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"O que há em mim é sobretudo cansaço" - Álvaro de Campos

Curso Profissional de Desporto - 3ºB
by

Patrícia Ivo

on 7 November 2013

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Transcript of "O que há em mim é sobretudo cansaço" - Álvaro de Campos


Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.



A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.



Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…
Álvaro de Campos / Fernando Pessoa
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Álvaro de Campos
1.ª parte
O sujeito poético afirma que o que domina a sua vida é o cansaço, um cansaço sem uma origem ou causa bem definida;
2.ª parte
O “eu” poético tenta explicar a origem desse cansaço (abstratamente):
as “sensações inúteis”, “as paixões violentas por coisa nenhuma”, “os amores intensos por o suposto em
alguém” (isto é, pelas qualidades que ele supôs em alguém, mas depois o desiludiram);
O sujeito poético estabelece a comparação do seu ideal de vida com três tipos de
ideais de vida (amar o infinito, amar o impossível e não amar nada). Demarca-se de cada um deles, dizendo
que: ama infinitamente o finito;
deseja impossivelmente o possível;
quer tudo ou um pouco mais se puder ser ou até se não puder ser.
3.ª parte
4.ª parte
Apesar do cansaço, o sujeito poético sente uma felicidade por estar cansado porque sabe que esse cansaço se deve à dificuldade em realizar os seus sonhos
Origem do cansaço do sujeito poético
Enquanto Alberto Caeiro se contentava com as sensações moderadas da Natureza,
Álvaro de Campos quis amar tudo de todas as maneiras, ultrapassando os limites impostos aos homens
O seu castigo foi o enormíssimo cansaço. Portanto, este seu cansaço é fruto de um sensacionismo
desmedido.
A poesia desta fase – a chamada fase intimista – caracteriza-se entre outros aspectos, pela recusa da
identificação com os outros, pelo isolamento e pela solidão voluntários, pelo cansaço, pelo tédio, pela náusea. É
isto que está presente neste poema “O que há em mim é sobretudo cansaço”.

Processos estilísticos mais relevantes
A repetição da palavra “cansaço”, palavra que, aliás, está presente no início e no fim do poema, para mostrar que o
cansaço é o tema fundamental deste poema.
Repetição
"O que há em mim é sobretudo cansaço"
"Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço."
v.1
v. 4/5
As construções anafóricas realçam construções paralelísticas
Anáfora
"Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -"
v. 14/15/16
Hipérbole
A expressividade dos advérbios de frase eternamente (v. 10), infinitamente (v.18), impossivelmente (v.19), sempre com um intuito hiperbolizante.
"Essas e o que faz falta nelas eternamente -;"
"Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,"
v.10
v.18/19
Paradoxo
"(...)infinitamente o finito"
"(...)impossivelmente o possível"
O paradoxo existente serve para reforçar o estado de cansaço e da não aceitação da sua própria condição.
v. 18/19
Ironia
O seu desalento com a vida e o seu ódio por ter fracassado é expressado, num recurso à ironia em "felicidade" e pela utilização de "infecundo", resignando-se ao fracasso.
"Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço."
v.30/31/32
Linguagem corrente;
A aproximação à linguagem oral;
A ausência de métrica e rima;
Versos livres e longos;
Recurso a inúmeras figuras de estilo.

Traços característicos de Álvaro de Campos presentes no poema:
Instituto Educativo do Juncal
Curso Profissional de Técnico Apoio à Gestão Desportiva
2013/2014

Português

Trabalho realizado por:
Patrícia Ivo N.º12
Ricardo Vicente N.º14
Professor responsável:
João Lobão
Divisão do poema em partes lógicas/ Explicação do poema
Métrica:



Rima:



Tipo de versos:



Número de estrofes:

Quatro estrofes
Análise formal do poema
Largo de São Carlos - Lisboa
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
Primeira estrofe (Quadra)
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Segunda estrofe (Nona)
Terceira estrofe (Oitava)
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Quarta estrofe
(Oitava)
Métrica irregular
Indefinida
Versos livres e longos
Os idealistas que nos fala o poema vivem cada um à sua maneira, sem ultrapassarem os limite impostos
ou seja
Mesmo aspirando ao infinito, ou ao impossível, eram sempre tranquilizados pela esperança de o conseguirem
Em contrapartida, o sujeito poético, embora desejando o possível e o finito, deseja-os fora dos limites humanos - procurava sensações brutais
O sujeito poético, que é materialista e aceita apenas o que é o finíto e possível, deseja-o infinitamente, como se desejasse o o sobrenatural, o eterno e o imenso
Filosofia do poema
Apesar das sensações serem limitadas, o sujeito poético quer captar nelas o infinito, mas nunca o poderá conseguir
Daí o interminável cansaço
Álvaro de campos - Biografia
1890 - nasceu em Tavira e é engenheiro de profissão. Estudou engenharia na Escócia e formou-se em Glasgow, em engenharia naval;

Visitou o Oriente. Nessa visita escreveu o poema "Opiário". Desiludido da viagem, regressa a Portugal, onde vai ao encontro do mestro Caeiro;

Campos tinha 1,75m, dois centímetros a mais que Pessoa.

Traços físicos
Alto;
Magro;
Cara rapada;
Cabelo com risco ao lado;
Usava um monóculo;
Tendência a curvar-se.
O resultado para os outros, é a sua vida, o seu sonho ou um misto de tudo e nada. Para o sujeito poético é apenas um assumido cansaço.
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