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Resumo Livro Educação Popular, Naira

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Eduardo Bresolin

on 16 November 2014

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Transcript of Resumo Livro Educação Popular, Naira

Este Livro busca recuperar o significado e sentido, históricos e contemporâneos, da educação popular, interligando noções e análises derivadas da cultura popular, da política e, das ciências sociais, e da educação crítica e libertadora. A partir das concepções de Paulo Freire, recupera as reflexões sobre conscientização popular, pesquisa participante, e pesquisa ação, comunidade, cidadania ativa, identidade, diálogo intercultural, entre outras. E norteia as elaborações para o século XXI, elaborados pela UNESCO: Aprender a fazer, aprender a viver junto, e aprender a ser. A educação popular é entendida como um meio fundamental na construção de uma sociedade livre, justa, ética, e humana, destacando assim, o sentido freiriano, de que “um outro mundo é possível”.
Analisando estes tópicos, se constata que cabem referências diretas aos argumentos formulados por Paulo Freire. Partindo da ideia central de inserção crítica das massas na realidade, por meio da práxis, ele salientava que a pedagogia do oprimido é a pedagogia dos homens que se empenham na luta pela libertação e: deve ter nos próprios oprimidos, que se sabem ou começam a conhecer-se criticamente como oprimidos, um dos seus sujeitos (...) a pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá, pois, dois momentos distintos ainda que relacionados. O primeiro no qual os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão se comprometendo, na práxis, com sua transformação, e, o segundo, na qual uma vez transformada a realidade opressora, essa pedagogia deixa e ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens no processo de permanente libertação (Freire, 1974, p. 44-45).

O autor cita ainda, Carlos Rodrigues Brandão (1984, p.71), um estudioso criterioso das interligações entre cultura popular e educação popular, indica três tendências sucessivas:
1) A educação popular é em si mesma, um movimento de trabalho pedagógico que se dirige ao povo como um instrumento de conscientização etc.;
2) A educação popular realiza-se como um trabalho pedagógico de convergência entre educadores e movimentos populares, detendo estes últimos a razão da prática e, os primeiros, uma prática de serviço, sem sentido em si mesma;
3) A educação popular é aquela que o próprio povo realiza, quando pensa o seu trabalho político – em qualquer nível ou modo em que ele seja realizado, de um grupo de mulheres a uma frente armada de luta – e constrói o seu próprio conhecimento (Brandão, 1984, p.74).
Os conhecimentos em sentido amplo – concepções, visões, conceitos, leis, teorias, paradigmas – vão se acumulando e sendo, com oscilações varáveis, sistematizados. Ademais de sua entrada em cena, principalmente por meio de publicações de vários tipos, eles foram (e continuam sendo) incorporados em diretrizes curriculares e conteúdos de programas pelo ensino formal, nos vários níveis de ensino.

De um outro ponto de vista, existem conhecimentos imensos e múltiplos, que são extraídos da vida individual e coletiva em cada espaço social (família, ocupação, comunidade, campo, cidade etc), recuperados pela memória, tradição, costumes, e assim por diante.

A primeira parte do Livro trata dos ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA EDUCAÇÃO POPULAR, destacando que são conhecidas diversas orientações de educação popular que caracterizam inúmeras experiências na América Latina, distinguidas ora como recuperadoras, ora como transformadoras. O autor destaca um texto elaborado há tempos atrás, onde ele monta uma síntese aglutinadora de três delas, tidas como básicas:
a) Educação popular, com a orientação de integração (educação para todos, extensão da cidadania, eliminar a marginalidade social, superar o subdesenvolvimento etc);

b) Educação popular, com orientação nacional-populista (dinamizada no período dos governos populistas, buscava mobilizar setores das classes populares para o nacional – desenvolvimentismo, homogeneizando os interesses divergentes na consecução de projetos de desenvolvimento capitalista, pretendido como autônomo, nacional e popular);
Se essas perspectivas constituem fonte de reflexão e de ação para múltiplos grupos, movimentos, ONGs, entidades educativas, que nelas se inspiram, tanto nos territórios urbanos quanto nos rurais, por seu impacto político-ideológico vale reproduzir uma atualização dessas concepções de educação popular, no Movimento dos Trabalhadores sem Terra. Em suas propostas, ele quer resgatar as contribuições de Paulo freire e utiliza sua visão como bandeira nos objetivos da sua proposta educativa: educação para a transformação social; educação de classe, massiva, orgânica ao MST, aberta par o mundo, voltada para a ação, aberta ao novo; educação para o trabalho e a cooperação; educação voltada para as várias dimensões da pessoa humana; educação como processo permanente de formação/transformação humana (Morissawa, 2001, p.246).
CAPÍTULO 1 – Trata de um dos pilares de educação para o século XXI, elaborados pela UNESCO: APRENDER A CONHECER.
Com o advento da modernidade, descortinou-se uma mutação profunda. Opondo-se ás concepções seculares anteriores, mais de cunho filosófico e teológico, uma virada no modo de conhecer acontece com a compreensão dada pela razão humana, com um entendimento de que o triunfo da razão rompia com as superstições, particularismos, privilégios, folclore. A razão da modernidade pretendia ser universalista (Touraine, 1994), e daí uma polêmica que engendrou.

Para atingir esse desiderato, o meio fecundo e inovador de conhecer se centrou na ciência moderna, capaz de interpretar o mundo – natureza e sociedade – com eficiência e amplitude, e oferecer subsídios para sua transformação.
Nas propostas de Freire, suas reflexões são significativas. Num primeiro momento, ele enfatiza o lugar da educação como alavanca na transformação da sociedade. Ele explica, na Pedagogia da Autonomia, que:

O que se coloca à educadora ou educador democrático, consciente da impossibilidade da neutralidade a educação, é forjar em si um saber especial, que jamais deve abandonar, saber que motiva e sustenta sua luta: se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental a educação pode. Se a educação não é a chave das transformações sociais, não é também simplesmente reprodutora da ideologia dominante. O que quero dizer é que a educação nem é uma força imbatível a serviço da transformação da sociedade, porque assim eu queira, nem tampouco é a perpetuação do status quo porque o dominante o decrete (Freire, 2005, p.112).


Como acento na conscientização, ele afirma que:

(...) a conscientização é um compromisso histórico. É também consciência histórica: é inserção crítica na história, implica que os homens assumam o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo. Exige que os homens criem sua existência como material que a vida lhes oferece... (Freire, 2005, p.30).


CAPÍTULO 2 – APRENDER A FAZER

Trata de um método educativo que fez história e alimentou as práticas de inúmeros movimentos (no caso brasileiro, por exemplo, os que acompanham a Ação Católica Especializada), e depois apropriado por ONGs, pastorais sociais e CEBs, foi o do VER-JULGAR-AGIR (alguns acrescentaram, depois, VER-JULGAR-AGIR-AVALIAR). O VER e JULGAR, sem sombra de dúvida, como foram apreendidos e aplicados, se identificam com os conteúdos expostos na seção do Aprender a Conhecer.
A imensidão do AGIR é um aprendizado notável que atravessa os séculos se fixa nos trabalhos domésticos aprendidos dos familiares, das comunidades, em casa, no trabalho, nas festas, na religião e que se sucedem por gerações. Usualmente, dentro das famílias, o artesanato adquire um status especial, pelo que exige de dedicação e de aprendizado contínuo, passado de geração em geração. É notável a variedade, a criatividade, o conhecimento específico de certos produtos (não raro motivo de segredo mantido por tempos enormes).
Além das famílias, um comércio local oferece ao público as peças artesanais. Tradicionalmente, as peças são individuais; no entanto com a pressão constante do mercado e o desejo de um ganho melhor passado pela sociedade do individualismo consumista, tem havido uma explosão quantitativa desses produtos; o que leva, muitas vezes, à perda da riqueza pessoal do desenho, cor textura, em função da maior competitividade. Em determinadas circunstâncias particulares dos seus produtos, os tornam cada vez mais caro.
No campo popular, é conhecida a imensa variedade dos produtos artesanais, variáveis de região para região, que atendem a gostos os mais diversificados. Quem viaja por vilarejos, cidades pequenas, bairros onde vivem estes artesãos, descobre a existência de artífices soberbos. No caso brasileiro e dos vários países latino-americanos, é de conhecimento geral que os turistas (mas não só eles) de outras localidades, e com um olhar típico dos estrangeiros, valorizam este artesanato, que hoje é levado para o mundo pelos próprios turistas, é espalhado em schopping , lojas de aeroportos, e em estabelecimentos a ele dedicado em vários países.
No Brasil e espaços similares, o Mercado de forma crescente se aprovisiona dos produtos artesanais e, para a maioria deles, há um pagamento ínfimo aos artesãos, e, contrariamente, atingem preços incríveis propostos que adquirem fama por algum motivo especial.

Com referência ao trabalho, o aprendizado feito em família, em fazendas, em fábricas, é realizado através dos tempos com incrível persistência. Os Estudos antropológicos e sociológicos mostram como as civilizações, em períodos de longa duração, conseguem permanecer ativas por meio desse aprendizado, aparentemente simples numa avaliação mais moderna, mas que, em certos casos, foram de grande sofisticação.
Com o passar dos anos, as mudanças ocorridas na divisão social do trabalho, nas trajetórias das migrações internas, nas exigências de maior especialização postas pelas empresas, na produção, distribuição, troca e consumo, passam a exigir maiores e mais especializados conhecimentos das pessoas. Ainda que essa modalidade de aprendizado permaneça funcionando em distintos campos societários, como as consequências da industrialização, desde os primórdios até os dias de hoje, houve mudanças profundas que forçam novos aprendizados.
Como se sabe, nos quadros das empresas, sejam elas pequenas, médias ou grandes, nos setores bancário, comercial, de serviços, de lazer, etc., são realizados cursos constantes de formação especializada, para atender as mudanças no capitalismo.

No campo popular, que não pode ignorar essas mudanças e as novas exigências no aprender, surgem objetivos alternativos: desde a redução da jornada de trabalho, garantia dos direitos trabalhistas arduamente conquistados, prosperidade social, políticas públicas efetivas (com transparência e controle social) na educação, na saúde, na seguridade social, lazer não mercantilizados etc.
O que exige um combate acirrado contra a exclusão social e apoio às distintas formas de inclusão social (Pochmann, 2003). Atendendo não apenas a qualificação técnica, mas uma qualificação política (Dagnino, 2002).

Para alcançar esses objetivos, inúmeras entidades de educação popular em geral, e algumas direcionadas diretamente para obter mudanças sólidas, voltam-se de maneira prioritária, abrangendo também setores do meio ambiente, da ecologia, e o desenvolvimento sustentável.
CAPÍTULO 3 – APRENDER A VIVER JUNTO
Este Capítulo trata, segundo o autor, que desde tempos remotos, determinadas instâncias – família, comunidade, escola, empresa, associação, sindicato, partido, clube, equipe esportiva, etc. – têm se constituído em lugares adequados para uma convivência de pessoas. Com o passar dos anos, e sobretudo nas últimas décadas, houve mudanças de vulto na divisão social do trabalho, no emprego, na urbanização, na religião, na administração pública, na Sociedade Civil, que apresentam maior ou menor efeito nas sociedades de todo o planeta, e que foram potencializadas pela globalização neoliberal; essas instâncias, então, passaram e estão passando por transformações acirradas, que abalam suas estruturas e processos.
No caso das famílias, ela se transformou num paradigma idealizado e naturalizado, base da estrutura humana, instância primeira da coexistência, local da descoberta de si mesmo e do outro, sem olvidar os formatos distintos que existem nas várias culturas espalhadas pelo mundo. Nos últimos tempos, aconteceram mudanças significativas e impactantes em seus alicerces. Por influência das transformações na divisão social do trabalho, na economia global, nas políticas sociais em geral e familiares em particular, e, sobretudo, do desenvolvimento tecnológico, impactos de monta interferiram nas concepções tradicionais, tais como: separação da sexualidade da reprodução e novas tecnologias reprodutivas (inseminações artificiais, fertilizações in vitro, uso da pílula e de outros métodos anticoncepcionais); atuação da mulher no mercado remunerado de trabalho; exame de DNA assegurando a garantia da paternidade; proteção às crianças consideradas como “sujeitos de direitos” formalizados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA; redução do número de filhos, mesmo nas famílias mais pobres (Sarti, 2003).
OBS: Como essas colocações de Sarti são de 2003, cumpre salientar que muitas outras mudanças continuam ocorrendo em todos os âmbitos, principalmente na família, com o reconhecimento por lei das relações homo afetivas, adoção de crianças por pais Gays, células tronco, e com certeza muitas outras virão em função das grandes transformações que diariamente vem ocorrendo.
No âmbito educacional também aconteceram grandes mudanças culturais em relação à compreensão do papel da escola na vida das crianças; consideração do trabalho infantil como um malefício, e a necessidade de evitá-lo e combatê-lo; ênfase do direito de fiscalização do funcionamento da a jornada ampliada e da escola; assunção do programa como direito e dever seu e não como dádiva do Estado ou dos políticos; participação cidadã nos processos de desenvolvimento da região.
Segundo o autor, além disso, cresceu a participação das famílias em processos de qualificação profissional com melhorias na sua geração de renda; reivindicação de seus direitos e de serviços básicos (há manifestações frequentes sobre a pontualidade dos pagamentos, há idas das famílias, através de sindicatos e associações para debater com os gestores do programa os problemas identificados nas comunidades e há realizações de seminários em que se debatem problemas das comunidades); houve uma maior filiação e participação em sindicatos, associações, grupos de mulheres; existe uma maior disposição em assumir o programa como seu, com a responsabilidade de mantê-lo em funcionamento, e cobranças dos poderes públicos nas suas obrigações.
CAPÍTULO 4 – APRENDER A SER
Neste Capítulo, segundo o autor, essa parte compreende o SER como a totalidade da pessoa. No Relatório da UNESCO, são invocados os elementos constitutivos da pessoa – espírito, corpo, inteligência, sensibilidade, espiritualidade, responsabilidade pessoal, sentido estético.

Outro argumento nessa direção é que essa pessoa necessita de liberdade de pensamento, discernimento, sentimento e imaginação, para desenvolver os talentos, expandir a criatividade, conquistar o seu próprio destino.
O autor pretende neste capítulo, falar sobre os conceitos e características de indivíduo, cidadão e sujeito.

Numa abordagem ampla, motivo de análises de escritores e acadêmicos de múltiplas áreas do conhecimento, o indivíduo pode ser entendido como um complexo biopsíquico (gênes, DNA, memória), em sua dimensão cognitiva (neurocerebral), e de subjetividade (sentimento, emoção, dor, paixão etc.), como produtor e reprodutor. Uma síntese entre exterioridade e interioridade (o eu, subjetivo, e o mim, objetivo).
Ele destaca uma especial atenção aos educadores na compreensão desse conceito estão acontecendo mudanças profundas e rápidas que reclamam atenção cuidadosa de todos: a revolução bioenergética (clonagem, alimentos transgênicos, interferências médicas no DNA etc.) aspectos éticos envolvidos nessas transformações (aborto, métodos contraceptivos, células-tronco, eutanásia etc); questões de identidade; temas de convivência, respeito à diferença, multiculturalismo, questões de comunicação interpessoal. Por um lado, esse conglomerado exige um conhecimento exige um conhecimento dos conceitos, dos problemas postos, dos impactos de cada um sobre nossa existência; e de outro lado, eles solicitam atenção redobrada sobre os seus efeitos e quais devem ser os encaminhamentos teóricos práticos a serem tomados, numa pedagogia libertadora.

O autor cita Manuel Castells, que sugere que a identidade pode ser entendida pelo menos de três maneiras: A primeira é a identidade de legitimação (Carteira de Identidade, de motorista, de trabalho, cartões que dão acesso aos bancos, lojas, jornais etc).

Uma segunda, diz respeito à identidade de resistência, aqueles que não aceitam as normas e regras vigentes na institucionalidade de cada Estado-Nação (opositores individuais com impactos em diversos campos societários, comunidades, grupos, movimentos, organizações), que contestam as instituições, orientações e estratégias vigentes.
A terceira é a identidade de projeto, a qual abre novos horizontes para a identificação individual e coletiva, na busca de reformas ou de projetos alternativos para transformar a sociedade (projeto de sociedade, gênero, etnia etc.), que situam cada indivíduo/cidadão como diferentes, não presos às contradições impostas pelos sistemas; às vezes encarados como estranhos em diversos ambientes. Em situações distintas surgem identidades coletivas que podem estar na defesa de regimes ou no seu combate (fundamentalismos, nacionalismos, racismos); de natureza religiosa, política, territorial etc. Importante destacar a abordagem que o autor traz ao citar Bauman, que traz reflexões expressivas sobre a modernidade líquida, ele trata a identidade contrastando, por uma parte, a sua concepção de busca pessoal de harmonia, lógica, consistência, de solidificar ou tornar mais lento o fluxo, o disforme, a fluidez de todas as coisas.
E, por outra parte, o domínio do fluído, as oscilações entre o universal e o individual, a liberdade de ser diferente, ou seja, ter um identidade. Destaca ainda as palavras oportunas Ribeiro:
Para isso, é fundamental ter claros os valores fundamentais: a dignidade da pessoa, o respeito pelo outro, o valor da Vida, a exigência –permanente e fundamental do AMOR. A busca constante de traduzi-los concretamente, nas múltiplas opções cotidianas, poderá ser uma trilha fecunda para tentar viver a relação masculino/feminino, com suas belezas e seus permanentes desafios (2007, p.40).
Cidadão: Quando o indivíduo participa da vida sócio-política de um Estado-Nação, ele passa a ser dotado de direitos (que tem por objeto uma intervenção, uma ação positiva, uma prestação do Estado ou de particulares, diferentemente da noção de liberdade que é a não interferência de outrem nas esferas individuais próprias) e obrigações (cumprimento das normas constitucionais, legais e outras), sendo considerado um cidadão.
A cidadania encontra raízes na Grécia antiga, nas elaborações sobre a democracia da qual faz parte ou está intimamente associada. A idéia de participação na pólis, do homem político, já apontava para a concepção moderna da cidadania. Nesta perspectiva moderna, uma origem mais reconhecida deriva da visão de mundo e das lutas presentes na Revolução Francesa, destacadas na obra O Contrato Social de Rousseau.
Segundo o autor vale lembrar que muitos direitos e liberdades foram conquistados pelas lutas dos trabalhadores e setores sociais oprimidos, com enorme resistência das classes e grupos dominantes. Porém, do mesmo modo em países com projetos societários distintos, principalmente naquelas que transitaram pelo socialismo real, o tema dos direitos trona-se um desafio recorrente; e nos que atualmente tentam se manter distintos do capitalismo ou da cultura ocidental dominante, mesmo que não consigam evitar os impactos da globalização hegemônica incluindo nas suas estruturas e processos internos, eles são uma preocupação constante, sobretudo na aplicação ou não dos direitos humanos.
Wanderley (2003) destaca que se formos verificar a situação do povo brasileiro, desde a época da colonização até os dias atuais, ressalta um quadro em que as maiorias não alcançaram a cidadania. Pelas distorções ocasionadas na construção da sociedade brasileira – mesmo da latino-americana em geral – o Brasil sempre teve minorias com relativo grau de plenitude cidadã e imensas maiorias cujos direitos eram uma ficção, um sonho.
Ele destaca que grandes contingentes ou a totalidade dos índios, dos negros, das mulheres, dos analfabetos, dos camponeses, dos operários, dos pobres, dos desempregados e subempregados, dos excluídos, dos marginalizados não tiveram acesso à cidadania. Outros segmentos sociais, alguns grupos que perpassam todas as classes sociais, também se tornam descidadões ou anticidadões em função de outros processos: os corruptores e corruptos, os violentos, os que ferem as leis de trânsito, os sonegadores e assim por diante. E mesmo dentre os reduzidos contingentes de indivíduos que adquiriram o status de cidadão.
Sujeito: Quando o indivíduo-cidadão, sabendo-se que ele está condicionado pelo meio, pelas estruturas e processos sociais, pela ação dos outros indivíduos cidadãos, consegue criar uma história pessoal, unir subjetividade e objetividade, dar um sentido ao conjunto de experiências da sua vida, combater os poderes e domínios que lhe afetam, integrar o vivido, o percebido e o imaginado, ele se transforma em sujeito.
Ou seja, alguém dotado de autonomia e liberdade, com capacidade de fazer escolhas. Meta longínqua e repto constante, apesar do uso indiscriminado da palavra sujeito, que se expressa nos sujeitos políticos, nos sujeitos da transformação social (por uma parte, as elites, os empresários, os representantes políticos, por outra parte, o operário, o povo, a classe trabalhadora, os líderes de movimentos). Uma distinção com efeitos pertinentes é a que se funda nas interpretações entre sujeitos individuais e sujeitos coletivos (Wanderley, 1992).
O que o autor quis enfatizar é que a noção de cidadania, com tudo que significou historicamente significa nos dias de hoje, e com os enormes obstáculos para a sua consecução no Brasil, fica aquém das necessidades de um sujeito como protagonista pleno. Um indivíduo bem dotado de, com cidadania assegurada, ainda precisa conquistar patamares crescentes de realização pessoal e coletiva se quiser se constituir em um sujeito, tarefa para ser edificada em toda uma vida.
CAPÍTULO 5 – MARCOS NORTEADORES
NO PRESENTE E NO FUTURO
Concluindo, o autor enfatiza a importância de recuperar, ressignificando e revitalizando, as notáveis contribuições teóricas e práticas, de tudo o que foi concretizado no campo da educação popular. Aquilatar, com avaliações institucionais e de conteúdo, em que germinam os sinais já prenhes no tecido social e que fortaleçam aqueles capazes de orientar as práticas de modo coerente.
Centrados no local e global, no micro e no macro, interligando-os com descortino, traçar um planejamento democrático e participativo, capaz de mobilizar segmentos progressivos de pessoas e grupos, associações, movimentos, escolas, igrejas, partidos, governos, no sentido de se conscientizarem da necessidade dessa concepção educativa e executarem planos e programas que a concretize.
Dessa forma optar pelo realismo utópico que possibilite um ver-julgar-agir denso de compreensão e de compromisso social efetivo, por meio da educação libertadora, na conquista, gradual e lenta, ou imediata e rápida dos objetivos pretendidos. Sempre na crença de que é viável dar passos concretos para integrar a objetividade com a subjetividade, a teoria com a prática, a construção de uma humanidade mais JUSTA, ÉTICA, LIVRE, IGUALITÁRIA E FRATERNA e que UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL, BASTA ACREDITARMOS E FAZER A NOSSA PARTE!!
Obrigada pela atenção e por compartilharem comigo um livro tão atual, interessante e importante!!
Abraços, Naira
c) Educação popular, com a orientação de libertação (buscando fortalecer as potencialidades do povo, valorizar a cultura popular, a conscientização, a capacitação, a participação, que seriam concretizadas a partir de uma troca de saberes entre agentes e membros das classes populares, e realizar reformas estruturais na ordem capitalista).
UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOREOESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO NAS CIÊNCIAS
CURSO DE MESTRADO
PROFESSORE(S) Elza Falkenbach, Paulo Schönardie e Walter Frantz
MESTRANDA: Naira Aparecida de Oliveira Vieira
DATA: Novembro de 2014




ANÁLISE DO LIVRO EDUCAÇÃO POPULAR
METAMORFOSES E VEREDAS
AUTORIA DE LUIZ EDUARDO W. WANDERLEY - 2010

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