Medicina Legal: Hilário Veiga de Carvalho e a classificação dos criminisos.

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by Érica Vieira Santos5 views·Updated Aug 2, 2021

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  1. bom dia a todos.
  2. Primeiramente, gostaria de me desculpar por não está presente na
  3. aula de hoje, mas aqui em São Paulo, as escolas
  4. estaduais elas reabriram e elas estão trabalhando com cem por
  5. cento da capacidade presencial e por isso, por esse motivo
  6. o meu horário de trabalho.
  7. Ele foi alterado então às terças feiras, pela manhã.
  8. Tenham aula estou trabalhando.
  9. Eu pedia a gentileza da da ANA para ela.
  10. Está apresentando esse vídeo e ela topou e eu sou
  11. bastante grata ela por isso bom dentro do que foi
  12. proposto pelos professores no último dia de aula da apresentação
  13. de algum algum conceito, alguma imagem, alguma coisa específica, algum
  14. tema específico que estivesse relacionado com as aulas e se
  15. pudesse aproximada as nossas pesquisas.
  16. Eu decidi trabalhar com a classificação dos criminosos elaborada pelo
  17. Hilário Vieira de Carvalho.
  18. Ele vai trazer um modelo de classificação que ele vai
  19. dar o nome de classificação etimológica, ou seja, está buscando
  20. nessa classificação a explicação do comportamento criminoso a qual a
  21. origem desse comportamento, inclusive o Hilário Vega de Carvalho.
  22. Dentro das suas publicações, ele faz várias críticas a outras
  23. classificações. Antropologia criminalé uma das suas críticas, ele critica
  24. bastante o fato de apenas o fator biológico ele ser
  25. bastante enfatizado dentro de algumas classificações.
  26. Então ele vai elaborar um modelo de classificação que ele
  27. vai chamar de classificação ideológica.
  28. Inclusive, ele vai se auto elogiar com bastante frequência.
  29. Ele vai dizer que a sua classificação elaé uma
  30. das melhores.
  31. Dentro desses textos fica bem claro essa fala dele, o
  32. goleiro Vega de Carvalho.
  33. Ele vai acreditar que a classificação dos criminosos, ela vai
  34. ser possível a partir de um conjunto de análises científicas
  35. que nesse começo contexto pudesse demonstrar quais as características da
  36. personalidade do criminoso está e que também pudesse apontar o
  37. nível de periculosidadeà capacidade de regeneração.
  38. Ele diz o seguinte Onde feito para classificar mister se
  39. faz conhecer cada uma das individualidades em seus pormenores, para
  40. depois conhecer eles.
  41. Os caracteres afim, reconhecendo grupos e distribuindo harmonicamenteé indiscutível,
  42. já o disse o há pouca mento dos nossos conhecimentos
  43. criminológicos. No entanto, em matéria de Gênesis dos atos criminosos,
  44. está bem e firmemente assente que só dois fatores entram
  45. em jogo na determinação desses atos O fator no zoológico
  46. e o fator biológico.
  47. Ele vai apresentar dois esquemas onde ele vai tentar explicar
  48. o que seriam esses fatores.
  49. Ele faz a síntese crime trica dessa classificação ideológica.
  50. Então ele vai distribuir os presos em cinco grupos e
  51. ele vai dar o nome de mesmo criminoso, mesmo criminoso,
  52. preponderante. Mesmo obi, o criminoso, biô criminoso preponderante e biô.
  53. Criminoso, o primeiro e o último.
  54. Ele vai dizer que são precisando criminosos, porque ele vai
  55. receber o predomínio de um determinado tipo de fator.
  56. Então o primeiro vai ser o mesmo criminoso, puro último
  57. vai ser um bio criminoso puro.
  58. Ele vai classificar como criminosos verdadeiros os outros três.
  59. Onde ele vai dizer que vai ter o predomínio ou
  60. a variedade desses fatores está para se chegar a essa
  61. classificação. Ele vai apontar para a necessidade de exames esses
  62. exames. Ele vai dizer que eles precisam ser detalhados.
  63. Eles precisam ser aprofundados que vão tentar buscar dentro da
  64. individualidade. Ele sempre reforça essa palavra.
  65. A individualidade de cada um dos sujeitos vai tentar encontrar
  66. as diferenças dos tipos de criminosos.
  67. Nesse segundo esquema, ele já traz uma imagem pouco mais
  68. simples, mas uma representação mais simples.
  69. Mas elaé bastante interessante para a gente entender o
  70. que ele está tentando dizer com isso.
  71. Ele fala que o primeiro grupo, ele vai ser de
  72. mesmo criminosos puros, então ele tem a predominância de um
  73. dos fatores.
  74. O último grupo vai ser dos bio criminosos puros, que
  75. também vai ter a predominância de um fator e os
  76. outros três vai ter.
  77. Vai ter a divisão entre esses fatores.
  78. Com exceção aqui do terceiro, que dá para perceber que,
  79. segundo esse gráfico, essa representação perdão, há uma divisão dos
  80. dois fatores nesse nesse grupo aqui de indivíduos.
  81. Para alguns historiadores, o exame nada mais era do que
  82. é uma extensão, um instrumento de poder do médico sobre
  83. os corpos dos presos.
  84. Então, por exemplo, para o professor Fela, esse exame vai
  85. representar uma ampliação desse poder de manipulação dos médicos.
  86. Então médico, ele vai passar a ter um poder não
  87. somente de médico, mas um poder de decisão que vai
  88. inclusive influenciar a própria decisão dos juízes.
  89. Essas imagens aqui elas foram cedidas pelo Museu Penitenciário de
  90. São Paulo, queé da própria penitenciária está, Eles me
  91. mandaram um acervo bastante interessante e aí eu decidi mostrar
  92. para vocês o material que eles têm disponíveis lá.
  93. A própria Penitenciária do Estado de São Paulo.
  94. Ela foi usada também como um espaço que vai viabilizar
  95. esse esse discurso e as práticas desse exame Com uma
  96. forma de controle, a Penitenciária de São Paulo era considerado
  97. um presídio modelo que mantinha um sistema fabril que trabalhava
  98. com a ideia da laborterapia, como uma forma de recuperação
  99. dos presos.
  100. Esse presídio, ele vai conter espaços de implementação desse discurso
  101. científico que vai se apoiar sobre tudo no discurso médico
  102. psiquiátrico. Esse discurso.
  103. Ele vai legitimar as práticas de regeneração dos presos a
  104. partir do trabalho dentro dessas fábricas.
  105. Linhas que eu vou apresentar para vocês aqui há pouco.
  106. Então, a laborterapia ela vai ser compreendida como uma forma
  107. de terapia prisional que, apesar dos médicos, criticaram bastante a
  108. estrutura do sistema prisional.
  109. Eles vão dizer que o espaço em que as fábricas
  110. elas estavam sendo colocadasà maneira como estava sendo trabalhado
  111. não era o suficiente para fazer esse tratamento.
  112. Nãoé essa a regeneração dos criminosos.
  113. Está mais aí.
  114. O que me chama atenção em tudo issoé o
  115. seguinte a prática versos, A teoria.
  116. Quando a gente olha para os documentos, que os prontuários,
  117. os documentos do próprio Instituto de Biotecnologia Criminal dá para
  118. perceber que, por exemplo, a fala a médica não condizia
  119. com a prática.
  120. De um lado, você tem o México dizendo se apoiando
  121. na ideia de que a laborterapiaé uma forma de
  122. regeneração do preso.
  123. Porque muda se o ambiente e o preso, logicamente, mudaria
  124. o seu comportamento.
  125. E quando você começa a observar os mecanismos de punição
  126. e de disciplina dentro da instituição, percebe se que essas
  127. fábricas, elas também eram utilizadas como uma forma de punição
  128. e disciplinamento desses presos.
  129. O preso que eu estudo prontuário dele, queé o
  130. João Pereira Lima.
  131. Ele teve duas passagens pela penitenciária do Estado.
  132. Fica bastante claro essa ideia de prática.
  133. Versos discurso o Pereira Lima.
  134. Ele teve duas classificações na primeira passagem, quando ele foi
  135. preso em mil novecentos e trinta e nove, ele foi
  136. classificado como mesmo criminoso preponderante dentro do pegou trinta anos
  137. de prisão e ele cumpriu apenas quatro desses trinta anos.
  138. Os médicos eles associaram o álcool como sendo um elemento
  139. que investigou a cometer o crime.
  140. Em mil novecentos e quarenta e oito, ele retorna para
  141. a Penitenciária do Estado de São Paulo e ele recebe
  142. uma outra classificação.
  143. E nessa classificação eleé apontado como de altíssima periculosidade
  144. e uma incapacidade de cura criminológica.
  145. Eu tento entender a minha pesquisa se esses diagnósticos, principalmente
  146. o último.
  147. Se ele foi responsável por estigmatizar o Pereira Lima criar
  148. aquilo que o que o professor Fela fala, ele fala
  149. que o preso traduzido numa linguagem científica.
  150. Se essa tradução criou um indivíduo perigoso, o indivíduo sem
  151. capacidade de cura e fez com que ele ficasse cada
  152. vez mais tempo preso dentro da penitenciária, Então o estudo
  153. os mecanismos de punição que foram aplicados a ele dentro
  154. do período em que ele esteve preso nos pronto anos,
  155. não só dele como de outros presos.
  156. É bastante comum a gente encontrar transferências desses presos ou
  157. para a ilha correr para a Ilha Anchieta, no Instituto
  158. Correcional da Ilha Anchieta, que era conhecido como um lugar
  159. de punição.
  160. Inclusive era uma fala dos próprios presos e também as
  161. transferências dentro dessas fábricas, as fábricas que funcionavam no interior
  162. da penitenciária, tudo indica que essas fábricas também funcionavam como
  163. uma forma de punição.
  164. Então, se um determinado preso ele tivesse um tipo específico
  165. de comportamento, ele poderia regredir de uma fábrica para outra,
  166. porque o sistema penitenciário, ele trabalhava com o regime de
  167. progressão e esse preso eles ele era transferido com Delia.
  168. Progredindo, ele saia de uma fábrica e era transferido para
  169. outra quando ele comete um determinado ato de indisciplina.
  170. Enfim, essas indisciplinas variavam muito desde conversar com os presos
  171. dentro durante o trabalho ou até mesmo levar algum objeto
  172. da oficina para o para a cela, variava muito tipo
  173. de punição que ele recebia.
  174. Então, por exemplo, analisando esses pronto anos,é bastante provável
  175. que essas oficinas elas também tenham funcionado como uma forma
  176. de punição.
  177. Por exemplo, a vassoura Maria Elaé bastante apontada como
  178. um local de um trabalho muito pesado em um local
  179. destinado a presos que eram tratados por mau comportamento dentro
  180. dessas oficinas.
  181. É muito comum a ideia do silêncio.
  182. Eles pediam para que os presos não se comunicasse, inclusive
  183. se eles falassem entre si.
  184. Já era uma forma de tirar as regalias que ele
  185. recebia ao longo do processo, do progresso, da sua pena.
  186. Outra oficina que nós vamos ter vai ser a fábrica
  187. de calçados, por mais que eles estivessem recebendo também uma
  188. profissão, ainda assim, essas oficinas, elas eram destinadas a pessoas
  189. de mau comportamento.
  190. A encadernação também aparece com bastante frequência.
  191. Por exemplo, quando o preso recebia um determinado castigo.
  192. O próprio diretor da penitenciária ele determinava o regresso para
  193. uma outra oficina solicitava ou maçonaria, ou encadernação, ou a
  194. própria a própria marcenaria, nessas oficinas era muito como uma
  195. ideia doméstica.
  196. Ideia Não há presença do mestre.
  197. Esses mestres realizaram uma representação, obviamente de de poder, de
  198. disciplina, de repressão.
  199. E a marcenaria, que também era, sempre aparece nesses documentos
  200. como uma oficina que traz a ideia punição.
  201. Então, quando o diretor do instituto queria punir um preso,
  202. ele trocava de oficina e ele mudava para essas quatro
  203. oficinas que eu trouxe agora para vocês.
  204. Eu estou trabalhando com essa hipótese.
  205. Tudo indica que além do Instituto Correcional essas oficinas havia
  206. um mecanismo interno de punição dentro da própria penitenciária do
  207. Estado. Por outro lado, nós vamos ter oficinas que vão
  208. aparecer como uma forma de prêmio.
  209. Alfaiataria, por exemplo, aparece nesses prontuários como uma progressão.
  210. Então, um preso de bom comportamento passava por uma outra
  211. oficina ou também a lavoura, a lavoura.
  212. Ela era uma forma de prêmio também.
  213. Ela só era destinado aos presos que estavam no terceiro
  214. estágio da pena, porque ela ocorria do lado de fora
  215. dos muros da penitenciária.
  216. Então, por exemplo, um preso que estava trabalhando na lavoura,
  217. ele dificilmente gostaria de voltar para dentro dos muros da
  218. penitenciária, então ela também era, era tratada como um trabalho
  219. que era privilegiado.
  220. Era destinado alguns e de onde estão tirando essas informações
  221. para trazer essas hipóteses?
  222. Quando eu leio o decreto estadual de vinte e nove
  223. de abril de mil nove, cem, vinte e quatro alguns
  224. artigos, eles traz informações interessantes.
  225. Por exemplo, Artigo dezessete.
  226. Ele vai dizer que os presos eles vão ser separados
  227. por comportamento.
  228. Então cada oficina vai ser destinada a um tipo de
  229. comportamento. E se ele tiver um comportamento bom, ruim, sofrível,
  230. péssimo, ele vai ser transferido para uma outra oficina e
  231. só para encerrar, eu trago a ideia da classificação como
  232. uma forma de movimentação.
  233. O preso classificado de uma determinada maneira, ele vai ser
  234. levado ao trabalho dentro de um determinado de uma determinada
  235. fábrica ou vai ser punido de uma determinada maneira, Então
  236. a classificação serve também como forma de punição.
  237. Está muito obrigada e um abraço para todos