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O método cartográfico: Processualidade e território na pesqu

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Murilo Cavagnoli

on 12 August 2015

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Transcript of O método cartográfico: Processualidade e território na pesqu

O método cartográfico: Processualidade e território na pesquisa em psicologia.
Prof. Me. Murilo Cavagnoli

O método cartográfico:
Cartografar é acompanhar processos:
Cartografar é habitar um território existencial:
A subjetividade:
Surge de propostas construtivistas advindas da esquizoanálise e da filosofia da diferença.

Ênfase nos processos de subjetivação e nas relações.

pesquisar não é necessariamente interpretar o mundo, nem compreender a realidade, trata-se de produzir o mundo, construir realidades.

pesquisar é acompanhar processos (Kastrup, 2000), a experiência de produzir conhecimento no mundo da experiência vivida.

Para Deleuze e Guattari a subjetividade é uma trama que não está dada, mas que está em composição contínua com diferentes arranjos, sendo assim, ela não está na ordem do “identificado” como uma espécie de moldura formatada e fixada que leva à padronização do indivíduo ser conhecida e reconhecida

(...) na heterogeneidade dos componentes que concorrem para a produção de subjetividade, já que encontramos aí: 1-componentes semiológicos que se manifestam através da família, da educação, do meio ambiente, da religião, da arte, do esporte; 2-elementos fabricados pela indústria dos mídias, do cinema, etc; 3-dimensões semiológicas a-significantes colocando em jogo máquinas informacionais de signos funcionando paralelamente ou independentemente, pelo fato de produzirem e veicularem significações e denotações que escapam então às axiomáticas propriamente lingüísticas. (GUATTARI, F. 1992, p.14)

“A subjetivação é ... o nome que se pode dar aos efeitos da composição e da recomposição de forças, práticas e relações que tentam transformar – ou operam paratransformar – o ser humano em variadas formas desujeito, ...” (Rose, 2001, p. 143).

“a interioridade se instaura no cruzamento de múltiplos componentes re­lativamente autônomos uns em relação aos outros e, se for o caso, francamente discordantes.” (2006, p.17)

a pesquisa cartográfica consiste no acompanhamento de processos inventivos e de produção de subjetividades, e não na representação de objetos.

Sempre que o cartógrafo entra em campo há processos em curso. A pesquisa de campo requer a habitação de um território que, em princípio, ele não habita. Nesta medida, a cartografia se aproxima da pesquisa etnográfica e lança mão da observação participante.


a cartografia não visa isolar o objeto de suas articulações históricas nem de suas conexões com o mundo. Ao contrário, o objetivo da cartografia é justamente desenhar a rede de forças à qual o objeto ou fenômeno em questão se encontra conectado, dando conta de suas modulações e de seu movimento permanente. Para isso é preciso, num certo nível, se deixar levar por esse campo coletivo de forças. (BARROS E KASTRUP, 2009, p.57)


Concentração sem focalização/ Atenção flutuante/ Atenção aberta...

Agenciamentos: Vivenciar os agenciamentos dos processos já em funcionamento e experimentar novos;
Agenciamento é conexão - "entre dois". O agenciamento é uma relação de cofuncionamento,

a existência se mostra indissociável de agenciamentos variáveis e remanejáveis que não cessam de produzi-la.

Podem Oscilar:
Por um lado - nas instituições e nas formações molares -> tendem a reduzir o campo de experimentação de seu desejo a uma divisão preestabelecida. Esse é o pólo estrato dos agenciamentos (que são então considerados "molares").
Mas, por outro lado, a maneira como o indivíduo investe e participa da reprodução desses agenciamentos sociais depende de agenciamentos locais, "moleculares", nos quais ele próprio é apanhado, seja porque, limitando-se a efetuar as formas socialmente disponíveis, a modelar sua existência segundo os códigos em vigor, ele aí introduz sua pequena irregularidade, seja porque procede à elaboração involuntária e tateante de agenciamentos próprios que "decodificam" ou "fazem fugir" o agenciamento estratificado - Singularização/criação. (ZOURABICHVILI, 2004, p.09)
o indivíduo por sua vez não é uma forma originária evoluindo no mundo como em um cenário exterior ou um conjunto de dados aos quais ele se contentaria em reagir: ele só se constitui ao se agenciar, ele só existe tomado de imediato em agenciamentos. Pois seu campo de experiência oscila entre sua projeção em formas de comportamento e de pensamento preconcebidas (por conseguinte, sociais) e sua exibição num plano de imanência onde seu devir não se separa mais das linhas de fuga ou transversais que ele traça em meio às "coisas", liberando seu poder de afecção e justamente com isso voltando à posse de sua potência de sentir e pensar. (ZOURABICHVILI, 2004, p.09)
Processualidade:
"Quando tem início uma pesquisa cujo objetivo é a investigação de processos de produção de subjetividade, já há, na maioria das vezes, um processo em curso. Nessa medida, o cartógrafo se encontra sempre na situação paradoxal de começar pelo meio, entre pulsações. Isso acontece não apenas porque o momento presente carrega uma história anterior, mas também porque o próprio território presente é portador de uma espessura processual." (BARROS E KASTRUP, 2009, p.59)

"A espessura processual é tudo aquilo que impede que o território seja um meio ambiente composto de formas a serem representadas ou de informações a serem oletadas. Em outras palavras, o território espesso contrasta com o meio informacional raso." (BARROS E KASTRUP, 2009, p.59)
evitar que predomine a busca de informação para que então o cartógrafopossa abrir-se ao encontro
O objeto-processo requer uma pesquisa igualmente processual e a processualidade está presente em todos os momentos - na coleta, na análise, na discussão dos dados e também, como veremos, na escrita dos textos. (Carater construtivista)
Começando pelo meio:
O que acontece no campo a ser pesquisado?
Que ações são estas?
Que referenciais teóricos podem ser instrumentos nesta pesquisa?
Que autores e conceitos podem nos ajudar na reflexão e na construção de um texto?
Como encaminhar a pesquisa?

conhecer o que se faz através do modo que é feito.
Acompar de perto as atividades do Rede, lendo o material produzido, fazendo visitas aos diferentes locais, assim
como entrevistas individuais e em grupo. Enfim, produzindo junto um material - fazendo cartografia.

Ver exemplo: página 64.
O diário de campo: como fazer?
a escrita do relato não deve ser um mero registro de informações que se julga importantes.


Importância de se garantir a polifonia no texto: A polifonia do texto (Bahktin, 1990; 2003) é sempre um objetivo
e também um desafio, comparecendo de diferentes modos. Diz repeito a multiplicidade de vozes, onde participantes e autores de textos teóricos entram em agenciamento coletivo de enunciação (Deleuze
e Guattari, 1977).
Importância de garantir e preservar a dimensão de Heterogênese própria aos processos de subjetivação.

Não sobrepor a interpretação a novidade.

O acompanhamento dos processos exige também a produção coletiva do conhecimento.
Há um coletivo se fazendo com a pesquisa, há uma pesquisa se fazendo com o coletivo.
se apropria de uma palavra do campo da Geografia – Cartografia para referir-se ao traçado de mapas processuais de um território existencial. Um território desse tipo é coletivo, porque é relacional; é político, porque envolve interações entre forças; tem a ver com uma ética, porque parte de um conjunto de critérios e referências para existir; e tem a ver com uma estética, porque é através dela que se dá forma a esse conjunto, constituindo um modo de expressão para as relações, uma maneira de dar forma ao próprio território existencial. Por isso, pode-se dizer que a cartografia é um estudo das relações de forças que compõem um campo específico de experiências. (Farina, 2008, p.9)

Sujeito e objeto são co-emergentes do processo de pesquisar, são efeitos, e não condição da atividade cognitiva

A cartografia para Deleuze: (Farina, 2008)
Para Deleuze e Guattari (1994):
“O mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões , desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantes. Ele pode ser rasgado, revertido, adaptar-se a montagens de qualquer natureza, ser preparado por um indivíduo, um grupo, uma formação social” (p.22)

“Trata-se do modelo que não para de se estranhar, e do processo que não para de se alongar, de romper-se e de retomar” (p.32)

“Se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontável, conectável, reversível, modificável, com multiplas entradas e saída, com suas linhas de fuga.” (p.33)

O que é um território existencial?
“Os seres humanos 'fazem sua própria geografia’ não menos do que ‘fazem sua própria
história’. Isto significa que as configurações espaciais de uma vida social são uma questão de importância tão fundamental para uma teoria social como as dimensões da temporalidade e, como já enfatizei com freqüência, para muitos fins é conveniente pensar
em termos de um espaço-tempo ao invés de tratar tempo e espaço separadamente”. (RECLUS, 1985:57)

As mutações podem se fazer por rupturas em um sistema, mais do que por ruputuras em um significado: "Considere-se um só e mesmo enunciado: "Eu juro!". Não é o mesmo enunciado se for dito por uma criança diante de seu pai, por um apaixonado diante de sua amada, por uma testemunha diante de um tribunal. É como se fossem três sequências" (Deleuze e Guattari, 1980b, p.37)
O território pode ser relativo tanto a um espaço vivido, quanto a um sistema percebido no seio da qual um sujeito se sente “em casa”. O território é sinônimo de apropriação, de subjetivação fechada sobre si mesma. Ele é o conjunto de projetos e representações nos quais vai desembocar, pragmaticamente, toda uma série de comportamentos, de investimentos, nos tempos e nos espaços sociais, culturais, estéticos, cognitivos (GUATTARI e ROLNIK, 1986:323).
"Cada meio é um bloco de espaço-tempo constituído pela repetição periódica de seus componentes" (Deleuze e Guattari, 1998, p.118)

Mapear estes componentes, compreender as relações, entender a relação entre a ordem molar e as experiências moleculares que o compõe, é o trabalho da cartografia!
Habitar um território: receptividade afetiva
como emoção que engaja:
"Segundo a perspectiva cartográfica, a construção de um território existencial não nos coloca de modo hierárquico diante do objeto, como um obstáculo a ser enfrentado (conhecer = dominar, objeto = o que objeta, o que obstaculiza)." ALVAREZ E PASSOS, 2009, p.135)

"Não se trata, portanto, de uma pesquisa sobre algo, mas uma pesquisa com alguém
ou algo. Cartografar é sempre compor com o território existencial, engajando-se nele." ALVAREZ E PASSOS, 2009, p.135)

Exige disponibilidade para a experiênica: ver exemplo p. 136/7 - "Aprender a
capoeira é constituir-se no território existencial do capoeirista." (ALVAREZ E PASSOS, 2009, p.137)

"Repetir e habitar certa forma de experiência pode não te cristalizar em formas automáticas, mas ao contrário permitir um acesso engajado à experiência que se quer investigar." (ALVAREZ E PASSOS, 2009, p.141)

Experiência de construir um território
exige um saber "com" e não "sobre":
É possível conhecer sem se colocar na posição do "saber
sobre"?
O "saber sobre" afirma um paradigma epistemológico ou uma política cognitiva (Kastrup, Tedesco e Passos, 2008) que busca controlar o objeto de estudo em sua manifestação presente e futura, valendo-se de modelos explicativos que contam com uma repetição no futuro determinada por regras gerais.


a "saber com", diferentemente, aprende com os eventos à medida que os acompanha e reconhece neles suas singularidades.
Compreende de modo encarnado que, mais importante que o evento em geral, é a singularidade deste ou daquele evento. Ao invés de controlá-los, os aprendizes-cartógrafos agenciam-se a eles, incluindo-se em sua paisagem, acompanhando os seus ritmos.
Referências:
ALVAREZ, J.; PASSOS, E. Cartografar é habitar um território existencial. In: PASSOS, E.;KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. (Orgs.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009. p.131-49.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs 1. São Paulo: Ed. 34, 1995.

Guattari, F. As três ecologias, Papirus, 2006.

Guattari, F. Caosmose: para um novo paradigma estético. Editora 34, 2008.

POZZANA, L.; KASTRUP, V. Cartografar é acompanhar processos. In: PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. (Orgs.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009. p.52-75.

ZOURABICHVILI, F. O vocabulário de Deleuze. UNICAMP, 2004.


A dissolução do ponto de vista do observador:
(Passos e Eirado, 2009)
abrir-se para os diversos pontos de vista que habitam uma mesma experiência de realidade, sem que ele se deixe dominar por aqueles que parecerem ser verdadeiros em detrimento de outros que parecem falsos.
Não representa o abandodo da posição de observador


Adoção de um olhar que não separa sujeito e objeto, por considerar a co-emergência de sujeito e mundo.
Crítica ao cientificismo

Implicação

Tranversalidade
cruzamento das várias forças que vão se produzindo a partir dos encontros entre os diferentes nós de uma rede de enunciação da qual emerge, como seu efeito, um mundo que pode ser compartilhado pelos sujeitos.
a posição paradoxal do cartógrafo corresponde à pos-
sibilidade de habitar a experiência sem estar amarrado a nenhum ponto de vista e, por isso, sua tarefa principal é dissolver o pontde vista do observador sem, no entanto, anular a observação.
Indissociabilidade etre:

Pesquisa e intervenção

Identidade e diferença

Experiência e performance.
O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo:
No que prestar atenção?

Política cognitiva realista x política
cognitiva contrutivista
"ao efetuar a seleção e seguir suas expectativas, estará arriscado a nunca descobrir nada além do que já
sabe; e, se seguir as inclinações, certamente falsificará o que possa perceber"(Freud, 1912/1969, p.150). (ver exemplo p.38)
A atenção se desdobra na qualidade de encontro, de
acolhimento. As experiências vão então ocorrendo, muitas vezes
fragmentadas e sem sentido imediato. Pontas de presente, mo-
vimentos emergentes, signos que indicam que algo acontece, que
há uma processualidade em curso.
O rastreio:
Varredura do campo

O objetivo é atingir uma atenção movente,
imediata e rente ao objeto-processo, cujas características se aproximam da percepção háptica.
Recorte figura -fundo (hierarquizado)

X

Conexão lado a lado
a atenção do cartógrafo realiza uma exploração
assistemática do terreno, com movimentos mais ou menos alea-
tórios de passe e repasse, sem grande preocupação com possíveis
redundâncias. Tudo caminha até que a atenção, numa atitude de
ativa receptividade, é tocada por algo.
O toque
Algo acontece e exige atenção concentrada.

O que é notado pode tornar-se fonte de dispersão, mas também de alerta. Algo se destaca e ganha relevo no conjunto, em princípio homogêneo, de elementos observados.
O que se destaca não é homogêneo, mas heterogêneo.
A atenção do cartógrafo é capturada de modo involuntário, quase reflexo, mas não se sabe ainda do que se trata.
O Pouso:
indica que a percepção, seja ela visual,
auditiva ou outra, realiza uma parada e o campo se fecha, numa espécie de zoom. Um novo território se forma, o campo de observação se reconfigura. A atenção muda de escala.
em cada momento na dinâmica atencional é todo o território de observação que se reconfigura.
O reconhecimento atento:
Retorno ao regime de recognição.
Bergson afirma que o reconhecimento atento tem como característica nos reconduzir ao objeto para destacar seus contornos singulares. A percepção é lançada para imagens do passado conservadas na memória, ao contrário do que ocorre no reconhecimento automático, em que ela é lançada para a ação futura.
Exaltação da memória involuntária.
Trabalho de construção: A percepção não segue um caminho
associativo operando por adições sucessivas e lineares. Através da
atenção, ela aciona circuitos, se afastando do presente em busca
de imagens e sendo novamente relançada à imagem atual, que
progressivamente se transforma. O tecido da memória comporta
um folheado, assim como o do objeto, que se refaz a cada instante.
Rizoma e multiplicidade
Muitas plantas, como o gengibre e o bambu, apresentam caules subterrâneos que têm, basicamente, duas funções: servir como reserva de alimento e como mecanismo de reprodução assexuada. Tais caules são denominados pelos botânicos de “rizomas”
De um ponto do rizoma podem brotar folhas e raízes e desenvolver-se uma nova planta, ligada à primeira. Após algum tempo, resulta uma verdadeira rede de indivíduos interligados, que formam ao mesmo tempo um organismo único. Cada indivíduo faz parte do organismo, mas, ao mesmo tempo, tem existência autônoma.
Molar e molecular
O método cartográfico é rizomático:
A condição deste tipo de sistema é a complexidade, em que não há um decalque, uma cópia de uma ordem central, mas sim múltiplas conexões que são estabelecidas e restabelecidas a todo o momento, num fluxo constante de desterritorialização e reterritorialização, compondo “redes de autômatos finitos, nos quais a comunicação se faz de um vizinho a um vizinho qualquer, onde as hastes ou canais não preexistem, nos quais os indivíduos são todos intercambiáveis, se definem somente por um estado a tal momento, de tal maneira que as operações locais se coordenam e o resultado final global se sincroniza independente de uma instância central.” Uma estrutura do tipo rizoma privilegia os meios, os intervalos, as ervas daninhas que crescem entre as plantações tão cartesianamente (e anti-ecologicamente) organizadas. “Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo.”
Ponto de individuação
Hecceidadade
Processualidade
Devir e duração
Política cognitiva
construtivista
Dobra
Agenciamento
Território
Mapas conceituais
Grupo A
Grupo B
Grupo C
Grupo D
Grupo E
Grupo F
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