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Formas e Expressão nas Artes Africanas: Artes Plásticas - A Máscara enquanto obra de arte

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Rosane Cantanhede

on 12 May 2016

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Transcript of Formas e Expressão nas Artes Africanas: Artes Plásticas - A Máscara enquanto obra de arte

Formas e Expressão nas Artes Africanas:
Artes Plásticas - A máscara enquanto obra de arte
por Ola Balogun

O escultor de máscaras
Máscara de rosto e cabeça Géléde
(Nigéria do sul)
A máscara enquanto obra de arte
Máscaras Bakwélé
Este exemplar da máscara Bakwélé em forma de coração pertence ao British Museum:
apresenta-se sob a forma de um coração perfeito, inscrito numa oval maior e interrompido ao meio por um triângulo alto e estreito. Os lábios são representados por uma linha curva, situada na base do coração. O rosto é constituído por dois lóbulos ovais que se encontram numa depressão central, situada no ponto de junção das sobrancelhas, sendo o nariz representado por uma longa linha reta que desce até o meio da máscara, separando os dois lóbulos.
Características no uso das máscaras
Máscaras de rosto:
em sua maioria só tapam o rosto, mas são, regra geral, completadas por um pano de ráfia ou um pedaço de tecido que cobre o resto da cabeça;
apresentam abstrações plásticas.
Máscaras-elmos:
cobrem todo o rosto ou a cabeça, são tridimensionais e frequentemente tipo "janus" (de dupla face);
apresentam-se muitas vezes como uma representação naturalista do rosto humano;
o escultor que executa esse tipo de máscara faz uso do couro de antílope para dar a ilusão da pele humana, utilizando pedras ou pedaços de ossos para representar os olhos e dentes.
Significado por detrás das máscaras:
A máscara é considerada a manifestação material de uma força inacessível;
o papel essencial da máscara (e do trage em geral), consiste em sugerir e em provar a presença do sobrenatural;
a máscara encarna o que está para além do humano;
o portador da máscara é o veículo entre esses dois planos e distingue-se dos outros seres através de
símbolos
que mostrem enquanto o ritual durar, que ele deixou de ser um homem para se tornar um avatar da divindade ou antepassado, cuja presença é invocada.
Por vezes o traje cobre o portador de máscara da cabeça aos pés, outras vezes constitui-se de um traço de tinta no corpo ou no rosto. Todos esses símbolos procedem de uma convenção revestida de significado.

"Mas isso pode ir desde a sugestão mais sutil, evocada por uma linha branca pintada no corpo, até aos trajes e às máscaras mais elaboradas que procuram reproduzir o aspecto de um animal particular ou o aspecto, meramente imaginário, de um ser sobrenatural." (p.49)
Máscaras Baulé
(Costa do Marfim)
As máscaras Baulé reproduzem feições humanas em estilo naturalista, associando estilização e expressões em feições que emitem certa doçura e até mesmo melancolia; exibem proporções entre as partes do rosto que é constituido por uma superfície ligeiramente arredondada em forma de coração. Geralmente representam divindades femininas, ou, simplesmente mulheres.

"O estilo naturalista das máscaras de rosto "Baulé", conjuntamente com a forma de coração dada a sua face interna, é uma característica corrente em certas máscaras "Ibo" e "Ibibio" (Nigéria", assim como nas que são originárias de certos grupos da África Central, e, nomeadamente, os Fang, os Bapunu e os Balumbo." (BALOGUN, 1977:56)
O artista não procura realizar a priori um trabalho abstrato, nem dar uma interpretação intelectual das formas naturais.
O estilo provém do fato de sua forma ter sido concebida a fim de sugerir e de representar, e não reproduzir.
O estilo não é imposto pela técnica, mas nasce de um sistema de crenças e do quadro conceitual no qual ele vive e trabalha.
O escultor procura alcançar uma essência oculta e não uma aparência externa.
É livre para representar a dividade mas deve permanecer fiel as regras e convenções artísticas locais.
O artista segue a uma tradição ao qual põe a sua arte.

O artista deve garantir que suas obras, ainda que abstratas, sejam compreendidas por todos.
A máscara é produto de grande habilidade técnica e realizada por artistas especializados.
Os artistas buscam por uma simplificação plástica a partir das formas da natureza.
Há uma busca pela essencia e pela síntese da estrutura da forma.
"A escultura, quer em madeira quer em materiais mais resistentes como a pedra, o marfim ou o osso, é um dos pilares da arte africana, ao mesmo tempo que constitui o meio que mais largamente contribuiu para o seu conhecimento no estrangeiro." (p. 46)

Na maioria das sociedades africanas, a vida religiosa da comunidade caracteriza-se pelo culto ativo de espíritos, de deuses, e dos antepassados.
Partem da crença em um Deus supremo e abaixo deste, espíritos e deuses que, através dos rituais, intercedem a seu favor junto ao poder Superior e as forças da Natureza na solução dos problemas cotidianos.

As cerimonias mascaradas procedem, regra geral, de um ritual destinado a invocar estes deuses ou a estabelecer uma comunicação entre eles e o grupo, e, ao mesmo tempo, lembrar aos seus membros os laços que os unem às forças não humanas do universo. (p.48)

Máscara Gueledé
s/d, Nigéria, madeira
acervo Museu Afro Brasil
As formas da arte africana possuem certas características comuns, mas não de forma única e homogênea.
Do ponto de vista estilístico, a arte africana engloba um certo número de estilos diferentes que, tomados em conjunto ou examinados separadamente, são característicos da África negra.
As formas de arte que se encontram mais freqüentemente em África vão da escultura (madeira, pedra, ferro, bronze, terracota etc) à arquitetura, à música, à dança, aos ritos de caráter dramático, à literatura oral etc.
No presente estudo cada uma destas formas de arte será analisada separadamente e no seu contexto geral.

ARTES PLÁSTICAS
A mascara enquanto obra de arte
Esculturas decorativas
Esculturas em madeira
Estátuas em pedra
Esculturas em terracota
Moldagem em bronze
Escultura em ferro e em ouro
Arquitetura
Cerâmica
Pintura
ARTES DE COMUNICAÇÃO
Drama ritual
ARTE "TRADICIONAL" E ARTE MODERNA
Máscaras Tyi-wara
"A simplificação dos motivos naturais apreendidos conduz muitas vezes o escultor a elaborar uma concepção geométrica do objeto que constitui a fonte de sua inspiração." (BALOGUN, 1977:52)
O artista introduz em sua síntese geométrica elementos rítmicos no domínio da plástica, dentre esses elementos podemos destacar:
simetria, dissimetria;
repetição das linhas (curvas, regulares);
a máscara raramente é constituída por uma superfície plana;

Máscara gabonesa
Máscara Kple
Máscara Ékoï
Algumas máscaras são dotadas de uma dimensão arquitetural, como as Batéké e as Ékoï, sendo que essas últimas apresentam duas faces, "os quais exprimem uma totalidade espacial na qual nenhuma das faces pode ser considerada como a face traseira." (BALOGUN, 1977:53)
Máscara Bambara
As máscaras Bambara (Mali) e Senufo (costa do Mafim), utilizam o espaço tridimensional, sendo que o portador da máscara apresenta-a aos espectadores sob diferentes ângulos.
Máscara Senufo
"Um dos exemplos mais notáveis da escultura africana associa as características das duas formas de máscaras - a máscara de rosto e a máscara de cabeça - na utilização de um espaço a três dimensões. Trata-se das máscaras "Géléde" dos Ioruba (Nigéria do sul), as quais, na maior parte dos casos, recobrem simultâneamente o rosto e a cabeça. O rosto da máscara pode assim oferecer uma representação estilizada (ou naturalista) do rosto humano, ao passo que a cabeça e o cimo podem comportar personagens esculpidos em relevo e representados nas mais diversas atividades (...)" (BALOGUN, 1977:54)
O escultor africano faz uso de ornamentos e motivos geométricos, e formas repetidas, que destacam as partes principais da máscara, como forma de atrair o olhar do espectador.

"Ainda que as máscaras africanas apresentem inúmeros caracteres comuns, alguns elementos estilísticos são específicos de certas regiões ou de certos grupos de tribos. (...) O que torna possível esta distinção é o fato de que, a despeito de sensíveis diferenças de inspiração, o conjunto das tradições estilísticas de um dado grupo de tribos se manifestar, muitas vezes, por traços perfeitamente reconhecíveis, regra que comporta, bem entendido, algumas exceções dignas de nota." (1977:55)
Máscara Ékoï, Nigéria
Referências Bibliográficas:

_
BALOGUN, Ola.
Formas e expressões nas artes africanas.
In: ALPHA, Sow. Introdução à cultura africana. Lisboa: UNESCO/Edições 70, 1977, págs. 37 – 94.
_ Imagens disponíveis em: < http://www.britishmuseum.org/?ref=header> e <http://www.rietberg.ch/en-gb/collection/photo-archive.aspx>
_ Vídeo disponível em: <http://youtu.be/hailQwhA_7U>
_ Balogun, Ola. Disponível em: <http://www.iar.unicamp.br/videoteca/criticas/678.htm>, acesso em: 11/05/2015.
Máscara Bachama, Camarões
As máscaras Bachama, são um exemplo de uma concepção arquitetural do espaço. Nesta escultura podemos observar uma estilização do rosto humano, com destaque para as maçãs do rosto que se tornam estruturas cónicas salientes, cuja parte superior, ligeiramente arredondada, serve de suporte aos olhos, que se inscrevem em um plano horizontal, ao passo que, sob as sobrancelhas, as órbitas são transformadas em superfícies verticais alongadas, dominando os olhos.
Balogun ressalta que, sob a influência direta deste gênero de estilo que veio a desenvolver-se o movimento cubista.
Escultura de Máscaras
"Convém igualmente sublinhar um importante aspecto da escultura de máscaras: é a habilidade com que a pintura é utilizada para valorizar certos elementos de ordem plástica, o que contribui para acentuar o seu efeito. Não devendo a máscara ser vista em repouso, ela é geralmente concebida de modo a que os seus principais elementos ressaltem precisamente quando está em movimento." (BALOGUN, 1977:59)
Ola Balogun
(Nigéria 1945)
Ola Balogun, cineasta e escrito nigeriano, é um dos pioneiros do cinema de seu país, tendo dirigido "A Magia da Nigéria " (1993). Nele, os ritos e lendas ioruba são recuperados como fonte histórica para a compreensão da estrutura da sociedade nigeriana contemporânea. Estudou na Universidade de Dakar (1962-63) e na Universidade de Caen, França (1963-66).

Desde os anos 60, Balogun participou ativamente dos movimentos nacionais de independência, com filmes marcadamente políticos, e foi um dos primeiros a adotar no cinema uma língua indígena (o ioruba). Sua pesquisa da cultura iorubá trouxe-o mesmo até o Brasil, onde realizou, em 1978, "A Deusa Negra ".

Hoje, no entanto, Balogun também parece desanimado com a situação de seu país, onde muitos artistas e intelectuais vêem-se paralisados, em face da repressão. O nome internacionalmente mais conhecido do país, o Nobel de literatura Wole Soyinka, foi forçado a refugiar-se em Paris para escapar à prisão iminente.


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