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Representações, Práticas Culturais e Pedagogias das Comemora

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Thani Atolini

on 19 November 2015

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Transcript of Representações, Práticas Culturais e Pedagogias das Comemora

Representações, Práticas Culturais e Pedagogias das Comemorações na Imprensa Negra no Rio Grande do Sul (1920-1930)

Maria Angélica Zubaran - Doutora em História, professora pesquisadora do Curso de História e do Mestrado em Educação, ULBRA/Canoas

Thanise Guerini Atolini -
Bolsista de Iniciação Científica (FAPERGS) acadêmica da licenciatura em História, ULBRA/Canoas
Este projeto de pesquisa investiga as representações mais recorrentes sobre a abolição e os abolicionistas e as práticas-culturais afro-brasileiras que marcaram as comemorações do 13 de maio no jornal O Exemplo, periódico da imprensa negra de Porto Alegre, durante a década de 1920-1930.



Como refere a historiadora francesa Geneviève Fabre (1994), as celebrações da liberdade negra pertencem à história cultural e política dos afrodescendentes e não devem ser vistas como marginais, como simples manifestações do folclore, como mero espaço de tempo determinado pelos calendários oficiais, mas como gestos políticos que contribuíram para preservar a memória coletiva dos afrodescendentes e para marcar seus compromissos com a luta pela liberdade e pelos seus direitos como cidadãos brasileiros.
O jornal O Exemplo surgiu em 1892 e foi o primeiro registro impresso da comunidade negra porto-alegrense, tratando-se de um testemunho de inestimável valor histórico cultural para o resgate da memória das populações afrodescendentes no pós-abolição. Após 37 anos de existência, o jornal deixou de circular em 1930, em virtude de problemas financeiros.
O objetivo central do projeto de pesquisa é analisar as representações mais recorrentes de lideranças afro-brasileiras produzidas durante as comemorações do 13 de maio no jornal negro “O Exemplo”, na década de 1920, em Porto Alegre. Busca-se apontar os múltiplos significados atribuídos pelas lideranças negras às memórias do cativeiro e da abolição e sobre os abolicionistas, assim como suas práticas culturais durante a data histórica do 13 de maio no pós-abolição, em Porto Alegre.

Vale destacar que tanto Andrews (1991), quanto Domingues (2005) valeram-se da análise da imprensa negra para estudar a construção das identidades afro-brasileiras no pós-abolição. Esse projeto de pesquisa vincula-se também às demandas de implementação da Lei 10.639 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

O artefato cultural selecionado para essa análise foi a coleção do jornal O Exemplo, da década de 1920-1930, disponível no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRGS).
O 13 de maio foi representado como “uma data gloriosa”, como “aurora redentora” e também como a data em que “o Brasil se integrava ao concerto das demais nações”.
José do Patrocínio era sacralizado como “imortal”, “herói”, “grande apóstolo da libertação da raça negra no Brasil”, como um “Hércules negro” e "imortal libertador".
Exemplar 7 de março de 1926, autor desconhecido, página 2)
"José do Patrocínio - o grande apóstolo da libertação da raça negra, no Brasil” (Exemplar de 7 de março de 1926, autor desconhecido, página 2)
“Relembrando tão triste acontecimento, nos curvamos reverentes, ante o túmulo desse Hércules negro do verbo, que tanto nobilitou a sua terra e os seus irmãos de raça” (Exemplar de 7 de março de 1926, autor desconhecido, página 2)
A Princesa Isabel foi também sacralizada e representada como “santa Isabel”, “redentora”, “virtuosa princesa”.
“Mais um ano passa hoje, do dia em que foi sancionada pelas mãos de Santa Isabel, a Redentora, a Lei Áurea”. (Exemplar de 13 de maio de 1924, autor desconhecido, página 1)
“É esta a data que salvou não um povo, mas uma nacionalidade, pois a continuação da escravatura importaria fatalmente na morte da pátria” (Exemplar de 13 de maio de 1928, autor A.D., página 3)
As comemorações do 13 de maio foram também marcadas por poemas e festivais cívicos, que revelaram que as identidades negras na década de 1920 estavam atravessadas tanto pelo discurso nacionalista e patriótico, como por um discurso regional e ainda pelas influências negras diaspóricas, manifestadas nas apresentações da Jazz Band Cruzeiro durante os festivais comemorativos.

Os abolicionistas foram lembrados como “verdadeiros santos da pátria”, “exército de soldados, prontos para combaterem o santo ideal”, “obreiros dedicados dessa santa cruzada”.
"Eles aparecem, hoje, no prestígio da distância que já os separa de nós, os Castro Alves, os Joaquim Nabuco, os Ruy Barbosa, os Silva Jardim, como verdadeiros santos da pátria” – Exemplar do dia 7 de fevereiro de 1926, autor Gonçalo Jorge, página 1)
Obrigada!

Thanise Guerini Atolini
thaniguerini@gmail.com
As narrativas produzidas no jornal O Exemplo sobre o “13 de maio” evidenciam a importância da data para a construção das memórias coletivas negras.
“Entretanto, a gloriosa Revolução dos Farrapos constituiu, também ela, na lucidez social de sua trama intrinseca, mais do que um brado e incentivo de liberdade, veículo imediato de alforria e, consequentemente, obra emancipatória, obra abolicionista” (Exemplar de 13 de maio de 1926, autor Antonio Lourenço, página 1)
“Pode afirmar-se que o Rio Grande do Sul foi das províncias a que menos sofreu o contato com a escravatura. O tráfico dos negros, no sul, como fenômeno, relativamente, não chega a chamar a atenção por sua densidade”. (Exemplar 13 de maio de 1926, autor Antonio Lourenço, página 1)
“E, levando em conta todas as atenuantes históricas e sociais, chegaremos, hoje, a conclusão que é o nosso o Estado mais europeu do Brasil e com possibilidade de o ser cada vez mais, bastando para tanto o desenvolvimento e a evolução, lógico e racionais, do atual elemento colonizador” (Exemplar de 13 de maio de 1926, autor Antonio Lourenço, página 1)
Para pensar a construção da cultura negra e das identidades negras diaspóricas valemo-nos também das discussões de Stuart Hall sobre as identidades negras (1996; 1997).
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