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Medicina Legal: Hilário Veiga de Carvalho e a classificação dos criminisos.
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Érica Vieira Santos
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Updated Aug 2, 2021
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02:03
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Chapter 5
04:27
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10:28
Chapter 20
10:54
Chapter 21
11:33
Chapter 22
11:47
Chapter 23
12:01
Chapter 24
12:20
Chapter 25
12:33
Chapter 26
13:10
Chapter 27
13:25
Chapter 28
13:27
Chapter 29
13:41
Chapter 30
13:54
Chapter 31
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Chapter 32
14:29
Chapter 33
14:31
Chapter 34
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Auto-generated
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bom dia a todos.
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Primeiramente, gostaria de me desculpar por não está presente na
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aula de hoje, mas aqui em São Paulo, as escolas
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estaduais elas reabriram e elas estão trabalhando com cem por
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cento da capacidade presencial e por isso, por esse motivo
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o meu horário de trabalho.
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Ele foi alterado então às terças feiras, pela manhã.
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Tenham aula estou trabalhando.
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Eu pedia a gentileza da da ANA para ela.
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Está apresentando esse vídeo e ela topou e eu sou
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bastante grata ela por isso bom dentro do que foi
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proposto pelos professores no último dia de aula da apresentação
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de algum algum conceito, alguma imagem, alguma coisa específica, algum
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tema específico que estivesse relacionado com as aulas e se
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pudesse aproximada as nossas pesquisas.
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Eu decidi trabalhar com a classificação dos criminosos elaborada pelo
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Hilário Vieira de Carvalho.
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Ele vai trazer um modelo de classificação que ele vai
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dar o nome de classificação etimológica, ou seja, está buscando
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nessa classificação a explicação do comportamento criminoso a qual a
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origem desse comportamento, inclusive o Hilário Vega de Carvalho.
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Dentro das suas publicações, ele faz várias críticas a outras
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classificações. Antropologia criminalé uma das suas críticas, ele critica
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bastante o fato de apenas o fator biológico ele ser
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bastante enfatizado dentro de algumas classificações.
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Então ele vai elaborar um modelo de classificação que ele
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vai chamar de classificação ideológica.
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Inclusive, ele vai se auto elogiar com bastante frequência.
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Ele vai dizer que a sua classificação elaé uma
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das melhores.
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Dentro desses textos fica bem claro essa fala dele, o
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goleiro Vega de Carvalho.
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Ele vai acreditar que a classificação dos criminosos, ela vai
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ser possível a partir de um conjunto de análises científicas
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que nesse começo contexto pudesse demonstrar quais as características da
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personalidade do criminoso está e que também pudesse apontar o
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nível de periculosidadeà capacidade de regeneração.
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Ele diz o seguinte Onde feito para classificar mister se
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faz conhecer cada uma das individualidades em seus pormenores, para
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depois conhecer eles.
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Os caracteres afim, reconhecendo grupos e distribuindo harmonicamenteé indiscutível,
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já o disse o há pouca mento dos nossos conhecimentos
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criminológicos. No entanto, em matéria de Gênesis dos atos criminosos,
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está bem e firmemente assente que só dois fatores entram
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em jogo na determinação desses atos O fator no zoológico
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e o fator biológico.
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Ele vai apresentar dois esquemas onde ele vai tentar explicar
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o que seriam esses fatores.
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Ele faz a síntese crime trica dessa classificação ideológica.
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Então ele vai distribuir os presos em cinco grupos e
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ele vai dar o nome de mesmo criminoso, mesmo criminoso,
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preponderante. Mesmo obi, o criminoso, biô criminoso preponderante e biô.
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Criminoso, o primeiro e o último.
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Ele vai dizer que são precisando criminosos, porque ele vai
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receber o predomínio de um determinado tipo de fator.
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Então o primeiro vai ser o mesmo criminoso, puro último
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vai ser um bio criminoso puro.
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Ele vai classificar como criminosos verdadeiros os outros três.
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Onde ele vai dizer que vai ter o predomínio ou
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a variedade desses fatores está para se chegar a essa
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classificação. Ele vai apontar para a necessidade de exames esses
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exames. Ele vai dizer que eles precisam ser detalhados.
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Eles precisam ser aprofundados que vão tentar buscar dentro da
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individualidade. Ele sempre reforça essa palavra.
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A individualidade de cada um dos sujeitos vai tentar encontrar
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as diferenças dos tipos de criminosos.
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Nesse segundo esquema, ele já traz uma imagem pouco mais
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simples, mas uma representação mais simples.
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Mas elaé bastante interessante para a gente entender o
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que ele está tentando dizer com isso.
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Ele fala que o primeiro grupo, ele vai ser de
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mesmo criminosos puros, então ele tem a predominância de um
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dos fatores.
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O último grupo vai ser dos bio criminosos puros, que
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também vai ter a predominância de um fator e os
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outros três vai ter.
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Vai ter a divisão entre esses fatores.
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Com exceção aqui do terceiro, que dá para perceber que,
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segundo esse gráfico, essa representação perdão, há uma divisão dos
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dois fatores nesse nesse grupo aqui de indivíduos.
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Para alguns historiadores, o exame nada mais era do que
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é uma extensão, um instrumento de poder do médico sobre
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os corpos dos presos.
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Então, por exemplo, para o professor Fela, esse exame vai
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representar uma ampliação desse poder de manipulação dos médicos.
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Então médico, ele vai passar a ter um poder não
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somente de médico, mas um poder de decisão que vai
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inclusive influenciar a própria decisão dos juízes.
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Essas imagens aqui elas foram cedidas pelo Museu Penitenciário de
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São Paulo, queé da própria penitenciária está, Eles me
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mandaram um acervo bastante interessante e aí eu decidi mostrar
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para vocês o material que eles têm disponíveis lá.
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A própria Penitenciária do Estado de São Paulo.
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Ela foi usada também como um espaço que vai viabilizar
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esse esse discurso e as práticas desse exame Com uma
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forma de controle, a Penitenciária de São Paulo era considerado
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um presídio modelo que mantinha um sistema fabril que trabalhava
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com a ideia da laborterapia, como uma forma de recuperação
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dos presos.
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Esse presídio, ele vai conter espaços de implementação desse discurso
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científico que vai se apoiar sobre tudo no discurso médico
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psiquiátrico. Esse discurso.
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Ele vai legitimar as práticas de regeneração dos presos a
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partir do trabalho dentro dessas fábricas.
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Linhas que eu vou apresentar para vocês aqui há pouco.
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Então, a laborterapia ela vai ser compreendida como uma forma
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de terapia prisional que, apesar dos médicos, criticaram bastante a
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estrutura do sistema prisional.
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Eles vão dizer que o espaço em que as fábricas
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elas estavam sendo colocadasà maneira como estava sendo trabalhado
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não era o suficiente para fazer esse tratamento.
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Nãoé essa a regeneração dos criminosos.
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Está mais aí.
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O que me chama atenção em tudo issoé o
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seguinte a prática versos, A teoria.
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Quando a gente olha para os documentos, que os prontuários,
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os documentos do próprio Instituto de Biotecnologia Criminal dá para
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perceber que, por exemplo, a fala a médica não condizia
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com a prática.
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De um lado, você tem o México dizendo se apoiando
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na ideia de que a laborterapiaé uma forma de
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regeneração do preso.
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Porque muda se o ambiente e o preso, logicamente, mudaria
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o seu comportamento.
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E quando você começa a observar os mecanismos de punição
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e de disciplina dentro da instituição, percebe se que essas
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fábricas, elas também eram utilizadas como uma forma de punição
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e disciplinamento desses presos.
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O preso que eu estudo prontuário dele, queé o
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João Pereira Lima.
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Ele teve duas passagens pela penitenciária do Estado.
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Fica bastante claro essa ideia de prática.
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Versos discurso o Pereira Lima.
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Ele teve duas classificações na primeira passagem, quando ele foi
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preso em mil novecentos e trinta e nove, ele foi
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classificado como mesmo criminoso preponderante dentro do pegou trinta anos
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de prisão e ele cumpriu apenas quatro desses trinta anos.
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Os médicos eles associaram o álcool como sendo um elemento
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que investigou a cometer o crime.
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Em mil novecentos e quarenta e oito, ele retorna para
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a Penitenciária do Estado de São Paulo e ele recebe
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uma outra classificação.
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E nessa classificação eleé apontado como de altíssima periculosidade
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e uma incapacidade de cura criminológica.
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Eu tento entender a minha pesquisa se esses diagnósticos, principalmente
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o último.
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Se ele foi responsável por estigmatizar o Pereira Lima criar
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aquilo que o que o professor Fela fala, ele fala
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que o preso traduzido numa linguagem científica.
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Se essa tradução criou um indivíduo perigoso, o indivíduo sem
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capacidade de cura e fez com que ele ficasse cada
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vez mais tempo preso dentro da penitenciária, Então o estudo
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os mecanismos de punição que foram aplicados a ele dentro
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do período em que ele esteve preso nos pronto anos,
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não só dele como de outros presos.
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É bastante comum a gente encontrar transferências desses presos ou
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para a ilha correr para a Ilha Anchieta, no Instituto
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Correcional da Ilha Anchieta, que era conhecido como um lugar
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de punição.
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Inclusive era uma fala dos próprios presos e também as
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transferências dentro dessas fábricas, as fábricas que funcionavam no interior
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da penitenciária, tudo indica que essas fábricas também funcionavam como
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uma forma de punição.
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Então, se um determinado preso ele tivesse um tipo específico
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de comportamento, ele poderia regredir de uma fábrica para outra,
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porque o sistema penitenciário, ele trabalhava com o regime de
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progressão e esse preso eles ele era transferido com Delia.
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Progredindo, ele saia de uma fábrica e era transferido para
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outra quando ele comete um determinado ato de indisciplina.
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Enfim, essas indisciplinas variavam muito desde conversar com os presos
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dentro durante o trabalho ou até mesmo levar algum objeto
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da oficina para o para a cela, variava muito tipo
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de punição que ele recebia.
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Então, por exemplo, analisando esses pronto anos,é bastante provável
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que essas oficinas elas também tenham funcionado como uma forma
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de punição.
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Por exemplo, a vassoura Maria Elaé bastante apontada como
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um local de um trabalho muito pesado em um local
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destinado a presos que eram tratados por mau comportamento dentro
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dessas oficinas.
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É muito comum a ideia do silêncio.
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Eles pediam para que os presos não se comunicasse, inclusive
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se eles falassem entre si.
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Já era uma forma de tirar as regalias que ele
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recebia ao longo do processo, do progresso, da sua pena.
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Outra oficina que nós vamos ter vai ser a fábrica
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de calçados, por mais que eles estivessem recebendo também uma
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profissão, ainda assim, essas oficinas, elas eram destinadas a pessoas
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de mau comportamento.
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A encadernação também aparece com bastante frequência.
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Por exemplo, quando o preso recebia um determinado castigo.
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O próprio diretor da penitenciária ele determinava o regresso para
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uma outra oficina solicitava ou maçonaria, ou encadernação, ou a
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própria a própria marcenaria, nessas oficinas era muito como uma
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ideia doméstica.
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Ideia Não há presença do mestre.
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Esses mestres realizaram uma representação, obviamente de de poder, de
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disciplina, de repressão.
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E a marcenaria, que também era, sempre aparece nesses documentos
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como uma oficina que traz a ideia punição.
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Então, quando o diretor do instituto queria punir um preso,
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ele trocava de oficina e ele mudava para essas quatro
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oficinas que eu trouxe agora para vocês.
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Eu estou trabalhando com essa hipótese.
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Tudo indica que além do Instituto Correcional essas oficinas havia
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um mecanismo interno de punição dentro da própria penitenciária do
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Estado. Por outro lado, nós vamos ter oficinas que vão
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aparecer como uma forma de prêmio.
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Alfaiataria, por exemplo, aparece nesses prontuários como uma progressão.
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Então, um preso de bom comportamento passava por uma outra
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oficina ou também a lavoura, a lavoura.
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Ela era uma forma de prêmio também.
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Ela só era destinado aos presos que estavam no terceiro
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estágio da pena, porque ela ocorria do lado de fora
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dos muros da penitenciária.
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Então, por exemplo, um preso que estava trabalhando na lavoura,
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ele dificilmente gostaria de voltar para dentro dos muros da
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penitenciária, então ela também era, era tratada como um trabalho
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que era privilegiado.
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Era destinado alguns e de onde estão tirando essas informações
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para trazer essas hipóteses?
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Quando eu leio o decreto estadual de vinte e nove
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de abril de mil nove, cem, vinte e quatro alguns
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artigos, eles traz informações interessantes.
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Por exemplo, Artigo dezessete.
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Ele vai dizer que os presos eles vão ser separados
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por comportamento.
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Então cada oficina vai ser destinada a um tipo de
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comportamento. E se ele tiver um comportamento bom, ruim, sofrível,
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péssimo, ele vai ser transferido para uma outra oficina e
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só para encerrar, eu trago a ideia da classificação como
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uma forma de movimentação.
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O preso classificado de uma determinada maneira, ele vai ser
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levado ao trabalho dentro de um determinado de uma determinada
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fábrica ou vai ser punido de uma determinada maneira, Então
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a classificação serve também como forma de punição.
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Está muito obrigada e um abraço para todos
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