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Versão Brasileira da Updated Illinois Rape Myth Acceptance S

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on 20 June 2014

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Versão Brasileira da Updated Illinois Rape Myth Acceptance Scale: Uma análise do mito de estupro

Clara Faes, Gabriela Gehlen, Flávia Santos, Julise Lemonje, Mariana Seixas e Vanessa Fiorini

O mito do estupro está relacionado à estereótipos, à aceitação de violência interpessoal e, principalmente, à atitudes e crenças, em geral falsas, mas persistentes na sociedade.
Escala de aceitação
dos mitos de estupro


Uma mulher que vai para casa com um homem desconhecido tem culpa se for estuprada.

Fenômenos sociais
envolvidos:
Agressão
Atitudes
Estereótipos
Crença num Mundo Justo
Agressão
- “Comportamento com intenção de prejudicar outra pessoa e que essa pessoa-alvo deseja evitar”

- Motivações: agressão como um instinto, como reação a frustrações, por causa de uma emoção aversiva ou para obter o que se deseja


- Gênero: mais de 95% dos casos registrados de estupro ou violência sexual envolvem um agressor do sexo masculino e uma vítima do sexo feminino (Michener et al. 2005)
- A agressão seguida a um ataque é mais provável e mais intensa quando atribuímos a culpa pelo ataque às intenções do agressor. Ex.: mulheres vítimas de estupro
- A ameaça de retaliação reduz o comportamento agressivo: a mulher é considerada um alvo frágil

Depende das características do alvo
- potenciais recompensas, presença de modelos, normas, estresse e sinais agressivos


- Fonte de diversos grandes problemas sociais

Características da situação
Violência sexual
- Refere-se ao contato ou à relação sexual sem consentimento, acompanhado de ameaça e/ou uso de força.
- O agressor é motivado pelo desejo sexual ou sua intenção é dominar, humilhar ou machucar a vítima (Michener, 2005).
- A existência de um conjunto específico de crenças e de práticas culturais cria condições incentivadoras para o estupro: existência de alto grau de violência interpessoal, a visão das mulheres como propriedades do homem e a separação frequente entre homens e mulheres.

Mitos do estupro
- Atitudes que facilitam a agressão contra as mulheres
- Crença de que as mulheres secretamente desejam ser estupradas e gostam disso, de que as vítimas provocam o estupro e de que homens são propensos a cometer estupro.
- O alto índice de comportamento sexualmente agressivo está associado com a aceitação dos mitos do estupro e com a crença de que a agressão sexual é normal.

atitudes
"Uma organização duradoura de crenças e cognições em geral dotada de carga afetiva pró ou contra um objeto social definido, que predispõe a uma ação coerente com as cognições e afetos relativos a este objeto" (Rodrigues, 2012)
Componente cognitivo
- Crenças pessoais
- Complexidade

Componente afetivo
Componente comportamental
- Considerados por alguns autores o que mais caracteriza a atitude.
- Predisposição à ação em relação ao objeto da atitude.
Exemplo:
Pessoa acredita que mulheres que usam roupas decotadas não merecem respeito (componente cognitivo).

Afeto com relação ao objeto seria negativo: por exemplo, o desprezo (componente afetivo).

Se a pessoa citada fosse um homem poderia apresentar comportamentos violentos com relação a parceira (componente comportamental).

Formação de atitudes
Aprendidas desde cedo: família, amigos, professores.

- Condicionamento simples
Desde cedo ouve falar que mulheres são inferiores aos homens ou que não merecem respeito, passam a fazer esta associação.

- Condicionamento Operante
Crianças reforçadas quando apresentam comportamento hostil em relação as mulheres.

- Imitação
Pais são os modelos para imitação.

- Na sociedade encontramos várias atitudes compartilhadas .

- Preconceito contra a mulher é uma delas: relacionado a todo tipo de violência dirigida à figura feminina.

- As mudanças sociais de que necessitamos: ligadas ao processo social de mudança de atitudes.

Estereótipos
"Crenças compartilhadas sobre os atributos pessoais, traços de personalidade ou os comportamentos de um grupo de pessoas" (Rodrigues, 2012).
Preconceito:
Atitude negativa onde o sujeito está predisposto a sentir (preconceito), pensar (estereótipo) e agir (discriminação) de determinada maneira.
Mulheres:
emotivas, atenciosas e frágeis
x
Homens:
agressivos, aventureiros e independentes
- Essas crenças com relação ao papel da mulher e do homem contribuem para formação de atitudes negativas

- Isso contribui para que o estupro seja percebido por algumas pessoas como um ato mais atribuído ao comportamento da mulher do que de responsabilidade do homem.

22 itens
4 fatores
Teoria de Mito de Estupro de Burt: aspectos cognitivos, afetivos e comportamentais associados ao estupro
Responsabilização da Mulher
Minimização da Gravidade
Mulheres tendem a exagerar sobre o quanto o estupro as afeta.
Desculpa Feminina
Mulheres fingem estar interessadas e depois alegam terem sido estupradas
Instinto Masculino
Estupro acontece quando o homem perde controle dos seus instintos.
Teoria da crença num mundo justo
Crença de que cada um recebe o que merece
=
Crença num mundo justo
- Baseia-se na ideia de mérito, em que as situações ocorrem de acordo com as características e comportamentos das vítimas.
- É uma ilusão fundamental para mantermos a nossa autoestima.
- A vulnerabilidade frente às adversidades da vida é parcialmente ignorada.
- Tem função adaptativa.
- Nos afasta dos problemas dos demais.

- Pensamento utilizado também para culpar vítimas do assédio sexual que sofreram.

- Discursos atribuindo estupros ao comportamento da vítima e não ao autor.

- Impede que se dê o suporte e acompanhamento psicológico correto à vítima e acaba justificando o comportamento do agressor.

resultados
conclusões
- Os resultados obtidos por meio da análise de fatores corroboram os dados encontrados na literatura e esperados pelo grupo desde a proposição do trabalho, em sua maioria. No entanto, alguns dados ainda chocam, como a concordância com assertivas claramente machistas e culpabilizadoras da mulher.
- Crença em um mundo justo: proteção em zonas nobres da cidade ou por roupas que cubram mais o corpo; imunidade contra o estupro em caso de não dar motivos para sua ocorrência (não beber/não se insinuar)

- A cultura machista perpassa a escala por quase todas as suas questões: justificativa para o estupro, preconceito contra a liberdade da mulher e difusão dessas idéias na sociedade.
- Dissonância cognitiva: tentativa de evitá-la, representada pela discordância em questões similares a anteriores, mas com crueldade/agressividade mais evidente.
- Erro fundamental de atribuição: culpabilização da vítima pode ser um misto de erro atributivo e histórico social de preconceito contra a mulher e idealização masculina.

- Exaltação masculina: tentativa de isentar o homem de responsabilidade. Aplicação da psicologia: em oposição a justificativa buscada pelos que tentam justificar o comportamento masculino usando o instinto, psicólogos sociais concordam que o instinto não pode ser responsável pelo ato agressivo isoladamente. Aqui está presente também a atribuição causal, tentando relacionar o estupro a fatores externos.
- Apesar das ressalvas feitas, a grande maioria dos participantes se mostrou contrária às frases componentes da Escala de Percepção do Estupro. Tal fato pode se justificar pela exposição midiática, pela luta feminina por direitos iguais e por um maior discernimento sobre a real causa de ocorrência do estupro: o estuprador.

- Estupradores em potencial podem estar presentes em qualquer zona da cidade e atacar mulheres de saia, calça, gola ou burca.
- Apoio incondicional às mulheres em se tratando desse assunto é fundamental, em qualquer instância.
- O machismo despe as mulheres de roupas e de liberdade, de direitos e de emponderamento de seu corpo e sua vida.
- Atentar para a hiperssexualização da mulher e para os estereótipos construídos, que a põe como ser submisso e privado da liberdade de escolha.

- A retirada da autonomia não ocorre somente quando o ato do estupro propriamente dito se dá, mas começa com o fiu- fiu, chegando à exploração sexual de meninas ou ao abuso sexual intraconjugal/familiar.
- Necessidade de emponderamento da mulher sobre seu corpo, suas atitudes e decisões, apoio social e conscientização da população, a fim de que se mudeintrinsecamente a atitude social em relação ao estupro.

- Escala Likert hospedada no Google Docs
- Convidados a participar através de contato online
- 1037 participantes
347 homens e 690 mulheres
referências
Uma mulher que vai para casa com um homem desconhecido tem culpa se for estuprada.
Análise: Apesar da porcentagem prevalente ser de pessoas que discordam dessa afirmação, uma expressiva porcentagem de 25% dos entrevistados corroboram com a afirmativa, em maior ou menor grau. E essas afirmativas - representadas por um quarto dos participantes - reforça a culpabilização da vítima, e a crença de que ela pode, sim, sofrer um abuso sexual caso, segundo a visão destes que responderam afirmativamente, essa pessoa abra espaço para a ocorrência do estupro
Uma mulher usando roupa curta ou decotada está procurando problema.
Análise: Nessa questão, 10% dos participantes mostraram-se concordantes com o pensamento de senso comum, como justificado em algumas outras frases: "mulher tem que se valorizar", "olha o tamanho dessa saia, tá caçando", entre outras. Para essas pessoas a roupa é outro fator usado como justificativa na ideia de responsabilização da vítima. As roupas curtas, na visão dessas pessoas, podem ser entendidas como um artifício utilizado pelas mulheres na busca de sexo.
Análise: A sexualidade feminina ainda é um tabu na sociedade. As mulheres não são criadas para exercerem sua sexualidade livremente. A educação sexual feminina ainda é muito rígida e limitada. A mulher é criada para ser um ser assexuado, e caso ela deseje exercer sua sexualidade livremente, como os homens ela tem que encarar o fato de que não pode mudar de idéia 'tem que ir até o fim'. Provocar um homem e depois desistir pode ser uma idéia perigosa, primeiramente porque a mulher passa a ser vista automaticamente como alguém desprovido de valor, ou de índole duvidosa por ser estar se insinuando, e depois porque, uma vez que o homem for tentado, a mulher perde o direito de negar o que ele quer, pois pediu por isso.
Uma mulher que se insinua sexualmente vai arranjar problemas.
Se uma mulher bêbada for estuprada, ela tem uma parcela de culpa.
Análise: Apesar de 14% das pessoas terem concordado - totalmente ou parcialmente - com a assertiva, é importante ressaltar a expressiva discordância da maioria dos pesquisados. A utilização da bebida e a embriaguez como instrumento para o abuso sexual é bastante comum, e usada até mesmo na aplicação de golpes, como o boa noite Cinderela. No entanto, é importante a conscientização e orientação para o fato de que o abuso sexual de alguém que está inconsciente de seus atos é uma atitude extremamente grotesca.
Uma mulher que vai à casa ou ao apartamento de um homem já no primeiro encontro quer sexo.
Análise: Nessa questão, apenas 63% dos entrevistas discordam da afirmação. 27% acreditam que em menor ou maior grau, ir à casa de um homem confirma que as mulheres procuram por sexo. Podemos atribuir isso a duas ideias distintas, a primeira é que, na hipótese de ocorrer um estupro, a mulher procurou sexo e não tem direito de voltar atrás dessa decisão ao se colocar nessa situação. A segunda pode ser fruto de um preconceito referente a sexualidade feminina, que vê com 'maus olhos' mulheres que de fato gostam ou procuram por sexo
Mulher que provoca os homens merece qualquer coisa.
Essa pergunta, e as pessoas que concordam com essa afirmativa podem levar à formulação de duas hipóteses. A primeira é de que essas pessoas acreditam que a mulher que provoca deve ceder a tudo que o homem deseja, podendo apanhar mesmo sem querer, e sendo forçada a transar sem desejo. A segunda se relaciona com duas das frases anteriores: essas pessoas acreditam que as mulheres que usam roupas curtas, ou que se oferecem, devem ser culpabilizados caso ocorra o estupro.
As mulheres que se vestem de forma atrevida é que são estupradas.
Análise: Acreditar que o estupro ocorre com determinadas pessoas, que freqüentam determinados lugares ou se vestem de determinadas maneiras é uma forma de proteção que algumas pessoas buscam ao justificar porque o estupro ocorre com os outros. É uma forma de buscar de alivio ao saber que não somos 'identificáveis' com os estuprados. O baixo número de pessoas que acredita nesse 'padrão' de comportamento/vestimenta estuprável demonstra que as pessoas hoje, estão mais conscientes de que esse crime é generalista,podendo atingir uma pessoa de saia no Brasil, ou uma mulher de burca no oriente.
O estupro não é um problema tão grande quanto as feministas dizem.
Análise:Apenas 4 % do total concorda com essa afirmação,o que leva a crer que é da ciência de todos que o estupro hoje, é uma das grandes mazelas da sociedade. Os números assustadores de ocorrências, e a maior divulgação pela s mídias alternativas de casos, assim como o crescente número de denuncias vem ajudado a mudar a mentalidade da sociedade frente à essa situação.
É preciso hematomas para que a mulher seja levada à sério.
Análise: Essa afirmativa e a concordância dos participantes em uma porcentagem razoavelmente expressiva de 14% demonstra que ainda há um pensamento de que "se não há provas, não ocorreu". No entanto, a maioria substancial discordou, demonstrando que há, sim, uma conscientização maior do fato de que as marcas mais fortes deixadas pelo estupro são de cunho emocional e difíceis de serem apagadas pelo tempo.
Mulheres que ficam em bares e saem com muitos caras é que são estupradas.
Análise: A baixa porcentagem de pessoas que responderam concordar com essa afirmação pode indicar uma mudança de mentalidade em relação a como a entrada da mulher em ambientes prevalentemente masculinos está gradualmente sendo bem recebida. Hoje em dia, mulheres costumam encontrar amigos e colegas para happy hours em bares. Os homens também conhecem mulheres que eventualmente, passam a namorar ou tornam-se grandes amigas nesses locais, o que pode refletir a forte discordância desse local e atitude como justificativa de estupro.
Só há estupro se existirem hematomas ou marcas.
Análise: Essa questão, inicialmente, parece muito semelhante a uma analisada anteriormente, onde a afirmativa se referia à necessidade de marcas para qualificação do estupro. No entanto, a frase acima, na verdade, nos mostra que muitos daqueles que acreditam que a mulher precisa das marcas pra comprovar sua "inocência" ou para trazer em seu corpo as marcas do crime, na verdade sabe que o estupro não precisa deixar hematomas para ter ocorrido.
Mulheres tendem a exagerar sobre o quanto o estupro as afeta.
92% dos entrevistas discordam da afirmação, o que parece indicar que os efeitos físicos, morais e psicológicos dessa violência são conhecidos e reconhecidos pelas pessoas em geral. Uma vez que a sociedade passa a superar crenças preconceituosas em relação ao mito do estupro e passam a admitir os efeitos significativos disso, podemos crer em mudanças positivas em termos de proteção para essas vitimas , com redes de apoio especializada, atendimento e tratamento humanizado e digno em todos as estâncias e etapas , e amparo integral.
Estupro dificilmente ocorrerá numa área nobre da cidade.
A baixa taxa de concordância dos participantes nessa afirmativa parece demonstrar uma conscientização do fato de que os crimes - até mesmo os mais terríveis - não ocorrem somente na periferia das cidades. A ocorrência do abuso sexual intra familiar, que é comumente encontrado nos noticiários, é bastante impactante, e também um fato que pode ser considerado como chave, juntamente com outros casos de estupro reportados na tv. A mídia representa uma grande influência, nesse caso.
Estupros ocorrem, principalmente, na parte "ruim" da cidade.
A crença de que o estupro é um caso que ocorre apenas nas periferias das cidades vem sendo desmistificado conforme chegam até as pessoas noticias de incidências da mesma violência se repetindo em diversas áreas da cidade. Uma vez que em relação a crença de que raramente ocorrem crimes dessa natureza em áreas nobres, os indicies nessa afirmação são altos, podemos analisar que ainda existe a crença no mundo justo, de que coisas desagradáveis ocorrem com outros, em lugares que não costumamos freqüentar, dando a falsa sensação de segurança.

Mulheres fingem estar interessadas e depois alegam terem sido estupradas
Essa assertiva obteve 12% de concordância por parte dos participantes, e menos da metade deles discordaram totalmente dela. Esses resultados parecem provar que ainda há uma expectativa muito grande ligada à uma preservação feminina, e idealização dela pelo viés de uma visão machista, que põe como uma qualidade da mulher a repressão de seus desejos sexuais. Além disso, ainda há a proliferação de uma cultura que põe unicamente o homem como aquele que pode ter desejos sexuais e ir em busca deles a qualquer custo - fato que justifica, para alguns, o estupro.
Ac
usações de estupro são frequentemente usadas como vingança.
Essa afirmação que encontra respaldo em pelo menos 17% dos entrevistados indica que para muitos, a sexualidade feminina e o desejo ainda é um tabu. Ainda evidencia a opinião vigente que a mulher pode manipular as relações sexuais para poder controlar ou obter alguma vantagem sobre os homens. Ainda podemos inferir que para muitos a mulher, ao se sentir desprezada ou dispensada por um homem, pode utilizar esse artificio para prejudicá-lo. O estupro então passa de crime a objeto de manipulação.
Muitas mulheres acham que serem forçadas a fazer sexo é excitante.
Essa afirmativa se mostrou bastante ambivalente, cabendo a ela mais de uma interpretação. Alguns dos participantes, inclusive, demonstraram descontentamento com a presença dessa questão na escala, uma vez que algumas pessoas apreciam o sadomasoquismo durante a relação sexual. A outra interpretação, tendo sido essa a primeira hipótese cogitada por nós, que os 15% dos participantes que concordaram, o fizeram, mais uma vez, pela perpetração do machismo e suas implicações, sendo a principal delas a culpabilização da mulher
Muitas mulheres tem o desejo secreto de serem estupradas
69% dos entrevistados discordaram dessa afirmação. Acreditamos que esse numero expressivo possa vir da crença que apesar de algumas mulheres apreciarem diferentes tipos e intensidades sexuais, o crime de estupro vem da falta de desejo de estar numa relação sexual. A crença de que muitas mulheres querem ser vitimadas por essa situação está intimamente associada ao tabu que é a sexualidade feminina, e a uma interpretação preconceituosa da busca feminina por diferentes tipos de prazer.

Mulheres gostam do sexo quando o homem usa a força.
O emponderamento do homem em questões do dia-a-dia fica bastante evidente. No entanto, nessa questão, ele é demonstrado por meio de um emponderamento masculino do corpo da mulher, em uma relação heteronormativa, em que ele vê a necessidade de se sobressair. 21% dos pesquisados concordaram com essa afirmativa, e novamente foi levantada a possibilidade das múltiplas interpretações da frase, e não somente aquela que inicialmente foi pensada. Durante o ato sexual, as preferências individuais se manifestam e, se o uso de força por parte do homem for de vontade da mulher, e for de comum acordo parece não haver problemas. Mas, se essa força for utilizada como um artifício para a submissão da mulher e obrigação do sexo numa relação conjugal ou fora, esse dado deve ser interpretado de outra maneira.
Mulheres preferem ser forçadas ao sexo para não se sentirem culpadas.
Essa afirmação ainda tem raízes na concepção de que a mulher, como objeto de satisfação para o homem,não deve ter prazer na relação sexual. Uma vez que ela tem necessidades que não deve expor por pressões sociais, ela preferiria se submeter a relação forçada para poder apaziguar a culpa de estar consentindo e sentindo prazer. Os altos níveis de discordância indicam que hoje a sexualidade feminina é mais aceita e que a desculpa de obtenção de prazer por meio de estupro não condiz mais com o que as pessoas acreditam ser verdadeiro.
Mulheres flagradas tendo um caso proibido alegam serem vítimas de estupro.
O machismo está muito presente nessa afirmativa. É importante atentar para a grande porcentagem de dúvida - 25% dos participantes - que parecem demonstrar não saber se a mulher se utilizaria do estupro como artifício para justificar uma relação extraconjugal. A culpabilização da vítima fica evidente, e o fato de alguns concordarem, até mesmo totalmente, mostra a propagação disso e suas implicações, até mesmo em frases que parecem tão absurdas..
Estupro acontece quando o homem perde controle dos seus instintos.
Este item visa isentar o homem das suas ações s e falta de controle justificando sua atitude numa memória ancestral e no seu viés biológico. O índice de pessoas que discordam dessa suposta falta de controle instintivo prevalece, porém é alto o número de pessoa que concordam que em algum nível, o homem não pode responder por suas ações, vindo a cometer o delito.
Quando o homem está muito excitado sexualmente, ele pode nem perceber que a mulher está resistindo.
Colocar o instinto do homem e a sua necessidade sexual muito maior que as mulheres é um tabu que ainda não foi quebrado. Isso é demonstrado pelos 14% de participantes que crêem que o homem não pode controlar seus instintos. Os seres humanos são racionais e são, sim, de avaliar as conseqüências daquilo que estão fazendo, por meio do processo decisional. A colocação das vontades do homem acima do respeito pelo corpo da mulher e sua liberdade de decidir querer ou não transar leva a sociedade à propagação de mais uma violência contra a mulher e tentativa de justificava do comportamento masculino.
Homens não tem a intenção de forçar a mulher ao sexo.
Essa afirmativa, novamente vem retirar do homem a culpa por seus atos. Ao afirmar que o homem não intenciona estuprar, ele é aliviado da culpa, como se o estupro passasse a ser uma necessidade do qual ele não tem controle. Ele simplesmente inicia o comportamento sem a intenção de submeter a mulher à ele, não vendo má intenção nisso, é incapaz de parar. Novamente, a culpa do ato recai sobre o instinto sexual masculino, tão exaltado e defendido socialmente.
Homens estupram devido ao seu forte desejo por sexo.
Justificar um crime tão grave como o estupro por um desejo sexual tido com irreprimível parece absurdo. No entanto, inimagináveis 18% dos participantes concordaram com ela, parcial ou totalmente, demonstrando desconhecimento ou procurando apenas um motivo para justificar o estupro e aliviar sua dissonância cognitiva. A chegada em um extremo machista de por em primeiro lugar uma vontade sobre um direito (de ter liberdade sobre seu corpo, seu direito de ir e vir e suas opções) é inaceitável. No entanto, esses fatos são evidentes e estão amalgamados a outras justificativas igualmente exploratórias da mulher como as roupas e o comportamento. A cultura do estupro continua presente e com explicações cada vez mais surpreendentes - em uma denotação negativa.

Braguirolli, E. M., Pereira, S. & Rizzon, L. A. (1994). Temas de Psicologia Social. Petrópolis: Vozes.

Michener, H. A, DeLamater, J. D., Myers, D.J. (2005). Psicologia Social. São Paulo: Pineira Thomson Learning.

Rodrigues, A. (2012). Psicologia Social para Principiantes: Estudo da interação humana. Petrópolis: Vozes.

Carpati, A. S., Guerra, V. M., & Duarte, C. N. (2014). Adaptação da Escala de Aceitação dos Mitos de Estupro: evidências de validade. Avaliação Psicológica, 13(1), 57-65.

Burt, M. R. (1980). Cultural myths and supports for rape. Journal of Personality and Social Psychology, 38, 217-230.

Gouveia, V. V, Guerra, V. M., Sousa, D. M. F., Santos, W. S., & Costa, J. M. (2009). Escala de Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne: contribuição a sua adaptação brasileira. Avaliação Psicológica, 8, 87-98.

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