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O Andaime

Portugues
by

Gustavo Chaves

on 6 November 2012

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Transcript of O Andaime

Som morto das águas mansas

Que correm por ter que ser,

Leva não só lembranças-

Mortas, porque hão de morrer. Sou já o morto futuro.

Só um sonho me liga a mim-

O sonho atrasado e obscuro

Do que eu devera ser – muro

Do meu deserto jardim. O Andaime Fernado Pessoa Leve som das águas lentas,

Gulosas da margem ida,

Que lembranças sonolentas

De esperanças nevoentas!

Que sonhos o sonho e a vida! Bom tempo que eu hei sonhado
Quanto ano foi de vida!
Ah, quando do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado! Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão. Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou. Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão. Bom tempo que eu hei sonhado Gastei tudo que não tinha.

Sou mais velho do que sou.

A ilusão, que me mantinha,

Só no palco era rainha:

Despiu-se, e o reino acabou. O andaime A esperança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobre mais que minha esperança,
Rola mais que o meu desejo. Ondas do rio, tão leves
Que não são ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passa-verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer. Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida! Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixou-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido. Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças-
Mortas, porque hão de morrer. Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim-
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser muro
Do meu deserto jardim. Onda passada leve-me
Para o ávido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar. A temática do poema Andaime, debruça-se sobretudo nas figuras de aliteração, descreve a vontade do poeta em atingir vôos para além da imaginação. Como o próprio título do poema indica, propõe - se ao leitor um mundo de sonhos, calmaria, de melancolia ao saudosismo do que não foi supostamente realizado. De um futuro imaginado! Foi só a vida mentida Ah, quando do meu passado Quanto ano foi de vida! O poeta pensa no tempo que viveu de sonhos e nos anos que perdeu imaginando um futuro. Além disso, percebemos que o poeta concluir que a sua vida foi de mentiras Perante a sua vida o poeta questiona - se sobre a sua aparente tranquilidade O poeta esta nas margens de um rio O poeta faz uma analogia entre a água que corre no rio em vão e os aspectos mais sombrios da sua vida O sujeito poético diz de que vale o nosso desejo se temos que esperar por uma oportunidade para realizá - lo. Metáfora A esperança que pouco alcança!

Que desejo vale o ensejo?

E uma bola de criança

Sobre mais que minha esperança,

Rola mais que o meu desejo. O poeta faz uma comparação entre a sua esperança e desejo para alcançar os seus sonhos e uma bola de criança, essa sobe mais alto que a sua esperança e rola mais que o seu desejo. Ondas do rio, tão leves

Que não são ondas sequer,

Horas, dias, anos, breves

Passa-verduras ou neves

Que o mesmo sol faz morrer. Gradação Antítese O poeta continua observando a calma do rio e pensa na brevidade da vida. O poeta sente que está mais velho do que realmente é, na minha opinião isso significa que ele perdeu todas as suas esperanças, sonhos, e um homen só está realmente velho quando deixa de sonhar e de lutar pelos seus objectivos. O poeta retoma novamente as suas lembranças, esperanças e sonhos que só lhe trazem abatimento Ele percebe que a vida é um sonho O poeta deseja a morte como um meio para evadir - se dessa realidade de frustração Que fiz de mim? Encontrei-me

Quando estava já perdido.

Impaciente deixou-me

Como a um louco que teime

No que lhe foi desmentido. O poeta reflete como pode deixar - se perder assim, deveria ter sido mais confiante em si mesmo. É um momento em que poeta estava perdido no seu "eu", porém encontrou - se, mas não aceitou a realidade encontrada. Novamente descreve o ambiente, com uma diferença, agora cita - o com um tom sombrio e menciona a palavra "morto" Se não há mais objectivos, sem desejos um homem não tem mais motivos para viver, pode morrer... A esperança já perdida apresenta um futuro morto. Ele pensa no que deveria ter sido. Não há mais futuro, pois apenas um sonho era motivo para viver, no entanto, esse sonho não se concretizou e é obscura a possibilidade de vir a ser realizado. Onda passada leve-me

Para o ávido do mar!

Ao que não serei legai-me,

Que cerquei com um andaime

A casa por fabricar. Podemos perceber ao final do poema que o poeta, ainda depois de todas as afirmações de desilusões, frustrações, angústia, ainda vê uma esperança quando estiver junto do mar, como se o mar curasse seu mal Gustavo Chaves Nº4 12 CPTV O andaime é um meio de fazer erguer, para elevar as alturas, as paredes de uma casa. Assim o poeta queria erguer sua própria vida O andaime serão os sonhos e a casa a vida que Pessoa nunca conseguiu erguer em volta dos seus sonhos.
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