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Psicologia do Esporte na Escola

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Gustavo Lima Isler

on 29 April 2015

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Psicologia do Esporte na Escola
A prática esportiva e os estados emocionais
Mídia, Redes Sociais e os Jovens Praticantes de Atividades Físicas.
Inserção e
bullying
nas aulas de Educação Física

Referências Bibliográficas
Alguns efeitos psicológicos da prática esportiva em crianças
Em sua pesquisa Vella et al. (2014) desenvolveram um estudo longitudinal com amostra de 4042 crianças australianas entre 8-10 anos envolvidas em atividades esportivas extracurriculares.
Este estudo demonstrou que em comparação com não praticantes, crianças que abandonaram o esporte e iniciantes na prática esportiva, os alunos de modalidades esportivas organizadas relataram menor ocorrência de problemas internos (sintomas emocionais e problemas relacionados a estas) e externos (problemas de conduta, hiperatividade e desatenção), sendo significante apenas a diferença referente aos problemas internos.
Para os autores deste estudo, a participação em esportes organizados durante a infância está associada a uma melhor saúde social e emocional, quando comparado com a não participação.
Tais resultados foram relacionados às principais características que os programas de reforço esportivo incluem:
uma estrutura clara e adequada à idade;
o desenvolvimento de normas sociais positivas;
a promoção da autonomia na participação;
e de oportunidades de construção de competências.
Atenção dos autores é solicitada àqueles 10% que abandonaram a prática esportiva, pois os mesmos demonstraram grandes dificuldades psicológicas antes mesmo de abandonar.
Por sugestão dos pesquisadores um acompanhamento psicológico a estes alunos seria prioritário.
VELLA, Stewart A. et al. Associations between sports participation and psychological difficulties during childhood: A two-year follow up. Journal of Science and Medicine in Sport, 2014. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1440244014000899>. Acesso em: 10/03/2015.
Alguns efeitos psicológicos da prática esportiva em crianças
Várias pesquisas têm investigado a influência da participação em esportes sobre a saúde mental. A maioria dos resultados relatam o efeito positivo do exercício físico no bem-estar psicológico geral da pessoa bem como em áreas específicas de saúde mental, tais como depressão e ansiedade.
Sintomas cognitivos e somáticos em não praticantes e praticantes de modalidades esportivas.
Dados obtidos através do Social Phobia and Anxiety Inventory for Children (SPAIK)
Sintomas cognitivos e somáticos em não praticantes e praticantes de modalidades esportivas individuais e coletivas.
Dados obtidos através do Social Phobia and Anxiety Inventory for Children (SPAIK)
Os resultados demonstraram:
benefícios quanto aos níveis de ansiedade para os praticantes de um esporte extracurricular em comparação aos não praticantes.

benefício da prática de modalidades coletivas por crianças da mesma idade enquanto auxiliar no tratamento da ansiedade social.
Aplicação prática
Esportes coletivos poderiam ser incluídos em programas de TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) como parte da formação de habilidades sociais, bem como para os efeitos indiretos sobre o bem-estar físico e mental de um indivíduo.
Importante salientar que estas atividades esportivas devem ser adaptadas de forma a apoiar a participação das crianças socialmente ansiosas.
DIMECH, Annemarie Schumacher; SEILER, Roland. Extra-curricular sport participation: A potential buffer against social anxiety symptoms in primary school children.
Psychology of Sport and Exercise
, v. 12, n. 4, p. 347-354, 2011. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1469029211000331>. Acesso em: 10/03/2015.
O que é bullying?
O fenômeno
bullying
compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas (de maneira insistente e perturbadora), que ocorrem sem motivação evidente e de forma velada, sendo adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), dentro de uma relação desigual de poder (BOTELHO e SOUZA, 2007).
A violência (física ou verbal) é um mal a ser entendido sob uma ótica multifatorial e, nesta perspectiva, deve ser analisada por diferentes áreas profissionais (VALENTIM, 2013).
Considerações importantes:
Discussões ou brigas pontuais não se configuram como
bullying
;
Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados
bullying
;
Todo
bullying
é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como
bullying
.
Como o bullying se manifesta no contexto escolar?
Agressões físicas (bater, empurrar, dar pontapés, etc.);
Comportamentos verbais (caçoar, apelidar com nomes ofensivos, etc.);
Comportamentos de manipulação social ou indiretos (excluir, ignorar, espalhar rumores, etc.);
Comportamentos de maus-tratos psicológicos (ameaçar, fazer gestos ou expressões faciais provocadores e/ou ameaçadores, etc.);
Ataques à propriedade (furto, destruição deliberada de objetos etc.).
(LISBOA; BRAGA; EBERT, 2009)
Quais as consequências que essa problemática acarreta no âmbito escolar?
O
bullying
é um fenômeno que interfere significativamente na vida escolar do aluno:
Diminui a concentração;
Aumenta a vontade de faltar às aulas;
Enfraquece a autoestima;
Desconecta da turma, dentre outros sintomas.
E nas aulas de Educação Física Escolar? Em que situações se manifesta?
Quando se prioriza a competição demasiada nas aulas, uma vez que explicita a diferença entre alunos mais dotados de talento dos que não o são, além de permitir atitudes prepotentes e despóticas nas aulas.
(MELIM, PEREIRA 2014)
A tolerância a comportamentos agressivos e discriminatórios no decorrer da aula, o medo de intervir em situações potencialmente desafiadoras da autoridade do professor e a falta de intencionalidade pedagógica (assente em fatores motivacionais ou na falta de competência pedagógica), pode conduzir ao mesmo desfecho indesejado.
(MELIM, PEREIRA 2014)
De que forma a Educação Física pode atuar a fim de prevenir e/ou combater o bullying no convívio escolar?
Cabe ao professor:
Identificar a atuação do aluno na prática do bullying: autor, vítima, ora vítima ora agressor, testemunha;
Realizar intervenções que utilizam do poder da argumentação e do debate com os alunos;
Conduzir o educando a um desenvolvimento integral – afetivo, social e motor;
(BOTELHO; SOUZA 2007)
Elaborar atividades baseadas em reflexões;
Elaborar e utilizar materiais alternativos que fomentem a solidariedade;
Pedagogia da inclusão – o professor de Educação Física deverá identificar as necessidades, os interesses e as possibilidades de seus alunos, removendo barreiras e promovendo a aprendizagem integral da cultura corporal, levando em consideração as características (potencialidades e limitações) de cada um.
(CHAVES, 2006);
Valorizar as características individuais dos alunos;
Se atentar a grupos minoritários;
Desenvolver atividades que visem discutir algumas problemáticas da sociedade, atividades ligadas a desigualdades físicas e psicológicas (atividades físicas adaptadas), entre outras – TEMÁTICAS TRANSVERSAIS previstas nos PCN's;
Desenvolver jogos cooperativos - promover a autoestima e a convivência, utilizando-se das capacidades de cada um para atingir um objetivo comum;
Promover a conscientização e conhecimento do espaço lúdico por parte dos alunos;
Se os agressores/
bullies
possuem uma certa vantagem física e cognitiva social, então é capaz de ser possível canalizá-la para comportamentos mais adequados, como por exemplo permitir-lhes exercer um papel de liderança em atividades desportivas, ou em atividades de apoio aos pares durante o treino, em vez de esta ser expressa através da prática do
bullying
(WOLKE et al., 2001).
Considerações Finais
Segundo a orientação de Bernstein (2001) é dever da escola recontextualizar-se e reposicionar-se face a este grave problema, e tirar uma linha firme de conduta moral e ética de modo que fique explícito, discutido e acolhido por professores e alunos, que nenhuma criança ou adolescente pode ser desrespeitada, agredida, ameaçada ou negligenciada, nesse espaço de convívio e formação. Deve-se fazer com que os meninos e as meninas sejam mais tolerantes, e aprendam a compreender as diferenças, para não utilizarem suas habilidades, dentro da aula de educação física, como meio de violência.
" A Educação Física deve ser utilizada na luta contra a discriminação e a exclusão social de qualquer tipo, democratizando as oportunidades de participação das pessoas, com infra-estruturas e condições favoráveis e acessíveis". (Manifesto Mundial da Educação Física - FIEP/2000, capítulo XVI, art. 18, p.43).
A natureza das aulas de Educação Física Escolar, o espaço em que elas ocorrem e a dinâmica de convivência, são aspectos facilitadores para a inserção dos alunos que sofrem bullying na escola;
Difamação e discriminação a determinado(a) aluno(a) por seus colegas devido a seu desempenho, fomentando a prática do
bullying
entre os alunos.
Exclusão de alunos por serem menos habilidosos ou por questão de gênero (diferenciar meninos e meninas de forma inadequada).
Preconceitos a alunos com mais dificuldades ou aproveitamento insatisfatório nas aulas.
Referências
LISBOA, Carolina; BRAGA, Luiza de Lima; EBERT, Guilherme. O fenômeno bullying ou vitimização entre pares na atualidade: definições, formas de manifestação e possibilidades de intervenção. Unisinos, São Leopoldo/rs, v. 2, n. 1, p.59-71, maio 2009.
BOTELHO, Rafael Guimarães; SOUZA, José Maurício Capinussú de. Bullying e educação física na escola: Características, casos, conseqüências e estratégias de intervenção. Revista de Educação Física, Niterói, v. 139, dez. 2007.
BERNSTEIN, Basil. Das pedagogias aos conhecimentos. Educação, Sociedade & Culturas, Porto, 2001.
Federation Internationale D’Education Physique. Manifesto Mundial da Educação Física. Paraná: Kaygangue, 2000.
CHAVES, Walmer Monteiro. Fenômeno Bullying e a Educação Física Escolar. Disponível em: <http://cev.org.br/biblioteca/fenomeno-bullying-e-educacao-fisica-escolar>. Acesso em: 21 abr. 2015.
VALENTIM, Thiago dos Santos. Bullying e Educação Física. Efdeportes.com, Buenos Aires, v. 183, ago. 2013. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd183/bullying-e-educacao-fisica.htm>. Acesso em: 24 abr. 2015.
MELIM, Fernando Marcelo Ornelas; PEREIRA, Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira. A influência da Educação Física no bullying escolar: A solução ou parte do problema? Revista Iberoamericana de Educação, v. 67, n. 1, p.65-84, nov. 2014. Disponível em: <http://www.rieoei.org/deloslectores/6650Ornelas.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2015.
WOLKE, S., WOODS, S., BLOOMFIELD, L., e KARSTADT, L. (2001). Bullying involvement in primary school and common health problems. Archives of Disease in Childhood, 85, 197-201. Acedido a 12 de janeiro de 2009, na base de dados PubMed.

Benefícios e Riscos da participação na Educação Fìsica Escolar e na prática esportiva
Benefícios do envolvimento esportivo de jovens
Desenvolvimento de competências específicas das modalidades e atividades desenvolvidas;
Aperfeiçoamento das capacidades e forma física;
Aprendizagem de técnicas e métodos que podem não só melhorar o rendimento desportivo mas também a própria saúde;
Início de estilos de vida caracterizados pela prática regular do esporte e do exercício físico;
Desenvolvimento de uma autoimagem realista e positiva;
Respeito pelas regras e normas enquanto meios facilitadores da aprendizagem e do "
fair play
";
Oportunidade para o divertimento e o convívio com outras pessoas;
Desenvolvimento de competências positivas ao nível pessoal, social e psicológico, nomeadamente, em termos da autoestima, auto-disciplina, trabalho em equipe, formulação de objetivos e capacidades de auto-controle.
(GOMES, 2011)
Formação dos profissionais envolvidos na formação de jovens atletas
Conhecimento acerca das especificidades e diferenças da iniciação esportiva e do esporte de alto rendimento;
Sensibilização e formação acerca dos princípios gerais e básicos do funcionamento psicológico das crianças e jovens, nomeadamente ao nível da psicologia da iniciação esportiva e formação esportiva;
Formação técnica e científica sobre as metodologias e técnicas de orientação e estruturação dos programas de esporte para estas idades;
(GOMES, 2011)
Benefícios da Educação Física Escolar
Autonomia do aluno em relação à prática da atividade física;
Possibilitar aos alunos a prática dos jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas;
Despertar o prazer para a prática dos jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas;
Introduzir e integrar o aluno à cultura corporal do movimento;
Estimular no aluno a formação do cidadão e o exercício da cidadania;
Desenvolver a consciência acerca da importância da prática regular de exercício físico para a qualidade de vida;
(DARIDO, 2004)
A Educação Física Escolar é importante para a formação de cidadãos e futuros praticantes de exercício físico.
Mas será que somente ela é responsável este processo formativo?
Quem trabalha e auxilia na formação do jovem necessita de formação em quais domínios?
Fatores geradores de adesão dos jovens ao esporte
O grau de divertimento decorrente da prática da modalidade;
As alternativas de envolvimento em outras atividades, além das esportivas;
O investimento pessoal do jovem no desporto, expresso em termos do tempo, esforço e recursos financeiros;
A pressão social exercida sobre o jeovem praticar o esporte;
As oportunidades de envolvimento que são oferecidas ao jovem pelo fato de ser praticante (aperfeiçoamento das capacidades esportivas, estar com amigos e poder melhorar sua forma física);
(GOMES, 2011)
Características dos programas de formação de atletas
Ao nível físico, através da aprendizagem das competências da modalidade, da melhoria dda condição física, do desenvolvimento de hábitos de saúde positivos e da prevenção de lesões;
Ao nível psicológico, estimulando a aprendizagem de estratégias de controle emocional bem como o reforço de sentimentos de dignidade e bem-estar pessoal;
Ao nível social, promovendo atituddes e comportamentos de cooperação e apoio mútuo bem como os comportamentos socialmente corretos e aceitos;
(GOMES, 2011)
Tendo estes domínios como referência, o professor/treinador poderá estruturar programas que visam uma formação mais completa do aluno/atleta.
Fatores que promovem sentimentos de bem-estar e prazer
Organizar e planejar sessões de treino interessantes, com participação integral dos alunos e possibilidade de investir máximo esforço;
Seleção de exercícios adaptados às características e competências dos alunos, utilizando-se de estratégias inovadoras e, se possível, demonstrar interesse pela opinião dos alunos;
Observar as reações dos jovens durante o treino, na tentativa de identificar se estão gostando da sessão;
Evidenciar uma atitude positiva e comportamentos entusiasmados de modo a motivar os alunos;
Planejar o treino de modo a que todos os participantes tenham executado corretamente os exercícios e terem a possibilidade de obter sucesso;
Fatores que promovem sentimentos de bem-estar e prazer
Continuação
Aplicar o reforço e incentivar os comportamentos de apoio entre elementos do grupo e reprovar as atitudes negativas entre eles;
Assegurar que os atletas troquem de colegas nos exercícios que devem realizar;
Permitir e incentivar que os alunos atuem em diferentes posições em situações competitivas;
Manter um bom ambiente no grupo com a ajuda de brincadeiras, jogos e do bom humor e demonstrar que gosta de estar os alunos e orienta-los no dia a dia;
Planejar e criar situações onde se possa reforçar individualmente cada aluno de modo a promover o sentimento de ser "especial" por fazer parte da equipe;
(GOMES, 2011)
Riscos da participação em contextos esportivos
Outros riscos da participação em contextos esportivos
A baixa autoestima e o aumento do estresse devido às incertezas quanto a avaliação de pais, professores e colegas;
Comportamentos agressivos, devido a falta de definição de limites entre atitudes lícitas e ilícitas;
Ansiedade excessiva devido às pressões externas, antes, durante e após a competição;
(GOMES, 2011)
Desenvolvimento de capacidades físicas incorretas e imperfeitas;
Risco de lesões, doenças e a diminuição da forma física;
Aprendizagem de regras e estratégias de jogo erradas;
Desenvolvimento de autoimagem negativa ou irreralista;
Fuga ou mal-estar na futura participação em atividades esportivas;
Aprendizagem de formas e meios desonestos para ganhar;
Demonstração de comportamentos anti-sociais;
Desenvolvimento de sentimentos de medo ao errar ou falhar;
Uso inadequado do tempo em atividades pouco proveitosas.
(GOMES, 2011)
Referências
GOMES, Rui. A iniciação e formação desportiva e o desenvolvimento psicológico de crianças e jovens. In: MACHADO, Afonso Antonio; GOMES, Rui.
Psicologia do Esporte:
da escola à competição. 1 ed. Várzea Paulista: Fontoura, 2011.

DARIDO, Suraya Cristina. A educação física na escola e o processo de formação dos não praticantes de atividade física .
Revista Brasileira de Educação Física e Esporte
, v. 18, n. 1, p. 61-80 , mar. 2004. ISSN 1981-4690. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16551>. Acesso em: 27 Abr. 2015. doi:http://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092004000100006.
Não há como negarmos a presença constante das mídias em nossa vida cotidiana. Sejam as mídias tradicionais ou as chamadas novas mídias, estamos cada dia mais envoltos por elas. Para Bévort e Belloni (2009), a mídia é um elemento essencial dos processos de produção, reprodução e transmissão da cultura, já que são parte da cultura contemporânea, e nela desempenham funções cada vez mais importantes. Dito isso, o apoderamento crítico e criativo da mídia torna-se indispensável para o exercício da cidadania.
Para as autoras, a mídia vai além disso:

“Também é preciso ressaltar que as mídias são importantes e sofisticados dispositivos técnicos de comunicação que atuam em muitas esferas da vida social, não apenas com funções efetivas de controle social (político, ideológico...), mas também gerando novos modos de perceber a realidade, de aprender, de produzir e difundir conhecimentos e informações”. (BÉVORT; BELLONI, 2009, p. 1083)

Segundo Marques et. al (2013), a mídia é importante para o esporte, pois é um meio de proliferação de valores e símbolos específicos, além de aumentar o seu potencial mercadológico. Para os autores, existe uma interdependência entre mídia, exposição e acúmulo de verbas no esporte-espetáculo, pois os meios de comunicação precisam do esporte como conteúdo a ser comercializado e o esporte precisa da divulgação da mídia para gerar ganhos financeiros.
A influência da mídia acaba se apresentando não apenas no Esporte de alto nível, mas causa efeitos também na Educação Física Escolar. Estudos de Matos e Ortigara (2013) nos mostram que, dependendo do foco que a mídia dá a eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos, por exemplo, diferentes enfoques são direcionados a Educação Física Escolar. Os autores citam o caso das Olimpíadas de 2000, onde a campanha ruim dos atletas brasileiros fez com que a mídia questionasse o papel da Educação Física na escola.
“Após as Olimpíadas de 2000 os debates midiáticos reforçaram a educação física escolar como espaço privilegiado para a iniciação esportiva com a busca da “descoberta” de futuros atletas, ou seja, o espaço escolar como “centro de treinamento”, possível formador de atleta” (MATOS; ORTIGARA, 2013, p.235)
Como resposta a esse destaque por parte da mídia, o governo criou o Programa Esporte na Escola, que tinha como objetivo a valorização das práticas esportivas na escola e de reformulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que tornou a educação física componente curricular obrigatório. Este é um bom exemplo da interferência da mídia no campo da Educação Física Escolar.
Diante disso, podemos concluir que as aulas de Educação Física Escolar também se configuram como espaços onde é possível trabalhar e debater sobre as mídias. Para Bévort e Belloni (2009), hoje, mais do que nunca, é necessário oferecer a todos os cidadãos, mas principalmente aos jovens, as competências para saber compreender a informação, ter o distanciamento necessário à análise crítica, utilizar e produzir informações e todos os tipos de mensagens, pois só assim será possível uma sociedade da informação que seja plural, inclusiva e participativa.
Para Champagnatte e Nunes (2011), estar atento para a realidade que envolve a escola é um dos primeiros passos para ficar em harmonia com a realidade e com os próprios alunos, que passam por interferências do mundo fora da escola a todo momento. Trazer para a escola o que está em seu entorno pode ser uma das maneiras de aproximar as duas realidades, a da própria escola e a de fora dela. Uma das possibilidades é a introdução das mídias no contexto escolar, tanto no uso da própria mídia como recurso pedagógico ou por meio de discussões sobre as mídias e suas interferências na sociedade.
Para Moioli (2014), o homem vive hoje um momento único de ajustamento às novas estruturas sociais e à cultura, já que a descoberta de novas tecnologias acontece cada vez mais rápido, alterando as formas e os meios de comunicação, que interferem nas interrelações pessoais de forma direta. Para aqueles que fazem parte do universo esportivo, esta realidade é a mesma.
Segundo estudo feito pela comunidade de pesquisa online CONECTA e publicado pelo Ibope, o jovem brasileiro possui, em média, perfil em sete redes sociais. Boa parte do acesso às redes ocorre em dispositivos móveis, como tablets e celulares. O aplicativo do Facebook, por exemplo, está presente em 88% dos celulares dos jovens.

Fonte: ibope.com
Estudo de Spizzirri et al (2012) mostrou que a grande maioria dos jovens brasileiros entre 12 e 17 utiliza a internet de duas a três horas diárias, em suas casas, com pouco ou nenhum monitoramento dos progenitores e/ou cuidadores. Dito isso, o uso dos adolescentes caracteriza um universo particular, no qual a família participa muito pouco. Os autores destacam a necessidade de um maior envolvimento e esclarecimento de pais, educadores e de outros profissionais em relação às apropriações que os jovens fazem com as novas tecnologias.
Hoje em dia, é impossível fugir dos avanços tecnológicos. As tecnologias e as redes sociais tornam-se rotinas no nosso cotidiano, cumprindo o papel de facilitar e exercitar a nossa comunicação, relações pessoais, sociais, intelectuais, amorosas, etc. (MACHADO; CAMPBELL, 2014).
Moioli (2014) fala do jovem esportista que faz parte desta realidade:

“O jovem atleta transita nos ambientes do cotidiano, esportivo e ambiente virtual, fixa-se temporariamente em cada um desses territórios e carrega consigo os padrões de convivência de cada um deles. Nesse jogo interativo com diferentes ambientes – cotidiano, esportivos e o virtual das mídias eletrônicas – é construído um novo homem esportivo pós moderno, marcado pelas transformações que ocorrem com as coisas e as pessoas desses ambientes e, com ele, a formação de um novo tipo de raciocínio moral” (MOIOLI, 2014, p.48)
Segundo Gomes (2011), a prática desportiva em contexto escolar deve valorizar o desenvolvimento de indivíduos autônomos e responsáveis. Já que a presença das mídias e das redes sociais na vida dos jovens é um fato, acreditamos que discutir, utilizar, refletir e apriopriar-se das mídias e das redes sociais nas aulas de Educação Física Escolar é muito importante para o desenvolvimento da autonomia e responsabilidade dos alunos.
Para Lemos (2007), precisamos entender, que a sociedade em que vivemos hoje, cada vez mais globalizada, tecnológica e midiática, requer certos cuidados. Segundo a autora, existem muitos percursos criados pelo mercado para cercar, encurralar e confinar os jovens, como por exemplo, shoppings centers, drogas, internet, academias. Porém, a grande questão é como o jovem se relaciona com o objeto de desejo, que pode ser de forma maligna ou não.
Diniz et. al (2012) concorda que há necessidade da escola refletir sobre as questões da mídia e criar estratégias para usá-la, já que os meios de comunicação influenciam o modo como os alunos interpretam a realidade por meio de imagens, sons e informações.

"Quando os conteúdos da cultura corporal, com destaque para o esporte, passaram a constituir uma forma de espetáculo para a mídia, a Educação Física viu-se provocada e a escola passou a possuir mais um papel. Neste novo contexto, os professores precisariam considerar o impacto gerado por essa intensa disseminação de informações, encontrando na escola um espaço legítimo de discussão, reflexão e aprendizagem." (DINIZ et. al, p. 187).

Ainda segundo a pesquisa de Diniz et al. (2012), os dados indicam que o uso da mídia como ferramenta pedagógica em aulas de Educação Física Escolar representa uma possibilidade bastante interessante, já que os alunos consideraram esta iniciativa enriquecedora para a aprendizagem.

BÉVORT, E.; BELLONI, M. L. Mídia-educação: conceitos, história e perspectivas.
Educação & Sociedade
, Campinas, v. 30, n. 109, p. 1081-1102, set./dez. 2009.

CHAMPANGNATTE, D. M. O.; NUNES, L. C. A Inserção das Mídias Audiovisuais no Contexto Escolar.
Educação em Revist
a , v.27, n. 3, p. 15-38, 2011.

DINIZ, I. K. S.; RODRIGUES, H. A.; DARIDO, S. C. Os Usos da Mídia em Aulas de Educação Física Escolar: possibilidades e dificuldades.
Movimento
, v. 18, n. 03, p. 183-202, jul/set. 2012.

GOMES, R. A Iniciação e Formação Desportiva e o Desenvolvimento Psicológico de Crianças e Jovens. In: MACHADO, A. A.; GOMES, R. (Orgs.).
Psicologia do Esporte
: da escola à competição. Várzea Paulista: Fontoura, 2014, p. 19-48.

IBOPE. O jovem internauta brasileiro possui perfil em 7 redes sociais. Disponível em <http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/O-jovem-internauta-brasileiro-possui-perfil-em-sete-redes-sociais.aspx>. Acesso em 14 de abril de 2015.

LEMOS, I.
Pedagogia do Consumo:
família, mídia e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

MACHADO, A. A.; CAMPBELL, D. B. Psicologia do Esporte, Desenvolvimento Humano e Tecnologias: novos caminhos. In: MACHADO, A. A. (Org.).
Psicologia do Esporte, Desenvolvimento Humano e Tecnologia
s: o que e como estudar. Várzea Paulista: Fontoura, 2014, p. 13-22.

MARQUES, R. F. R.; GUTIERREZ, G. L.; ALMEIDA, M. A. B.; MENEZES, R. F. Mídia e o Movimento Paralímpico no Brasil: relações sob o ponto de vista de dirigentes do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Revista Brasileira de Educação Física e Esporte
, v. 27, n. 4, p. 583-596, out./dez. 2013.

MATOS, J. A.; ORTIGARA, V. O Discurso Midiático e a Formação de Atletas: uma questão para a educação física escolar.
Motrivivência
, n. 41, p. 234-246, dez. 2013.

MOIOLI, A. Formação Moral e a Representação Social: futebol, novas mídias e suas conexões. In: MACHADO, A. A. (Org.).
Psicologia do Esporte, Desenvolvimento Humano e Tecnologias
: o que e como estudar. Várzea Paulista: Fontoura, 2014, p.47-74.

SPIZZIRRI, R. C. P.; WAGNER, A; MOSMANN, C. P.; ARMANI, A. B. Adolescência conectada: Mapeando o uso da internet em jovens internautas.
Psicologia Argumento
, Curitiba, v. 30, n. 69, p. 327-335, abr./jun. 2012.
O presente estudo investigou a associação entre a participação esportiva extracurricular e os sintomas de ansiedade social, entre crianças de escola primária.
OBJETIVO
Conteúdos desta semana
Estados emocionais na Educação Física Escolar e na iniciação esportiva
Inserção e
bullying
nas aulas de Educação Física
Mídia, Redes Sociais e os Jovens Praticantes de Atividades Físicas
Tutores
Gustavo Lima Isler
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Humano e Tecnologias - UNESP/RC

Vivian de Oliveira
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Humano e Tecnologias - UNESP/RC

Helena Maria Giudice Badari
Discente do curso de Bacharelado em Educação Física - UNESP/RC
Bolsista PIBIC

Todos são membros do LEPESPE - Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte
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