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Poemas de Gregório de Matos

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by

Andre Gazola

on 13 April 2014

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Transcript of Poemas de Gregório de Matos


Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade,
É verdade, meu Deus, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho, e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.

Maldade, que encaminha à vaidade,
Vaidade, que todo me há vencido;
Vencido quero ver-me, e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.

Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços, que me rendem vossa luz.

Luz, que claro me mostra a salvação,
A salvação pertendo em tais abraços,
Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.
A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de arrependimento e suspiros de amor
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-nos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
02 - A Jesus Cristo Nosso Senhor
Triste Bahia! Oh quão dessemelhante
Estás, e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vejo eu já, tu a mi abundante.

A ti tocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado
Tanto negócio, e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh se quisera Deus, que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
04 - À cidade da Bahia (2)
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
03 - Inconstância dos bens do mundo
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.

Oh, não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.
05 - A Maria dos povos, sua futura esposa
Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.

E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.

A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.
06 - Epílogos (Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da república)
Vês esse Sol de luzes coroado,
Em pérolas a Aurora convertida;
Vês a Lua, de estrelas guarnecida;
Vês o Céu, de planetas adornado?

O céu deixemos: vês, naquele prado,
A rosa com razão desvanecida,
A açucena por alva presumida,
O cravo por galã lisonjeado?

Deixa o prado: vem cá, minha adorada:
Vês desse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?

Parece aos olhos ser de prata fina...
Vês tudo isto bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Catarina.
07- A uma dama
Gregório de Matos
Dentro de qual divisão da obra de
Gregório de Matos pode-se classificar
esse poema?
Analise-o estruturalmente quanto à métrica,
rimas e figuras de linguagem.
Que comportamento cristão é praticado pelo
eu-lírico?
Explique, com suas palavras, o argumento
utilizado pelo eu-lírico na primeira estrofe.
Há intertextualidades no poema? Quais?
Explique o recurso retórico utilizado no poema,
explicando o motivo de ser classificado como
conceptista.
O uso de argumentos nos leva a classificá-lo
como pertencente a qual vertente do período Barroco?
Indique, na primeira estrofe, duas
características do período Barroco,
comprovando-as através de elementos
textuais do poema.
Indique uma característica barroca presente na segunda estrofe.
Mostre quais são os paradoxos existentes nas duas últimas estrofes. O que eles representam para o eu-lírico?
Analise o poema estruturalmente.
Identifique 2 figuras de linguagem presentes na primeira estrofe, comprovando com elementos do texto.
Quais os motivos que levaram à decadência financeira da Bahia e do eu-lírico?
Qual o desejo expresso pelo eu-lírico na última estrofe. Para quem é voltado tal desejo?
Qual a base histórica que torna coerente a terceira estrofe do poema?
Fale quais elementos compõem o dualismo típico do Barroco presente no poema.
Qual o objetivo da citação de Adônis, na segunda estrofe? Esse elemento é coerente com as características do Barroco? Por quê?
Em que modo os verbos são usados a partir da terceira estrofe? Com que objetivo?
Identifique 3 figuras de linguagem presentes no poema.
Analise formalmente o poema.
Explique o processo de disseminação e recolha.
Liste todos personagens ou instituições criticados pelo eu-lírico ao longo do poema.
Diga quais são as antíteses utilizadas ao longo do poema.
Cite os elementos da natureza que compõem a comparação realizada ao longo do poema.
Quais espaços o eu-lírico usa para compor sua lírica? Elenque hipóteses em relação ao motivo desses usos.
O eu-lírico encontra-se em um lugar específico ao referir-se à amada.

a) Que lugar é esse?
b) Qual seu significado simbólico?
c) O que esse significado tem a ver com as características do período literário a que Gregório de Matos pertence?

Um soneto começo em vosso gabo:
Contemos esta regra por primeira;
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo,

Na quinta torce agora a porca o rabo;
A sexta vá também d'esta maneira:
Na sétima entro já com gran canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi:
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais
Gabando-vos a vós, e eu fico um rei.

N'esta vida um soneto já ditei;
Se d'esta agora escapo, nunca mais:
Louvado seja Deus, que o acabei.
09 - A certa personagem desvanecida
Identifique aspectos que tornam este poema metalinguístico.
Classifique o soneto dentro da lírica adequada de Gregório de Matos e explique o motivo de sua classificação.
Explique a ironia construída por Gregório.

Um calção de pindoba a meia zorra
Camisa de urucu, mantéu de arara,
Em lugar de cotó, arco, e taquara,
Penacho de guarás em vez de gorra.

Furado o beiço, e sem temer que morra
O pai, que lho envazou cuma titara,
Porém a Mãe a pedra lhe aplicara
Por reprimir-lhe o sangue que não corra,

Alarve sem razão, bruto sem fé,
Sem mais leis, que as do gosto, quando erra,
De Paiaiá tornou-se em Abaeté.

Não sei onde acabou, ou em que guerra,
Só sei que deste Adão de Massapé,
Procedem os fidalgos desta terra.
10 - Aos principais da Bahia chamados caramurus
Explique a estratégia descritiva da primeira estrofe.
Quem está sendo descrito?
Diferentemente da primeira estrofe, a terceira utiliza-se de outro recurso descritivo. Qual?
Pelo desfecho do poema, qual o objetivo do eu-satírico ao realizar tal descrição? Explique essa relação levando em conta as palavras "Adão" e "fidalgo".

Um negro magro de sufulié justo,
Dois azorragues de um joá pendentes,
Barbado o Peres, mais dois penitentes,
Seis crianças com asas sem mais custo.

De vermelho o mulato mais robusto,
Três fradinhos meninos inocentes,
Dez ou doze brichotes mui agentes,
Vinte ou trinta canelas de ombro onusto.

Sem débita reverência seis andores,
Um pendão de algodão tinto em tijuco,
Em fileira dez pares de menores.

Atrás um cego, um negro, um mameluco,
Três lotes de rapazes gritadores:
É a procissão de cinza em Pernambuco.
11 - À procissão de cinza em Pernambuco
Analise formalmente o poema.
A que remete a palavra "cinza" do título do poema? Pode haver algum significado simbólico em seu uso?
Explique a relação entre a forma e o conteúdo do poema.
Defina o significado do termo "brichote" na segunda estrofe.
Explique o tom de ironia presente no poema.
Poemas de
Prof. André Gazola
apresenta:


Anjo no nome, Angélica na cara
Isso é ser flor, e Anjo juntamente
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, se não em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda
Posto que os Anjos nunca dão pesares
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
13 – Retrato / Dona Ângela
Explique o efeito de sentido que o uso das formas verbais "Ser" (infinitivo) e "florente" (particípio presente), presentes na primeira estrofe, provoca.
Pensando no contexto do poema, o que pode significar a expressão "diabólicos azares"?
Explique como acontece a tensão ou jogo antitético nas duas últimas estrofes.

Ofendi-vos, Meu Deus, bem
é verdade
,
É verdade
, meu Deus, que hei
delinqüido
,
Delinqüido
vos tenho, e
ofendido
,
Ofendido
vos tem minha
maldade
.

Maldade
, que encaminha à
vaidade
,
Vaidade
, que todo me há
vencido
;
Vencido
quero ver-me, e
arrependido
,
Arrependido
a tanta enormidade.

Arrependido estou
de coração
,
De coração
vos busco, dai-me os
braços
,
A
braços
, que me rendem vossa
luz
.

Luz
, que claro me mostra
a salvação
,
A salvação
pertendo em tais abraços,
Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.
cometido
um delito
forma arcaica
de "pretendo"
Anadiplose
Figura de linguagem:
Lírica religiosa
A
B
B
A
A
B
B
A
C
D
E
C
D
E
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