Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

"Music as a technology of self"

Apresentação do capítulo 3 do livro "Music in everyday life", de Tia DeNora, para a disciplina de Comunicação e Cultura
by

Isabela Senra

on 3 October 2012

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of "Music as a technology of self"

Socióloga cultural, trabalha predominantemente com os usos e poderes da música na vida social.
Professora de Sociologia da Música e diretora de pesquisa do Departamento de Sociologia e Filosofia da Universidade de Exeter (Inglaterra), desde 1992.
"I'm a committed pedestrian and someone had mentioned Exeter as a place where you could live easily without a car (which turned out to be the case!)." Tia DeNora DeNora costura o uso da música em vários momentos do cotidiano, analisando como a música serve aos sujeitos como ferramenta de afirmação de identidade.

A identidade e sua narrativa é um mecanismo essencial da organização social moderna.

“Projeto reflexivo do eu” (Giddens): conjunto de práticas sociais, materiais e discursivas que moldam a identidade.

“Não somos o que somos, mas o que fazemos de nós mesmos. (…) Muito mais do que conhecer-se a si mesmo melhor, o auto-entendimento se subordina ao objetivo mais amplo e fundamental de construir/reconstruir um sentido de identidade coerente e satisfatório.” (Giddens, p. 74)

“Um estilo de vida pode ser definido como um conjunto mais ou menos integrado de práticas que um indivíduo abraça, não só porque preenchem necessidades utilitárias, mas porque dão forma material a uma narrativa particular da auto-identidade.” (Giddens, p. 79) DENORA, Tia. Music as a technology of self. In: Music in everyday life. Cambridge: Cambridge University Press, 2004. p. 46-74. SELF
IDENTITY
SELF-IDENTITY 1. A person’s essential being that distinguishes them from other people.

2. A person’s particular nature or personality. Formada em música (flauta) e sociologia na Universidade de West Chester (Pennsylvania)
PhD em Sociologia na Universidade da Califórnia (San Diego)
Integrou várias associações de Sociologia da Arte na Europa e nos EUA
Co-editora de revistas científicas
Faz trabalhos colaborativos com um centro de musicoterapia
Atualmente pesquisa a relação entre música e doença, no fim da vida
Dirige um grupo de pesquisa (SocArts) com nove pesquisadores do Canadá, Inglaterra, EUA, Noruega, Portugal e Japão, sobre arte e Sociologia Tia DeNora Fonte: http://socialsciences.exeter.ac.uk/sociology/staff/denora/ DeNora inclui a música nessa análise e comenta que é curioso que a relação dela com esse processo de construção da identidade não tenha sido profundamente explorado, dado que ela é por excelência o material cultural da emoção e da individualidade.

“Focar na prática musical íntima, na interação privada entre música e sujeito, oferece um ponto de vista ideal para observar a música em ação e como ela está implicada na construção da identidade.” (DENORA, p. 46) Várias pesquisas (anos 1990) tentaram estudar a relação entre música e identidade e apontam para as formas como os indivíduos se apropriam da música em práticas socioculturais relacionadas ao humor, memória e identidade.

Neste capítulo DeNora usa dados de entrevistas para mostrar como os atores usam as práticas musicais para regular, elaborar e se afirmar como agentes sociais.

Como a música é usada para regular e constituir a identidade?

A prática solitária e individual é vista como parte do processo social de estruturação da identidade, por isso a esfera privada do uso da música é parte da constituição cultural da subjetividade, de como os indivíduos estão envolvidos em se constituírem como agentes sociais. Assim, o consumo privado de música está relacionado a noções da identidade tal como estudadas recentemente pela Sociologia, como o “projeto reflexivo do eu” (Giddens). Pesquisa realizada em 1997-98, na Inglaterra e nos EUA, com 52 mulheres entre 18 e 77 anos.

Objetivo: investigar a prática musical no cotidiano e examinar a música como força organizadora da vida social.

Não se trata de investigar gostos musicais, mas de conhecer a relação das entrevistadas com a música e montar uma “galeria” de práticas através das quais as pessoas mobilizam música para fazer, ser e sentir.

Não é o que a música significa, mas, sim, o que ela faz enquanto material dinâmico do agenciamento social.

Quase todas as entrevistadas foram explícitas sobre o papel da música como instrumento pessoal, como ferramenta para criar, intensificar, manter a mudar estados subjetivos, cognitivos, corporais e autorreflexivos. Quase todas as entrevistadas tinham conhecimento sobre a música que “precisavam” ouvir em diferentes situações (DJs de si mesmas).

Todas elaboram repertórios de práticas musicais programadas e têm consciência de como mobilizar a música para alcançar, potencializar e mudar estados de humor, concentração etc.

Esse domínio é visto como uma prática que permite se constituir como ser socialmente disciplinado. Assim, o estudo da música na vida privada é um dos aspectos mais importantes da constituição e regulação da identidade. Articulação entre música e experiência: O contexto no qual uma música foi ouvida pela primeira vez pode influenciar o consumo daquela música dali em diante (exemplo: Enya).

Uma canção também pode marcar uma experiência ruim ou intensificar um estado de tristeza ou depressão. Teorias recentes preocupadas com a modernidade identificam a habilidade de reflexão e mobilização sobre aparatos culturais como um marco das chamadas sociedades da “alta” modernidade.

Reflexividade estética acentuada é concebida como uma demanda do mundo moderno sobre o sujeito. Isso é intensificado pela indústria de serviços e estilos de vida que cria e expande mercados a quase todos os níveis socioeconômicos.

Existe uma tensão história entre o que o sujeito deve fazer/sentir e o que quer fazer/sentir. Daí surge o problema da autorregulação e de como os indivíduos negociam entre os polos da necessidade e da preferência.

Não é claro se a amenização dessa tensão funcionaria como emancipação de fato ou como estratégia do capitalismo avançado, que reconfigura o sujeito como “entidade do desejo”. Uma das funções da música é ajudar os atores a mudar de humor ou nível de energia, de acordo com as demandas circunstanciais ou como parte do “cuidado com o eu” (care of self).

Determinado tipo de música pode servir para relaxar, desfazer estados de estresse ou cansaço. É uma fonte para modelar e estruturar parâmetros do agenciamento estético.

As propriedades específicas da música – ritmo, harmonia, estilo etc – servem como referência ou representação para onde as entrevistadas gostariam de estar ou ir, emocionalmente ou fisicamente.

Assim, as entrevistadas articulam o produto musical e modos de agenciamento. Quando a música é usada como parte do “cuidado com o eu”, ela integra um trabalho de articulação da autoconsciência (como a música pode funcionar pra mim?). O sujeito também pode usar a música para atingir um estado emocional apropriado para determinada ocasião, para se reconfigurar (exemplo: se animar para um evento social ou para o trabalho).

Assim, a música é usada como ferramenta catalisadora capaz de mudar o estado de espírito de atores relutantes para determinados modos de agenciamento que se mostrem necessários em determinadas circunstâncias.

Inversamente, a música também pode ser usada para sair de determinado estado de espírito – mau humor, “estresse” etc. Exemplo: ouvir música alta quando se está com raiva. (como socar um travesseiro)

Neste caso a entrevistada faz uma articulação entre uma ação, um sentimento e uma prática musical. Assim, a música permite transferir uma expressão ou atitude real para o imaginário, o virtual. Oferece uma realidade virtual na qual o sujeito pode se expressar simbolicamente de forma violenta (por exemplo escolhendo uma música “agressiva” ou ouvindo música num volume muito alto).

Essa prática permite ao indivíduo adotar a postura de estar no controle do ambiente físico e simbólico, mesmo que seja somente um quarto. Nesses casos, geralmente não se usam fones, pois está implícito um tipo de violência, uma afirmação de poder sobre o ambiente estético do outro. Isso é diferente de usar a música para regular níveis de energia e estados de espírito. Aqui o papel da música é como veículo de expressão, de afirmação.

Mas também não somente para expressar um estado emocional: a música é parte da constituição reflexiva, um recurso de identificação, um material de construção da subjetividade. A história natural das práticas e processos pelos quais as emoções são identificadas e expressadas é um tópico importante da sociologia e psicologia social da subjetividade. Relaciona-se com o modo como o agenciamento estético é configurado no tempo.

As entrevistas indicam que as músicas utilizadas tanto para dispersar a raiva quanto para manter a concentração são músicas que não figuram no repertório usual, situadas às margens do “mapa musical prático”. Para algumas entrevistadas, a música serve de fundo para atividades que exigem concentração, porque minimiza outros barulhos ou estímulos auditivos, criando um ambiente sonoro específico. Nesses casos, a música deve ser familiar, para não atrair a atenção e dispersar o foco.

Mas outras entrevistadas (em geral com mais de 70 anos ou profissionais de música) não concebem a música como propícia para a concentração, pois pressuporia sempre uma escuta intencional. Em todos esses exemplos, a música é um componente ativo na organização da identidade (envolvida em processos como mudança de humor, nível de energia, modo de atenção e relação com o mundo).

Em nenhum desses exemplos a música serve simplesmente de estímulo. Os efeitos que ela gera vêm da forma como os indivíduos se relacionam com ela, a orientam, interpretam e posicionam no mapa musical pessoal.

Contrariando Adorno, DeNora considera mais importante que os aspectos estilísticos da música (embora considere a importância desses aspectos para alguns estudos) os efeitos sociais da música e como ela se relaciona com elementos não musicais como circunstâncias de uso e associações individuais.

“O uso da música como dispositivo organizador da subjetividade e identidade é acima de tudo um objeto pragmático e, embora possua uma lógica, é consideravalmente diferente da prática de 'apreciação musical' tradicionalmente concebida.” (p. 61-62) Na teoria social recente, os conceitos de identidade, personalidade e biografia foram reconfigurados. Não mais considerada uma entidade fixa – uma expressão da “essência” –, a identidade é vista como um produto social.

Assim, os indivíduos estão num processo contínuo de construção e afirmação da identidade, num trabalho diário em qualquer relação interpessoal. Boa parte do trabalho de construção da identidade é produzido na apresentação do “eu” para outro(s). Mas essa projeção não pode ser considerada a única base para a construção da identidade. Igualmente importante é a introjeção, uma apresentação interna do “eu”, a habilidade de formar uma imagem coerente de si mesmo, para si mesmo (o projeto reflexivo do eu).

Aí estão envolvidas atividades sociais e culturais que permeiam lembranças, a superação de experiências e o cultivo de “autoimagens”.

A música surge, então, como dispositivo que age diretamente nesse processo de construção da memória e identidade, funcionando como ferramenta no contínuo processo reflexivo. Não deve ser vista somente como um artefato que aciona a memória, mas, sim, que age num processo ininterrupto, modelando a identidade e estruturando ações. Para algumas, a música resgata emoções específicas de um evento, relacionamento ou ligadas a pessoas queridas do passado (como parentes falecidos). Para outras, evoca uma época e quem elas eram naquele período, recapturando o agenciamento social que elas possuíam.

A música possibilita de certa forma reviver e reconfigurar a experiência. A narrativa sobre o passado é parte da apresentação do “eu” para o outro. Essa revisitação é parte da produção da identidade, da construção de uma trajetória coerente que resulta na projeção ao futuro.

Assim, a evocação musical do passado é uma ferramenta para o movimento reflexivo do presente ao futuro, a elaboração contínua do agenciamento social.

Ao recapturar um acontecimento, uma capacidade de ação, a música retoma experiências de vida marcantes. Essa revisitação articulada pela memória faz parte do processo de autoconhecimento e alimenta o exercício de projeção da identidade do passado para o futuro. Mais uma vez DeNora afirma a importância da música. Nesses casos, a trilha sonora do acontecimento não seria somente o acompanhamento, mas faria parte do conjunto de elementos responsáveis por compor aquela atmosfera marcante, da mesma forma como os relacionamentos e a emergência dos sujeitos como agentes sociais. A música, assim, oferece parâmetros potenciais para a constituição da experiência.

Música então pode ser vista como acumuladora de estruturas temporais de circunstâncias passadas. Um evento passado pode ser construído e se tornar relevante associado a uma música, que oferece uma plataforma para as estruturas temporais de emoções como foram originalmente experienciadas. Lucy, uma das entrevistadas, identifica-se com a estrutura da música, não associada a uma lembrança ou um estado de espírito, mas a características pessoais. Ela articula um tipo música de sua preferência, um conceito de identidade própria e um tipo de comportamento social ideal.

Ela “se encontra” em certas estruturas musicais que possibilitam representações do que ela percebe e valoriza em si mesma. Assim, aumentar o volume ao ouvir esse tipo de música seria uma forma de autoafirmação.

Dessa forma ela se conhece e se projeta como agente social, elaborando sua identidade a partir do que percebe em si mesma e na música que ouve para, reflexivamente, produzir o autoconhecimento.

Música como extra-musical, como ferramenta social, espelho que permite ao sujeito se ver. Elaine, outra entrevistada, reflete seu caráter multifacetado na diversidade do gosto musical e das práticas sociais. Ela acumula gostos e estilos.

Em outros casos (como Vanessa), a identidade é afirmada também com base no que não mais se ouve. A música é um material que os atores usam para elaborar e informar, a si mesmos e aos outros, modos de agenciamento social e estético, posturas e identidades.

Assim deve ser entendida a “construção cultural da subjetividade”, o que é muito mais do que a ideia de que a cultura delineia estruturas gerais de emoções e agenciamentos. Essa perspectiva não inclui o ponto crucial do problema, segundo DeNora: como os indivíduos não somente experienciam a cultura, mas a mobilizam no processo de ser, fazer e sentir. Relação com o objeto de pesquisa Minha pesquisa busca explorar as relações de gênero e as identidades femininas que emergem de algumas canções da música popular massiva brasileira.

A importância da música no processo de construção e afirmação da identidade, como atestado por DeNora, pode auxiliar a compreensão de como as canções do corpus podem servir de referências identitárias e contribuir para o “projeto de reflexividade do eu”. Como avaliar essa possibilidade
sem realizar entrevistas?
Full transcript