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Análise do Poema "Segue o teu destino" de Ricardo Reis

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Fábio Barros

on 10 December 2014

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Transcript of Análise do Poema "Segue o teu destino" de Ricardo Reis

Análise do Poema "Segue o teu destino" de Ricardo Reis
Ricardo Reis, vida e obra
Nasceu a 19 de setembro de 1887, no Porto;
Foi educado num colégio de jesuítas;
Formou-se em Medicina;
Segundo o livro de José Saramago " O ano da morte de Ricardo Reis", a sua morte foi no ano de 1936;
As primeiras obras foram publicadas em 1924, na revista
Athena;
Mais tarde foram publicados oito odes, entre 1927 e 1930, na revista Presença, de Coimbra.
"Segue o teu destino"
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, 1-7-1916

Estrutura Interna
Estrutura externa
Cinco estrofes;
Todas as estrofes tem 5 versos cada uma - quintilha
Rima é branca (não existem rimas);
Métrica irregular;
Presença de um tom coloquial.
Figuras de estilo
Metáfora
(ex: Os deuses são deuses / Porque não se pensam);
Aliteração
(ex: Só nós somos sempre iguais a nós próprios);
Personificação
(ex: Vê de longe a vida/ Nunca a interrogues./ Ela nada pode dizer-te).
1ª estrofe
o destino representa a vida
Segue o teu
destino
,
Rega
as tuas plantas, Amar o que a vida nos oferece
Ama
as tuas rosas. Representa tudo que é natural
O resto é a sombra
De
árvores alheias
. Tudo o que é alheio à nossa vida,
problemas, sofrimentos etc.
2ª estrofe A realidade é o que fazemos dela e
normalmente obtemos o desejado
A realidade
Sempre é
mais ou menos
Representa situações menos agradáveis
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre Somos únicos e individuais e nunca
Iguais a
nós-proprios
. conseguiremos ser alguém que não
corresponde à nossa pessoa

Estrutura Interna
Estrutura Interna
3ª estrofe Viver da simplicidade e de forma suave
sem muitos precalços, ignorando os
Suave
é viver só. fatores menos relevantes
Grande e nobre é sempre
Viver
simplesmente
. Esquecer a dor e viver a nossa vida
Deixa a dor nas aras consoante nos foi pré-destinado
Como ex-voto aos deuses.

Estrutura Interna
4ª estrofe Ser observador da própria vida, ignorando a
sua função dentro desta

de longe
a vida.
Nunca a interrogues. A resposta à interrogação do verdadeiro Ela nada pode significado da vida e da sua essência, está
Dizer-te. A
resposta
para além do conhecimento dos deuses.
Está
além dos deuses.


Estrutura Interna
5ª estrofe Apela a que sejamos os nossos próprios
deuses e o façamos no nosso interior,
Mas serenamente isto é, mestres dos nossos sentimentos e
Imita o Olimpo
vontades
No teu coração.

Os deuses
são deuses

Porque
não se pensam
. Os deuses são superiores a nós pois
contrariamente ao ser humano, não se
questionam sobre a razão de ser de todas
as coisas.

Fábio Barros 12ºC Nº.10
Influências clássicas da poesia de Ricardo Reis
Neoclassicismo
- precisão, sobriedade e rigor verbal; estilo erudito: latinismos, sintaxe clássica latina (hipérbatos e anástrofes);
Estoicismo
- autodisciplina; aceitação das leis do destino; indiferença face às paixões e à dor, fatores perturbadores da razão; ideal ético:
apatia
, que se define como ausência de paixão e permite a liberdade;
Epicurismo
- busca da felicidade através do prazer; fuga à dor; conceito fundamental:
ataraxia
(tranquilidade/indiferença capaz de evitar a perturbação); ideal horaciano:
Carpe diem
: vive o momento.
Paganismo
- crença nos deuses e nas presenças quase-divinas que habitam todas as coisas; crença na civilização da Grécia; cultivação da mitologia greco-latina.
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