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Estudo da Crônica

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by

patricia barreto

on 10 June 2015

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Transcript of Estudo da Crônica

O RETRATO DO REAL
CRÔNICAS
NASCIMENTO DA CRÔNICA

como se cria a crônica. Há um meio certo de começar a crônica por sua trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, 7 Medeiros entende a crônica como um discurso que se constitui a partir de uma falha no ritual de sua produção. 7 ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue, está começada a crônica. (ASSIS in SANTOS. 2005, p.27)


Machado de Assis mostra ao leitor, em “O nascimento da crônica”, que o gênero privilegia o cotidiano; começa com uma conversa despretensiosa sobre o dia, temperada com expressões em francês, em um estilo que atinge o leitor mais exigente. Indo à frente no tempo, temos Rubem Braga, considerado por Bender como o maior cronista brasileiro, sendo reverenciado por ter um texto com fortes marcas poéticas. E, por meio da poesia, dos versos, repensa o fazer cronístico, na crônica “A traição das elegantes - O mistério da poesia”
CRÔNICAS

Segundo LUCKMANNL e BERGER (1985) o cotidiano é lugar no qual se insere os símbolos e os valores que são apreendidos pelas pessoas quando entram em contato com o outro.
CRÔNICAS
SIGNIFICADO:

O ponto inicial desse percurso está aqui relacionado aos escritos cronísticos da Idade Média portuguesa, estando a palavra crônica (e suas variantes chronica, caronica,cronicão e cronicon) etimologicamente ligada ao termo Chronos, deus da mitologia grega que representa o tempo. Através de sua tradução para o latim ‹ de Chronos para Saturnus, ou seja, "saturado de anos" ‹ o termo passou a significar o registro dos fatos atuais.
PATRÍCIA BARRETO
Estudo da Crônica
SURGIMENTO NO BRASIL

Ensaio inglês invensão
Folhetim francês da imprensa
ensaio inglês
tentativa de explicar algo (estudo crítico, histórico, político ou filosófico)


folhetim francês
narração da realidade em forma de ficção

BRASIL - EVOLUÇÃO HISTÓRICA

divulgação dos folhetins no século XIX - textos curtos;
Século XX - 2ª metade - com a publicação dos livros.


"Depois de 1860 passa a existir um número proporcionalmente grande de jornalistas e escritores que praticam a crônica moderna e lhe dão dignidade de gênero literário". Esta dignidade, de acordo com o crítico, é acentuada através da cronística de Machado de Assis que "ultrapassou amplamente sua característica inicial de simples amenidade, de comentário descompromissado dos pequenos sucessos do cotidiano" (1982: 139). Numa entrevista, o escritor Carlos Drummond de Andrade, cronista de renome, enfatiza que, devido à sua natureza "fugitiva e fugidia", a crônica passa depressa. No entanto, o autor alerta que, não obstante, deve-se reconhecer que
crônicas escritas há mais de cem anos por um cidadão chamado Machado de Assis estão hoje vivas como naquele tempo. Os acontecimentos perderam a atualidade, mas a crônica não perdeu, porque ela traduz uma visão tão sutil, tão maliciosa, tão viva da realidade, que o acontecimento fica valendo pela interpretação que Machado de Assis deu (1999: 13).

texto exemplo

Qualquer de nós teria organizado este mundo melhor do que saiu. A morte, por exemplo, bem podia ser tão-somente a aposentadoria da vida, com prazo certo. Ninguém iria por moléstia ou desastre, mas por natural invalidez; a velhice, tornando a pessoa incapaz, não a poria a cargo dos seus ou dos outros. Como isto andaria assim desde o princípio das cousas, ninguém sentiria dor nem temor, nem os que se fossem, nem os que ficassem. Podia ser uma cerimônia doméstica ou pública; entraria nos costumes uma refeição de despedida, frugal, não triste, em que os que iam morrer dissessem as saudades que levavam, fizessem recomendações, dessem conselhos, e se fossem alegres, contassem anedotas alegres. Muitas flores, não perpétuas, nem dessas outras de cores carregadas, mas claras e vivas, como de núpcias. E melhor seria não haver nada, além das despedidas verbais e amigas... (1994:49-51).


TEXTO 02 - A RUA

Gente do povo, sempre em mangas de camisa ou nas mais ralas camisas de meia e tamancos de pau batucando. Muitos vivem de pé no chão, mesmo aqui, bem junto da sublime Praça Paris... Não é uma gente triste, embora todos inalteravelmente sejam de físico tristonho. O nível de vida é baixíssimo, só as mocinhas se disfarçam mais. Os outros, mesmo os jovens, mesmo os lusíadas resistentes, mostram sempre qualquer ruga, qualquer ombro tombado ou peito fundo, marca de imperfeição. Deles, a vida não é instável, pelo contrário, graniticamente imóvel (...). Esta gente não viaja, não se movimenta, é gente que vem até a esquina. De noite após a janta, ou então aos domingos de camisa limpa, eles têm que descansar e se divertir um bocado. Então vêm até a esquina, se encostam nos lampiões, nas árvores, ou se ajuntam, na porta dos botequins, conversandinho. Os bondes passam cheios do futebol que nos faz esquecer de nós mesmos. Mas estes homens, nem de futebol precisam. Só conseguem é vir até a esquina, reumáticos de miséria e embolorados de inconsciência (1991: 71).
Nesse texto, o narrador compara a sociedade brasileira ao prédio onde reside: as classes abastadas vivem nos andares superiores; os operários no andar térreo. Dessa maneira, faz desfilar diante dos olhos de seus leitores uma galeria de figuras representativas dessas classes sociais. De início, o olhar é direcionado à frente e, como está num prédio, focaliza as classes que "moram no alto". Depois, o olhar vai para o "térreo", mostrando a dinâmica do cotidiano do operariado:
Em suma, Mário de Andrade opera com uma espécie de alegoria formal ao descrever as relações que ocorrem em torno do prédio onde mora: quando olha para frente, enfatiza elementos ligados às pessoas da pequena burguesia; quando "desce ao térreo" faz a leitura do cotidiano dos operários transeuntes que vêm até à esquina. Esta atitude alegórica pode ser problematizada como uma das estratégias modernistas para inscrever, através da literatura, aspectos da realidade social brasileira daquele momento histórico. A crônica modernista, seguindo a tendência da época e de outros gêneros,
A crônica de Mário de Andrade pode ser entendida, portanto, como amostra do percurso do movimento modernista brasileiro, na medida em que a inserção de temas e linguagem ligados às classes populares parece ser a chave para a compreensão de uma das características essenciais da releitura da realidade brasileira preconizada pelo modernismo: tentativa, bem sucedida, de alargar os horizontes da literatura a partir de uma maior abertura, tanto temática quanto formal, aos vários aspectos que colaboram para a formação da brasilidade, possibilitando a revelação de elementos poucas vezes registrados pelos escritores brasileiros.

Sport arranca empate com o Fluminense no Maracanã
Em um jogo sem grandes emoções, pernambucanos e cariocas ficam no 0x0








Em jogo monótono, o Sport assegurou um bom empate fora de casa e permanece invicto na Série A. Neste domingo (7), em pleno Maracanã, o Leão ficou no 0x0 com o Fluminense, em partida válida pela sexta rodada da Série A. Destaque para a atuação inspirada defensivamente do elenco rubro-negro, principalmente do volante Rithely.

Com o resultado, o Leão permanece no G-4 do Brasileirão, na quarta posição, com 12 pontos. O próximo compromisso do Sport será no próximo sábado (13), quando recebe, na Ilha do Retiro, o lanterna da Série A, Joinville, que fez apenas um ponto em seis rodadas.
POEMA RETIRADO DE UMA NOTÍCIA D JORNAL

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barraco sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

(In: Libertinagem, de Manuel Bandeira)

Caracterização:
fatos cotidianos;
espaço literário heterogêneo: pequeno ensaio, conto, poema em prosa;
narrador - função repórter;
pausa subjetivada [lírico / lúdico];´
não é tão passageira, mas nem sempre é atemporal;
texto em prosa e curto;
formado por um único fato que marca a complicação;
redução de personagens e espaço.
O HOMEM TROCADO
Luis Fernando Veríssimo


O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
tipos de Crônica:

1. Crônica Lírica ou Poética:

Em uma linguagem poética e metafórica o autor extravasa sua alma lírica diante de episódios sentimentais, nostálgicos ou de simples beleza da vida urbana, significativos para ele. Como em Brinquedos Incendiados, de Cecília Meireles. Por vezes, esse tipo de crônica é construído em forma de versos poéticos. Contudo, tem-se observado que a crônica lírica ou poética, está, cada vez mais, em desuso; devido, provavelmente, à violência e a degradação da vida nas grandes cidades brasileiras.

2. Crônica de Humor
Apresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos em forma de um comentário, ou de um relato curto. Como em Sessão de Hipnotismo, de Fernando Sabino. É uma crônica muito próxima do conto. Procura basicamente o riso, com certo registro irônico dos costumes.

3. Crônica-Ensaio
Apesar de ser escrita em linguagem literária; ter um espírito humorístico e valer-se, inclusive, da ficção; este tipo de crônica apresenta uma visão abertamente crítica da realidade cultural e ideológica de sua época, servindo para mostrar o que autor quer ou não quer de seu país. Aproxima-se do ensaio, do qual guarda o aspecto argumentativo. Paulo Francis e Arnaldo Jabor são dois grandes representantes desse tipo de crônica. Como exemplo, cito: Reality Show, de Marcelo Coelho.

4. Crônica Narrativa
Tem por base uma história - às vezes, constituída só de diálogos - que pode ser narrada tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Por essas características, a crônica narrativa se aproxima do conto; por vezes até confundida com ele. É uma crônica comprometida com fatos do cotidiano, isto é, fatos banais, comuns. Não raro, a crônica narrativa explora a caracterização de seres. Quando isso acontece temos a crônica narrativa-descritiva.

5. Crônica Metafísica
Constitui-se de reflexos filosóficos sobre a vida humana.



Principais autores brasileiros:

Século XVI
: Fernão Dias e Gregório de Matos
Século XIX
: José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Machado de Assis, Raul Pompéia, Lima Barreto
Século XX
: Mario de Andrade, Fernando Sabino, Graciliano Ramos, Rubem Braga, Luiz Fernando Veríssimo
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