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Mário de Andrade

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by

Vivian Tsuzuki

on 26 October 2013

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Transcript of Mário de Andrade

Mário de Andrade
O texto que você lerá a seguir foi escrito por Mário de Andrade e publicado como abertura da obra modernista "Pauliceia desvairada", em 1922.
"Prefácio Interessantíssimo"

"Leitor:

Está fundado o Desvairismo.

Este prefácio, apesar de interessante, inútil.

(...)
Mário de Andrade:
O movimento modernista surgiu no Brasil pelas mãos de muitos artistas, mas a crítica credita a Mário de Andrade um papel fundamental na consolidação das novas propostas artísticas presentes no início do século XX no Brasil.

Mário de Andrade foi um homem plural. Diplomou-se pelo Conservatório Dramático e Musical, escreveu crítica literária, poemas, romances, contos, artigos jornalísticos e outros textos teóricos essenciais para a compreensão do Modernismo brasileiro. Além disso, mergulhou nos estudos etnográficos e folclóricos brasileiros, exerceu cargos públicos ligados à arte e à educação, por meio dos quais pôde colocar em prática projetos inovadores, e foi professor de Estética na Universidade do Distrito Federal. Mário nasceu e morreu em São Paulo, cidade que serviu de inspiração para ele em muitos dos textos que criou.
Mário em verso
No ano da festa modernista, 1922, o artista paulistano publicou "Pauliceia desvairada", coletânea aberta pelo Prefácio Interessantíssimo, texto que apresenta ao leitor, como você já viu, o “Desvairismo” poético de Mário de Andrade, que consiste na valorização da escrita automática surrealista, na proposta futurista das palavras em liberdade ("parole in libertà") e na defesa da “deformação” artística da natureza e do afastamento do “belo natural”. Influenciado por sua densa formação musical, na "Pauliceia desvairada", Mário apresenta dois elementos característicos de sua produção poética: os poemas de versos melódicos e os de versos harmônicos.

Veja dois exemplos:
São Paulo! Comoção de minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original...
Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro...
Luz e bruma... Forno e inverno morno...
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfumes de Paris... Arys!
Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!...
 
São Paulo! Comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América!
Mário em prosa
A pluralidade de Mário permitiu ao artista produzir, além de coletâneas de poemas, as obras em prosa "Primeiro andar" (1926), "Belazarte" (1934) e "Contos novos" (1946), dedicadas a inovadoras narrativas curtas; o livro de crônicas "Os filhos de Candinha" (1943); o romance "Amar, verbo intransitivo" (1927), em que critica a falsa moral burguesa, e aquela que é considerada a obra-prima do autor, uma espécie de síntese de sua literatura, a rapsódia "Macunaíma" (1928).
Macunaíma – o herói sem nenhum caráter
http://fmlima.blogspot.com/2010/06/mario-de-andrade-e-alguns.html
Assim como procedeu em grande parte de sua produção literária, para escrever "Macunaíma", Mário utilizou uma “técnica”: primeiramente, estudou lendas, ditos, frases feitas, provérbios, canções populares em obras de referência; depois, em “estado de poesia”, pôs-se a escrever, de maneira desordenada, caótica, textos em vários cadernos; finalmente, numa terceira fase do trabalho, cortou excessos, “lapidou” os textos e finalizou o livro em 13 de janeiro de 1927, publicando-o somente em 1928.
A rapsódia de Mário aproxima-se das epopeias medievais porque apresenta um herói popular aventureiro, excepcional, sobre-humano, mas contraditório, que atua num espaço e tempo indefinidos, falando uma língua que mescla o português do Rio Grande do Sul aos regionalismos do Nordeste, do Centro-oeste e da Amazônia. "Macunaíma" é uma espécie de herói-síntese do Brasil.
Na rapsódia, o índio tapanhuma Macunaíma nasce na selva amazônica, “preto retinto”, torna-se o Imperador do Mato Virgem, e impõe-se uma missão, um ideal: resgatar sua muiraquitã – talismã sagrado que recebeu de presente de seu único e grande amor, a guerreira amazona da tribo das Icamiabas Ci-mãe do mato, transformada na estrela Beta da Constelação Centauro após a morte –, roubada dele pelo mascate peruano Venceslau Pietro Pietra (na verdade, um gigante comedor de gente chamado Piaimã). Nessa aventura, ele vai para São Paulo, onde vive Pietro Pietra, apela para a macumba para vencer o gigante estrangeiro, empreende uma viagem pelo Brasil para fugir de um minhocão Oibê e transforma-se numa estrela da Constelação Ursa Maior ao retornar à sua terra de origem.
Muiraquitã (tupi mbyrakitã). Folc. (Amazônia) - Artefato trabalhado em jade, nefrita, jadeíta; dão-lhe várias formas, às vezes de batráquios, peixes, quelônios etc., com sulcos para ajustar o cordel de prendê-lo ao pescoço. Atribuem-lhe qualidades de amuleto. Sin.: pedra-verde, pedra-das-amazonas.
“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava:
– Ai que preguiça!...
e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força do homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar
A palavra rapsódia vem do grego 'rhapsodía' e significava, originariamente, “canção costurada”. Em música, rapsódia designa um gênero cujos temas são motivos populares ou cantos tradicionais de um povo. Identifique, no trecho apresentado, uma expressão ligada ao universo dos contadores populares de histórias.
Entre textos:
“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
um artista múltiplo
Triângulo.

Há navios de vela para os meus naufrágios!
E os cantares da uiara rua de São Bento…
 
Entre estas duas ondas plúmbeas de casas plúmbeas,
as minhas delícias das asfixias da alma!
Há leilão. Há feira de carnes brancas. Pobres arrozais!
Pobres brisas sem pelúcias lisas a alisar!
A cainçalha… A Bolsa… As jogatinas…
(...)
Rua de São Bento
 
Inspiração
“Onde até na força do verão havia tempestades de ventos e frios de crudelíssimo inverno.”
Fr. Luís de Sousa
ANDRADE, Mário de. “Prefácio interessantíssimo”. Paulicéia desvairada. Caixa Modernista. Edusp/Editora UFMG/Imprensa Oficial, São Paulo, 2003. Arquivo Mário de Andrade, IEB-USP, p. 7-39
Entre os dias 16 e 23 de dezembro de 1926, deitado numa rede na chácara de Pio Lourenço, próxima à cidade de Araraquara, em São Paulo, Mário de Andrade escreveu a primeira versão do livro que se tornaria referência obrigatória para a compreensão da identidade nacional: "Macunaíma".
Classificou "Macunaíma" simplesmente como “história”. Depois, passou a denominá-la “rapsódia”, termo que tomou emprestado da música e que designa um tipo de composição que reúne uma grande variedade de melodias populares e/ou folclóricas. A palavra rapsódia está também ligada aos rapsodos, artistas populares (ou cantores) que, na Grécia antiga, recitavam poemas, principalmente epopeias, de cidade em cidade.

O protagonista criado por Mário não é um herói comum: é covarde, individualista, vaidoso, busca o lucro fácil e desrespeita as esposas dos irmãos Maanape e Jiguê, por isso alguns críticos o classificam como anti-herói.
Como se fosse uma coletânea de “causos” inventados pelo povo, Macunaíma apresenta, em cada capítulo, um “conto” sobre as andanças de um personagem que condensa muitas das características do povo brasileiro.
Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. (...)

(...)
Um pouco de teoria?
Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada. (...)
E desculpe-me por estar tão atrasado dos movimentos artísticos atuais. Sou passadista, confesso. Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu; e o autor deste livro seria hipócrita si pretendesse representar orientação moderna que ainda não compreende bem.  
Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contacto com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou.

(...)

(...)

O passado é lição para se meditar, não para reproduzir. (...)"
Macunaíma
vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaiamuns diz-que habitando a água-doce por lá. No mucambo si alguns cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos e frequentava com aplicação a murua a poracê o torê o bacorocô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo”.
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=muiraquitã
Iracema
Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.

A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.”
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.

De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.
Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.
Full transcript