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A Representação do Eu na Vida Cotidiana

Seminários Temáticos III - PPGL/UFC 2013.1
by

Sayonara Costa

on 12 May 2014

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Transcript of A Representação do Eu na Vida Cotidiana

A representação do eu na vida cotidiana
Erving Goffman
Erasmo Freitas,
Lyssandra Torres,
Sayonara Costa
Universidade Federal do Ceará
Programa de Pós-Graduação em Linguística
Seminários Temáticos III
Representações
Questões iniciais
Crença no papel que o indivíduo está representando
Fachada
Realização dramática
Idealização
Manutenção do controle expressivo
Representação falsa
Mistificação
Realidade e artifícios
Considerações Finais
Mistificação
Realidade e Artifícios
Idealização
Idealização = aspecto social da representação
A versatilidade que permite que uma mesma fachada seja utilizada para diferentes representações, constitui um dos modos pelos quais uma representação é “socializada”, moldada e modificada para se ajustar à compreensão e às expectativas da sociedade em que é apresentada.
Idealização e Estratificação Social
“Verificamos habitualmente que a mobilidade ascendente implica na representação de desempenhos adequados e que os esforços para subir e para evitar descer exprimem-se em termos dos sacrifícios feitos para a manutenção da fachada.” p. 41
Status
s. m. 2 núm.1. Estatuto ou situação de uma pessoa ou entidade.2. Estatuto privilegiado.
Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
“Talvez a peça mais importante do equipamento de sinais associado à classe social consista nos símbolos do status, mediante os quais se exprime a riqueza material.” p. 42
Estereótipos – representação/papel socialmente compartilhado e esperado do ator que deseja adquirir determinado status. Seja ascendente ou descendente.
Se um indivíduo tem de dar expressão a padrões ideais na representação, então terá de abandonar ou esconder ações que não sejam compatíveis com eles.
1)Possíveis lucros
2)Erros e enganos
3)Produto final
4)Tarefas degradantes
5)Publicização de padrões ideais
Ao lado da ocultação, vem a ostentação dos valores que legitimam o papel.
“Os atores podem mesmo tentar dar a impressão de que seu equilíbrio e eficiência atuais são coisas que sempre tiveram e que nunca precisaram passar por um período de aprendizado.” p. 51
“A plateia, por sua vez, admite muitas vezes que o personagem projetado diante dela é tudo que há no indivíduo que executa a representação.” p. 52
O acordo tácito prevê a nuclearização do ator, por parte do auditório, e a segregação do auditório, por parte do ator.
“Graças à segregação do auditório o indivíduo garante que aqueles diante dos quais desempenha um de seus papeis não serão as mesmas pessoas para as quais representará um outro papel num ambiente diferente.” p. 52
“Mesmo que os atores tentem destruir esta segregação e a ilusão que ela cria, as plateias o impediriam muitas vezes de proceder assim. O público pode achar uma grande economia de tempo e energia emocional no direito de tratar o ator segundo seu valor profissional visível, como se ele fosse tão-somente o que seu uniforme exige que seja.” 52
Fachada
Crença no papel que o indivíduo está representando
Representação falsa
Manutenção do controle
expressivo

Realização Dramática
Considerações Finais
Referências
Espetáculo “para benefício de outros”
Impressão de realidade
Crença na própria atuação
“Num dos extremos, encontramos o ator que pode estar inteiramente compenetrado de seu próprio número. Pode estar sinceramente convencido de que a impressão de realidade que encena é a verdadeira realidade” (...) “No outro extremo, verificamos que o ator pode não estar completamente compenetrado de sua própria prática” (GOFFMAN,2002,p.25)
Cinismo vs sinceridade ( (des)compromisso profissional)
“Não queremos dizer com isso, por certo, que todos os atores cínicos estejam interessados em iludir sua plateia, tendo por finalidade o que se chama de “interesse pessoal” ou lucro privado. Um indivíduo cínico pode enganar o público pelo que julga ser o próprio bem” (GOFFMAN,2002,p.26).
“Não é provavelmente um mero acidente histórico que a palavra “pessoa”, em sua acepção primeira, queria dizer máscara. Mas, antes, o reconhecimento do fato de que todo homem está sempre e em todo lugar, mais ou menos conscientemente, representando um papel... É nesses papéis que nos conhecemos uns aos outros; é nesses papéis que nos conhecemos a nós mesmos” (PARK, 1950, p.249).
Continuidade/máscaras/papéis
Ciclo variável
Descrença
Crença
Convicção/
aspiração insegura
Cinismo
Cinismo
Autoilusão
Sinceridade
“O indivíduo pode tentar induzir o auditório a julgá-lo e à situação de um modo particular, procurando este julgamento como um fim em si mesmo e, contudo, pode não acreditar completamente que mereça a avaliação de sua personalidade que almeja ou que a impressão de realidade por ele alimentada seja válida” (GOFFMAN, 2002,p.28).
“toda atividade de um indivíduo que se passa num período caracterizado por sua presença contínua diante de um grupo particular de observadores e que tem sobre estes alguma influência” (GOFFMAN, 2002, p.29)
Definição de representação
“Parte do desempenho do indivíduo que funciona regularmente de forma geral e fixa com o fim de definir a situação para os que observam a representação. (...) é o equipamento expressivo de tipo padronizado intencional ou inconscientemente empregado pelo indivíduo durante sua representação” (GOFFMAN, 2002, p.29).
Definição de fachada
a mobília, a decoração, a disposição física e outros elementos do pano de fundo que vão constituir o cenário e os suportes do palco para o desenrolar da ação humana executada diante, dentro ou acima dele. Refere-se às partes cênicas de equipamento expressivo.
Cenário
Partes padronizadas da fachada social
Fachada pessoal
Aparência
Maneira
Itens de equipamento expressivo que se identificam com o ator e que, naturalmente, esperamos que o sigam onde quer que vá. Exemplo: vestuário, sexo,idade, padrões de linguagem etc).
A expressão facial, pelo contrário, pode variar.
estímulos que funcionam no momento para nos revelar o status social do ator e o estado ritual temporário do indivíduo
estímulos que funcionam no momento para nos informar sobre o papel de interação que o ator espera desempenhar na situação que se aproxima. Exemplo: arrogante, agressiva vs humilde.
Compatibilidade confirmadora entre aparência e maneira (coerência da fachada)/ Coerência entre ambiente, aparência e maneira
Expectativas de Goffman
Sistema de identificações
Exemplos: estabelecimentos (particularização das cantinas, do pagamento, direitos, instalações sanitárias etc)
MANUTENÇÃO DA FACHADA SOCIAL
“...quando é dada uma nova fachada a uma tarefa, raramente verificamos que a fachada dada é, ela própria, nova” (GOFFMAN, 2002, p.34)

Compatibilidade de fachadas
Aceitação de sinais pelo público
Má interpretação do ator - público na posição de ser enganado
Motivos para evitar a falsidade - vergonha, culpa e medo.
Impressão dada pelo ator: verdadeira ou falsa, genuína ou ilegítima, válida ou mentirosa.
Categoria da Semiótica Discursiva: veridicção (ser vs parecer)
“Busca-se o quê, mas por vias do como; não o sentido verdadeiro, mas, antes, o parecer verdadeiro, o simulacro. (CORTINA; MARCHEZAN, 2004, p. 394).
Semiótica verdade dizer-verdadeiro (veridicção)
“O discurso é esse lugar frágil em que se introduzem e leem a verdade e a falsidade, a mentira e o segredo; (…) equilíbrio mais estável ou menos, proveniente de um acordo implícito entre os dois actantes da estrutura da comunicação. É esse entendimento tácito que é designado pelo nome de contrato de veridicção” (GREIMAS, 1983, p. 105).
Relação entre o fazer crer (fazer persuasivo) e
o crer verdadeiro (fazer interpretativo)
"O crer-verdadeiro do enunciador não basta,supomos, à transmissão da verdade. O enunciador pode dizer quanto quiser, a respeito do objeto de saber que está comunicando, que “sabe”, que “está seguro”, que é “evidente”; nem por isso pode ele assegurar-se de ser acreditado pelo enunciatário; um crer-verdadeiro deve ser instalado nas duas extremidades do canal de comunicação, e é esse o equilíbrio, mais ou menos estável, esse entendimento tácito entre dois cúmplices mais ou menos conscientes que nós denominados contrato de veridicção” (GREIMAS; COURTÉS, 2008, p.530)
“A ‘verdade’, para ser dita e assumida, tem de deslocar-se em direção às instancias do enunciador e do enunciatário. Não mais se imagina que o enunciador produza discursos verdadeiros, mas discursos que produzem um efeito sentido ‘verdade’: desse ponto de vista, a produção da verdade corresponde ao exercício de um fazer cognitivo particular, de um fazer parecer verdadeiro que se pode chamar, sem nenhuma nuance pejorativa, de fazer persuasivo” (GREIMAS; COURTÉS, 2008, p.531)
Fonte: Greimas e Courtés, 2008, p.532
Sinais de acentuação e configuração de fatos confirmatórios
“Com o outro, o indivíduo geralmente inclui em suas atividades sinais que acentuam e configuram de modo impressionante fatos confirmatórios que, sem isso, poderiam permanecer despercebidos ou obscuros”. (GOFFMAN, 2002, p.36).
“Se a atividade do indivíduo tem de tornar-se significativa para os outros, ele precisa mobilizá-la de modo tal que expresse, durante a interação, o que ele precisa transmitir”. (GOFFMAN, 2002, p. 36-37).
Possibilidades de construção de sinais
“A gramaticalização das atitudes e opiniões (subjetivas) do falante”. (PALMER, 1986).

Modalidade epistêmica e deôntica – eixos do conhecimento e da conduta, respectivamente.
Modalidade - Linguística
Stanislavski descobriu que a emoção independente da vontade. Para ele, o ator tem de dominar a biografia total do personagem. Todos os nossos atos, mesmo os mais simples, aqueles que estamos acostumados em nosso cotidiano, são desligados quando surgimos na ribalta, diante de uma platéia de mil pessoas. Isso é porque se corrigir e aprender novamente a andar, sentar, ou deitar. É necessário a auto re-educação para, no palco, olhar e ver, escutar e ouvir.
Ações físicas – Teatro
Ainda segundo ele, os objetivos do ator são: convencer o espectador da realidade do que se imaginou para a realização do espetáculo; mostrar o que o personagem quer, o que pensa, para que vive; revelar o rico e complicado mundo interior do homem; agir como personagem na base da simples lógica da vida real.
•Tempos de ação.
•Dramatização dentro de outra dramatização.
•Improvisação / “Cacos”.
A interação nas frações de segundo
Esforço para construir imagens
Valorização X desprestígio profissional na construção da imagem para o outro.
Dramatizações profissionais e os problemas de interpretação social.
Visões repertoriadas sócio-culturalmente de ações humanas.
Multimodalidade
Flagrante delicto de uma representação errônea que um ator honesto é capaz de evitar.
Interesse maior em perceber se o ator está, ou não, autorizado em desempenhar o papel em questão, e não primordialmente na representação real em si mesma.

“Quando descobrimos que alguém com quem lidamos é um impostor, um rematado velhaco, estamos descobrindo que ele não tinha o direito de representar o papel que desempenha e não era um ocupante credenciado da importante posição social” (GOFFMAN,p.2002,p.60)
Personificação- mitologia - vilão e herói têm “pretensões fraudulentas que são desmentidas no último capítulo: o vilão mostrando não ter uma posição social elevada, o herói mostrando não ter uma inferior” (GOFFMAN,2002,p.61)
Concepção da falsa representação:
mentira deslavada (prova irrefutável)- descrédito
Lei norteamericana- “Representação falsa é considerada um ato intencional, sendo um ato que pode surgir pela palavra ou pela ação, por uma declaração ambígua ou distorção da verdade literal,não-revelação ou impedimento da descoberta” (GOFFMAN,2002,p.64)
Probabilidade de pontos de segredo (Veridiccção)- Exemplo: casal (assuntos financeiros, experiências anteriores. Leviandades atuais, aspirações e desejos pessoais, opiniões sinceras acerca de amigos em comum etc.)
“Para muitos acontecimentos sociológicos pode nem mesmo ser necessário decidir qual a mais real, se a impressão criada ou a que o ator tenta impedir que o público receba. A consideração sociológica decisiva, pelo menos para este trabalho, é simplesmente que as impressões alimentadas pelas representações cotidianas estão sujeitas a ruptura. Desejaremos saber que espécie de impressão de realidade pode destroçar a impressão alimentada de realidade, e que realidade pode realmente ser deixada a outros estudiosos. Desejaremos perguntar ‘ quais os meios pelos quais uma dada impressão pode ser desacreditada?’, e isto não é bem o mesmo que perguntar ‘ quais as maneiras pelas quais a impressão é falsa?’ “
Considerações iniciais
Erving Goffman (1922-1982) é reconhecido como um dos autores mais influentes intelectualmente no contexto da sociologia norte-americana.
Sua obra continua tendo um significativo impacto nas ciências sociais em vários países. A obra de Goffman incorporou e transformou criativamente, durante a sua elaboração, contribuições de autores clássicos assim como de cientistas sociais de seu tempo.
Asylums (traduzido como Manicômios, prisões e conventos, publicado pela Perspectiva em 1974)
The presentation of self in everyday life (traduzido como A representação do eu na vida cotidiana, publicado pela Vozes em 1975)
Stigma (Estigma, publicado em 1975 pela Zahar Editores)
Principais obras
Internacionalmente, tais edições são conhecidas como "The Big Three", seus três livros mais famosos e citados, que mantiveram Goffman por mais de vinte anos como o autor mais referido no Social Citation Index. Os temas e os conceitos goffmanianos ainda estão em pleno uso e vitalidade não só na sociologia e na antropologia, mas também em áreas como a psicologia, a linguística e a educação
No título, o autor fala de 'Presentation', que pode ser traduzida por 'Apresentação'. Já a 'Representação' propriamente dita, na obra, aparece como 'Performance'. Essa distinção é importante para deixar claro que o autor diferencia apresentação de representação. Como se o indivíduo se apresentasse ao mundo por meio de representações, ou, nos termos do Goffman, por meio de performances.
Representação ou apresentação?

O self de Goffman, no entanto, é um eu múltiplo, dinâmico que se espraia a qualquer circunstância numa atitude responsiva.
Numa acepção geral, entende-se por self aquilo que define a pessoa na sua individualidade e subjetividade, isto é a sua essência.
Este termo foi utilizado inicialmente por vários psicanalistas para designar a pessoa enquanto lugar de atividade psíquica, ou seja, o self seria o produto de processos dinâmicos que asseguram a unidade e a totalidade do sujeito. Para alguns psicanalistas norte-americanos o self é assimilado ao objeto do investimento narcísico.
Nesta prespectiva teórica, o sujeito é plástico, tem a capacidade de causar impressões. Não é um sujeito clivado, decomposto, como é na Psicanálise.
Self
ARISTÓTELES. Retórica. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1998.
BAKHTIN, M. M. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. (2ª edição 1965). São Paulo: HUCITEC, 1987.
BENVENISTE, E. Problemas de Linguística Geral I. 5 ed. Campinas: Pontes Editores, 2005.
CORTINA,A; MACHERZAN, R. Teoria Semiótica: a questão do sentido. In: MUSSALIN,f.; BENTES, A.C.(org). Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. v.3. São Paulo: Cortez, 2001,p.393-438.
GREIMAS, A. J. ; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. São Paulo: Cultrix, [1979], 2008.
GOFFMAN, Erving. A Representação do Eu na Vida Cotidiana. (14ª edição). Petrópolis: Editora Vozes. 2002.
____________. Footing. In.: RIBEIRO, Branca Telles; GARCEZ, Pedro M. (Orgs.). Sociolinguística interacional. 2ª. ed. rev. e ampl. São Paulo: Loyola, 2002. p. 107-148.
KRESS, G. Writing the future: English and the Making of a Culture of Innovation. New York: Routledge, 1995.
PAIVA, Geórgia Maria Feitosa. A polidez linguística em sala de aula de bate-papo na internet. Dissertação. (Mestrado em Linguística). Fortaleza: Programa de Pós-Graduação em Linguística. Universidade Federal do Ceará (UFC), 2008.
PALMER, F. R. Mood and Modality. Cambridge: Cambridge University Press, 1986.
SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada - Ensaio de Ontologia Fenomenológica. Petrópolis: Vozes,1997.
STANISLAVSKI, C. A Preparação do Ator. Tradução: Pontes de Paula Lima. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
______. A Construção da Personagem. Tradução: Pontes de Paula Lima. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1986.
Compreensão da plateia
Incompatibilidade de propósitos comunicativos do ator e da platéia.
Em meio a um desvio de propósito, os atores tendem a se esforçar para que tal desvio não prejudique o espetáculo inteiro.
Improvisos e ensaios.
Condição simbólica coletiva
O ator pode mostrar acidentalmente incapacidade.
O ator pode agir de tal maneira que dê a impressão de estar preocupado demais ou de menos com a interação.
O ator pode deixar que sua apresentação sofra por uma incorreta direção dramática.
Coerência das culturas diversas
Graus de cuidado expressivo nos detalhes. “A coerência expressiva nas representações põe em destaque uma decisiva discrepância entre nosso eu demasiado humano e nosso eu socializado. Como seres humanos somos, presumivelmente, criaturas com impulsos variáveis, como estados de espírito e energias que mudam de um momento para o outro. Porém, quando nos revestimos do caráter de personagens em face de um público, não devemos estar sujeitos a altos e baixos.” (GOFFMAN, 2002, p. 58). Ritos das culturas.
Atitude social e cultura
Proficiência pragmática.
“Devemos estar capacitados para compreender que a impressão de realidade criada por uma representação é uma coisa delicada, frágil, que pode ser quebrada por minúsculos contratempos” (GOFFMAN, 2002, p. 58).
O processo de socialização não apenas transfigura, mas também fixa.
Um “tecer junto, um objeto fabricado que é formado por fios, tecidos juntos" – fios constituídos de modos semióticos. Esses modos podem ser entendidos como formas sistemáticas e convencionais de comunicação. Um texto pode ser formado por vários modos semióticos (palavras e imagens, por exemplo) e, portanto, podemos chegar à noção de multimodalidade. (KRESS,1995, p.7).
“Se considerarmos a percepção como uma forma de contato e participação, então o controle sobre o que é percebido é o controle sobre o contato feito, e a limitação e regulação do que é mostrado é limitação e regulação do contato.” p. 67
“... especialmente se encobre uma fraqueza pessoal intrínseca, tem sempre tendência a se rodear de formalidades e mistério artificial, cujo objetivo é evitar o contato íntimo e dar, assim, à imaginação uma oportunidade de idealizar...” p.68
“A plateia percebe mistérios e poderes secretos por trás da representação, e o ator sente que seus principais segredos são insignificantes. Como demonstra um sem-número de contos populares e de ritos de iniciação, frequentemente o verdadeiro segredo por trás do mistério é que realmente não há mistério. O problema real consiste em evitar que o público também aprenda isso.” p. 69
(...) uma forma concreta (embora provisória) da própria vida, que não era simplesmente representada no palco, antes, pelo contrário, vivida enquanto durava o carnaval.” (BAKHTIN, 1987, p. 6)
‘[o carnaval] se situa nas fronteiras entre a arte e a vida. Na realidade, é a própria vida apresentada com os elementos característicos da representação. (BAKHTIN, 1987, p. 6)
Representação e Carnavalização
Modelos de bom-senso para a conceituação
do comportamento
a) A representação verdadeira, sincera, honesta;
b) A representação falsa, que falsificadores completos reúnem para nós, quer não se destinem a ser levadas a sério, como no trabalho dos atores de teatro, quer pretendam ser sérias, como no trabalho dos vigaristas.
“Se uma representação está se desenrolando, os assistentes, de modo geral, devem ser capazes de acreditar que os atores são sinceros. Este é o lugar estrutural da sinceridade no drama dos acontecimentos.”
Psicodrama
“A socialização pode não envolver tanto uma aprendizagem dos múltiplos detalhes de um único papel concreto; frequentemente não haveria tempo ou energia suficiente para isto. O que parece ser exigido do indivíduo é que aprenda um número suficiente de formas de expressão para ser capaz de “preencher” e dirigir mais ou menos qualquer papel que provavelmente lhe seja dado.” p. 73
“As encenações legítimas do cotidiano não são “representadas” ou “assumidas” no sentido de que o ator sabe de antemão exatamente o que vai fazer e o faz exclusivamente em razão do efeito que provavelmente venham a ter. As expressões que se julga que ele emite serão especialmente ‘inacessíveis’ para ele.” p. 73

"todos nós representamos melhor do que sabemos como fazê-lo.” p. 73
Em resumo,
“Há realmente muitas precauções para aprisionar um homem naquilo que ele é, como se vivêssemos com o perpétuo receio de que possa escapar do que é, possa fugir e de repente ver-se livre da própria condição.” (SARTRE, 1997)
"[...] é na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como sujeito." (BENVENISTE, 2005, p. 286)
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