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Estratégias de produção de Encanto

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Ygor Bahia

on 14 January 2014

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Transcript of Estratégias de produção de Encanto

Estratégias de produção de Encanto
Por que reler a ?
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A "pragmática" da
O alcance contemporâneo da poética de Aristóteles
Poética
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Poética: a
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a poética é o estudo de um gênero artístico, a poesia lírica. o pressuposto dominante nesta tradição é o de que a atividade de produção poética inscrevia-se no conjunto maior de atividades técnicas, a convicção de que a técnica se aprende a partir de um gênero de atividades. isso vale tanto para a produção de objetos materiais em geral, quanto para esta espécie particular de objetos que é a poesia, póiesis, visto que, para os antigos, as disciplinas técnicas eglobam tanto as que ensinam a produzir artefatos quanto as que ensinam a produzir o que nós chamamos hoje de belas artes.
em cada técnica (ou em cada arte) há normas a serem seguidas e estas é que podem garantir sua inscrição num gênero. no caso das artes literárias, constitui-se uma espécie de legalidade artística, através da racionalização e do rigor da técnica. o arrolamento, a guarda e o ensino das regras e normas da arte literária cabiam a uma disciplina científica: a poética. no século XX inicia-se inicia-se um processo de restauração da poética clássica. perelman propôs a recriação da disciplina científica retórica, cujo objeto seria a atividade retórica, entendida esta última em seu sentido mais antigo como a arte de persaudir através da linguagem. logo ela começa a ser aplicada em âmbitos característicos da sociedade e sociabilidade contemporâneas, com grande sucesso, como é o caso das comunicações de massa, da publicidad, das comunicações visuais etc.
desde o curso de poética de valéry, em 1938, alguma coisa transformou-se profundamente no seio dessa disciplina. a proposta de valéry implica numa certa mudança de perspectiva no seio da poética moderna. essa consiste em:
1) "reestabelecer o sentido mais primitivo do termo (e da disciplina);
2) aplicar as novas teses da hermenêutica do século XIX a esta disciplina renovada;
3) ampliar o seu objeto de forma a incluir as artes (em seu sentido restritivo, moderno) em geral.
as divergências de interpretações são as marcas de qualquer trabalho do espírito, que jamais fecha de forma absoluta seu sentido
o entendimento da poética como disciplina não-literária dar-se-á mais facilmente com a estética. a estética como disciplina não parte de uma definição da arte em si mesma e da prescrição de normas e regras a serem obedecidas para que uma obra singular possa conformar-se a este conceito. em segundo lugar, "leitura" quer dizer um modo ativo de recepção, em que ao espectador e fruidor não é solicitada a mera disponibilidade dos órgãos sensoriais e da inteligência onde incide a obra já pronta. mas a obra de arte não apenas exige a execução na qual passa e existir, ela também a prevê e regula. ao executá-la em primeiro lugar, o produtor toma-se como uma espécie de executor-ideal de todas as execuções possíveis e sua execução pretende modelizar todas as outras.
cabe a umberto eco dar um passo ulterior na consolidação senão da disciplina pelo menos do termo "poética". eco realiza o movimento de chamar de poética os programas estéticos que culminavam em tendências artísticas quando transformados em obras singulares. por "poética", portanto, deve-se entender os program ou projetos de formação ou estruturação da obra de arte onde se inscrevem as intenções operativas dos produtores de obra de arte. segundo eco, é possível identificar na cultura contemporânea um certo tipo de cooperação do intérprete que não parece ter sido chamada em causa em outra época.
a história, a estética e mesmo a sociologia são capazes de abordar o mesmo objeto, mas jamais sob o aspecto ou capacidade que à poética interessa. ambos os olhares perderão de vista aquilo que singulariza as poéticas: as estratégias de estruturação e produção de encanto. há um interesse renovado que passou a representar a poética como disciplina. sobretudo pela poética clássica, a de aristóteles em primeiro lugar.
o pequeno tratado de aristóteles sobre o poético, onde se firma a tradição e o destino da poética como disciplina científica, estrutura-se em um duplo movimento, ambos envolvendo ao mesmo tempo prescrição e descrição:

"vamos tratar do poético em si, de espécies, da finalidade (dynamis) de cada uma delas, do modo como se devem compor as narrativas (synthasis tous mythous), se quisermos que a poesia resulte perfeita, e, ainda, de tudo quanto pertence a esta matéria. começando, como é natural, pelas coisas primeiras" (1447a).
O modelo retórico que a argumentação envolve, como costuma acontecer na obra de aristóteles, apresenta em primeiro lugar uma espécie de consideração descritiva, uma promessa de reconhecimento do objeto ou ordem de indagagações (méthodos) em tudo aquilo que lhe concerne, no todo e em suas partes, numa espécie de cartografia.
um mapeamento, entretanto, que nada tem de mera talogação, pois que é realizada com o olhar atento, percrutador, orientado pela busca da universalidade: theoría. daí uma espécie de segundo nível de leitura em que a descrição perde o seu aspecto de particular e situada, deixa de ser uma mera descriçãodo modo como as coisas circunstancial e efemeramente são ("acidentalmente", diz-se em linguagem aristotélica), para ser uma apresentação daquiloque as coisas devem ser, necessária e universalmente. a cartografia da atualidade (do modo como as coisas "historicamente" se realizaram, tornaram-se realidade) revela-se, em última análise, uma teoria da potencialidade e possibilidade (daquilo que as coisas destinam-se a ser, por sua própria natureza ou essência.
estes dois níveis de leitura decorrem da própria natureza do mister que aqui se exerce, crê aristóteles, ou seja, da natureza da filosofia, o saber que, refletindo sobre o que as coisas são de forma real e circunscrita, ousa um passo adiante em direção ao que as coisas deriam ser e o são essencial e universalmente. por isso mesmo a theoría do poético não pode ser compreendida como um esforço raso e rígido de prescrição e legislação sobre a poesia, do qual decorreria uma tábua de ordenações, um catálogo de leis que, obedecidas com fidelidade, haveriam de permitir o reconhecimento e/ou a produção de boa poesia.
a consideração cartográfica-teórica de aristóteles ordena-se em dois movimentos. no primeiro, ele isola a esfera poético no conjunto das artes/destrezas (téchnai) humanas tratando-a enquanto gênero. a este movimento de consideração estrutural acompanha um outro, que ousaríamos chamr de dinâmico ou pragmático, em que aristóteles considera cada espécie de poesia do ponto de vista da sua destinação.
aristóteles não se esforça para construir um conceito de póiesis e do poético através do procedimento da definição. realiza, isto sim, umurioso esforço para o estabelecimento de limites do conceito que circunscrevem o poético através da indicação de uma propriedade comum. aristóteles quer dizer que toda poesia é mímesis.
o mais importante é como para aristóteles o meio e resultado da criação é, sem sombra de dúvida, a mímesis. que a representação de que fala aristóteles não seja a mera imitação que reproduz, traço a traço, o objeto representado parece evidente no modo mesmo como aristóteles desenha teoricamente a ideia de uma mímesis poética, a saber, na contraposição com as outras artes cujo fim e meio são a mímesis. todavia, enquanto no caso da arte iconográfica se trata de simular, traço a traço, objetos da esfera da realidade, as habilidades ou destrezas poéticas simulam ações humanas.
insistindo que na poesia se dá algo como nas artes iconográficas, aristóteles mostra que os poetas são reconhecidos não pelo metro usado, mas pela capacidade de compor ficções, simulações. esta analogia, entretanto, pode se revelar um problema, já que a representação poética é "seletiva", e não "reprodutiva", seleciona, não copia.
o pintor e o escultor se obrigam a conservar a semelhança, traço a traço, de forma que o modelo possa ser reconhecido, já o modelo da representação do poeta é submetido a um approach lógico, na medida em que está submetido aos propósitos da poesia, que são o recorte pelo plausível (à diferença do historiador), a produção da persuasão (como na retórica) e a provocação de um efeito emocional.
o importante é notar como aristóteles em sua poética reconhece um duplo modo da mímesis pela qual se realiza a poesia. no primeiro modo a mímesis consiste e se efetiva na/pela ficção na qual ações são narradas, contadas - tomando "ficção" em duas reverberações semânticas, como tradução de póiesis, "poesia", e como gênero de narrativa em que não se narram fatos reais, mas compostos pela imaginação. no segundo modo temos a ficção teatral, ou seja, a representação "dramática"através de atores/agentes. ficção e representação teatral são dois termos linguísticos com que podemos tentar estabelecer o contorna da palavra mímesis.
o problema central de aristóteles diz respeito aos critérios a serem levados em conta no cumprimento da destinação ou finalidade de cada espéciede representação pela qual se realiza a poesia. a poética deve ser capaz de indicar o que está convocado por natureza a realizar cada tipo de representação. a dinâmica aristotélica é muito "pragmática", na medida em que aquilo que um tipo de representação está convocado a realizar chama em causa necessariamente o receptor da representação. isso significa, em linguagem contemporânea, que a poética estuda as estratégias de produção de efeito
o efeito poético
em cada gênero de representação ficcional dramática ou narrativa, deve o poeta buscar-lhe o efeito que lhe é próprio. esse efeito tem algo de "estético", mas tem sobretudo de "psíquico", enquanto o efetivo é vivenciado pelo fruidor da poia com paixão d'alma, como afetos ou afecções anímicas. no caso da tragédia o q se deve provocar no espectador são o temor (phóbos) e a compaixão (éleos). o temor, afirma aristóteles, é uma emoção que se origina quando vemos um nosso semelhante em desdita e a compaixão, quando contemplamos alguém que é infeliz sem o merecer. quando vemos então que o prazer se concretiza como sensações assaz desagradáveis como o medo e a compaixão, perguntamo-nos se por acaso não perdemos alguma coisa no percurso e realizamos uma inversão semântica.
aristóteles argumenta que provavelmente uma das suas causas seja o gosto que todos sempre provamos pelas representações. e afirma que "nós contemplamos [theorôuntes: theoréin] com prazer [cháiromen:cháiro] as imagens mais exatas daquelas mesmas coisas que olhamos [orômen: oráo] com repugnância [lyperôs], por exemplo, as representações de animais ferozes e cadáveres.esta transformação tem um nome que se tornou clássico desde a poética: cátharsis, depuração.
a produção do efeito poético
o segredo da arte da reresentação consiste justamente em, de algum modo, prever e solicitar os efeitos específicos de cada gênero de poesia na composição dos seus elementos. a insistência do filósofo em ligar poesia e mímesis, bem como sua preferência pelas formas "dramáticas", parecia indicar que aristótelestem em grande conta o aspecto visual da obra poética. entretanto, o aspecto propriamente visual (ópsis: ótico) ou espetacular da representação é secundário, embora inegável. quanto ao que se representa na mímesis, há que se considerar a construção do personagem.
há também, enfim, um elemento muito caro a aristóteles: a construção da trama das ações ou mythos. aristóteles prometeque vai considerar o modo como se deve compor o enredo "se quisermos que a poesia resulteperfeita". a trama dos fatos ou mito é mais importante que os meios e modos da representação, porque estes estão claramente em função daquilo que nesta se apresenta. a poética consiste sobretudo na indicação das situações a serem buscadas e a serem evitadas para que através do entrecho narrativo se atinja o efeito próprio da poesia
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