padrão.
Observações
1) O texto produzido deve apresentar, no mínimo, vinte e cinco linhas e, no máximo, trinta e cinco.
2) Em lauda numerada, não se pula linha.
3) Aos textos que não seguirem
rigorosamente
as orientações explicitadas no comando desta questão será atribuída a nota zero.
Concluindo...

Esperamos que os estudos realizados em PLE II até este momento e, em especial, os conteúdos revistos nesta aula possam servir como subsídios não apenas para o exame que acontecerá na próxima segunda-feira (em 31/03), mas também para as próximas atividades da nossa disciplina, a formação acadêmica e o exercício profissional de vocês no que se refere às práticas de leitura e escrita.
O texto argumentativo
"Fechamos" o texto com uma
conclusão
que ratifique a tese.
O
TEMA
é sempre mais global, mais abrangente, e o
RECORTE TEMÁTICO
,
o foco.
Fugimos das armadilhas dos
defeitos de argumentação
.
Selecionamos
estratégias de argumentação
plausíveis para sustentar a tese a ser defendida.
Identificamos a
problematização
, base para nos posicionarmos evidenciando uma
TESE.
Na aula de hoje, lemos um artigo de opinião intitulado “Em defesa do voto obrigatório”, cuja autoria é de João Feres
Júnior e Fábio Kerche. No texto, os articulistas defendem a tese de que “o fim do voto obrigatório é uma proposta que
pode piorar o que se busca consertar”. Agora, leia outro artigo que trata da mesma temática e responda às questões que
seguem.
Artigo de opinião
Voto democrático é voto facultativo
Wanderson Bezerra de Azevedo .Com adaptações.
Instituído em 1932 pelo Código Eleitoral, tornando-se norma constitucional em 1934, o voto obrigatório até hoje
persiste no Brasil, tendo completado 81 anos de existência. Nas Américas, o voto também é obrigatório na Bolívia,
Argentina, Equador, Honduras, Panamá, Peru, Paraguai, Costa Rica, República Dominicana e Uruguai. No resto do mundo,
o voto é obrigatório na Angola, Áustria, Austrália, Chipre, Egito, Grécia, Luxemburgo, República de Nauru, Filipinas,
Ruanda, Singapura, Turquia, Bélgica, Ilhas Fiji e Tailândia. Nos demais países, ou o voto é facultativo ou não há eleições [1].
Nesse universo temático, interessante é perceber que quase 42% dos 26 casos mundiais de votação obrigatória ocorrem
no continente americano e que mesmo em Cuba o voto é facultativo.
Dados quantitativos e confronto
Ainda que o Brasil não esteja isolado na obrigatoriedade do voto, pois até mesmo notáveis democracias como
Bélgica, Áustria e Austrália assim também o fazem, forçoso é constatar que há muito o voto no Brasil deveria ser
facultativo.
Não há argumento a favor do voto obrigatório que fique em pé diante da própria natureza do libertário ato de
votar, que traz na sua essência um ato de vontade independente, autônomo, livre de amarras. Por isso mesmo causa
estranheza a recente deliberação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal que, ao analisar a proposta de
Emenda à Constituição 55/2012, rejeitou-a por 16 votos a 6, com o epidérmico argumento de que o voto é um dever do
cidadão, devendo comparecer à urna para manifestar a sua vontade, mesmo que seja para anular o voto ou votar em
branco. Confundiram os nobres senadores da república o dever sociopolítico do ato de votar — um ato de consciência
cívica —, com a obrigatoriedade jurídica imposta aos eleitores para que compareçam à sessão eleitoral no dia do pleito.
Confronto
QUESTÃO 03
– O articulista se mostrou convincente no texto? Justifiquem essa resposta, utilizando trechos do artigo.

Expectativa de resposta e critérios de pontuação

Sim, o texto lido é convincente, porque apresenta estratégias de argumentação plausíveis.
Essa indicação já valia 1,0.
Para justificar a resposta, o aluno deveria apontar dois trechos em que foram detectadas estratégias de argumentação plausíveis (
1,0 + 1,0 = 2,0
) e as razões pelas quais entendia serem esses trechos exemplos de argumentos convincentes (
1,5 + 1,5 = 3,0
).
Os aspectos linguístico-textuais valiam 1,0.

Valor total da questão: 7,0
.

Cuidado com FUGA AO TEMA (quando é pedido um tema e você escreve sobre outro) e com o TANGENCIAMENTO (quando você se concentra apenas no tema, desviando-se do RECORTE TEMÁTICO pedido.

FUGA AO TEMA é nota ZERO.
TANGENCIAMENTO resulta em nota DOIS, se o valor da questão discursiva for dez, e nota UM se valer cinco pontos.
Dados quantitativos e confronto
ESTRATÉGIA
DE CONFRONTO
Essa distinção é com propriedade explicada por José Afonso da Silva:

“[...] o voto é um direito público subjetivo, uma função social (função da soberania popular na democracia representativa) e um dever, ao mesmo tempo. Dever jurídico ou dever social?
Não resta dúvida de que é um dever social, dever político, pois, ‘sendo necessário que haja
governantes designados pelo voto dos cidadãos, como é da essência do regime
representativo, o indivíduo tem o dever de manifestar sua vontade pelo voto’. Esse dever
sociopolítico do voto independe de sua obrigatoriedade jurídica. Ocorre também onde o voto
seja facultativo. Mas, como simples dever social e político, seu descumprimento não gera
sanção jurídica, evidentemente.”
CITAÇÃO DE
AUTORIDADE
Contra-argumentação
Exemplificação
Dados quantitativos
Recorte temático
TESE,
que também
pode ser vista no título.
Noção vaga
Generalizações
Uso de aforismo
Generalizações
Falsos pressupostos

Uso de aforismo
Falso pressuposto
e generalização
Dados quantitativos
sem a fonte
Falso Prognóstico
e
Generalização
Uso de aforismo
TESE
Generalização
Falso prognóstico
Full transcript