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O Cortiço

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by

Pedro Vormittag

on 6 August 2013

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Transcript of O Cortiço

Photo based on: 'horizon' by pierreyves @ flickr
Naturalismo no Brasil
O Cortiço
o romance experimental
O coletivo predomina sobre o particular.
O cortiço é a personagem principal do livro.
Concepção biológica da existência.
Extraordinária força vital e selvagem dos instintos
Miranda
português, mora em um sobrado (símbolo de status)

João Romão:
acumulação primitiva de capital

Jerônimo:
o indivíduo como reflexo do cenário em que vive

Firmo:
mulato, companheiro de Rita Baiana

Bertoleza:
escrava fugida, amaziada com João Romão

Léoni:
prostitura francesa, madrinha de Pombinha
Outros tipos que habitam o cortiço:

Leandra (a machona), Alexandre (policial), Augusta (carne-mole), Isabel (mãe de Pombinha), Leocádia (lavadeira), Albino (lavadeiro), Marciana, Libório...
Léonie seduz
Pombinha
Depois da refeição, Dona Isabel, que não estava habituada a tomar vinho, sentiu vontade de descansar o corpo; Léonie franqueou-lhe um bom quarto, com boa cama, e, mal percebeu que a velha dormia, fechou a porta pelo lado de fora, para melhor ficar em liberdade com a pequena.
Bem! Agora estavam perfeitamente a sós!
- Vem cá, minha flor!... disse-lhe, puxando-a contra si e deixando-se cair sobre um divã. Sabes? Eu te quero cada vez mais!... Estou louca por ti!
E devorava-a de beijos violentos, repetidos, quentes, que sufocavam a menina,, enchendo-a de espanto e de um instintivo terror, cuja origem a pobrezinha, na sua simplicidade, não podia saber qual era.
A cocote percebeu o seu enleio e ergueu-se, sem largar-lhe a mão.
- Descansemos nós também um pouco... propôs, arrastando-a para a alcova.
Pombinha assentou-se, constrangida, no rebordo da cama e, toda perplexa, com vontade de afastar-se, mas sem animo de protestar, por acanhamento, tentou reatar o fio da conversa, que elas sustentavam um pouco antes, à mesa, em presença de Dona Isabel. Léonie fingia prestar-lhe atenção e nada mais fazia do que afagar-lhe a cintura, as coxas e o colo. Depois, como que distraidamente, começou a desabotoar-lhe o corpinho do vestido.
- Não! Para quê!... Não quero despir-me...
- Mas faz tanto calor... Põe-te a gosto...
- Estou bem assim Não quero!
- Que tolice a tua...! Não vês que sou mulher, tolinha?.. De que tens medo?.. Olha! Vou dar exemplo!
E, num relance, desfez-se da roupa, e prosseguiu na campanha. A menina, vendo-se descomposta, cruzou os braços sobre o seio, vermelha de pudor.
- Deixa! segredou-lhe a outra, com os olhos envesgados, a pupila trêmula.
E, apesar dos protestos, das súplicas e até das lágrimas da infeliz, arrancou-lhe a última vestimenta, e precipitou-se contra ela, a beijar-lhe... todo o corpo...E metia-lhe a língua tesa pela boca e pelas orelhas, e esmagava-lhe os olhos debaixo dos seus beijos lubrificados de espuma, e mordia-lhe o lóbulo dos ombros, e agarrava-lhe convulsivamente o cabelo, como se quisesse arrancá-lo aos punhados. Até que, com um assomo mais forte, devorou-a num abraço de todo o corpo, ganindo ligeiros gritos, secos, curtos, muito agudos, e afinal mal desabou para o lado, desfalecida, inerte, os membros atirados num abandono de bêbedo, soltando de instante a instante um soluço estrangulado.
(...) Mais tarde, no terraço, enquanto fumava um cigarro, tomou a mão de Pombinha e meteu-lhe no dedo um anel com um diamante cercado de pérolas. A menina recusou o mimo, formalmente. Foi preciso a intervenção da mãe para que ela consentisse em aceitá-lo.”
A morte de Bertoleza
Seu primeiro impulso foi de fugir. Mal, porém, circunvagou os olhos em tomo de si, procurando escapula, o senhor adiantou-se dela e segurou-lhe o ombro.
- É esta! disse aos soldados que, com um gesto, intimaram a desgraçada a segui-los. - Prendam-na! É escrava minha!
A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe, com uma das mãos espaimada no chão e com a outra segurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem pestanejar.
Os policiais, vendo que ela se não despachava, desembainharam os sabres. Bertoleza então, erguendo-se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto e, antes que alguém conseguisse alcançá-la, já de um só golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lado.
E depois embarcou para a frente, rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de sangue.
João Romão fugira até ao canto mais escuro do armazém, tapando o rosto com as mãos.
Nesse momento parava à porta da rua uma carruagem Era uma comissão de abolicionistas que vinha, de casaca! trazer-lhe respeitosamente o diploma de sócio benemérito.
Ele mandou que os conduzissem para a sala de visitas.
O espaço
Rio de Janeiro - bairro do Botafogo
Cenário restrito: locais onde trabalhava e se divertia o povo.
O sol: elemento que condiciona o relacionamento entre os que ali vivem
Informações técnicas
O tempo
Não há nenhuma data precisa fornecida no livro. Romances naturalistas, em geral, ocorrem numa época próxima a da sua publicação.
Tempo compreendido entre os anos de 1872 e 1880 (em determinada passagem o velho Botelho fala da lei do ventre livre em 1871
A linguagem
Linguagem precisa, sóbria e objetiva empregada pelo narrador.
Registro de linguagem falada do Brasil e de Portugal.
Gírias, jargões, ditos populares e xingamentos agressivos.
Valorização dos estímulos visuais - CROMATISMO
Mistura da percepção de diferentes sentidos - SINESTESIA
Prosa sonora - aliterações, assonâncias e onomatopeias.
Comparações e metáforas - presença marcante de animais.
Pontuação emotiva - exagero de exclamações e reticências.
O Cortiço
Aluísio Azevedo - 1890 - Naturalismo no Brasil
Gênero: romance experimental
Estrutura: 23 capítulos aproximadamente do mesmo tamanho (sem títulos)
Foco narrativo: terceira pessoa onisciente (câmera e microfone)
Enredo: enriquecimento de João Romão e sua união com Miranda - "abrasileiramento" de Jerônimo.
Personagens: JOÃO ROMÃO / MIRANDA / JERÔNIMO / BERTOLEZA / RITA BAIANA / POMBINHA / LÉONIE / ESTELA / BOTELHO / HENRIQUE
Tempo: alguns anos compreendidos no período entre 1872 e 1880
Aluísio Azevedo - 1890 - Naturalismo no Brasil
Acontecimentos que merecem destaque no enredo de "O Cortiço"
Miranda obtém o título de Barão de Freixal junto à coroa portuguesa.
A lavadeira Leocádia trai o marido Bruno com o estudante Henrique.
Florinda, filha de Marciana, é seduzida por Domingos e fica grávida.
Firmo fere Jerônimo a golpes de navalha, notando seu interesse por Rita.
Jerônimo mata Firmo a pauladas numa praia deserta.
Rita Baiana e Piedade se esbofeteiam e Jerônimo abandona a esposa.
Senhorinha passa a morar com a mãe que se torna alcoólatra.
Os moradores do "Cabeça de gato" invadem o "Carapicu".
Paula, a bruxa, inicia um incêndio no cortiço
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