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Copy of Auto da Barca do Inferno

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Mafalda Mogas

on 3 January 2013

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Transcript of Copy of Auto da Barca do Inferno

Auto da Barca do Inferno
Gil Vicente Mafalda Mogas Alegoria Texto alegórico: todas as personagens são sobrenaturais e possuem um determinado simbolismo.
Exemplo:
Diabo –condenação dos vícios;
Anjo – recompensa das virtudes;
Passageiros –almas que vão ser julgadas pela sua atuação em vida;
Barcas – caminho que conduz ao céu ou ao inferno.
Cais – purgatório, o fim da vida terrena e o local de passagem para a outra vida. Classificação da peça Classificação da peça Auto de moralidade – Gil Vicente no Auto da Barca do Inferno apresenta o retrato da sociedade do seu tempo, criticando os seus vícios, com o objetivo de moralizar.
Esta peça foi composta por Gil Vicente a pedido da rainha D.Leonor , para ser representada ao rei D. Manuel I; Assunto da obra A ação da peça situa-se num cais, onde estão duas barcas que se dirigem, uma para o paraíso e outra para o inferno;
Cada uma das barcas tem um arrais: a do paraíso, um Anjo e a do inferno, um Diabo e o seu companheiro;
As almas das personagens que acabaram de falecer chegam ao cais e forçosamente terão de embarcar numa das barcas;
De acordo com a vida que levaram, irão para o inferno ou para o paraíso.
O Diabo e o Anjo assumem o papel de advogados de acusação. Símbolos Cénicos Todas as personagens trazem consigo símbolos cénicos que contribuem para a sua caracterização indireta:
Permitem a identificação da classe social e/ou profissional das personagens;
Constituem a materialização dos pecados das personagens.
Exceção: o parvo é a única personagem que se apresenta em cena sem qualquer elemento cénico. Percurso cénico Quase todas as personagens apresentam o mesmo percurso cénico: chegam ao cais, dirigem-se à barca do inferno e recusam-se a entrar; vão à barca do Anjo que os repele. Por fim, regressam à barca do inferno e embarcam.
Cais Barca do Inferno Barca do Anjo Barca do Inferno Embarque Exceções: Parvo, Judeu, Enforcado, Quatro Cavaleiros Personagens As personagens do Auto da Barca do Inferno são personagens-tipo, uma vez que representam toda uma classe social e/ou profissional.
Exemplo: Fidalgo nobreza
Onzeneiro burguesia
Frade clero
Sapateiro povo
Corregedor e procurador magistrados
Quatro cavaleiros cruzados Fidalgo Personagem -tipo Representa
a Nobreza " Mandai meter a cadeira,/ que assi passou vosso pai." Argumentos de autodefesa apresentados pelo fidalgo: Estatuto social - " Sou fidalgo de solar,/ é bem que me recolhais"
Tem quem reze pela sua alma- " Que leixo na outra vida/ quem reze sempre por mi" Evolução psicológica Arrogante (Parece-me isso cortiço) e prepotente (Pera senhor de tal marca/ nom há aqui mais cortesia?);
Arrependimento pelo seu comportamento em vida: " Inferno há i mi?/Ó triste! Enquanto vivi/ não cuidei que o havia (...) confiei em meu estado/e não vi que me perdia";
Resignado " Entremos, pois que assi é." Tipos de cómico Tipos de cómico Cómico de linguagem - Ironia utilizada pelo Diabo("todos bem vos serviremos") e pelo Anjo ("e todo vosso senhorio") para ridicularizar o Fidalgo;
Cómico de situação - A personagem atua como se estivesse viva, caindo no ridículo: "Pera senhor de tal marca/nom há aqui mais cortesia?";
Cómico de caráter - Maneira de ser e de se apresentar da personagem ("chega com um Paje que lhe leva um rabo mui comprido e ua cadeira d'espaldas") Acusações que lhe são feitas: O Onzeneiro é acusado de praticar a usura, de ser ganancioso e de viver obcecado pelo dinheiro. Essas acusações são apontadas pelo Diabo e pelo Anjo. Acusações que lhe são feitas: O Onzeneiro é acusado de praticar a usura, de ser ganancioso e de viver obcecado pelo dinheiro. Essas acusações são feitas tanto pelo Diabo como pelo Anjo. Argumentos de autodefesa do onzeneiro: Diz ao Anjo que o bolsão que traz consigo vai vazio - "Juro a Deos que vai vazio";
Perante o Diabo, manifesta o desejo de ir ao mundo buscar dinheiro para comprar a salvação - "Quero lá tomar ao mundo/e trarei o meu dinheiro./Aqueloutro marinheiro,/porque me vê vir sem nada,/dá-me tanta borregada/como arrais lá do Barreiro." Tipos de cómico Cómico de situação - Depois de ter sido rico em vida, depois de morto, apresenta-se tão pobre que nem sequer dispõe moeda para pagar ao barqueiro Intencionalidade crítica Parvo Representa aqueles que não pecaram Não leva
elementos
cénicos Desapego aos
bens materiais Ausência
de pecados "per malícia nom erraste" "Tua simpreza t'abaste/pera gozar dos prazeres" Linguagem do parvo Injuriosa;
Ilógica;
Chocarreira;
Desbragada Tipos de cómico Cómico de linguagem - Nível de língua: calão, popular. Pecados do sapateiro Enganou e roubou o povo no exercício da sua profissão
Acusações:
do Diabo: - "calaste dous mil enganos./tu roubaste bem trint'anos/ o povo com teu mester; ouvir missa, então roubar-/é caminho per'aqui; e os dinheiros mal levados,/que foi da satisfação"
do Anjo - essa barca que lá está/leva quem rouba de praça; Se tu viveras dereito,/elas foram cá escusadas" Argumentos de autodefesa Para se defender, o Sapateiro recorre a argumentos de cariz religioso.Assim, diz que se confessou, comungou, assistiu a missas e deu esmolas. Segundo ele,esse tipo de argumentos é suficiente para garantir a salvação. Tipos de cómico Cómico de linguagem - nível de língua (calão): "puta da barcagem, puta da badana e quatro forminhas cagadas." Intencionalidade crítica Crítica socioprofissional e económica
Roubo e exploração
Religiosa
Hipocrisia das crenças religiosas Argumentos de acusação Crítica socioprofissional e econoómica
Libertino e mundano: "gentil padre mundanal"
Incumpridor dos votos de castidade:"Devoto padre marido" Argumentos de autodefesa O hábito de frade é para a personagem a garantia de ter um lugar assegurado no Paraíso- "E este hábito nom me vale?"
A reza dos salmos pressupõe, para o Frade, segurança e proteção - "Como?Por ser namorado/e folgar com uma mulher/se há um frade de perder, com tanto salmo rezado" Interpretação do silêncio do anjo O Anjo despreza completamente o Frade pelas suas atitudes. Crítica do Parvo Denúncia do não cumprimento dos votos de castidade: "Furtaste o trinchão, frade?" Tipos de cómico Linguagem - Ironia do Diabo: "Devoto padre marido"
Carácter- Ter namorada:"Deo gratias!Som cortesão.Como?Por ser namorado/E folgar com ua mulher."
Situação - Entra a cantar e a dançar:"Tai-rai-rai-ra-rão;Ta-ri-ri-rão,/Tai-rai-rai-ra-rão;Ta-ri-ri-rão/Tão-tão;ta-ri-rim-rim-rão.Huha!
- Lição de esgrima:"Deo gratias!Dêmos caçada!" Intencionalidade crítica Nesta cena, denunciam-se:
A devassidão do clero, que se comporta mundanamente;
O materialismo e a corrupção de valores da Igreja;
O carácter artificial das orações;
A cópia dos costumes da nobreza (esgrima). Retrato psicológico Despachada, descarada, hipócrita, sedutora, altiva, mentirosa, exploradora, arguta e ladra. Caracterização direta Caracterização indireta Símbolos cénicos
"Virgos postiços";
"Almários de mentir";
"Cofre de enleios";
"Um estrado de cortiça com dous coxins d'encobrir"
(...) Argumentos de acusação da alcoviteira Pecados
Lenocínio ( a Alcoviteira seduziu jovens para a prostituição ou devassidão)
Processos de auto-incriminação
Longas intervenções da Alcoviteira, que denunciam os seus pecados;
Curtas intervenções do Diabo e do Anjo, que nem sequer precisam de a acusar. Argumentos de autodefesa É uma vítima de perseguição por parte da Justiça.
Ex.: "eu sô ua mártela tal";
Compara da sua missão de conversão à dos apóstolos
Ex.: "e eu som apostolada,/angelada e martelada";
"Santa Ursula nom converteo/tantas cachopas como eu" Reação à chegada da alcoviteira Diabo - O Diabo recebe a Alcoviteira com satisfação, uma vez que já a aguardava-
Anjo - O Anjo mostra-se indignado e surpreendido com o descaramento de Brísida Vaz, manifestando um certo desprezo. Evolução psicológica da Alcoviteira Quando se dirige ao Diabo - Altiva e arrogante: "Nom quero eu entrar lá;No é essa barca que eu cato";
Quando se dirige ao Anjo - Lisonjeira e carinhosa : "Barqueiro mano, meus olhos,/prancha a Brísida Vaz!"
Quando regressa à Barca do Inferno - Resignada: "Hou Barqueiros de má-hora,/que é da prancha, que eis me vou?" Intencionalidade crítica Denúncia da corrupção de valores (mentira, roubo, prática de feitiçaria);
Critica ao lenocínio; Acusações apontadas ao judeu Ter mau caráter;
Profanar sepulturas cristãs;
Comer carne em dia de jejum. - Fanático pela sua religião (chegada com um bode às costas);
- Subornador e ganancioso (tentativa de comprar a sua entrada na Barca do Inferno) Linguagem Expressões típicas dos judeus;
Calão. Tipos de cómico Cómico de carácter - Insistência do Judeu e tentativa de suborno do Diabo, para entrar na Barca do Inferno com o bode.
Cómico de situação - Decisão de levar o Judeu e o bode a reboque;
Cómico de linguagem - Utilização do calão por parte do Judeu e do Parvo. Acusações apontadas ao corregedor Parcialidade;
Falta de temor a Deus;
Corrupção;
Exploração do povo;
Aceitação de subornos;
Desonestidade Argumentos de autodefesa apresentados pelo corregedor Estatuto profissional;
Imparcialidade no exercício da justiça;
Atribuição de culpas à sua mulher, para justificar a aceitação de subornos. Procurador Cúmplice do Corregedor na prática fraudulenta da justiça; Defende-se, dizendo que acredita em Deus. Linguagem Utilização do Latim jurídico.
Processo de criação do cómico;
Meio de caracterização das personagens a nível socioprofissional;
Forma de marcar a sua pretensa superioridade. Linguagem do Diabo e do Parvo Utilizam o Latim macarrónico para
Ridicularizar os réus;
Criair o cómico de linguagem. Tipos de cómico Cómico de situação - Condenação da justiça humana pela justiça divina;
Cómico de carácter- Atuação das personagens que, mesmo depois da morte, apelam à justiça;
Cómico de linguagem - Utilização do Latim macarrónico nas falas do Diabo e do Parvo. Intencionalidade crítica Denúncia da prática fraudulenta da justiça;
Crítica à corrupção, ao opurtunismo, à parcialidade da justiça humana. Nesta cena, Gil Vicente dá-nos a conhecer que o Enforcado foi intrujado por GarciaMoniz, Mestre da Balança da Moeda deLisboa. Este teria convencido o ladrãoenforcado de que iria para o Paraíso, vistoter-se já purificado dos pecadoscometidos, no purgatório do Limoeiro eque poder-se-ia considerar um “santocanonizado” por muito ter sofrido durantetoda a vida. Objetivo de Garcia Moniz em relação ao Enforcado: Animar, com base em ilusões, um criminoso que vai receber o castigo da forca. Argumentos que Garcia Moniz utilizou para convencer o Enforcado A prisão era o lugar dos escolhidos;
A morte na forca serviria para purificar os seus pecados. Reação do enforcado ao convite do Diabo para entrar na Barca do Inferno Primeiro, rejeitou;
Depois, ficou desiludido face ao que lhe tiha sido garantido em vida;
Por fim, resignou-se, acabando por embarcar. Intencionalidade crítica Denúncia da cumplicidade dos altos funcionários da Corte com ladrões e criminosos; Razões para a salvação dos cavaleiros Participaram na "Guerra Santa" e na expansão da fé cristã;
Morreram em nome de Cristo. Objetivos da cena -Exaltação nacionalista;
-Apologia do espírito de cruzada na luta contra os Mouros e o elogio ao despreendimento dos bens terrenos; Ridendo Castigat Mores O teatro vicentino em geral e o “Auto da Barca do Inferno” em particular recorre à máxima latina Ridendo castigat mores ( a rir se castigam os costumes), o que significa que Gil Vicente utiliza os vários tipos de cómico para criticar a sociedade do seu tempo. Contudo, o seu objetivo não é simplesmente dizer mal, mas sim tocar as consciências das pessoas para que estas corrigissem os seus comportamentos (Auto de moralidade). Obra de transição Tratando-se de uma obra de transição entre a Idade Média e o Renascimento, o “Auto da Barca do Inferno” possui características medievais e renascentistas. Características medievais Não há divisão entre atos e cenas;Presença de figuras alegóricas como o Diabo e o Anjo;Pensamento voltado para Deus. Características renascentistas A análise crítica da sociedade;
Exaltação do homem livre e condenação dos abusos exercidos sobre os mais fracos. FIM
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