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GERAÇÃO DE 45 – JOÃO CABRAL DE MELO NETO

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Fernando Juarez de Cardoso

on 16 December 2015

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Transcript of GERAÇÃO DE 45 – JOÃO CABRAL DE MELO NETO

INTRODUÇÃO
Nascido em Recife, passa a infância no mundo dos engenhos. Ainda cedo, demonstra interesse pela crítica literária, mas, aos vinte e dois anos, pende para a poesia, publicando seu primeiro livro, “Pedra do sono”.
SOBRE A OBRA
O poeta engenheiro

“[...] a maior influência que sofri foi a de Le Corbusier. Aprendi com ele que se podia fazer uma arte não com o mórbido, mas com o são, não com o espontâneo, mas com o construído. [...] A partir de ‘O engenheiro’, optei pela luz em detrimento da treva e da morbidez.”

Entrevista a Antônio Carlos Secchin. In: João Cabral, a poesia do menos. São Paulo: Livraria Duas Cidades; Brasília: INL, Fundação Nacional Pró-Memória, 1985. p. 301.
MORTE E VIDA SEVERINA
AUTO DE NATAL PERNAMBUCANO (1955)
Texto marcadamente “lírico na linguagem, mas narrativo e dramático no encadeamento”, “Morte e vida severina” traz uma complexa composição desde o seu título.
PRINCIPAIS TEMÁTICAS
Inicialmente vinculado a tendências surrealistas, a poesia de João Cabral rumará para uma intensa objetividade e antilirísmo na apreensão da realidade, se distinguindo em três grandes temáticas principais.
O CÃO SEM PLUMAS (1950)
Depurando a temática mais distanciada da realidade das suas primeiras produções, “O cão sem plumas” dará o “salto participante” para a entrada no “tratamento da substância natural e humana” em sua obra.
CONTEXTO HISTÓRICO
Queda do Estado Novo (1945);
Período de estabilidade econômica;
Atenuação dos conflitos ideológicos;
Industrialização e crescimento das metrópoles;
MODERNISMO - GERAÇÃO DE 45
JOÃO CABRAL DE MELO NETO (1920 – 1999)

CARACTERÍSTICAS DA GERAÇÃO DE 45
Rejeição de valores modernistas da 1ª fase (verso livre, poema-piada, irreverência);
Retomada do rigor formal;
Vocabulário erudito;
Intelectualismo;
Neoparnasianismo;
Metapoesia.
Ainda, antes de falecer em 1999, publica obras importantes como: “O engenheiro” (1945), “Psicologia da composição” (1947), “O cão sem plumas” (1950) e a “Educação pela pedra” (1966).
Tornar-se-ia um poeta bastante popular a partir da encenação de “Morte e vida Severina”, em 1966. Aposenta-se da carreira diplomática em 1990, vindo a falecer nove anos depois.
Muda-se para o RJ e ingressa na carreira diplomática em 1945, passando a viver em diversas cidades europeias e sul-americanas.
A água, o vento, a claridade,
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.
(O engenheiro)
(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro).
O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.
“Ele mesmo se definiu como poeta antilírico, cujo percurso vai de um surrealismo inicial ao encontro de uma preocupação social, sem jamais se descuidar da linguagem, nada panfletária, antes em posição que se poderia comparar à de Baudelaire, para ele o maior poeta de todos os tempos.”

Prefácio de “A educação pela pedra”, por Marly de Oliveira, p. xvii.
aranha; como o mais extremo
desse fio frágil, que se rompe
ao peso, sempre, das mãos
enormes. (...)

(Psicologia da composição)
mas a forma atingida
como a ponta do novelo
que a atenção, lenta,
desenrola,
não a forma obtida
em lance santo ou raro,
tiro nas lebres de vidro
do invisível;
Não a forma encontrada
como uma concha, perdida
nos frouxos areais
como cabelos;
Sobre a criação poética, João Cabral nega a inspiração ou o transe, em detrimento de “uma lenta e sofrida pesquisa de expressão”, despreza a intuição, o mistério e o inconsciente ao fazer uma poética “em que tudo é medido, calculado e trabalhado, em um meticuloso processo de construção (...) de busca da palavra exata”.
A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.

NETO, João Cabral de Melo. In: Obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994
“O Nordeste com sua gente: os retirantes, suas tradições, seu folclore, a herança medieval e os engenhos; de modo muito particular, seu estado natal, Pernambuco, e sua cidade, o Recife. São objeto de verificação e análise os mocambos, os cemitérios e o rio Capibaribe, que aparece, por mais de uma vez, personificado.”
“A Espanha e suas paisagens, em que se destacam os pontos em comum com o Nordeste brasileiro. "Sou um regionalista também na Espanha, onde me considero um sevilhano. Não há que civilizar o mundo, há que 'sevilhizar' o mundo", afirma o poeta.”
“A Arte e suas várias manifestações: a pintura de Miró, de Picasso e do pernambucano Vicente do Rego Monteiro; a literatura de Paul Valéry, Cesário Verde, Augusto dos Anjos, Graciliano Ramos e Drummond; o futebol de Ademir Meneses e Ademir da Guia; a própria arte poética.”
A EDUCAÇÃO PELA PEDRA (1966)
Ponto alto da produção cabralina, a obra se pauta por uma construção bastante complexa, num processo contínuo e sistemático de trabalho com a linguagem.
“Na vila da usina
é que fui descobrir a gente
que as canas expulsaram
das ribanceiras e vazantes;
e que essa gente mesma
na boca da usina são os dentes
que mastigam a cana"
“que a mastigou enquanto gente;
que mastigam a cana
que mastigou anteriormente
as moendas dos engenhos
que mastigavam antes outra gente;
que nessa gente mesma,
nos dentes fracos que ela arrenda,
as moendas estrangeiras
sua força melhor assentam.”

(O Rio)
No poema, temos a representação do Rio Capibaribe que leva os detritos dos sobrados e mocambos recifenses e a sua relação com a população que depende deste para a sua sobrevivência.
Abre-se em flores
pobres e negras
como negros.
Abre-se numa flora
suja e mais mendiga
como são os mendigos negros. (...)
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa. (...)
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.
Além disso, o neologismo criado através da adjetivação do nome Severino também deve ser notada, já que é enfatizada desde a abertura do poema.
Primeiramente, temos de notar a relação de inversão entre “vida e morte”, que será explicada pelo próprio enredo do auto.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
(...)
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina.
Estruturalmente composto em 18 partes, “Morte e vida Severina” pode ser dividido em duas partes principais, quanto a sua temática:
Sendo assim, podemos entender que há duas linhas mestras no poema: a morte e a vida, intimamente relacionadas através da figura Severina e seu périplo em busca do “fio de vida”.
na primeira, chamada “caminho ou fuga da morte”, temos o protagonista rumo a Recife; já a segunda, “presépio ou encontro da vida”, se dá após a chegada na cidade.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
Por fim, a relação do subtítulo do poema – “auto de natal pernambucano” aponta para uma ligação para com os textos medievais, nos quais temos em cena uma peça estática, em que os personagens são figuras exemplares que representam alegorias diversas como virtudes e pecados, bem e mal, etc.
“A fala a nível do sertanejo engana:
as palavras dele vêm, como rebuscadas
(palavras confeito, pílula), na glace
de uma entonação lisa, de adocicada.
Enquanto que sob ela, dura e endurece
o caroço de pedra, a amêndoa pétrea,
dessa árvore pedrenta (o sertanejo)
incapaz de não se expressar em pedra.
Daí porque o sertanejo fala pouco:
as palavras de pedra ulceram a boca
e no idioma pedra se fala doloroso;
o natural desse idioma fala à força.
Daí também porque ele fala devagar:
tem de pegar as palavras com cuidado,
confeitá-las na língua, rebuçá-las;
pois toma tempo todo esse trabalho.
que se pode comprazer depois com ‘Museu de tudo’, onde reúne poemas soltos na aparência, mas a grande teia já enredara tudo, tanto que o ‘Auto do frade’ vai ser outro grande momento do poema dramático.”
“Aqui mais complexa é a construção, há poemas permutacionais, o Nordeste, sua cana e sua secura gerando o nordestino de falar pedregoso. É um momento alto da obra cabralina e um bom desafio ao leitor
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