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Morro da Babilônia - Carlos Drummond de Andrade

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by

Iasmim Almeida

on 3 November 2013

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Transcript of Morro da Babilônia - Carlos Drummond de Andrade

Morro da Babilônia
Carlos Drummond de Andrade
À noite, do morro
descem vozes que criam o terror
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua geral).

Quando houve revolução, os soldados se espalharam no morro,
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.

Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.
Forma/Estrutura
3 estrofes, sendo duas com 4 versos e uma com 6 versos;
Versos livres e sem rimas.

Análise do Título
Morro da Babilônia
espaço geográfico reservado às classes mais baixas
menção ao antigo e
luxuoso Império Babilônico, conhecido por seu desenvolvimento na arquitetura, agricultura, astronomia
e direito
Morro da Babilônia
morro localizado na cidade
do Rio de Janeiro
também associada à Torre de Babel que, na Bíblia, foi a responsável pela multiplicidade de línguas faladas em todo o mundo.

À noite, do morro
descem vozes que criam o terror

Análise do Poema
À noite
, do morro
descem vozes que criam o terror
(
terror urbano
,
cinquenta por cento de cinema
,
e o resto que veio de
Luanda
ou se perdeu na
língua geral
).

Quando houve
revolução
, os soldados se espalharam no morro,
o quartel pegou fogo
, eles não voltaram.
Alguns,
chumbados
, morreram.
O morro ficou mais encantado
.
Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.

ambientação noturna
oriundo do processo ditatorial a que era submetido o
Brasil: o Estado Novo
referência explícita ao processo escravagista brasileiro
A revolução pode se referir tanto ao ano de 1930 quanto o de 1937, marcos do início do
governo Vargas e do Estado Novo, respectivamente
intertextualidade com as cantigas de roda
Ambiguidade: o chumbo das armas que matam e dos soldados de chumbo
que encantam
o poema que antes começara em clima de suspense, termina suave e lírico; o “terror” que desce do morro é transformado em música
Questões
1. (Fuvest 2013) Guardadas as diferenças que separam as obras a seguir comparadas, as tensões a que remete o poema de Drummond derivam de um conflito de:

a) caráter racial, assim como sucede em "A cidade e as serras".
b) grupos linguísticos rivais, de modo semelhante ao que ocorre em "Viagens na minha terra".
c) fundo religioso e doutrinário, como o que agita o enredo de "Til".
d) classes sociais, tal como ocorre em "Capitães da areia".
e) interesses entre agregados e proprietários, como o que tensiona as "Memórias póstumas de Brás Cubas".

2. Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F).

a) (V) (F) Na sentença “Alguns, chumbados, morreram”, o adjetivo está empregado com triplo sentido: atingidos pelo chumbo das balas, embriagados e intoxicados pelo chumbo.
b) (V) (F) Segundo o eu-lírico, a imagem projetada pelo morro para a sociedade é dupla: de um lado, a violência; do outro, a gentileza em forma de música.
c) (V) (F) A última estrofe é classificada, quanto ao número de versos, como uma sextilha.
d) (V) (F) No conjunto formado pelos poemas do livro, a referência ao Morro da Babilônia — feita no título do texto — mais as menções ao Leblon e ao Méier, a Copacabana, a São Cristóvão e ao Mangue, — presentes em outros poemas —, sendo todas, ao mesmo tempo, espaciais e de classe, constituem uma espécie de discreta topografia social do Rio de Janeiro.
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