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Aula 8 - cultua e identidade brasileiras

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Patricia Silva

on 4 December 2018

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Transcript of Aula 8 - cultua e identidade brasileiras

Cultura e Identidade
Identidade
...a questão do relacionamento dos universais de qualquer sistema com um sistema específico é das mais apaixonantes de quantas existem no panorama das Ciências Humanas. Trata-se, sempre, da questão da identidade. De saber quem somos e como somos, de saber por que somos.
Estereótipos
quando eu defini o “brasileiro” como sendo amante do futebol, da música popular, do carnaval, da comida misturada, dos amigos e parentes, dos santos e orixás etc., usei uma fórmula que me foi fornecida pelo Brasil. O que faz um ser humano realizar-se concretamente como brasileiro é a sua disponibilidade de ser assim.
Índices e cultura
É uma descoberta importante, creio, dizer que nós temos dado muito mais atenção a um só desses eixos classificatórios, querendo discutir o Brasil apenas como uma questão de modernidade e de economia e política; ou, ao contrário, reduzindo sua realidade a um problema de família, de relações pessoais e de cordialidade. Para mim, não se trata nem de uma coisa nem de outra, mas das duas que são dadas de modo simultâneo e complexo. Nessa perspectiva, que é a deste pequeno livro, a chave para entender a sociedade brasileira é uma chave dupla. De um lado, ela é moderna e eletrônica, mas de outro é uma chave antiga e trabalhada pelos anos.
Relações em casa
diferentemente de outros países modernos, aqui no Brasil as casas possuem serviçais que, em certo sentido, lhes pertencem.
Casa, moralidade e reconhecimento
...em casa e no código da família brasileira, existe uma tendência de produzir sempre um discurso conservador, onde os valores morais tradicionais são defendidos pelos mais velhos e pelos homens. Daí também por que na casa podemos ter de tudo, como se ali o espaço fosse marcado por um supremo reconhecimento pessoal: uma espécie de supercidadania que contrasta terrivelmente com a ausência total de reconhecimento que existe na rua.
A Casa e a família
...na casa ou em casa, somos membros de uma família e de um grupo fechado com fronteiras e limites bem definidos. Seu núcleo é constituído de pessoas que possuem a mesma substância – a mesma carne, o mesmo sangue e conseqüentemente, as mesmas tendências. Tal substância física se projeta em propriedades e muitas outras coisas comuns. A idéia de um destino em conjunto e de objetos, relações, valores (as chamadas “tradições de família”) que todos do grupo sabem que importa resguardar e preservar

Família como "pessoa moral", proteção das fronteiras, identidade coletiva
Exercício
Responder para entregar
Quais são alguns dos mitos de fundação do Brasil?

Quais são as raças que teriam se misturado no país?

E hoje, quais as principais caracterísiticas do povo e da sociedade brasileira?
será preciso estabelecer uma distinção radical entre um “brasil” escrito com letra minúscula, nome de um tipo de madeira de lei ou de uma feitoria interessada em explorar uma terra como outra qualquer, e o Brasil que designa um povo, uma nação, um conjunto de valores, escolhas e ideais de vida.
Brasileiras
brasil e Brasil,
nação e sociedade
O “brasil” com o b minúsculo é apenas um objeto sem vida, autoconsciência ou pulsação interior, pedaço de coisa que morre e não tem a menor condição de se reproduzir como sistema.

Mas o Brasil com B maiúsculo é algo muito mais complexo. É país, cultura, local geográfico, fronteira e território reconhecidos internacionalmente, e também casa, pedaço de chão calçado com o calor de nossos corpos, lar, memória e consciência de um lugar com o qual se tem uma ligação especial, única, totalmente sagrada
como é que sei o que sou? Como posso discutir a passagem do ser humano que nasci para o brasileiro que sou? Como se constrói uma identidade social? Como um povo se transforma em Brasil?
A casa, a rua e o trabalho

Há uma divisão clara entre dois espaços sociais fundamentais que dividem a vida social brasileira: o mundo da casa e o mundo da rua – onde estão, teoricamente, o trabalho, o movimento, a surpresa e a tentação.
É claro que a rua serve também como o espaço típico do lazer. Mas ela, como um conceito inclusivo e básico da vida social – como “rua” –, é o lugar do movimento, em contraste com a calma e a tranqüilidade da casa, o lar e a morada.
Rua

...ela é local de “movimento”. Como um rio, a rua se move sempre num fluxo de pessoas indiferenciadas e desconhecidas que nós chamamos de “povo” e de “massa”.
a “massa” humana que povoa as nossas cidades e que remete sempre à exploração e a uma concepção de cidadania e de trabalho que é nitidamente negativa.
José Murilo Carvalho: "estadania"
Trabalho e religião

Trabalho que no nosso sistema é concebido como castigo. E o nome diz tudo, pois a palavra deriva do latim tripaliare, que significa castigar com o tripaliu, instrumento que, na Roma Antiga, era um objeto de tortura, consistindo numa espécie de canga usada para supliciar escravos. Entre a casa (onde não deve haver trabalho e, curiosa e erroneamente, não tomamos o trabalho doméstico como tal, mas como — serviço” ou até mesmo prazer ou favor...) e a rua, o trabalho duro é visto no Brasil como algo bíblico. Muito diferente da concepção anglo-saxã que equaciona trabalho (work) com agir e fazer, de acordo com sua concepção
original. Entre nós, porém, perdura a tradição católica romana e não a tradição reformadora de Calvino, que transformou o trabalho como castigo numa ação destinada à salvação.
Não é à toa que o nosso panteão de heróis oscila entre uma imagem deificada do malandro (aquele que vive na rua sem trabalhar e ganha o máximo com um mínimo de esforço), o renunciador ou o santo (aquele que abandona o trabalho neste e deste mundo e vai trabalhar para o outro, como fazem os santos e líderes religiosos) e o caxias, que talvez não seja o trabalhador, mas o cumpridor de leis que devem obrigar os outros a trabalhar...
Exemplo: Zé Carioca
Mas poderia ser de outro jeito numa sociedade em que até outro dia havia escravos e onde as pessoas decentes não saíam à rua nem podiam trabalhar com as mãos? É claro que não... No nosso sistema, tão fortemente marcado pelo trabalho escravo, as relações entre patrões e empregados ficaram definitivamente confundidas. Não era algo apenas econômico, mas também uma relação moral onde não só um tirava o trabalho do outro, mas era seu representante e dono perante a sociedade como um todo.
...até hoje misturamos uma relação puramente econômica com laços pessoais de simpatia e amizade, o que confunde o empregado e permite ao patrão exercer duplo controle da situação. Ele assim pode governar o trabalho, pois é quem oferece o emprego, e pode controlar as reivindicações dos empregados, pois apela para a moralidade das relações pessoais que, em muitos casos, e sobretudo nas pequenas empresas e no comércio, tende a ofuscar a relação patrão - empregado.
A ilusão das relações raciais
não custa relembrar que as teorias racistas européias e norte americanas não eram tanto contra o negro ou o amarelo (o índio, genericamente falando, também discriminado como inferior), que eram nítida e injustamente inferiorizados relativamente ao branco, mas que também eram vistos como donos de poucas qualidades positivas enquanto “raça”. O problema maior dessas doutrinas, o horror que declaravam, era, isso sim, contra a mistura ou miscigenação das “raças”.
Saber por que tais teorias tinham esse horror à miscigenação é conduzir a curiosidade intelectual para um dos pontos-chaves que distinguem e esclarecem o “racismo à européia” ou “à americana” e o nosso conhecido, dissimulado e disseminado “racismo à brasileira”. Oracy Nogueira 1985 - regra de origem (descendência) e regra de marca (fenótipo).

...conforme sabe (mas não expressa) todo racista ... a idéia de miscigenação ....importa contato (e contato íntimo, posto que sexual) entre pessoas que, na teoria racista, são vistas e classificadas como pertencendo a espécies diferentes. Daí a palavra “mulato”, que vem de mulo, o animal ambíguo e híbrido por excelência; aquele que é incapaz de reproduzir- se enquanto tal, pois é o resultado de um cruzamento entre tipos genéticos altamente diferenciados.
...tenho repetido seguidamente que o Brasil não é um país dual onde se opera somente com uma lógica do dentro ou fora; do certo ou errado; do homem ou mulher; do casado ou separado; de Deus ou Diabo; do preto ou branco.
entre o preto e o branco (que nos sistemas anglo-saxão e sul-africano são termos exclusivos, nós temos um conjunto infinito e variado de categorias intermediárias em que o mulato representa uma cristalização perfeita.
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742007000300012 - Autodeclaração de cor e/ou raça entre escolares paulistanos(as)
“racismo à brasileira”
" Numa sociedade onde não há igualdade entre as pessoas, o preconceito velado é forma muito mais eficiente de discriminar pessoas de cor, desde que elas fiquem no seu lugar e “saibam” qual é ele".
Sociedades igualitárias (como EUA, por exemplo), preconceito explícito, negação do intermediário, manutenção da separação entre teoricamente iguais;

No Brasil, preconceito de ter preconceito (Florestan Fernandes), miscigenação e negação das hierarquias; mito do triângulo racial

Atividade
Individual ou em dupla:
Escolha um dos vídeos apresentados - empregada doméstica ou a mulata que nunca chegou - e escreva um position paper, utilizando exemplos do seu dia a dia.
Faça uma observação de cunho etnográfico em um lugar de compras - se for possível, pode-se recorrer a entrevistas breves.

Quais tipos de pessoas circulam pelo local, classe social, sexo, idade, hábitos de consumo e como definem suas identidades.

Para discutir na próxima aula
Ex.: Onacirema,
Instruções para subir uma escada
Exercícios
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