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Resistência pela oralidade: os relatos de Áurea Moretti Pires sobre os anos de chumbo no Brasil.

A lei da Anistia
by

Enrico Ziotti

on 27 September 2012

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Transcript of Resistência pela oralidade: os relatos de Áurea Moretti Pires sobre os anos de chumbo no Brasil.

Atualmente, devido a formação da Comissão da Verdade, retoma-se com frequência o debate sobre o período da Ditadura Militar no Brasil, sobretudo a Lei da Anistia. Era uma vez...
um país em que pessoas foram presas, submetidas a tortura e depois assassinadas. Era uma vez... Um país onde as pessoas foram proibidas de pensar, falar e fazer o que achavam certo... Era uma vez...
uma história triste que ninguém gosta de ouvir, mas que precisa ser lembrada, contada e recontada para nunca mais se repetir. 500 mil cidadãos
investigados pelos órgãos de segurança. 200 mil detidos
por suspeita de subversão 50 mil presos
entre março e agosto de 1964 11 mil acusados
nos julgamentos das
Auditorias Militares A Lei da Anistia representou para o povo brasileiro o fim da ditadura, porém, deixou a injustiça pairar diante da absolvição das torturas cometidas. Era uma vez...
Áurea Moretti Pires, vítima desta injustiça. O movimento de passeatas era constante, reunia muitos jovens e universitários, e suas principais armas eram os próprios manifestantes. Sempre com os estudantes havia uma bandeira do Brasil e as músicas da época serviam como hinos em todas as passeatas. Áurea foi presa em 1969 na cidade de Ribeirão Preto, devido ao fim do grupo que participava e porque era contra o regime ditatorial. Os militares invadiram sua casa procurando por uma mulher chamada Maria, que era o nome de guerra da mesma, e levaram Áurea arrastada pelos cabelos até o caminhão dos presos enquanto os vizinhos assistiam horrorizados. Assim que chegou à delegacia, arrastada pelos militares, dois deles começaram a espancá-la, e em seguida, levaram-na para o quartel. Quando chegou à cela vazia, não havia nada no chão, apenas escrito na parede: “Tudo o que você usar, devolva ao acabar”. Ela e outros presos foram levados para a Operação Bandeirantes, em São Paulo, que era um órgão clandestino dentro do próprio exército. Áurea como consequência foi para o DOPS e depois, como era considerada perigosa, permaneceu na penitenciária feminina do Tremembé. Segundo Áurea Moretti em entrevista: "A lei de 1979, a Lei da Anistia, perdoa a todos, os dois lados. Eu pergunto: Quero que alguém me explique do que eu fui perdoada? Eu e todos os meus companheiros e companheiras, porque não foi uma lei democrática, fizeram esta lei entre eles, os biônicos e os militares, porque havia uma ala “super” à direita que não queria a abertura. O Brasil já tinha perdido até o apoio dos Estados Unidos, o próprio Papa se pronunciou e economicamente, o Brasil não interessava mais aos Estados Unidos, então, foi dito: nós até deixamos a abertura, mas se perdoados, e foram. A única coisa foi o beneficio para quem estava no exterior voltar, mas prejudicou profundamente a história do Brasil até hoje". Dentre os universitários estava Áurea, estudante de filosofia e militante do PCB. Na luta pela democracia, foi presa e torturada. Foi colega de cela no DOI-CODI da atual presidenta da República, Dilma Rousseff, a qual Áurea respeita muito: “Dilma gostava de apelidar as pessoas, e o apelido que ela me deu foi ‘noviça’”. O descendente criminal de Áurea Moretti foi limpo. Ela ganhou seis anos de cadeia que diminuíram para quatro anos e meio. Saiu com três anos e meio de detenção, em regime condicional, no ano de 1973. Em 1985, Áurea voltou para Ribeirão Preto, onde atualmente milita junto ao Movimento dos Sem Terra (MST). Trabalha na Secretaria Municipal da Saúde, como enfermeira. Sendo uma mulher corajosa, com muita garra e espírito de justiça, Áurea, não desiste da luta a favor da revisão da Lei da Anistia. Para tanto, apoia a presidenta Dilma Rousseff e a Comissão da Verdade a fim de, conjuntamente com outros ex-presos políticos, esclarecer e divulgar fatos sobre o período militar. Portanto, este trabalho não objetivou apologias políticas, mas apresentar a falta de compreensão sobre a aplicabilidade de leis coerentes com os Direitos Humanos e, consequentemente, defender novos passos rumo a uma sociedade brasileira mais democrática e justa. Referências Bibliográficas:
BRASIL. Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Direito à Memória e à Verdade: histórias de meninas e meninos marcados pela ditadura. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2009.
PIRES, Áurea Moretti. Entrevista concedida aos alunos do 9º ano do EFII do Colégio Marista de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto, 04 de ago. de 2012, 64 minutos.
SADER, Emir. O anjo torto. Esquerda (e direita) no Brasil. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1995.
BEIGUELMAN, Paula. O Pingo de Azeite: A Instauração da Ditadura. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1994.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1967. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao67.htm, acesso em 24 de ago. 2012. Referência Bibliográficas das Imagens:
http://www.jornallivre.com.br/225524/o-que-foi-a-ditadura-militar-brasileira.html
http://setefotografia.wordpress.com/2012/01/30/dialogo-43-expressao-visual-compartilhada-em-rede/
http://www.jornalacidade.com.br/editorias/politica/galerias/2010/12/24/ex-colegas-de-cela-contam-como-dilma-rousseff-vivia-no-presidio.html
http://www.eusoufamecos.net/editorialj/brasil-revisita-a-ditadura-militar/
http://historianovest.blogspot.com.br/2012/06/regime-militar-no-brasil-em-charges.html
http://palavrasescritasdfs.blogspot.com.br/2011/06/dops-patrulha-ideologica.html Créditos:
Colégio Marista de Ribeirão Preto
Alunos: Enrico Ziotti,
Larissa Araújo, Mariana Oliveira,
Milena Kamiya e Thales Silveira.
Professora Orientadora:
Cláudia Maluhy BRASIL. Lei da Anistia de 1979. Disponível em: http://www81.dataprev.gov.br/sislex/
paginas/42/1979/6683.htm, acesso em 13 de set. 2012.
BRASIL. Constituição Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituição/constitui%C3%A7ao.htm , acesso em 23 de ago. 2012.
BRASIL. Ministério da Justiça. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_univer Agradecemos Áurea Moretti Pires, cuja entrevista que nos foi concedida possibilitou a realização do trabalho e a Carlos Alberto D'Avilla de Oliveira que contatou e organizou o encontro com ela. Agradecemos também a professora Cláudia Maluhy, que nos auxiliou durante toda a elaboração deste.
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