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Um olhar antropológico sobre a questão ambental

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Mayana Rocha Soares

on 16 February 2014

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Transcript of Um olhar antropológico sobre a questão ambental

Um olhar antropológico sobre a questão ambental
Guillermo Foladori e Javier Taks
Desmestificar os preconceitos sobre a relação das sociedades com seus ambientes naturais — preconceitos tais como os mitos da existência de um vínculo harmonioso entre sociedade e natureza nos tempos pré-industriais, o da tecnologia moderna
como causa última da crise ecológica, ou o do papel sacrossanto da ciência como guia em direção à sustentabilidade.
A segunda área é metodológica, e concerne à questão de como abordar os problemas ambientais
de modo a caminhar rumo a sociedades mais sustentáveis.
Alguns equívocos frequentemente abordado na contemporaneidade
1. As sociedades primitivas estabeleciam uma relação harmônica
com a natureza.
Tomamos todas as sociedades como iguais;
Extinção de animais, plantas e demais seres vivos;
Atuação de caçadores e desmatamento desenfreado;
Destruição da fauna;
o descarte de lixo.
"Como assinala Milton (1996), há sociedades não-industriais, estudadas por antropólogos, como os Nayaka da Índia, que não reconhecem a responsabilidade humana na proteção do ambiente, pois isso os obrigaria a rever a idéias de que é a natureza quem cuida deles."
"Em todo caso, se alguma conclusão geral pode ser tirada, é a de que a natureza não pode ser considerada como algo externo, a que a sociedade
humana se adapta, mas sim em um entorno de coevolução, no qual cada atividade humana implica a emergência de dinâmicas próprias e independentes na natureza externa, ao mesmo tempo que, em um efeito bumerangue, produz impactos na natureza social e na biologia das populações humanas. No interior desse complexo de forças, não é possível esperar que as atividades das sociedades não-industriais sejam “adaptativas” (no sentido de tender ao equilíbrio), enquanto que a sociedade industrial moderna seria “não-adaptativa”."
A revitalização contemporânea do mito da “sabedoria ambiental primitiva”
falsa identificação entre as práticas econômicas e rituais de grupos detentores de tecnologias de baixo impacto ambiental;
a crítica ao industrialismo como causa última da crise ambiental tem necessidade da alternativa que as “sociedades primitivas” aparentemente oferecem: satisfação de necessidades básicas acoplada a sis-
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temas tecnológicos elementares e ao uso de fontes energéticas renováveis.
os próprios “nativos” têm visto, na divulgação de sua imagem
como “protetores da terra”, uma ferramenta política e econômica
para obter o apoio e financiamento de grupos ambientalistas de pressão
em nível internacional, contra a marginalização e opressão por parte dos
governos e burocracias nacionais.
ATENÇÃO: o exercício em criticar o pensamento romântico que defende a sabedoria das populações tradicionais como única fonte de proteção ambiental é também descoloninzar!
É preciso ter em mente que, respeitando os saberes e os limites dos conhecimentos tradicionais, não podemos jamais julgá-los como inferiores em relação à ciência moderna.
2. A crise ambiental é um resultado do grau de desenvolvimento técnico.
Autonomia da técnica:
“Tecnologias são necessariamente sociais e políticas na medida em que implicam […] formas de organização e dominação […] e são necessariamente imbuídas de significados culturais por meio de associações simbólicas”
3. Os problemas ambientais são objetivos e devem ser assumidos cientificamente.
Até meados dos anos 80: problemas ambientais diretos (poluição de rios, problemas locais co o lixo, etc), medidas nacionais/locais;

A partir dos anos 90: mudanças climáticas, aquecimento global, política ambiental internacional;

Resultado: "grande elitização e tecnicização do problema ambiental. Ninguém pode sentir o aquecimento global: quem determina o grau, a amplitude e os efeitos da problemática ambiental são agora os cientistas." em detrimento a todas as outras formas de saberes.
obs: justificativa dos EUA para não assinar o protocolo de Kyoto.
"O conceito de natureza, que exclui as relações entre os seres humanos, faz com que os problemas ambientais apareçam como comuns à espécie humana, sem considerar que as próprias relações e contradições no interior da sociedade humana são, elas também, naturais. A definição do que é natureza — delimitação básica para a ação técnica sobre o ambiente — depende dos conflitos sociais e do poder ideológico."
"A antropologia atua aqui revalorizando o conhecimento tradicional — não apenas, entretanto, com base naquilo que os grupos humanos “pensam” acerca do entorno natural e social, mas sim, principalmente, com base no que fazem nele. As múltiplas expertises (Scoones 1999) do ambiental constituem práticas sociais, e não um conhecimento em abstrato (embora algumas formas de expertise tendam em maior ou menor
medida a distanciar-se do concreto)."
Contribuição metodológica para a sustentabilidade
Relativismo Cultural - "como corrente teórica e método de abordagem do estudo das sociedades de pequena escala, tornou-se dominante a partir do desenvolvimento da escola boasiana na segunda década do século XX. Boas sublinhava a necessidade de estudar cada cultura em si mesma, em seu “particularismo histórico”, mas sem ir à busca de leis gerais do desenvolvimento humano (Boas 1948)."
Síntese da proposta do relativismo cultural: "nenhuma sociedade é superior a outra e, portanto, as sociedades não podem ser comparadas."
Uma saída e um problema: então, tudo é possível?
"Relativismo razoável"
As preocupações ambientais fazem parte do conjunto de práticas sociais compartilhadas pelos grupos. Envolvem questões ideológicas, políticas, economicas e culturais.
Considerações Finais
A necessidade de considerar as diferenças entre os grupos sociais e no interior destes.

A necessidade de que existam processos de monitoração, em tempo real, da aplicação das políticas.

Torna-se imperativo, então, modificar o enquadramento formal dos projetos de desenvolvimento, estabelecendo cronogramas flexíveis e objetivos ajustáveis e em sintonia com as necessidades e possibilidades em nível local e
regional.

É necessário reconhecer que, segundo sua posição na distribuição da riqueza social, na ocupação do espaço construído e nas decisões políticas, os grupos e classes sociais respondem de maneiras diferentes tanto
aos impactos internos quanto àqueles provenientes da natureza externa.
Sociedades e
Sustentabilidade

O que é antropologia?
ciência moderna que se ocupa em compreender os diferentes significados das relações humanas, no tempo e no espaço.
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