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Doramundo, de Geraldo Ferraz

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Transcript of Doramundo, de Geraldo Ferraz

Doramundo de Geraldo Ferraz "Doramundo" foi publicado em 1956, primeira edição em 1957.

Produção literária em alta:
Encontro Marcado (Fernando Sabino)
Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)
Vila dos Confins (Mário Palmério) Época de grandes transformações políticas...
16º Governo Republicano
Governo de Juscelino Kubitschek
“Cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo.” (JK) Autor: Benedito Geraldo Ferraz Gonçalves (Campos Novos do Panapanema, SP, 1905 — 1979) Escritor, jornalista e crítico literário brasileiro.
Participou do movimento modernista, como secretário da "Revista de Antropofagia".
Fundou e foi secretário do Correio da Tarde.
Em 1933 dirigia o jornal antifacista e antinazista "O Homem Livre" e participou do jornal "A Vanguarda Socialista" durante os anos de 1940-46.
Foi também fundador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.
Trabalhou nos jornais "A Tribuna" de Santos, "O Estado de S. Paulo", "Folha da Noite" e "Diário da Noite".
Casado com Patrícia Rehder Galvão (Pagú) com quem teve um filho, Geraldo Galvão Ferraz. A Famosa Revista - Romance 1945 (em colaboração com Patrícia Galvão). Ed. América
Doramundo - Romance 1956. Capa e ilustrações Lívio Abramo. Centro de Estudo Fernando Pessoa de Santos
Depois de Tudo- Biografia 1983. Paz e Terra
O Empolgante Caso do Romance Policial. Abril Cultural
Guernica Poema Vozes do Quadro de Picasso - Poesia. Editora: Massao Ohno, 1962.
Km 63 - Conto - 1979
Retrospectiva - Figuras Raízes e Problemas da Arte Contemporânea. Cultrix, 1975.
Viva Pagu : Fotobiografia de Patrícia Galvão Lúcia Mª Teixeira Furlani & Geraldo Galvão Ferraz. Editora: Imesp,2010.
Warchavchik e a introdução da nova arquitetura no Brasil: 1925 a 1940 Editora: Museu de Arte de São Paulo, 1965. Prefácio de P. M. Bardi
Wega Liberta em Arte - (1954-1974). 1975, Ed São Paulo.
50 Xilogravuras Lasar Segall. Miranda, Murilo/ Ferraz, Geraldo/Drummond de Andrade. Ed. Record,1967 Obras: Geraldo Ferraz e "Pagú" (esposa) Juscelino Kubitschek Conflito de Doramundo Palco: Cordilheira;
População: maioria empregados ferroviários, muitos homens solteiros, mulheres casadas, homens casados;
Série de crimes;
Casos de adultérios;
Assassinos não descobertos;
Vinda das "Flores" para Cordilheira;
Amor entre Teodora e Raimundo. Linguagem O Divino e religioso "Espinhos se lhe prenderam na carne dos braços, rasgando os tecidos das mangas do macacão penetrando até encostar o arame. Por tudo o que era possível, os vasos soltaram sangue [...]. A cabeça empastada de sangue, terra e carvão, pendera assim na imitação do cristo das imagens." (p. 128) E perto da hora nona exclamou Jesus em
alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni;
isto é, Deus meu, Deus meu, por que me
desamparaste?
Mateus 27:46 "...desobedecem a lei de Deus e os mandamentos onde está escrito não matarás e não desejará a mulher do próximo. ...está na mão de Satanás! O resto está na devassidão, no pecado." (p. 152) Os Dez Mandamentos - Êxodo 20. 1 a 17 "O Demônio está em Cordilheira." (p. 156)

O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
Jó 1:7 "Foi nesse momento que eu vi dona Olga, de branco, com a camisola da noite, sem óculos, descalça, pálida e tesa, sair da casa dela rumando ao larguinho da igreja [...] diante do padre Honório: _ Me livre dos diabos padre de Deus..." (p. 155)

E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo estava possesso de demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros.
Lucas 8:27

Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso, com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos.
Lucas 8:29 Deus Demônio Humanos Religião É um livro universal.
Linguagem comum.
É uma obra apoiada exatamente na
linguagem.
Ficção próxima do poema em prosa.
O mais importante é como acontece e
não, somente, o que. "Doramundo" assume, ora a linguagem de um observador externo, ora a de qualquer personagem da história. A linguagem de "Doramundo" é mantida num plano de entendimento comum, só violentada "para produzir efeitos que levam à criação de certa atmosfera". O surrealismo informa as invenções do autor. Há um constante recurso às associações de ideias, às transposições do real para o irreal, uma interpenetração dos acontecimentos do tempo presente com farrapos de memória e lembrança do passado, que se ligam num modelo de vida palpitante e sonho.
(Apresentação do livro) FERRAZ, Geraldo. Doramundo. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1975. 203 p. Traição e vingança A violência como meio de defesa da honra perante a sociedade. - Mas sabe, vivem numa tranquilidade, quem me dera a tranquilidade e a paz das consciências deles!
(...) Não reparou na ambição. Tranquilidade no meio de tanto ferro, fumaça, nuvem, carvão, pedra e muralha! Tranquilidade minha senhora era um pedaço de ferro no escuro lascando a testa da consciência em paz – em paz heim – numa dessas noites sem estrelas de Cordilheira. Era o ódio que vem desde o princípio do mundo: a nossa inteira solidariedade nos crimes. “Aquele, uns diziam, já teve o que merecia.” Não seria uma reflexão do criminoso mesmo, recuperando o instante? (p. 22) A modinha afrontosa flutua em ondas no ar porque o ouvido a vai recompondo de malha em malha e a rede, a cama – a cama sim – porque diz, ai não fui eu quem dormiu na tua cama – provocativamente, em ironia, ou desejo de dormir na tua cama, frustrado, quem sabe, desculpa mentirosa porque foi ele mesmo quem, afrontosas flutuando as palavras em soma agora verdes quando as ondas envolvem o periquito que não comeu o milho – na tua cama – o papagaio que comeu, e o outro que leva a fama, quem foi? É cantiga para rir, para deixar em suspenso, nas malhas, o peixe apanhado, essa suspeita sob as águas, nas ondas transmitindo, incitando.
(...) Tranquilidade é ferro na testa, cão! (p. 24) - “Ó seu José, sua mulher é camarada. Seu José aguenta o galho que esse galho vai quebrar.” (p. 59)

Do mestre Uiauá contavam que vinha no trem dormira e de repende quebrou o vidro da janela. Que jeito? Ora que jeito. Estava com a cabeça, dormiu, a cabeça foi chegando inclinada de jeito para a janela... Mas não dava para quebrar o vidro – só batendo com força. Não, não foi a cabeça que bateu, faltava um palmo. Então não compreendo. Foi o chifre, burro. O chifre, entendeu agora? Quiá quiá, caçoavam. Manelão não ria – os olhos grandes do mulato vigiavam.
Faltava um palmo e o chifre no vidro foi aquele prejuízo para a Estrada. Ah, caçoavam.
Também plac, ferro na cabeça, plac, ferro na testa. É um martelo num pote de barro. Foi o chifre no vidro, burro. O ferro na testa! O vidro no chifre. Prejuízo para a Estrada. (p. 26) No café, antes de fechar. Conversava a maldade dos homens, e um deles resmungou:
- Se acontecesse comigo, antes de passar pela boca de vocês eu matava. (p. 37) O morto enorme enchia o espaço sob a ponte, isolava em morte ponta a ponta a estação, sob a nuvem cinza palpável. De novo, não houvera luta. A pancada mortal tinha quebrado aquela frágil organização de ossos finos, a testa alta e baça ocre, na raiz dos cabelos negros empapados. Respirava-se mal em torno. A execução era toda de evidente brutalidade. Deixara o assassino muito o que interessaria a uma investigação em regra, a lanterna quebrada, a barra de ferro. (p. 76)

Devia ir à cidade. Os moços solteiros que têm folga vão. Quer achar eles é só procurar nas ruas da “zona”. Moçada reúna. Por que não vai à cidade? Ou já arranjou mulher aqui? Cuidado, seu Moura, pau de ferro tá cheio por aí. (p. 100) (...) Venho buscar um criminoso, alguns, mas é toda a gente que mata. São uns assassinos, homens e mulheres. Sim, elas contam até para os maridos. No meio da briga soltam o grito:
- Não se enxerga seu corno?
Tapam-lhe a boca as mãos duras, mãos de carvão de pedra:
-Com quem cadela, quem.
No negro do carvão os pedaços pelados de seios, ancas, coxas expõem-se. O homem pega o macacão cobre a nudez.
- Quem te cobriu cadela, quem?
- Vou lá contar... adivinhe. Corno!
A mão pesada fechava a boca numa bofetada.
Ficaram altamente importantes, ganharam fama porque os maridos matavam por elas. Os homens tiveram mais carinhos. Havia estímulo e o ciúme crescia, e é preciso cornear para haver ciúme. Cópulas, surras e depois cópulas, e de novo surras. (p. 103) - Tinha a medicina uma forma de concentrar-se um infecção, a que chamavam de fixação. Em Cordilheira, essa infecção generalizada é a que invade a honra dos lares com o adultério. Os rapazes querem ter mulher... Como as horas de serviço são desencontradas e os homens trabalham longe, o mulherio da vila fica exposto às seduções. É aí que as mulheres são conquistadas. Não se trata de sem-vergonhice. Há mesmo certos casos de casais que têm um ou dois pensionistas, solteiros, que ficam em casa às vezes enquanto o marido vai trabalhar. Donde os que são enganados buscarem vingança. Os crimes por sua vez são facilitados pelas condições locais. (p. 121) Mas a desgraça bateu a nossa vida, sobre a solidariedade de nossa infâmia, porque armamos, em homens e mulheres, a mão de Pereira e o fizemos cercar o moço e abatê-lo.
A partir daquela manhã seguinte a polícia veio e desalojou os montouros, remexeu nos cacarecos, remexeu. Nossa criminosa tranquilidade, que queríamos mulheres “flores”, aquelas desgraçadas. (p. 195) O passageiro, como podia imaginar? Passava olhando vadio, no “pullman”, refestelado. A senhora em intenção da casa tranquila de Marcelão:
- Sabe, vivem numa tranquilidade, quem me dera a paz deles, das consciências. (p. 200) A Mulher _Doutor, não sei nada do Miguel.
_Mas foi você seu Amâncio que acenou com o motivo. O senhor é que disse que aqui se mata por vingança, negócio de mulher sem-vergonha, e ciúme por essas vacas! (p. 78) Mulher de Cordilheira _Quem pode confiar numa mulher?
[...]
_Por isso não me casei. E sabe seu Rolando que os chefes gostam de ver a gente casada, com aliança no dedo, se dando respeito. Respeito mesmo é o que essas senhoras não dão. O que elas dão você sabe seu Rolando. Eu mesmo não gosto de falar. (p. 108) Caracterizando a mulher...

Sem vergonha
Sem respeito
Desgraçadas
Vagabundas
Mentirosas
Adúlteras
Galinhas
Vacas Mulher como objeto [...] Destino de macho é procurar fêmea.
[...] Padre Honório [...] diz [...] que a gente pode sim avançar na mulher dos outros. Macho é caçador.
Manelão diz:
[...] Eu por mim, tudo que é rabo de saia me ascende o tição. Principalmente a mulher do próximo.
-O culpado é Adão.
-Não, a culpa é da Eva.
-Eva é a mulher do Pedrão, não fala duas vezes que o ferro te arrebenta o coco!
-Não é essa Eva... É a da cobra.
-Cobra tenho eu pra elas todas gentes!
-Não, a culpa é de ter esse pedaço de carne que a gente enfia embaixo da barriga das moças...(p. 80) Mulher como solução -Tinha a medicina uma forma de concentrar-se uma infecção, a que chamavam abcesso de fixação. Em Cordilheira, essa infecção generalizada é a que invade a honra dos lares com adultério.
-Sua ideia então.
-Era de instalar algumas mulheres em Cordilheira. Acaba-se o problema. Não haverá mais adultérios.
-É uma ideia horrível, mas como tudo o que está acontecendo em Cordilheira. Mas é a solução natural, como diz. (p. 121) Chegaram as “flores” logo o povo lhes deu o nome. Nunca se viram mulheres tão vistosas em Cordilheira. (p. 133) [...] No entanto, como considerar isso uma necessidade dos homens. As mulheres são feiras e as que se salvam parecem até homens... ...São desgraciosas, mal arrumadas, nada atraente... (p. 101) Amor em julgamento É a hora do amor de Raimundo e Theodora, um amor colocado agora espantosamente diante de nosso julgamento. (p. 188) -Não tinha outro jeito. Raimundo e eu – ele gostava de mim. Perera todo o tempo insultando. Raimundo queria que eu fugisse. Não, não se pode fugir, eu disse. É de frente que tem de ser. Eu gostava dele. Pedi que fosse embora, antes da desgraça que vinha. Veio! [...] não quis fugir. Todos deveriam saber e Perera primeiro. (p. 190) -Mundo me disse que todos aceitaria, depois que a gente explicasse e todos soubessem. Ele tinha essa esperança. Perguntou se me envergonhava do que a gente fazia... Disse que não, que a vergonha era fugir, mentir, ficarem enganando com a gente. Ele dizia que esqueciam depressa o Perera. (p. 200) Sexo: essencial para a vida Sexo: causador da morte “- Você e você e você também não fizeram? Destino de macho é esse, procurar fêmea. Que é que tem?
-Alô padre Honório, ele diz que não tem nada não. Que a gente pode sim avançar na mulher dos outros. Macho é caçador” (p.80) “Batia o pensamento em quatro esquinas: trabalhar, comer, fornicar, morrer. Esforça-se por justificar:
- Eu não tinha ido à cidade me desafogar. O marido saído ninguém viu quando eu passei. A dona com olhos me chamando.
- Como um carneirinho atraído pela cobra...
- Isso mesmo. E a cobra tinha um fogareiro aceso no meio do mato.” (p.85) SEXO “Do modo como se apresenta “DORAMUNDO”, a obra do Sr. Geraldo Ferraz não é a de alguém que brinque simplesmente com as palavras. Tem o romancista uma grande força interna e suas palavras provocam fundas repercussões em que as lê. Para isso, usa uma linguagem angustiadamente poética. Não queremos dizer que ela seja poética no sentido comum de poesia em prosa. É uma linguagem mesmo de poema, em que os ritmos se sucedem como os de versos e assumem a forma de temas poéticos que se desenvolvem.”

Antônio Olinto Espaço Tranquilidade no meio de tanto ferro, fumaça, nuvem, carvão, pedra e muralha! (p. 22) A madeira do chão é limpa, embora escura. Os trastes limpos, por sua vez escuros. (p. 23) Dessa pobreza de fim de rua, cemitério, se se dá um passo é o despenhadeiro: que outra coisa será a pobreza. Por baixo de algumas casas passa a água das enxaguadas que o céu despeja. As tintas são grossas para revestir mesmo. Óleo em azul, terra, verde, preta - principalmente preta, por ali tudo esparrama a mesma quantidade desumana de negrura. (p. 25) Todo aquele negro pó. Subia na fumaça. Ficava em suspensão no nevoeiro.
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