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Interseccionismo

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by

Carlota André

on 5 December 2012

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Transcript of Interseccionismo

Interseccionismo Elaborado por: Movimento literário de vanguarda criado por Fernando Pessoa e que se caracteriza pela intersecção no poema de vários níveis simultâneos de realidade: a interior e a exterior, a objectiva e a subjectiva, o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o outro, ... O Intersecionismo manteve-se, desde o princípio, muito próximo do Sensacionismo.
Podemos seguir a evolução do pensamento interseccionista através da correspondência de Pessoa com o seu amigo Côrtes- -Rodrigues. Poema paradigmático desta estética, "Chuva Oblíqua", de Fernando Pessoa (in "Orpheu" nº2, 1915), exemplifica esta técnica de intercalamento. É uma amostra de virtuosismo poético e como tal, para demonstrar as variações do novo programa, desdobra-se em seis partes. Chamamos a este poema paradigma da corrente intersecionista porque a sua estrutura segue com uma nitidez geométrica uma única diretriz fundamental: a intersecção de duas superfícies, sendo elas, uma paisagem vivida e um porto imaginado. Verifica-se uma intersecção de realidades físicas e psíquicas, de realidades exteriores e interiores; uma intersecção dos sonhos e das paisagens reais, do espiritual e do material, uma intersecção de tempos e de espaços; uma intersecção da horizontalidade e verticalidade. Ao longo da "Chuva Obliqua", recria vivências que se interseccionam com outras que, por sua vez, dão origem a novas combinações da realidade/idealidade.
E, neste jogo dialéctico, o sujeito poético revela- se duplo, fragmentado, na busca de sensações que lhe permitam antever a felicidade ansiada mas inacessível. Carlota André nº7
Maria João Pereira nº16 O interseccionismo entre o material e o sonho, a realidade e a idealidade são tentativas para encontrar a unidade entre a experiência sensível e a inteligência. Daí a intelectualização do sentimento para exprimir a arte, que fundamenta o poeta fingidor. I
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...

O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...

Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...

Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvores, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma... :
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