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Alvaro de Campos, "O que há em mim é sobretudo cansaço"

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Ricardo Alves

on 8 March 2013

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Transcript of Alvaro de Campos, "O que há em mim é sobretudo cansaço"

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo, 
Nem sequer de tudo ou de nada: 
Cansaço assim mesmo, ele mesmo, 
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis, 
As paixões violentas por coisa nenhuma, 
Os amores intensos por o suposto em alguém, 
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço, 
Este cansaço, 
Cansaço. 




Há sem dúvida quem ame o infinito, 
Há sem dúvida quem deseje o impossível, 
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: 
Porque eu amo infinitamente o finito, 
Porque eu desejo impossivelmente o possível, 
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, 
Ou até se não puder ser... 

E o resultado? 
Para eles a vida vivida ou sonhada, 
Para eles o sonho sonhado ou vivido, 
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... 
Para mim só um grande, um profundo, 
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, 

Um supremíssimo cansaço, 
Íssimo, íssimo, íssimo, 
Cansaço... Reflexão conclusiva “O que há em mim é
sobretudo cansaço” Disciplina: Português
Trabalho realizado por:
Ricardo Ribeiro N30,
Pedro Silva N24 Álvaro de Campos Estrofe a estrofe.... 4 partes lógicas:
-O cansaço que o poeta sente
-A origem do cansaço
-A comparação e a própria definição
-A conclusão Tema:O cansaço que há no sujeito poético.
Sente cansaço mas não sabe de onde vem, é um cansaço que não tem uma origem definida nem um motivo concreto. A subtileza das sensações inúteis,   
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,    
Essas coisas todas - 
Essas e o que falta nelas eternamente -;   
Tudo isso faz um cansaço,   
Este cansaço,
Cansaço.   O que há em mim é sobretudo cansaço- 
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.   A origem do cansaço;
Existe uma contradição com a 1ª estrofe.
O “ eu” poético tenta explicar a origem desse cansaço dizendo que é provocado pelas coisas fúteis da vida ,nas paixões fortes por nada, e nos amores intensos. A comparação e a definição;
O sujeito poético estabelece a comparação do seu ideal de vida com três tipos de ideais de vida: (amar o infinito, amar o impossível e não amar nada).
Deseja impossivelmente o possível;
Quer tudo, ou um pouco mais se puder ser ,ou até se não puder ser. Há sem dúvida quem ame o infinito, 
Há sem dúvida quem deseje o impossível, 
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: 
Porque eu amo infinitamente o finito, 
Porque eu desejo impossivelmente o possível, 
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, 
Ou até se não puder ser...  1ª Parte lógica (1ª estrofe) 2ª Parte lógica (2º estrofe) 3ª Parte lógica (3ª estrofe) O resultado para os outros, é a sua vida, o seu sonho ou um misto de tudo e nada.
Para o sujeito é apenas um assumido cansaço. Conclusão;
Apesar do cansaço, o sujeito poético sente uma felicidade por estar cansado porque sabe que esse cansaço se deve à dificuldade em realizar os seus sonhos. E o resultado?   
Para eles a vida vivida ou sonhada,    
Para eles o sonho sonhado ou vivido,   
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,   
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,    
Um supremíssimo cansaço,    
Íssimo, íssimo, íssimo,   
Cansaço... 4ª Parte lógica (4ºestrofe) Desejando o possível e o finito, o sujeito poético desejava-os fora dos limites humanos (procurava sensações brutais).
Enquanto Alberto Caeiro se contentava com as sensações moderadas da Natureza, Álvaro de Campos quis amar tudo de todas as maneiras, ultrapassando os limites impostos aos homens.

A poesia desta fase – a chamada fase intimista – caracteriza-se entre outros aspetos, pela recusa da identificação com os outros, pelo isolamento e pela solidão, pelo cansaço, pelo tédio, pela náusea.
Estando isto presente neste poema, o seu castigo foi o enormíssimo cansaço. Origem do cansaço O poema é constituído por 4 estrofes: uma quadra, uma nona e duas oitavas.

Liberdade métrica.

Ausência de rima. Análise formal do poema A repetição da palavra “cansaço”, palavra que, aliás, está presente no início e no fim do poema, mostra que o
cansaço é o tema fundamental deste poema. Antítese Anáfora. Aliteração do s Anáfora. Paradoxo- reforça o estado
de cansaço e da não aceitação
da sua própria condição. Pergunta retórica Anáfora Interjeição Repetição Ironia mostrando-se resignado
ao fracasso Hipérbole- utilização do grau superlativo absoluto sintético para marcar o exagero. Expressividade dos vv. 23 e 24, que além de conterem a anáfora, são ainda enriquecidos com o quiasmo e o pleonasmo:


“vida vivida ou sonhada”



“sonho sonhado ou vivido” Características do poema
O poema é escrito maioritariamente no presente do indicativo ,porque o sujeito poético fala de si próprio, mas também recorre ao presente do conjuntivo (“ame/deseje”) para descrever os outros (outros estes que são as outras pessoas que viviam sem tédio). Com a leitura do poema concluímos que o fracasso é realmente angustiante e, ainda mais, quando se trata no fracasso de coisas que idealizámos. Quando sentimos que nada do que desejamos se concretiza, percebemos que a vida não é assim tão bela, que nos pode “cansar”. Esse cansaço pode elevar-se a outro patamar, pode mesmo levar-nos à loucura, à náusea, a uma tristeza extrema e a pensarmos que não temos capacidade para encarar a vida. Contudo, por mais que nos sintamos angustiados, não devemos desistir de nada, nem nos afastarmos de tudo e de todos, recolhendo-nos apenas ao nosso mundo interior. FIM
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