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Untitled Prezi

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on 21 February 2013

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Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Programa de Pós-Graduação em Linguística Demência de Alzheimer:
a constituição do sujeito através da referenciação dêitica Emanuelle de Souza Silva Almeida
Orientadora: Profª Drª Ivone Pachoca
Coorientadora:Profª Drª Nirvana Ferraz Considerações Iniciais Metodologia Pesquisa de abordagem qualitativa

Modalidade transversal

Corte por critério de saturação

Análise de narrativa de história de vida

Transcrição: Análise de Conversação / BDN Hipótese As unidades dêiticas não se configuram em uma simples categoria de palavras, mas um lugar em que os processos interativos se apresentam de maneira mais efetiva para produzir significado à fala do sujeito com DA, pois ao narrar sua história de vida, ele utilizar com frequência essas estratégias enunciativas-discursivas para se manter no fluxo discursivo e, consequentemente, posicionar-se enquanto sujeito da linguagem, de modo que tais estratégias estão carregados de particularidades as quais apontam para a subjetiva do sujeito Analisar os processos de referenciação dêitica como mecanismo enunciativo-discursivo utilizado por um sujeito com DA; Analisar a referenciação dêitica encontrada na fala de MP como recurso linguístico que possibilita a ele manter-se no curso discursivo, marcando sua subjetividade na linguagem; Verificar se e como a maioria das instabilidades linguísticas apresentadas na fala de MP são resolvidas através das negociações intersubjetivas estabelecidas com seu interlocutor. Objetivos O contexto demencial Nitrine (1993) afirma que as demências são as patologias que mais afetam os sujeitos idosos. A OMS traz a definição de demência como uma desordem caracterizada por deteriorização, tanto da memória como do pensamento, suficiente para prejudicar as atividades diárias. A degeneração da memória afeta o registro, armazenamento e recuperação de novas informações. A Demência de Alzheimer A DA é um tipo de demência que provoca uma degeneração do córtex cerebral provocando uma série de alterações cognitivas, dentre elas, a linguagem.

Na DA, as intercorrências linguísticas são bastante frequêntes, podendo inclusive ser observadas antes de qualquer outro comprometimento. Aspectos Macrospópios A linguagem na DA Numa perspectiva tradicional, A verificação da linguagem se baseia em testes padronizados, com uma metodologia de cunho quantitativo. Esses testes desconsideram o indivíduo enquanto sujeito social, abordando-o numa perspectiva normativa da língua.
(COUDRY, 1988) A linguagem na DA Numa perspectiva enunciativa-discursiva, leva-se em conta a concepção de Franchi Um trabalho que ‘dá forma’ ao conteúdo variável de nossas experiências, trabalho de construção, de retificação do ‘vivido’, que ao mesmo tempo constitui o sistema simbólico mediante o qual se opera sobre a realidade e constitui a realidade como sistema de referências em que aquele se torna significativo. (FRANCHI, 1977, p. 12) A Dêixis Termo grego (DEITIKÓS) que significa a ação de mostrar, apontar. A Referenciação Dêitica como trabalho sociocognitivo “A referenciação dêitica firma-se numa dinâmica que ultrapassa os aspectos linguísticos, ela busca, junto à esfera enunciativa, suporte para dar conta das significações.”
(MORATO, 2000) O Sujeito MP é do sexo masculino, 80 anos, analfabeto, casado, diagnosticado como portador de Demência de Alzheimer há aproximadamente dois anos.

Ele foi trabalhador do campo, foi vaqueiro, trabalhador da construção civil e vigia. Os Dados Situação enunciativa-discursiva 23-04-12

Na transcrição abaixo o senhor MP relata sobre sua vida, época em que acompanhava seu pai na roça. Período em que mudou muito de cidade até chagar em Jaguaquara, cidade em que morou e que fica a cerca de 56 km da cidade de Jequié, onde mora há 50 anos. Quadro 3: ‘ achou feito’ Discussões No turno 12 [o meu pai achou feito parar aqui’ parar cá] , encontramos um fato bastante interessante pois, embora os elementos dêiticos - aqui e cá- sejam empregados para designar uma localização espacial específica em relação aos interlocutores, neste recorte, eles sinalizam para um lugar abrangente. No que se refere ao turno 14 [para o sul’ veio aqui para Jaguaquara’ ele faleceu aí no sul aqui em Jaguaquara], MP se mostra confuso em seu enunciado, ocasionando dificuldade de entendimento ao seu interlocutor, pois a cidade de Jaguaquara aparece como sua localização espacial, isto é, como se ele falasse da cidade de Jaguaquara. Todavia, quando observamos o aspecto não-verbal, verificamos que seu enunciado faz sentido, pois embora ele empregue o ‘aqui’ ele aponta em direção ao sul. Situação enunciativa-discursiva 17-04-12

Na transcrição abaixo, o senhor MP narra a sua história de vida, retomando as lembranças de quando morava na cidade de Jaguaquara. Quadro 2: Alí em Jaguaquara Discussões Observamos que os turnos 07 [ não’ trabalhei com o finado Jonas’ ali em Jaguaquara’ você conhece?] e no turno 09 [a feira era ali’ agora ta sendo lá embaixo] ao proferir o advérbio de lugar ‘ali’ MP se refere à cidade de Jaguaquara com o objetivo de reforçar a localização, informando implicitamente que a cidade não é o local onde se encontram os sujeitos discurso eu/tu.
No emprego do ‘lá’, verificamos que trata-se de uma localização próxima de outrem, ou seja, de algo/ alguém que não se apresenta na enunciação. Quadro 1: ‘As trenhadas’ Discussões Podemos observar, no turno 02 [você já gosta de andar com isso né? com essas trenhadas toda] , que MP emprega a dêixis pessoal você (tu) e a dêixis de lugar isso e essa de forma competente. Ele se posiciona enquanto eu em dupla instância: o eu enquanto aquele que enuncia, constituindo o tu.Ele profere também o eu enquanto referente, pois, ao proferir isso/essas está referindo a um objeto que está longe de si, mas próximo de seu alocutário. No turno 06 [e quem não está?] , Pode-se considerar que MP - portador de Demência de Alzheimer – está produzindo uma ecolalia que, de acordo com a reuropsicologia, é bastante comum desde a frase inicial da doença. Todavia, Marcuschi (1992) nos aponta para a possibilidade de entendermos a repetição como um traço fundamental da língua falada, concebido como um recurso bastante eficaz na construção do texto. Podemos verificar que a repetição do enunciado assume um caráter reforçador, sendo que MP não repete para apenas se manter no fluxo enunciativo-discurso, mas para ratificar a fala da interlocutora. Considerações Finais Nosso posicionamento ancora-se numa visão de língua enquanto elemento social, construído no discurso, pelo discurso. Esse posicionamento repousa nas proposições benvenistianos por entender que a língua e o sujeito se constituem mutuamente através dos processos enunciativos. Considerações Finais
Através dos dados encontrados na fala de MP, inferimos que uma das formas mais representativa da subjetividade do homem na linguagem são as marcações dêiticas, pois os dêiticos somente ganham sentido no momento em que o indivíduo toma para si esses elementos através da necessidade de se posicionar enquanto sujeito falante.


Tal fato confirmou nossa hipótese de que o relato de história de vida permite ao sujeito pensar sobre si e sobre o mundo e que a referenciação dêitica não pode ser encerrada apenas como uma classe de palavras, mas, sobretudo, como sítio de processos interativos que se configuram de modo efetivo na produção de sentidos por aquele que, por dificuldades de evocação de palavras, faz uso significativo desse recurso para dar fluxo ao que pretende dizer. Situação enunciativa-discursiva 03-04-12

A pesquisadora, após cumprimentar o senhor MP, é convidada a sentar. E após sentar-se, ela informa a ele que tem algumas coisas interessantes em seu notebook para mostrar - tratam-se de imagens referente às situações vividas por MP em momentos já relatados por ele. No turno 11 [era ali’ agora tá lá lá lá (+) esqueci o nome do lugar onde tem a feira], a hesitação apresentada na fala e a situação não verbal, nos sugere insegurança ao enunciar. Embora MP assinale em seu enunciado “era ali agora, ta lá” marcando o tempo e o espaço em seu enunciado, favorecendo ao seu interlocutor a localização da referência, MP não dá continuidade a sua fala. As unidades dêiticas não se configuram como uma simples categoria de palavras, mas como um lugar em que os processos interativos se apresentam de maneira mais efetiva para produzir significado à fala do sujeito com DA, pois ao narrar sua história de vida, ele utiliza com frequência essas estratégias enunciativas-discursivas para se manter no fluxo discursivo e, consequentemente, posicionar-se enquanto sujeito da linguagem. Dessa forma, tais estratégias estão carregadas de particularidades, as quais apontam para a subjetividade do sujeito. Hipótese Os dados Referências Bibliográficas BENVENISTE, Émile. Problemas de lingüística geral I. Campinas, São Paulo: Pontes, 1964.
__________________. Problemas de lingüística geral II. Campinas, São Paulo: Pontes, 1977.
CAVALCANTE, Mônica Magalhães; RODRIGUES, Bernadete Biasi; CIULLA, Alena. (Orgs.). Referenciação. São Paulo: Contexto, 2003.
COUDRY, Maria. I. H. Diário de Narciso: discurso e afasia. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
FLORES, Valdir do Nascimento; TEIXEIRA, Marlene. Introdução à lingüística da enunciação. São Paulo: Ed. Contexto, 2005.
FRANCHI, C. Linguagem – Atividade Constitutiva. In: Cadernos de Estudos Lingüísticos. Campinas: (22):9-39, 1977.
KOCH, Ingedore; TRAVAGLIA, Luis Carlos. A coerência textual. 17. ed. São Paulo: Contexto, 2006.
_____________; ELIAS, Vanda Maria. Ler e Compreender os sentidos do Texto. 2. Ed. São Paulo: Contexto, 2006.
MARCUSCHI, Luiz Antônio; KOCH, Ingedore Villaça. Estratégias de referenciação e Progressão referencial na língua falada. In: Gramática do Português Falado. Vol. VIII: Novos Estudos Descritivos. 1. ed. Campinas: Editora da UNICAMP/FAPESP, 2002.
_______________. A Repetição na Língua Falada: Formas e Funções. 1992.
MONDADA, Lorenza. Gestion du topic et organisation de la conversation. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, n. 41, p. 7-36, jul./dez. 2001.
MONTEIRO, P. P. Envelhecimento: Rumo ao Novo Paradigma. Revista Kairós, São Paulo: Educ, n. 3, p. 53-61, 2000.
MORATO, E. M. Linguagem e Cognição – As reflexões de L.S. Vygotsky sobre a ação reguladora da linguagem. São Paulo: Plexus, 1996.
______________. Metalinguagem e referenciação: a reflexividade enunciativa nas práticas referenciais. In: KOCH, I.G.V.; MORATO, E.M.; BENTES, A. C. (Ed.). Referenciação e discurso. São Paulo: Contexto, 2005.
PEREIRA, Ana Cristina Carvalho. Os gestos das mãos e a referenciação: investigação de processos cognitivos na produção oral. Tese de doutorado. UFGM, 2010.
PRETI, D. A linguagem dos idosos. São Paulo: Contexto, 1991. emanuellenanet@yahoo.com.br São as palavras ou expressões que, não tendo um valor referencial próprio, têm como função apontar para o contexto enunciativo, isto é, que assinalam as marcas da enunciação: o locutor - o sujeito que enuncia, o interlocutor - o sujeito a quem se dirige, o tempo e o espaço da enunciação. Os dêitcos, nos postulados de Benveniste (1974), constituem uma categoria essencial que possibilita a representação da subjetividade na linguagem, pois para esse linguísta, os dêiticos só existem no momento em que um indivíduo toma para si esses elementos através da necessidade de se comunicar. Os dêticos Fev. 2013 (eu - aqui - agora) O Problema Considerando as informações encontradas na literatura tradicional das neurociências, de que o discurso cotidiano do sujeito acometido pela DA é repleto de palavras genéricas, consideradas como "pobres de sentido", a questão que se coloca é: Como é que se configura a referenciação dêitica na fala desse sujeito, dentro da perspectiva benvenistiana?
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