Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Carta de Burra

No description
by

Danilo Resendes

on 25 March 2014

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Carta de Burra

Carta de Burra
[1980]

Manutenção
: determina os processos a serem tomados para a perfeita preservação do bem. É importante lembrar que o termo "manutenção" é diferente do "reparação", afinal os processos deste último incluem restauração e reconstrução.

Preservação
: diz respeito à manutenção no estado do bem e o retardamento do processo de degradação.

Restauração
: é a reconstituição do bem em relação à um estado anterior o qual se encontra.


Reconstrução
: é o restabelecimento de um bem com o máximo de exatidão introduzindo-se materiais diferentes, sejam eles novos ou não.

Adaptação
: constiui-se em realocar um determinado bem sem descaracterizar sua significação cultural.

Uso compatível
: designa uma utilização que não mude o significado de uma substância, ou na pior das hipóteses, que as alterações sejam reversíveis ou de impactos reduzidos.
Definições Estabelecidas pela Carta de Burra
Bem
: caracteriza um local, edifício ou conjunto de obras que, de alguma forma, possuem significação cultural para a sociedade. Compreende o bem e o seu entorno;

Significação Cultural
: determina a importância (estética, histórico, científica ou social) de um determinado bem para as gerações passadas, presentes e futuras;

Substância
: conjuntos de materiais que compõem o bem.

Conservação
: determina os cuidados a serem tomados para que as características sejam preservadas ao longo do tempo. Podendo ou não culminar em certos processos de restauração ou até mesmo pequenas obras de reconstrução a fim de cumprir necessidades e/ou exigências práticas.


Preservação
É aplicável quando o estado em que se encontra consegue manter o significado cultural específico.
Limita-se a proteção, manutenção e eventual estabilização da substância, não admitindo técnicas de estabilização que alterem o significado cultural do bem.
Conservação
Procura preservar a significação cultural de um bem, não deturpando o testemunho nele presente.
Preferencialmente as técnicas a serem aplicadas devem ser tradicionais, entretanto, técnicas modernas podem ser empregadas desde que sua eficácia seja garantida.
O processo de conservação exige manutenção do entorno do bem, não sendo aceitas novas edificações no seu espaço circundante ou mesmo demolições, ou seja, todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica.
Reconstrução
A reconstrução deve ser feita somente em condições
sine qua non
de sobrevivência de um bem.
Deve-se levar em conta as características reconhecíveis através de materiais e/ou documentos de forma que as partes reconstruídas possam ser facilmente reconhecidas quando examinadas de perto.
As adaptações devem ser aplicadas quando representem o único meio de preservar a memória do bem de forma a não causar prejuízos sérios à sua significação cultural.
Os elementos retirados para adaptação devem ser conservados para restauração posterior.
Restauração
A restauração só pode ser efetivada se houverem dados que assegurem o estado anterior do bem e se uma eventual restauração seria o melhor meio para a valorização cultural do mesmo.
A restauração pode implicar a reposição de elementos desagregados ou a retirada de acréscimos, de forma que as contribuições de todas as épocas devem ser respeitadas.
Procedimentos
Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis. As transformações do aspecto deste bem devem ser precedidas da elaboração de documentos que perpetuem esse aspecto.
Ações para preservação devem ser justificadas com documentação de apoio.
Um diário deve ser mantido, onde serão documentadas as eventuais novidades e decisões tomadas. Todos os documentos devem ser guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público.
Carta de Florença
[1981]

Definições e Objetivos
Jardim Histórico é uma composição arquitetônica vegetal que apresenta um interesse público e pode ser considerado um monumento.
Por ser um Monumento Vivo, requere-se regras peculiares, especificadas nessa carta.
Podem ser considerados Jardins Históricos composições vegetais de diferentes escalas desde que expressem as relações estabelecidas ao longo do tempo pela sociedade e a natureza, dando o testemunho de uma cultura, de um estilo, de uma época e, eventualmente, da originalidade de um criador.
Um Jardim Histórico não pode ser separado de seu próprio meio.
A proteção dos mesmos exige que eles sejam identificados e inventariados. Impõe intervenções diferenciadas: manutenção, conservação, restauração e reconstituição.

Elementos que compõem a composição arquitetônica do jardim histórico
• seu plano e os diferentes perfis do seu terreno;
• suas massas vegetais: suas essências, seus volumes, seu jogo de cor, seus espaçamentos, suas alturas respectivas;
• seus elementos construídos ou decorativos;
• as águas moventes ou dormentes.
Manutenção, conservação, restauração e reconstituição
Qualquer operação dentro de um Jardim Histórico deve considerar simultaneamente todos os seus elementos.
A manutenção é uma operação primordial para o perfeito aspecto dos jardins e, portanto, deve ser contínua.
Os elementos de arquitetura, escultura ou decoração, que fazem parte do jardim histórico, não devem ser retirados ou deslocados. A substituição ou restauração de elementos em perigo devem ser feitas conforme os princípios da Carta de Veneza.
Qualquer alteração do ambiente onde se encontra o jardim que possa provocar algum tipo de alteração em seu equilíbrio ecológico deve ser proibida.
Restauração e Reconstituição
Para qualquer tipo de restauração, de qualquer escala, deve ser feito um estudo profundo analisando seus possíveis impactos e posteriormente, analisado por uma equipe de especialistas.
A intervenção de restauração deve respeitar a evolução do respectivo jardim, ela não deve privilegiar uma época à custa de outra.
Utilização
Todo jardim histórico é destinado a ser visto e percorrido, assim o acesso a ele deve ser moderado até mesmo por conta da manutenção frequente.
O jardim histórico é um lugar tranquilo, que favorece o contato, o silêncio e a escuta da natureza.
A retirada de eventuais muros não poderia ser empreendida sem levar em consideração as consequências prejudiciais que a ambiência e proteção que o jardim sofreria.
Proteção Legal e Administrativa
Cabe às autoridades responsáveis adotar as disposições legais e administrativas apropriadas a identificar, inventariar e proteger os jardins históricos, bem como assumir as disposições financeiras adequadas a favorecer a manutenção, conservação, restauração e, eventualmente, a reconstituição dos jardins históricos.
A equipe que tomará conta dos jardins históricos deve ser capacitada de forma a responder aos cuidados que esse bem necessita.
O interesse pelo jardim histórico deve ser desenvolvido através de ações que também o valorizem e o tornem mais conhecido.
Técnicas Retrospectivas
Hélio Hirao

Discentes:
Ana Flávia Gomes
Ananda Soares Rosa
Cláudia Mayumi Takai
Danilo Gomes Resendes
Jardim das Cactáceas (Praça Euclides da Cunha)
O Jardim das Cactáceas, hoje denominado Praça Euclides da Cunha, foi projetado por Burle Marx, na cidade do Recife, em 1934. A concepção do paisagista é de um jardim ecológico e educativo de plantas do sertão nordestino, recriado na subzona litorânea da zona da mata, que se manteve íntegro por mais de quarenta anos, se tornando, assim, o exemplar de jardim moderno brasileiro, que traz em si a história de um povo e a compreensão de um ecossistema.
Com o tempo, a falta de manutenção adequada, principalmente da vegetação das cactáceas no núcleo central fez com que as espécies vegetais fossem desaparecendo, fazendo surgir espontaneamente algumas outras espécies vegetais. Por conta de sua localização em que exerce a função de uma rotatória, a praça está exposta a um intenso fluxo de veículos no entorno, o que também compromete seu uso.

Jardim das Cactáceas (Praça Euclides da Cunha)
Praça Euclides da Cunha – perfil da vegetação do projeto.
Detalhe para as árvores invasoras no lugar das cactáceas e a drenagem deficiente da praça.
O projeto de restauração resulta de um trabalho conjunto do Laboratório da Paisagem da UFPE com a Prefeitura do Recife, a qual decidiu empreender esforços para concretizar um compromisso histórico com a conservação da paisagem do Recife. Foi conduzido nos moldes na
Carta de Florença de 1981
, com base em estudos de fotografias do fim da década de 30, e privilegia seu futuro reconhecimento como jardim histórico, em que está implícita a conservação de sua paisagem e salvaguarda como monumento vivo.
Jardim da Casa de Rui Barbosa
O jardim que emolda a Casa de Rui Barbosa localiza-se no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro. A casa e o jardim formam um importante conjunto arquitetônico que, por seu valor histórico e artístico, é protegido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1938. A área é constituída por um conjunto de bens culturais em que se integram elementos paisagísticos a outros de valor arquitetônico, escultórico ou ornamental, o que a caracteriza como um jardim histórico, conforme definição da Carta de Florença.

Jardim da Casa de Rui Barbosa
Jardim da Casa de Rui Barbosa.
Jardim da Casa de Rui Barbosa.
O Jardim é um dos poucos espaços verdes e públicos do bairro e é bastante frequentado. Por isso a preocupação da equipe ao elaborar o Projeto de Restauração e Revitalização do Jardim da Casa de Rui Barbosa foi a de preservar esse ambiente doméstico, e ao mesmo tempo adequá-lo às necessidades de um espaço destinado ao uso público. As medidas propostas de restauração procuraram recuperar a beleza dos elementos que foram integrados ao jardim ao longo de sua história, como as estátuas e as luminárias, respeitando suas estratificações e sem privilégio de nenhum.
Projetos Relacionados à Carta de Florença
O caso do sobrado do antigo Hotel Pilão
O antigo Hotel Pilão era um edifício que ficava localizado no centro de Ouro Preto/ MG, em volta da Praça Tiradentes. Em abril de 2003 o edifício foi vítima de um incêndio de grandes proporções iniciado em seu interior. As paredes de taipa de Pilão cederam rapidamente ao fogo e quase tudo foi destruído. Na época funcionavam ali duas joalherias e uma farmácia.
A discussão envolvia várias instâncias gerenciadoras do poder público, o Governo Municipal e o Estadual, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, além da população e dos donos do imóvel que pretendiam construir ali um novo hotel antes do incêndio.
Após grandes debates o IPHAN concordou com a reconstrução do bem histórico
. Se analisarmos o artigo 18 da Carta de Burra (1980), poderíamos questionar a decisão tomada, já que “a reconstrução [...] não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem”. Porém, não podemos esquecer que
o tombamento de Ouro Preto é constituído por um tombamento de conjunto e não por tombamentos isolados. Ouro Preto é um sítio histórico desde 1938
.
O caso do sobrado do antigo Hotel Pilão
Imagens do antigo Hotel Pilão durante o incêndio.
Hotel Pilão após o processo de reconstrução.
Se levarmos em consideração ainda a mesma Carta, encontraremos a resposta para a aprovação da reconstrução do antigo Hotel. O artigo 17 da carta diz que “a reconstrução deve ser efetivada quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significância cultural perdida” (CARTA DE BURRA, 1980)
. E esta perda significativa fica expressa pelo teor das manifestações da população a respeito do incêndio e da morosidade do processo para a recuperação não só do sobrado, mas do conjunto urbano perdido.
Centro Histórico de Salvador
O processo de abandono do Centro Antigo de Salvador pelas classes dominantes e, consequentemente, pelo poder público, ocasionado pelo crescimento da cidade, foi aos poucos mudando as características da área. Entre os anos de 1938 e 1945 o IPHAN tombou diversos monumentos, porém de forma isolada, o que não garantiu a força necessária para impedir a degradação da área. Em 1985 o Centro Histórico de Salvador foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
No seu projeto de restauração, no que se referem ao conjunto arquitetônico, os imóveis foram dotados de infraestrutura, antes inexistentes e as fachadas passaram por intervenções. Porém, no que diz respeito aos usos e ocupações, itens relacionados à preservação do patrimônio imaterial, considerado de grande importância quando da sua inscrição na Lista do Patrimônio Mundial, com o andamento do projeto, deixaram de ser considerados.
Centro Histórico de Salvador
Projetos Relacionados à Carta de Burra
Referências
CARTA DE BURRA, 1980. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=251; Acessado em 16.03.2014 às 18:14

CARTA DE FLORENÇA, 1981. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=252; Acessado em 16.03.2014 às 18:16

CARNEIRO, A. R. S. O jardim moderno de Burle Marx: um patrimônio na paisagem do Recife. Disponível em: https://attachment.fbsbx.com/file_download.php?id=64948050178465
9&eid=AStMjOAwxzgskakPgSHc3A6uMZ5ijoyod6klsW4PX58Ky63kCrBEJmN61SM6DKTmviY&inline=1&ext=1395313054&hash=ASvPMC1-JwZlGlYa. Acessado em: 20/03/2014

PESSOA, A. Histórias de um jardim: de chácara a bem cultural. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/o-z/FCRB_AnaPessoa_Historias_de_um_jardim.pdf. Acessado em: 20/03/2014

COSTA, D. M. Restauro ou Cenografia? A Reconstrução como instrumento de Preservação do Patrimônio Histórico. Disponível em: http://www.todopatrimonio.com/pdf/cicop2010/1
13_Actas_Cicop2010.pdf. Acessado em: 20/03/2014

BRAGA, P. M. O Programa de Recuperação do Centro Histórico de Salvador e as lições das Cartas Patrimoniais. Disponível em: http://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/
09.107/59. Acessado em: 24/13/2014

O resultado, a exemplo de outras intervenções similares, foi a tendência à gentrificação, o que implicou na retirada de famílias residentes da área, na transformação do patrimônio em objeto de consumo cultural de massa e no tratamento do Pelourinho de forma destacada do conjunto do Centro Histórico, sem integrá-lo à vida da cidade.
O projeto passou a se contrapor às diretrizes das Cartas Patrimoniais aqui citadas
.
Assim como indicado pelas Cartas, o uso turístico foi privilegiado como âncora para a recuperação do Centro Histórico de Salvador e o projeto desenvolvido pretendeu em suas intenções atender às recomendações da Unesco. Mas a falta de controle da atividade, como é indicada pelas Cartas Patrimoniais, levou à supervalorização do turismo no Centro Histórico de Salvador, impossibilitando o estabelecimento de interfaces entre o valor comercial e turístico da área e a função social que ela representa o que levou a mudanças de usos na área e os novos usos implantados estavam relacionados a atividades turísticas de alta renda (bares, restaurantes, lojas, artesanatos, jóias), substituindo os usos tradicionais anteriores.
Centro Histórico de Salvador
Com isso, a população local de baixa renda, transferida para outras áreas, foi substituída pelo visitante sazonal de alta renda, gerando a mudança do quadro populacional e de renda.
Com a saída da população, houve uma mudança das características culturais da área, comprometendo-se seu caráter singular, um dos itens a justificar o tombamento, já que o visitante não tem raízes ou ligação cultural e afetiva com a área
. O turismo foi colocado acima das questões sociais e a função social, essencial ao patrimônio cultural, foi aos poucos se perdendo.
Full transcript