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CULTURAS HÍBRIDAS

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Marcela Silveira Pimentel

on 18 March 2015

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Transcript of CULTURAS HÍBRIDAS

Projeto expansionista:
Tendência da modernidade que procura estender o conhecimento e a posse da natureza, a produção, a circulação e o consumo de bens. No capitalismo, a expansão está motivada, preferencialmente pelo incremento do lucro; mas num sentido mais amplo manifesta-se na promoção das descobertas científicas e do desenvolvimento industrial.
A autonomia de cada domínio vai se institucionalizando e gera profissionais especializados que se tornam autoridades especialistas de sua área. Essa especialização acentua a distância entre a cultura profissional e a do público, entre os campos científicos ou artísticos e a vida cotidiana.
Habermas, Bourdieu e Becker, que estudaram a autonomia cultural como componente definidor da modernidade em suas sociedades: Alemanha, França e Estados Unidos, encontram na produção auto-expressiva e auto-regulada das práticas simbólicas o indicador característico do seu desenvolvimento moderno.

O que siginifica ser moderno?
É possível condensar as interpretações atuais dizendo que quatro movimentos básicos constituem a modernidade
Projeto democratizador
O movimento da modernidade que confia na educação e na difusão da arte e dos saberes especializados para chegar a uma evolução racional e moral.
CULTURAS HÍBRIDAS
Projeto emancipador
Secularização dos campos culturais, a produção auto-expressiva e auto-regulada das práticas simbólicas, seu desenvolvimento em mercados autônomos. Fazem parte desse movimento emancipador a racionalização da vida social e o individualismo crescente.
Projeto renovador
Abrange dois aspectos, com frequência complementares: de um lado, a busca de um aperfeiçoamento e inovação incessantes, próprios de uma relação com a natureza e com a sociedade liberada de toda prescrição sagrada sobre como deve ser o mundo; de outro, a necessidade de reformular várias vezes os signos de distinção que o consumo massificado desgasta.
Esses quatro projetos, ao se desenvolver, entram em conflito.


A modernização econômica, política e tecnológica foi configurando um tecido social envolvente, que subordina as forças renovadoras e experimentais da produção simbólica

Habermas retoma a afirmação de Max Weber de que o moderno se forma quando a cultura se torna independente da razão substantiva consagrada pela religião e pela metafísica e se constitui em três esferas autônomas: a cência, a moralidade e a arte.
Néstor García Canclini
CAP.1 - DAS UTOPIAS AO MERCADO
O crescimento da ciência e da arte, liberados da tutela religiosa, ajudaria a controlar as forças naturais, ampliar a compreensão do mundo, progredir moralmente, tornar mais justas as instituições e as relações sociais
A trajetória de Habermas exemplifica como o pensamento sobre a modernidade se constrói em diálogo com autores pré-modernos e pós-modernos, segundo as posições que os intérpretes adotam no campo artístico ou intelectual
Bourdieu e Becker, revelam que a cultura moderna se diferencia de todo o período anterior ao constituir-se em espaço autônomo dentro da estrutura social
Bourdieu

Séc. XVI e XVII
À medida que são criados museus e galerias, as obras de arte são valorizadas sem as repressões que lhes impunham o poder religioso ao encomendá-las para igrejas ou o poder político para os palácios. Nessas “instâncias específicas de seleção e consagração”, os artistas já não competem pela aprovação teológica ou pela cumplicidade dos cortesãos, mas sim pela “legitimidade cultural”.
O que o artista faz está condicionado pelo sistema de relações que estabelecem os agentes vinculados com a produção e a circulação das obras, mais que pela estrutura global da sociedade.
Bourdieu observa que a formação de campos específicos do gosto e do saber, em que certos bens são valorizados por sua escassez e limitados a consumo exclusivos, serve para construir e renovar a distinção das elites. Em sociedades modernas e democráticas, onde não há superioridade de sangue nem títulos de nobreza, o consumo se torna uma área fundamental para instaurar e comunicar as diferenças
Como conciliar a tendência capitalista a expandir o mercado, mediante o aumento de consumidores, com essa tendência a formar públicos especializados em âmbitos restritos?

Não é contraditória a multiplicação de produtos para o incremento dos lucros com a promoção de obras únicas nas estéticas modernas?

Bourdieu observa que a formação de campos específicos do gosto e do saber, em que certos bens são valorizados por sua escassez e limitados a consumos excessivos, serve para construir e renovar a distinção de elites.
Em sociedades modernas e democráticas, não há superioridade de sangue nem títulos de nobreza, o consumo se torna área fundamental para instaurar e comunicar as diferenças. Então, a burguesia precisa de âmbitos separados das urgências da vida prática, onde os objetos sejam organizados – como nos museus – por suas afinidades estilísticas e não por sua utilidade.
Divulgação – ampliar o mercado e o consumo dos bens para aumentar a margem de lucro

Distinção – que, para enfrentar os efeitos massificadores da divulgação, recria os signos que diferenciam os setores hegemônicos
Sociedades modernas
Becker afirma que na modernidade os mundos da arte são múltiplos, não se separam taxativamente entre si, nem do restante da vida social; cada um compartilha com os outros campos o fornecimento de pessoal, de recursos econômicos e intelectuais, mecanismos de distribuição dos bens e os públicos.
Situar as práticas artísticas nos processos de produção e reprodução social, de legitimação e de distinção, deu a Bourdieu a possibilidade de interpretar as diversas práticas como parte da luta simbólica entre as classes e entre diferentes grupos dentro de uma mesma classe.
Em relação aos setores populares, sustenta que eles são guiados por “uma estética pragmática e funcionalista”, “imposta por uma sociedade econômica que condena as pessoas 'simples' e 'modestas' a gostos 'simples' e 'modestos'”, o gosto popular, então, opõe-se ao burguês e moderno por ser incapaz de dissociar certas atividades de seu sentido prático e dar-lhes outro sentido estético autônomo.
Por isso, as práticas populares são definidas e desvalorizadas, mesmo por esses setores subalternos, tendo como referência a estética dominante, a dos que saberiam de fato qual é a verdadeira arte, a que pode ser admirada de acordo com a liberdade e o desinteresse dos “gostos sublimes”.
Também há a relação das diversas estéticas e práticas artísticas em um esquema estratificado pelas desiguais apropriações do capital cultural. Bourdieu desconhece o desenvolvimento próprio da arte popular, sua capacidade de desenvolver formas autônomas, não utilitárias, de beleza. Tampouco examina a reestruturação que sofrem as formas clássicas do culto (as belas-artes) e dos bens populares ao ser redimensionado dentro da lógica comunicacional estabelecida pelas indústrias culturais.
Apesar de hoje serem vistas como a forma paradigmática da modernidade, algumas vanguardas nasceram como tentativas de deixar de ser cultos e modernos. Vários artistas e escritores dos séculos XIX e XX rechaçaram o patrimônio cultural do Ocidente e o que a modernidade vinha fazendo com ele. Os avanços da racionalidade e do bem-estar burgueses lhes interessavam pouco; o desenvolvimento industrial e urbano lhes parecia desumanizante
Há um momento em que os gestos de ruptura dos artistas que conseguem converter-se em atos tornam-se ritos.

A arte da vanguarda se transformou em ritual também em outro sentido

Bourdieu nota que muitos ritos não tem por função unicamente estabelecer as maneiras corretas da atuação, e portanto separar o permitido do proibido, mas também incorporar certas transgressões limitando-as.

O rito deve resolver “a contradição que se estabelece” ao construir “como separados e antagonistas princípios que devem ser reunidos para assegurar a reprodução do grupo".

RITUALIZAÇÃO IMPOSTA PELA
ARQUITETURA AOS PÚBLICOS DOS MUSEUS
Itinerários rígidos, códigos de ação para serem representados e atuados estritamente.
São como os templos religiosos que convertem os objetos da história e da arte em monumentos

Ritualidade do museu histórico
e do museu de arte moderna de formas completamente diferentes.
Ao sacralizar os espaços e os objetos e ao impor uma ordem de compreensão, também são organizadas as diferenças entre os grupos sociais
RITOS DE EGRESSO
Dado que o máximo valor estético é a renovação incessante, para pertencer ao mundo da arte não se pode repetir o já feito, o legítimo, o compartilhado.

Arte moderna busca oferecer algo radicalmente inovador através da incorporação do passado de forma não convencional e das experimentações transculturais.
FASCINADOS COM O
PRIMITIVO E O POPULAR
“Porque os promotores da modernidade , que a anunciam como superação do antigo e do tradicional, sentem cada vez mais atração por referências do passado?”

Necessidades culturais de conferir um significado mais denso ao presente;
Necessidades politicas de legitimar a hegemonia atual mediante o prestigio do patrimonio histórico;

FASCINADOS COM
O PRIMITIVO E O POPULAR
Exposição de 1984 no Museu e Arte Moderna de NY sobre o primitivismo na arte do século XX;
Exposição de 1978 no Museu de Arte Moderna de Paris reuniu artistas populares que deram tratamentos não convencionais à materiais, formas e cores;

“Os participantes são indivíduos livremente proprietários de seus desejos, suas extravagâncias e impõe ao mundo o selo vital de sua irredutível unicidade.
A exposição é uma maneira de renovar o olhar e reencontrar o que há de selvagem nesta arte cultural”
Suzanne Page, diretora do museu de Arte Moderna de Paris
A ARTE CULTA JÁ NÃO É
UM COMÉRCIO DE MINORIAS
A expansão do mercado artístico de um pequeno círculo de pessoas para um público amplo passa a alterar as formas de avaliar arte.

Nas artes plásticas houve a perda de autonomia simbólica das elites em um campo que, junto com a literatura, constitui o núcleo mais resistente às transformações contemporâneas.

O culto moderno, inclui boa parte dos produtos que circula pelas industrias culturais, assim como a difusão em massa e a reelaboração que os novos meios trazem da sobras literárias, musicais e plásticas que antes eram voltadas somente às elites
A informação para tomar decisões acerca das tendências de mercado é cada vez menos por meio de relações personalizadas (por exemplo um dono de uma galeria e seus clientes) e mais pelos procedimentos eletrônicos de pesquisa de mercado.


A ESTÉTICA MODERNA COMO IDEOLOGIA PARA CONSUMIDORES
Como as mudanças no âmbito artístico ainda são pouco conhecidas ou assumidas pelos públicos majoritários, a ideologia do culto moderno subsiste mais entre o grande público do que nas elites que originaram as crenças.
No momento em que os artistas e os espectadores “cultos” abandonam a estética das belas-artes e das vanguardas porque sabem que a realidade funciona de outro modo, as indústrias culturais, as mesmas que encerraram essas ilusões na produção artística, reabilitam-nas em um sistema paralelo de publicidade e difusão.”

"Com respeito à arte antiga ou primitiva, e com respeito à arte ingênua ou popular, quando o historiador ou o museu se apoderam delas, o sujeito da enunciação e da apropriação é um sujeito culto moderno."
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