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João Cabral de Melo Neto

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by

Bruno Silva

on 31 August 2014

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Transcript of João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto
Livro escrito entre anos de 1954 e 1955.
Conta a história de Severino, um retirante nordestino.
Temática social nordestina e reflexão sobre a própria condição humana.
Obra objetiva e sem sentimentalismo.
Encenada diversas vezes e até modificada para a televisão.
O próprio Severino conta a história, como se vê no trecho de introdução:
Nascido em Recife no ano de 1920 e falecido no ano de 1999 na cidade do Rio de Janeiro, João Cabral era primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre, além de ser irmão do historiador Evaldo Cabral de Melo. Foi casado com Stella Maria Barbosa na qual tem 5 filhos e em 1986 obteve sua segunda núpcias com a poetisa Marly de Oliveira. Foi posto em vários cargos em diversos países como cônsul, ministro de conselho e muito mais. No final de sua vida era um forte candidato a receber o prêmio Nobel de literatura.
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.



Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
(Morte e Vida Severina - Introdução)






A história de Severino se confunde com a de muitos outros caboclos.
Problemas do sertão.
Vida Severina.
O poema segue contando a sofrida trajetória dele.
Ele se guiava através rio Capiraribe, como se observa no trecho:
Pensei que seguindo o rio
eu jamais me perderia:
ele é o caminho mais certo,
de todos o melhor guia.
Mas como segui-lo agora
que interrompeu a descida? Retrato da seca
Vejo que o Capibaribe,
como os rios lá de cima,
é tão pobre que nem sempre
pode cumprir sua sina
e no verão também corta,
com pernas que não caminham.

Após longa demora, ele finalmente chega a recife.
Lá começa a ouvir a conversa de dois coveiros.
Então ele segue outro caminho.
Durante a viagem se encontra com José um morador das margens de um rio.
Trecho final da poesia:
— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.



O homem responde a Severino que a vida é formada por momentos (explosões) e apenas deve-se vive-los.
Severino acaba descobrindo um sentido para a vida.
O ovo de galinha
São quatro poemas unidos sob um mesmo título e que tratam de um mesmo objeto: o ovo.
I

Ao olho mostra a integridade
de uma coisa num bloco, um ovo.
Numa só matéria, unitária,
maciçamente ovo, num todo.

Sem possuir um dentro e um fora,
tal como as pedras, sem miolo:
é só miolo: o dentro e o fora
integralmente no contorno.

No entanto, se ao olho se mostra
unânime em si mesmo, um ovo,
a mão que o sopesa descobre
que nele há algo suspeitoso:

que seu peso não é o das pedras,
inanimado, frio, goro;
que o seu é um peso morno, túmido,
um peso que é vivo e não morto.
II

O ovo revela o acabamento
a toda mão que o acaricia,
daquelas coisas torneadas
num trabalho de toda a vida.

E que se encontra também noutras
que entretanto mão não fabrica:
nos corais, nos seixos rolados
e em tantas coisas esculpidas

cujas formas simples são obra
de mil inacabáveis lixas
usadas por mãos escultoras
escondidas na água, na brisa.

No entretanto, o ovo, e apesar
de pura forma concluída,
não se situa no final:
está no ponto de partida.
III

A presença de qualquer ovo,
até se a mão não lhe faz nada,
possui o dom de provocar
certa reserva em qualquer sala.

O que é difícil de entender
se se pensa na forma clara
que tem um ovo, e na franqueza
de sua parede caiada.

A reserva que um ovo inspira
é de espécie bastante rara:
é a que se sente ante um revólver
e não se sente ante uma bala.

É a que se sente ante essas coisas
que conservando outras guardadas
ameaçam mais com disparar
do que com a coisa que disparam.
IV

Na manipulação de um ovo
um ritual sempre se observa:
há um jeito recolhido e meio
religioso em quem o leva.

Se pode pretender que o jeito
de quem qualquer ovo carrega
vem da atenção normal de quem
conduz uma coisa repleta.

O ovo porém está fechado
em sua arquitetura hermética
e quem o carrega, sabendo-o,
prossegue na atitude regra:

procede ainda da maneira
entre medrosa e circunspeta,
quase beata, de quem tem
nas mãos a chama de uma vela.
Leitura metafórica e simbólica do objeto ovo.

Relação metapoética: estrutura maciça dos versos por meio da leitura metafórica do ovo.

Aos olhos, poema e ovo são firmes e rígidos.

O conteúdo motiva a forma e vice-versa.
Transpõe elementos humanos ao ovo.

Metalinguagem.

Desconstrução do objeto: ver o ovo de uma forma completamente diferente.
Apesar de ter expressão de sentimentos, a principal característica é o equilíbrio das palavras, com extremo rigor matemático e construtivo da engenharia.

Para compreender melhor o poema, é necessária a entonação correta para ler, pois, assim, as características da construção são mais notadas.

A mistura entre elementos da construção civil, da natureza e aspectos cotidianos reforça a ideia de equilíbrio.

Análise do poema

A luz, o sol, o ar livre 
envolvem o sonho do engenheiro. 
O engenheiro sonha coisas claras: 
Superfícies, tênis, um copo de água. 

O lápis, o esquadro, o papel; 
o desenho, o projeto, o número: 
o engenheiro pensa o mundo justo, 
mundo que nenhum véu encobre. 

(Em certas tardes nós subíamos 
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro).

A água, o vento, a claridade, 
de um lado o rio, no alto as nuvens, 
situavam na natureza o edifício 
crescendo de suas forças simples.

O Engenheiro

É considerado o poeta-engenheiro, pois se preocupa com a simetria de seus poemas. Nesse poema, cujo título é “O Engenheiro”, ele sintetiza seus sonhos mostrando, principalmente, as linhas tênues da construção do poema.

É um poema de 1945, que marca uma importante marca do poeta: análise reflexiva e crítica de suas produções. Dessa forma, reflete em seus poemas como se fossem projetos arquitetônicos e geométricos.

Nesse poema, há a valorização da imagem e do concreto, além da revelação de sonhos, dando um valor sentimental à obra.
Análise do poema

O Engenheiro
Formas do nu
A aranha passa a vida
tecendo cortinados
com o fio que fia
de seu cuspe privado.

Jamais para velar-se:
e por isso são ralos.
Para enredar os outros
é que usa os enredados.

Ela sabe evitar
que a enrede seu trabalho,
mesmo se, dela mesma,
o trama, autobiográfico.

E em muito menos tempo
que tomou em tramá-lo,
o véu que não a velou
aí deixa, abandonado.
Somente na metade
é aruá couraçado.
Na metade cimento,
na laje do telhado.

Porque apesar do teto
que o veste pelo alto,
o aruá existe nu,
nu de pele, esfolado.

Sua casa tem teto
mas não tem assoalho:
cai descalça no mangue,
chão também escoriado.

E o morador da casa
se mistura por baixo
com a lama já mucosa:
bicho e chão penetrados.
Que animais prezam o nu
quanto o burro e o cavalo
(que aliás em Pernambuco
jamais andam calçados).

A sela e a cangalha
deixam-nos sufocados
como se respirassem
também pelos costados.

É vê-los se espojar
na escova má do pasto
quando lhes tiram o arreio
e os soltam no cercado:

se espojando, têm todos
os gestos se asfixiado:
espasmos, estertores
de asmático afogado.
O homem é o animal
mais vestido e calçado.
Primeiro, a pano e feltro
se isola do ar abraço.

Depois, a pedra e cal,
de paredes trajado,
se defende do abismo
horizontal do espaço.

Para evitar a terra,
calça nos pés sapatos,
nos sapatos, tapetes,
e nos tapetes, soalhos.

Calça as ruas: e como
não pode todo o mato,
para andar nele estende
passadeiras de asfalto.
Na poesia de Cabral percebem-se algumas dualidades antitéticas, trabalhadas com um certo barroquismo e à exaustão. É uma poesia que causa algum estranhamento a quem espera uma poesia emotiva, pois seu trabalho é basicamente cerebral e "sensacionalista", buscando uma poesia construtivista e comunicativa, objetiva. Melo usava um método expressivo que remetia ao surrealismo, ele fugia de qualquer tendência romântica buscando uma construção elaborada e pensada da linguagem e do dizer da sua poesia, transformando toda a percepção em imagem de algo concreto e relacionado aos sentidos, principalmente ao do tato: uma poesia do concreto.
(CEFET) Leia as seguintes afirmações sobre Morte e Vida Severina:
I) O nascimento do filho do compadre José é antagônico em relação aos outros fatos apresentados na obra, já que esses são marcados pela morte.
II) Podemos dizer que o conteúdo é completamente pessimista, considerando-se que a jornada é marcada pela tragédia da seca, o que leva Severino à tentativa de suicídio.
III) Mais do que a seca, as desigualdades sociais do Nordeste são o tema da obra.
Assinale a alternativa correta sobre as afirmações:
a) Somente I e II estão corretas.
b) Somente I e III estão corretas.
c) Somente II e III estão corretas.
d) As três estão corretas.
e) As três estão incorretas.

Letra B
Questão de Vetibular
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