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TZVETAN TODOROV - Nós e os outros

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Marce Casado

on 12 February 2015

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Transcript of TZVETAN TODOROV - Nós e os outros

Auguste Comte e Saint-Simon: “funesta ligação em minha juventude com um saltimbaco depravado”.
Degradação da ciência.
Comte e Condorcet: é preciso subordinar a política à história e por consequência a moral à ciência.
Comte, Saint-Simon e Condocet “cientificistas”
Cientificismo
- O Estado Universal

Marquês de Condorcet (1743 – 1794): dá uma nova conclusão ao cientificismo -> transformação do mundo de um aglomerado de países em um Estado único.
Cientificismo
Determinismo x Libedade Humana

Montesquieu a capacidade de se subtrair às leis é o traço distintivo da humanidade.

Distinção entre animais e homens: presença ou ausência de liberdade.

Perfectibilidade
capacidade de adaptação/ transformação desenvolvida pelas necessidades.

Ciência x Ética
Cientificismo
A crítica ao etnocentrismo arrisca-se a um puro relativismo.

Rousseau se apresenta como o primeiro a conseguir tecer críticas ao etnocentrismo, sem renunciar ao universalismo.
O Geral Pelo Particular
Etnocentrismo
- O espírito clássico
TZVETAN TODOROV
Etnocentrismo: erigir em valores universais os valores próprios à sociedade a que pertenço.
Assim, o direito racional toma o lugar do direito natural.
As leis devem ser as mesmas em todos os lugares.
Língua universal.
Henri de Saint-Simon (1760 – 1825): transfoma a ciência em religião propondo a unificação dos Estados europeus.
Cientificismo
NOTAS SOBRE O AUTOR
TZVETAN TODOROV
Nascido na Bulgária em 1939. Pesquisador do Centro de Pesquisa de Artes e Linguagens, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Ensaísta, Historiador e Filosofo.
Dedica seus estudos à alteridade - é o estudo das diferenças e o estudo do outro.
Seus livros constituem verdadeiros clássicos no assunto:
- A Conquista da América: a questão do outro. 983.
- Em Face do Extremo. 1995.
- O Homem Desenraizado. 1999.
- O Medo dos Bárbaros: para além do choque das civilizações. 2010.
- Os Inimigos Íntimos da Democracia. 2012.
Nós e os outros
MÉTODO
“ O assunto deste livro é a relação entre nós (meu grupo cultural e social) e os outros (os que não fazem parte dele), a relação entre a diversidade dos povos e a unidade humana.

Reflexão sobre a história, baseando-se em autores franceses - século XVIII a XX.

Um diálogo com os autores pesquisados, fazendo situar a posição do assunto naquele momento e suas ressonâncias na atualidade.

DOUTRINA DAS RAÇAS
Unidade x Diversidade:
“Os seres humanos se parecem e diferem ao mesmo tempo... Já que as formas de vida divergem em todos os lugares e a espécie (biológica) é uma só.”
Racismo x Racialismo:
“Comportamento... de ódio e desprezo com respeito a pessoas com características físicas bem definidas e diferentes das nossas.” “Comportamento antigo e de extensão provavelmente universal.”
“ Doutrina referente às raças humanas.” “Movimento de idéias nascido na Europa Ocidental – grande período meados do século XVIII a meados do século XX.”

DOUTRINA RACIALISTA
1 – A existência das raças:
“As raças aqui são assimiladas às espécies animais, e afirma-se que há entre duas raças a mesma distância que entre o cavalo e o jumento: não é o bastante para impedir a fecundação natural, mas suficiente para estabelecer a fronteira que salta aos olhos de todos.”
“...só contam as propriedades imediatamente visíveis: cor da pele, sistema piloso, configuração do rosto.”
2 – A continuidade entre o físico e o moral:
“As diferenças físicas determinam as diferenças culturais.”

“Esta primeira afirmação implica, por sua vez, a transmissão hereditária do mental e a impossibilidade de modificar o mental pela educação.”

DOUTRINA RACIALISTA
Disciplina: A Construção do Objeto de Pesquisa
Docentes: Rose Cléia Ramos da Silva e Suely Dulce Castilho
Aline de Souza Campos
Fernanda Leonel Machado

3 – A ação do grupo sobre o indivíduo:
“O comportamento do indivíduo depende, em grande medida, do grupo racial-cultural (ou étnico) a que pertence.”
4 – Hierarquia universal do valores:
“O racialista não se contenta em afirmar que as raças são diferentes; também crê que umas são superiores às outras.”
“ É muito raro que a etnia a qual pertença o autor racialista não se encontre no ápice de sua hierarquia.”
5 – Política baseada no saber:
“A submissão das raças inferiores, ou mesmo sua eliminação, pode ser justificada pelo saber acumulado a respeito das raças. É aqui que o racialismo junta-se ao racismo: a teoria dá lugar a uma prática.”

FRANÇOIS MARIE AROUET – VOLTAIRE (1694-1778)*
“Convicção sobre a natureza quase animal das raças inferiores.”

“Os negros e negras, transportados para os países mais frios, aí produzem sempre animais de sua espécie.”

“De resto, há uma explicação pronta para essa animalidade dos africanos; Não é improvável que nos países quentes macacos tenham subjugado moças.”

Poligenista: “Tenho boas razões para crer que ocorre com os homens o que ocorre com as árvores: as pereiras, os carvalhos... não vêm de uma só árvore, e os brancos barbudos, os negros de lã na cabeça, os amarelos de crina e os homens sem barba não vêm do mesmo homem.”
* Defensor das liberdades civis, liberdade religiosa e livre comércio. Iluminista que influenciou pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Americana
GEORGES-LOUIS LECLERC – CONDE DE BUFFON (1707-1788)*
“Tudo concorre, portanto, para provar que o gênero humano não é composto de espécies essencialmente diferentes entre si; que ao contrário, houve apenas uma espécie de homens.”

Monogenista: “A diferença está na presença ou ausência da razão.”

“Com efeito, a ausência de hierarquia é, junto com a ausência de razão e de palavra, um traço distintivo do mundo animal.” “Não vemos animais mais fortes e mais capazes comandando outros e por eles sendo servidos...”

Unidade de gênero – hierarquização interna: alguns homens são superiores.
*Naturalista, matemático e escritor francês. As suas teorias influenciaram duas gerações de naturalistas, entre os quais se contam Lamarck e Darwin.
Pirâmide da racionalidade: Europa setentrional – os outros europeus – Ásia – África – selvagens americanos.
“Se ao menos não houvesse para o branco e o negro a possibilidade de produzir juntos... Haveria duas espécies bem distintas; o negro seria para o homem o que o jumento é para o cavalo; ou melhor, se o branco fosse o homem, o negro não seria mais homem, seria um animal à parte, como o macaco.”
Variantes da espécie humana: cor da pele, tamanho do corpo e costumes. “A falta de civilização produz a negritude da pele.” “Vivem de maneira dura e selvagem, sofrem com as intempéries, vivem mais freqüentemente como animais do que como homem.”
Mesmo que colocadas as raças ficticiamente em ambiente propício ao desenvolvimento a diferença não se altera de imediato, permanece a solidariedade da cor e do costume – inata. O negro será sempre inferior, apesar de sociável.”
Arthur de Gobineau (1816-1882)
“As qualidades morais do indivíduo são inteiramente determinadas por suas disposições físicas; é vã, portanto, qualquer esperança nos efeitos da educação.”

Poligenista: as raças não são somente diferentes, obedecem uma hierarquia – branca, amarela e negra.

Critérios de avaliação: beleza, força física e capacidade intelectual.

A diferença não é somente física, mas sua capacidade intelectual para a civilização. “...as raças inferiores jamais tiveram Cesar ou Carlos Magno, jamais produziram Homero ou Hipócrates.”
A capacidade civilizatória possibilita que se integre a outras raças e as submetam a seu domínio: “Assim, o ariano é superior aos outros homens, principalmente na medida de sua inteligência e de sua energia... e a raça germânica é dotada de toda a energia da variedade ariana.”

“Hoje em dia, as raças são irremediavelmente misturadas e a extinção definitiva da espécie acontecerá em alguns poucos milhares de anos.

A obra de Gobineau encontrou forte crença na Alemanha nazista. Relatou fatos cientificamente, porém teve a ingenuidade de não se preocupar com os efeitos políticos e morais de sua paixão.

Sua glorificação ao Estado prussiano fez dele o representante mais ilustre do racialismo.
Ernest Renan (1823-1892)
“A presença da ciência na Europa e sua ausência no Oriente ou na América são ao mesmo tempo o indicador e a causa da superioridade de uma e a inferioridade de outra.”
“Todo governo deve guiar-se pela razão. A ética e religião não ocupam lugar onde impera a ciência.”

Reflexão:
A ciência é um guia digno de confiança?
Será sábio basear uma política na desigualdade das raças, “provada” pela ciência de Renan?
É legítimo ver na ciência a única dona da verdade?
- Dedicou-se ao estudo da raça superior e seus escalonamentos.

- Nacionalismo: “E o determinismo das raças (biológico, material) aproxima-nos dos animais, enquanto que o da nação (espiritual, histórico) é um indicador de nossa superioridade no mundo vivo.”

- A raça lingüística: “De um lado, há a raça física, de outro, a raça cultural, a língua desempenhando um papel dominante na formação de uma cultura.”

- Ariano x Semita – deixam de denominar famílias de línguas para se aplicar a raças.

- “O fanatismo é impossível em francês... Um muçulmano que saiba francês jamais será um muçulmano perigoso.”

- O povo semita em comparação aos arianos sempre descritos com inferioridade. “Espera, portanto, ver o momento em que a raça ariana terá se tornado, após milhares de anos de esforços, senhora do planeta que habita.”

- Os arianos são para as outras raças brancas o que a raça branca é para os negros.

Reflexão:
não será este o motivo do cisma entre ciência e religião? Não teria ele exigido uma atitude religiosa ao impor o credo ao determinismo científico sobre a existência de raças fisiológicas e lingüísticas?
GUSTAVE LE BOM (1841-1931)
Poligenista: “Baseando-se em critérios anatômicos bem claros, como a cor da pele, a forma e capacidade do crânio, foi possível estabelecer que o gênero humano compreende várias espécies claramente separadas e provavelmente de origem muito diferentes.”

Raças: Superior – Intermediária – Inferior – Primitiva (Construção etnocêntrica)

“A experiência prova que todo povo inferior em presença de um povo superior é fatalmente condenado a logo desaparecer.”

“A natureza fez uma raça de operários, a raça chinesa... Uma raça de trabalhadores da terra, o negro... Uma raça de senhores, a raça européia.”
“Tudo é obra da natureza; inútil, portanto, protestar. Não há ideal comum à humanidade, mas tantos modelos de felicidade quantas são as raças. A vida que revolta nossos trabalhadores tornaria feliz um chinês... Que cada um faça aquilo para o que é feito, e tudo ira bem.”

“Todos os europeus eram nobres, uns assim permanecerem, outros, empobrecidos, deram nascimento ao povo.”

Hierarquia das raças = hierarquia das classes: nos seres de mesma raça, há diferenças – sexo e classe. Determinadas classes se assemelham aos seres inferiores.

“Nem mesmo é necessário ir a fabrica ou a fazenda para observar o funcionamento das mentalidades primitivas: basta ir à cozinha, e deter um instante o olhar sobre aquele ser inferior que é sua esposa.”

“A prova da inferioridade feminina e da proximidade entre mulheres e negros é trazida pela craniologia. Os crânios brancos são maiores que o negros (somente entre os homens). Os crânios machos são maiores que os fêmeas (somente entre os brancos). Os crânios negros são iguais aos fêmeas.
Sempre que a diferença social é definida pela diferença racial, nasce o racismo.
Política – Ciência – Má Filosofia: Submeter a política à ciência é uma má filosofia, não uma má ciência; o ideal humanista pode ser defendido face ao ideal racista não porque é mais verdadeiro, mas porque lhe é eticamente superior, fundado que é na universalidade do gênero humano.
TZVETAN TODOROV: “...é indispensável combater não apenas as formas mais visíveis do cientificismo, tais como as que se observa nos regimes totalitários, mas também suas formas insidiosas, que impregnam a vida democrática. E esse combate implica em que a ética retome o lugar usurpado pela ideologia cientificista.”
A infinitude da diversidade humana através de duas perspectivas:
1 - Foco nos seres humanos: fomamos uma ou várias espécies?
2 - Existem valores universais e/ou relativos?

Unidade e Diversidade Universal e Relativo
Universalista não-etnocêntrico poderia fundar na razão a preferência por certos valores.
Duas facetas do etnocentrismo:
- Prentensão universal;
- Conteúdo particular.

A origem dos valores
Blaise Pascal (1623-1662) - Universalismo mais banal: consiste em identificar, sem criticidade,
seus
valores com
os
valores.
Jean de La Bruyère (1645-1696):

1 - Os bárbaros são os que creem que os a sua volta são bárbaros.
2 - “Com uma linguagem tão pura, um rebuscamento tão grande em nossos hábitos, costumes tão cultivados, leis tão belas e um rosto branco, somos bárbaros para alguns povos.”
Dois pontos para tal estudo:
- Descobrir as especificidades de cada povo e suas diferenças em relação a nós.

- Rertornar a ideia universal do homem para além da especulação metafísica e contemplando os conhecimentos empíricos.
O “bom” universalismo não é aquele que deduz a identidade humana a um particular, independente de qual seja, é aquele que parte de um conhecimento aprofundado do particular.
Cientificismo
- Natureza contra moral
Denis Diderot (1713 -1784): funda a moral na natureza, eliminando, por consequência, qualquer necessidade de moral.

Fundação do comportamento humano, apoiada na “natureza”.

Crimes sob a ótica do instinto.

A moral como desnecessária e nociva à sociedade.
- A liberdade

Diderot x Rousseau
Oposição de caráter científico:
Diderot
Rousseau
Natureza Humana depende da biologia
É o filósofo, não o zoólogo que detém a verdade da espécie humana
- Baseia-se em dois pontos:
1 - A natureza humana é a mesma em todas as partes (capacidade racional).

2 - Cabe à razão universal formular os princípios válidos em todos os lugares.
“Povoar o globo com a raça européia, que é superior a todas as outras raças de homens; torná-lo viajável e habitável como a Europa, eis a tarefa através da qual o parlamento europeu deverá continuamente exercer a atividade da Europa e mantê-la sempre.”
Henri Saint-Simon,
De la réorganization de la société européene
Diferente de Saint-Simon e Condorcet, Comte parte de observações reais.
- Vida industrial e organização do trabalho;
- homogeinização dos gostos estéticos;
- acordo internacional sobre métodos da ciência;
- preferência pela democracia;

BIBLIOGRAFIA
TODOROV, T. Nós e os outros: a reflexão francesa sobre a diversidade humana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., v. 2, 1993.
Montaigne
- O Costume
Universalismo (cientificismo e etnocentrismo)
Relativismo
Montaigne (1533 – 1592): será tudo constume, inclusive os fundamentos da moral, as regras da razão? Ou existe um fundo universal, uma naturezado homem que os costumes ocultam, mas não alteram.
- O Bárbaro
“Des cannibales”
: uma narrativa do encontro da cultura européia com os nativos do Novo Mundo.
O ensaio se configura como um elogio aos “canibais” e uma condenação a sociedade dominante.
“Bárbaro” em dois sentidos:
1- Histórico e Positivo;
2 - Ético e Negativo
No entanto, o Outro de quem Montaigne fala não são os “canibais”, mas seus próprios valores.
Montaigne acreditava ser relativista, mas de acordo com Todorov, nunca deixou de ser universalista.
Montaigne
- Dedução do universal

Rousseau discorda de Montaigne em relação ao onipresença dos costumes.
A natureza humana existe, porém é inacessível à indução.
Dedução: parte-se de uma “verdade” já conhecida para demonstrar que ela se aplica a todos os casos particulares iguais.
Indução: parte-se dos casos particulares iguais, para uma demonstração de lei geral.
O Etnocentrismo Científico
Joseph-Marie de Gérando (1772 – 1842): “o preconceito nacional”

O universalista é, muitas vezes, um etnocentrico que se ignora.

Quando se ignora a si próprio, jamais se chega a conhecer os outros.
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