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Raízes medievais do pensamento moderno

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Antonio castro Jr

on 28 May 2014

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Transcript of Raízes medievais do pensamento moderno

OCKHAM E A VIA MODERNA
.Guilherme de Ockham

"A figura que mais do que qualquer outra representa as múltiplas instâncias com que se encerra a Idade Média e se abre o século XIV " [Relale e Antiseri]

Guilherme de Ockham nasceu na aldeia de Ockham, perto de Londres, em 1280;

entrou na ordem franciscana cerca dos 20 anos; concluiu os estudos em Oxford, em 1316; faleceu em 1349, vitima de epidemia de cólera.

Em 1324 foi acusado de heresia por seus os escritos: sete pontos foram ditos como heréticos, trinta e sete como falsos e quatro como temerários;

na polêmica dos franciscanos sobre a pobreza juntou-se aos que rejeitavam a orientação papal; em 1328 fugiu de Avignon para Pisa e depois Munique.

Destacou-se na lógica, nas teorias físicas, no conhecimento emírico da natureza , pela separação entre a filosofia e a teologia, pela a autonomia do temporal em relação ao espiritual.

Iniciou o espírito "laico" e foi precursor de idéias do humanismo renascentista:

"sua doutrina encarna a incipiente afirmação dos ideais de dignidade de cada homem, do poder criador do individuo e da cultura em expansão, livre de censuras, idéias que a nova época do Renascimento desenvolverá" (Relale e Antiseri)

O “PRÍNCIPE DOS NOMINALISTAS” E “TEÓRICO DE VIS SUTILEZAS”

“Conhecido como o príncipe dos nominalistas, no passado era lembrado como o teórico de vis sutilezas, privadas de qualquer contato com a realidade. Logo... sua originalidade emergiu...no saber lógico, científico, filosófico e teológico". (Reale)

UMA RELEITURA DA HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA (Ghisalberti, A)

I - “ não foi um nominalista no sentido negativo do termo. Se por nominalismo se entende a teoria da não significação do universal, de redução do mesmo a ...simples vocalidade convencional, destituída de toda carga semântica ligada ao mundo do pensamento e do conceito” [...]

II - “O seu nominalismo é entendido como “terminalismo”...uma teoria do uso rigoroso dos termos (mentais, ou conceitos, orais e escritos) ”

II – “introduziu uma perspectiva nova no campo da ontologia, da filosofia da natureza e da política, por ter reinvindicado o primado do indivíduo em ralçao ao gênero e à espécie, como presença irrepetível e inextinguível em um cosmos criado e ordenado pelo “poder infinito do criador[...]”

DEFENDE A INDEPENDÊNCIA ENTRE FÉ E RAZÃO

“O Absoluto divino, criador onipotente de todo cosmo finito, totalidade perfeita do ser,
subtraído a todo devir, transcendência pura que não pode ser sondada pelo pensamento

humano, mas apenas por aqule que, revelando-se a si próprio, decide dar-se a-connhecer”

VERDADES DA FÉ: NÃO EVIDENTES – INDEMONSTRÁVEIS - IMPROVÁVEIS

“As verdades de fé não são evidentes por si mesmas, nem são demonstráveis e nem aparecem como prováveis...” (Reale e Antiseri)

VERDADE REVELADA X CONHECIMENTO RACIONAL: NÃO INTERCAMBIÁVEIS

“Isso significa que o âmbito das verdades reveladas é estranho ao reino dos conhecimentos racionais.” (Reale e Antiseri)

ONIPOTÊNCIA DE DEUS: SUPREMACIA DA TEOLOGIA (VERDADE REVELADA)

“Em lugar dos vÍnculos impostos pela metafisica, ... põe o principio da suprema onipotência de Deus.” (Reale e Antiseri)

O CONHECIMENTO DE DEUS – Segundo Reale e Antiseri:

“[...] nega da existência que se possa conhecer Deus intuitivamente...”

“[...] afirma que nenhuma das provas a posteriori precedentemente elaboradas sobre causas seja convincente... “

“[...] neste caso, mais que falar de causas eficientes (que fazem as coisas ser ou não ser), deveriamos falar de causas conservantes (que conservam ou não conservam), graças as quais é fácil inferir, da existência em ato do mundo, a existência de Deus...”

[...] 0 conhecimento que a razão pode obter de Deus é de fato escasso, enquanto de outro porte é o que a fé consegue obter por meio da revelação...”

SEPARAÇÃO ENTRE FÉ E RAZÃO

“[...] por causa da manifesta incapacidade do pensamento de afirmar algo de significativo sobre Deus, não ha mais razão de continuar na busca de uma colaboração entre fé e razão... “ (in: Reale e Antiseri)

ROMPE-SE O EQULÍBRIO ENTRE FÉ E RAZÃO

o equilibrio entre fé e razão - um dos principais problemas do pensamento medieval

SÍNTESE DO PENSAMENTO TEOLÓGICO DE OCKHAN

nem intelligo ut credam, nem credo ut intelligam, mas credo et intelligo

PENSAMENTO POLÍTICO – LIMITE DO PODER TEMPORAL

superioridade do individuo sobre o universal

redimensionar em âmbito politico o poder temporal do Pontifice

desmitificar o caráter sagrado do Império e do Imperador

ANTECIPAÇÃO DA REFORMA; LIMITE DO PODER PAPAL

o poder espiritual do Pontifice deveria ser delimitado

a verdade não é sancionada nem pelo Papa, nem pelo Concilio mas pela lgreja:os fiéis


LIGAÇÃO ENTRE OS ENTES SINGULARES : VONTADE DIVINA

“[...] a ligação entre os entes individuais singulares - aos quais de fato se reduz o mundo - brota de um puro ato de vontade divina, sem que nenhuma força metafísica seja necessária.” (Reale e Antiseri)

“ [...] o indivíduo, qualquer que seja, pertencente ao mundo do devir...Surgido do insondável ato de liberdade, por meio do qual o Criador fez surgir o mundo... possui força por si esmo, pela sua irrepetibilidade, a sua característica singular, o que o impede de perder a identidade e a consistência. (Ghisalberti, A)

SINGULAR (INDIVIDUAIS) X UNIVERSAIS:

A UNIDADE NUMERICA - “num primeiro modo, diz-se singular aquilo que é uma coisa numericamente uma e não mais coisas; (Ghisalberti, A)

OS ENTES REAIS - “num segundo modo diz-se singular uma coisa extramental que é somente uma e não mais coisas e não é sinal de nada;” (Ghisalberti, A)

O NOME PRÓPRIO - “finalmente, diz-se singular o sinal peculiar de uma só coisa que é dita termo discreto” (Ghisalberti, A)

CIÊNCIA DOS PARTICULARES E A EXPERIÊNCIA

“A ciência se ocupa apenas dos entes individuais e não dos universais...”
(Reale e Antiseri)

“O primado do individuo implica o primado da experiência.” (Reale e Antiseri)


A REALIDADE E O UNIVERSAL: somente os particulares são reais

“ [...] A realidade inteira é individual, razão pela qual o universal não é real: ele é um termo de alcance apenas lógico...” (Reale e Antiseri)

“[...] não existe nada de universal no universo da realidade extramental, a qual consta somente indivíduos particulares [...]

[...] é como dizer que os entes particulares são constituídos pela síntese de um elemento universal e de um elemento não universal [...]

[...] vai de encontro ao princípio de economia...o singular se desdobra recorrendo a elementos em tudo e por tudo singulares ” (Ghisalberti, A)

O CONHECIMENTO É SINGULAR

“[...] Se toda realidade é singular, segue-se que os conhecimentos são singulares ...” (Reale e Antiseri)

UNIVERSAIS – SINAIS ABREVIATIVOS- UMA FORMA DE NOMINALISMO

“[...] os universais não são mais que sinais abreviativos para indicar a repetição de múltiplos conhecimentos semelhantes, produzidos por objetos semelhantes...” (Reale e Antiseri)

NAVALHA DE OCKHAM

A “[...] critica ao conhecimento [DE OCKHAM] passou para a história como "navalha de Ockham"...

“[...] os entes não se devem multiplicar se não for necessário...”

“[...] Com esta metáfora...quer exprimir um principio antiplatônico, segundo o qual não é necessário multiplicar os entes e construir um mundo ideal de essências: de fato, não é preciso ir além dos indivíduos. “

CORTES DA LÂMINA DA NAVALHA –

substância, causa eficiente, intelecto possível

“[..] Sob a lâmina dessa navalha caem inumeráveis princípios da metafísica clássica e escolástica: o de substancia, de causa eficiente, de intelecto possível...”

...
FUNDAMENTOS DO PENSAMENTO CIENTÍFICO MODERNO

Ockham e seus discípulos elaboraram teses de carater científico:

... um novo modo de pesquisa científica, baseado sobre o conhecimento experimental....”
deslocou a atenção do problema metafísico sobre o que são os fenômenos, para o problema fisico de como eles se verificam...

... levou a libertar a fisica de todo pressuposto metafísico

...da teoria da continghcia do mundo e da sua redução a um complexo de individuos brotou urna metodologia de pesquisa original: a da multipiicidade das hipóteses explicativas.

...se o mundo não é necessariamente uno e nem aquilo que é,

é possível tomar em exame outras hipóteses além das que a evidêcia solicita.

...a admissão de pluralidade de hipóteses permitiu refutar por parte dos ockhamistas a necessidade da não-existência do vazio,

...os princípios da fisica aristotélica ligados teoria dos projeteis (ou seja, corpos atirados no espaço),

...fez formular hipóteses sobre a rotação da terra, por obra de João Buridan e Nicolau de Oresme.

A Idade média
LIBERDADE E FELICIDADE NA ÉTICA DA IDADE MÉDIA AO RENASCIMENTO
Temas éticos da felicidade e liberdade no Renascimento
R
enascimento neoplatônico
x
tradição aristotélica do fim da Idade Média
Fim da Idade Média
: - Ética a Nicômaco e cultura teológica de inspiração agostiniana
Renascimento:

- Lia-se Ética a Nicômaco nas escolas
- Fora das escolas: - "novos clássicos", novos tratados com visões platônicas e neoplatônicas, revistas segundo a doutrina cristã.
Para os Aristotélicos
: liberdade e felicidade ligadas ao livre arbítrio para
contemplar intelectualmente
o bem supremo
Para os Humanistas
: não existe realização terrena da felicidade
1. FELICIDADE MENTAL E FIM ÚLTIMO NA ÉTICA DO FIM DA IDADE MÉDIA
Para os Aristotélicos: salvaguardar o primado da moral teológica mantendo a tese da realização supraterrena do fim último do homem na visão santa do post mortem.
No fim do séc XIII: adquire credibilidade a ideia de felicidade como exercício da contemplação intelectual.
"Averroístas latinos" defensores:
1. da eternidade e necessidade do mundo. Tese contrária ao dogma da criação;
2. separação do intelecto ativo e passivo da alma humana e sua atribuição a Deus;
3. a doutrina da dupla verdade. Verdade da razão e verdade da fé
A primeira solução: Teologia tradicional concordando com ética filosófica.
Expoente foi Tomás de Aquino.
Duas espécies de felicidade:
1. A felicidade terrena (bens finitos)
2. a felicidade eterna (sumo bem)
A ética filosófica se ocupa dos bens finitos
A teologia se ocupa da felicidade eterna, sumo bem
Percebe-se nas obras de maturidade de Tomás de Aquino a afirmação da sutil continuidade entre os bens finitos e o sumo bem
TOMÁS DE AQUINO (1225-1274)
JOÃO BURIDANO
(1295-1358)
João Buridano foi famoso e influente na Idade Média. Desconhecido hoje em dia
.
Não se filiou a nenhuma ordem religiosa.
Faculdade de Artes da Universidade de Paris
. Aulas sobre lógica e sobre as obras de Aristóteles.
Seu Compêndio,
Summulae de dialectica
(Compêndio de Dialética), é uma obra de surpreendente estatura e originalidade.
Foi um físico famoso. Teoria do Ímpeto.
Asno de Buridano
Na Suma Teológica:
finis cuius
: o fim do qual se goza. Deus

finis quo
: o fim ao qual se tende. A atividade prática para se chegar a Deus. A Ética.

Para os estudiosos de Tomás de Aquino a Ética é do âmbito da prática e um discurso parcial. Precisa da metafísica para ascender a Deus.

Sucessores de Aquino não entendem assim.
BURIDANO foi um seguidor de OCKHAM. Ambos concordam que a experiência não confirma que todos os homens tendam ao fim último da mesma forma
A filosofia necessita de espaço para um discurso ético autônomo.
O fim último pode ser alcançado através da inteligência e vontade. Felicidade terrena.
Cada homem com a noção pessoal de fim último. Sumo bem.



Para Buridano a felicidade da mente está reservada a poucos
Felicidade ligada a intelecto e vontade. Liberdade para aderir ao bem que satisfaz o seu desejo
A ética indaga do "finis quo"(atividade prática) e "finis cuius" (objeto que dá a felicidade.
AÇÃO HUMANA
FIM ÚLTIMO
FIM PARTICULAR
Durante muito tempo prevaleceu a ideia de que esse longo período nada contribuiu para a história do pensamento.

Essa conotação bastante negativa sobre o medievo teve forte respaldo no iluminismo.
Grupo
Antonio Gomes
Antônio Ivo
Ricardo Pontes
José Alves
Edvaldo
Laurelia Monteiro

INTRODUÇÃO
“A primeira consideração que se tem de fazer a respeito é que não se pode elaborar um juízo único, negativo ou positivo, sobre uma época histórica com a duração de um milênio (do século V ao século XIV). Nenhum estudioso minimamente atualizado pode afirmar que os mil anos da Idade Média foram privados de toda e qualquer evolução, verificando-se neles a manutenção, imutável e homogênea, de um mesmo nível de vida e de civilização.”
Temas do pensamento moderno que mais representariam uma continuidade do pensamento medieval:
Afirmação da transcenência e imortalidade, como aspiração inevitável da natureza humana.

Convicção da inteligibilidade do mundo e da possibilidade de o homem elaborar um conhecimento rigoroso: "ciência".
Ainda hoje sofremos o fascínio da cultura, da arte e da religiosidade medievais.
A Imortalidade segundo São Tomás de Aquino
Somos conscientes de que vamos morrer, e nos angustiamos com a pergunta sobre o que acontecerá após a nossa morte.
Foi recebida da Idade Média a instância ontológica que, da analise do ser limitado, sob o princípio da não contradição, chega-se à afirmação da necessidade de ordem metafísica da existência do Ser absoluto, infinito, perfeitíssimo, que dá razão à possibilidade do ser contingente.
Os corpos viventes são animados, ou seja, tem uma forma substancial capaz dos atos típicos da vida: os mais simples, próprios de todos os viventes (gerar, nutrir-se, crescer) aos atos mais complexos próprio dos animais (sentir, ter instintos) até aos riquíssimos atos próprios somente do animal racional, o homem (pensar e querer livremente).
Para toda substância individual existe somente uma forma substancial, porque seria contraditório um indivíduo com mais de uma forma substancial: pertenceria ao mesmo tempo a mais espécies e não teria uma individualidade, mas seria “composto”; seria contemporaneamente si mesmo e outra coisa.
Para Tomás de Aquino, diferentemente de Aristóteles, que tinha como hipótese a separabilidade da alma racional, ele entende que o ser humano tem a peculiaridade de ser um ser psíquico-físico e espiritual. De fato, ele afirma que a alma é a forma substancial do corpo, mas é também substância, isto é, há uma capacidade de subsistir, não depende do corpo para ser.
Da imaterialidade da alma, da sua espiritualidade, do seu poder por atos que não implicam necessariamente um órgão corpóreo, compreendemos a possibilidade que a alma humana subsista também depois da morte do corpo, enquanto o seu ser não depende do corpo. Esta é a particularidade da alma humana em relação a todas as outras formas substanciais: a alma humana é forma substancial.
A imortalidade da alma vem, neste modo, explicada com argumentações racionais, a esta verdade atingida racionalmente se acrescenta a Fé na Ressurreição da carne, verdade inatingível pela razão pura, de um modo misterioso a unidade da pessoa será recomposta.
Tomás de Aquino argumentava em favor da imortalidade, analisando a capacidade da inteligência em refletir sobre tudo que participa do ser e da verdade no universo. O objeto da inteligência seria dessa forma, universal e imaterial. Ele explica o ser humano em toda a sua complexidade e riqueza, se valendo da filosofia aristotélica, mas enriquecendo-a de uma reflexão mais profunda, tornada mais forte pela luz da fé.
ASPECTOS DO ARISTOTELISMO NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XV
1 - Introdução: origem da contraposição Via Antiqua X Via Moderna
“Ora, nos anos em que se manifestou essa vontade de voltar ao antigo, o antigo por muitos desejado foi Aristóteles, juntamente com uma particular hermenêutica dos seus textos. Aquele mesmo Aristóteles que vinha sendo desprezado por humanistas e ao qual tinham contraposto Platão e o platonismo.”
2 – Demarcação interna do Aristotelismo do século XV
“No centro dos estudos de filosofia e da teologia, o século XV é marcado pelo confronto entre a via moderna e a via antiqua. É só a partir da metade do século XV que é possível registrar com segurança uma clara distinção entre via antiqua e via moderna”
3 – Conclusão
“Será esta a linha sobre a qual se assentará o aristotelismo da via antiqua, que dará origem a um novo gênero literário, o das Disputationes, que não são comentários no sentido tradicional, mas reinterpretações ou reescritos das obras filosóficas mais importantes de Aristóteles.”
Muito obrigado.

Liberdade para aderir ao bem que satisfaz o seu desejo.
A ética indaga do "finis quo"(atividade prática) e "finis cuius" (objeto que dá a felicidade).

"
O homem não atinge formalmente, em todas as suas ações, o bem final do homem - a felicidade humana. Ao contrário, em todas as suas operações, o homem tende a um bem parcial que possui uma certa semelhança com a própria felicidade
"

Aristóteles: noção de fim último. Segundo os medievos não conflitua com a noção de sumo bem.
Boécio: Deus faz parte das indagações éticas
Ficino foi um importante filósofo florentino. (1433-1499)

Perspectiva neoplatonica do Renascimento.

Obra principal: Teologia Platônica. Imortalidade da alma.

O homem é como Deus. Esforço de se tornar Deus.

FIM -BEM = > FIM ÚLTIMO - SUMO BEM. Isso não existe.

O fim-último vem do alto e resulta instituído e participando do mais alto ao mais baixo.

FIM COMO FORMA (HOMENS - DEUS)
FIM COMO SOMBRA (AS OUTRAS COISAS - NADA)
"FIERI DEUS" (tornar-se Deus)

"Tal como aquilo que se inflama assume a forma de chama, também a essência da alma humana, uma vez liberta das potências inferiores e tendo conservado a raiz da unidade da mente, reveste-se da substância divina como de uma nova forma."

A ANTROPOLOGIA DE FICINO
A felicidade não ocorre nesta vida.

"
A capacidade e o apetite racionais não tendem a uma verdade ou bem particular e concreto, mas ao verdadeiro e ao bem em sua integridade universal, a qual parece não ser alcançável neste mundo."

Não existe um percurso para a felicidade.

FIM ÚLTIMO FELICIDADE SUPRATERRENA

A vida intelectual leva à vida feliz que se pode alcançar.
Antropologia platônica, construída de cima para baixo.
O homem foi formado de Deus.
Desejo de possuir todas as coisas.
Paradigma da antropolgia dos pensadores renascentistas responsáveis pelo ressurgimento do platonismo.

Giovanni Pico (1463-1494):

O homem é a criatura mais singular do universo.
Dotado de liberdade de escolher a própria realização final que traz a felicidade.
Com o livre arbítrio pode construir sua natureza, boa ou má. É livre para escolher, mas tem o dever de escolher.

A Felicidade significa decidir pela união com Deus. Portanto, também não é deste mundo.

Viver bem para a maioria é dispor de muitos bens (saúde, riqueza, força, nobreza)
O fim-bem satisfaz o desejo e dá felicidade, desde que possuído e usado com retidão.
Sabedoria
é necessária para a
felicidade
.
Suma-felicidade se daria com a posse da suma sapiência.
A felicidade é supraterrena.
Requer: pureza, integridade, estabilidade. Inatingíveis pelos humanos nesta vida.

Ficino escreveu “Sobre a Vida”. Três livros: Vida Sã, Vida Longa, Vida que vem do céu.
Estranho conciliar a busca de uma vida sã e longa quando a felicidade só chega com a morte, na união com Deus na vida eterna.
Diz Ficino, assim como, Santo Agostinho,
“ a paz dos homens mais que uma alegria da felicidade é uma consolação na infelicidade.”

Para os Aristotélicos do fim da Idade Média (Boécio, Dante Alighieri, Buridano): não se pode prescindir de um certo desafogo econômico
Para Ficino, de orientação platônica,
os prazeres devem ser superados.
Geram inquietação, melancolia e infelicidade.

A felicidade terrena é vista apenas como um desejo de felicidade.
QUAL A VIDA. QUAL A FELICIDADE
Duns Scotus e a questão sobre Deus
Uma metafísica teológica

No século XIV, o frade franciscano Duns Scotus refunda a metafísica, ao adotar critérios tão inovadores, tão sutilmente contrapostos à metafísica clássica (refiro-me, sobretudo, à aristotélica e à tomista), que na verdade parece tratar-se de outra ciência.
A diferença está na separação explícita dos procedimentos demonstrativos pertences à física especulativa. As raízes dessa separação acham-se na concepção scotiana do ente enquanto ente, como objeto específico da metafísica, cujas propriedades são demonstradas mediante argumentações que partindo da evidência de algumas premissas alcançam as conclusões por meio do silogismo.
O intelecto humano está em condições de elevar-se para conceber o ente enquanto ente.

A noção de ser extraída do conhecimento das realidades sensíveis pode ser aplicada a um objeto transcendente, mesmo de modo imperfeito.

Deus é concebido inicialmente como um ser infinito por ser esta a noção mais perfeita a que naturalmente se pode elevar a inteligência humana. Por isso demonstrar a existência de Deus equivale, para Escoto, a demonstrar a existência dum ser infinito. E aqui começa a sua originalidade.

Demonstração de possibilidade
A necessidade de demonstrar a existência de Deus decorre do fato de ela não nos ser evidente por si mesma. O único meio de que dispomos para concluir a existência do Ser Infinito é a demonstração racional. Sabemos que há duas espécies de demonstração a priori e a posteriori. A demonstração a priori é possível em si mesma mas não nos é revelada no estado atual. Resta-nos a demonstração a posteriori que neste caso será das criaturas para Deus.

1. Existe uma causa eficiente absolutamente principal
2. A causa eficiente principal é incausável
3. A causa eficiente principal é incausável existe em ato
4. Existe uma causa final absolutamente principal
5. A causa final principal é incausável
6. A causa final principal existe em ato
7. Existe uma natureza eminente absolutamente principal na perfeição
8. A natureza principal perfeitíssima é incausável
9. A natureza perfeitíssima incausável existe em ato
10. A única natureza absolutamente primeira, na ordem das perfeições existe em ato, é necessariamente dotada de inteligência e vontade

Demonstrações
Relação entre fim, vontade e inteligência:

Para Scotus se o primeiro motor age para um fim
é porque é dotado de vontade e inteligência, pois com efeito não pode dirigir naturalmente o efeito ao fim o que está privado de consciência.

A contigência para Scotus é outra da inteligência divina,
pois para o mesmo a contigência é explicada pela vontade da causa primeira e não por uma necessidade da natureza.

Logo a inteligência e a vontade do ente primeiro coincidem com a sua essência

Em seu conjunto a obra de Dun Scotus abriu flancos para pensadores seguinte.

Influências nas áreas:
Intuicionismo
Criticismo
Idealismo

Hoje, estudos sérios em vários países apontam-nos as grandes afinidades entre as obras de Scot e os seguintes pensadores: Descartes, Leibniz, Hobbes, Espinoza, Kant, Hegel, Heidegger (que sobre o pensador medieval escreveu uma tese), Wittgenstein. Estamos, pois, diante do grande ancestral da modernidade, autor que antecipa várias problemáticas, vários questionamentos típicos do fragmentário pensar moderno, um pensar subjetivista, imanentista, intuicionista, voluntarista e predominantemente materialista.

DUNS SCOTUS

A Renovação da Física em João Buridano
( Século XIV)

1. A escolástica, o aristotelismo e a ciência
Na primeira metade do século XX, o nominalismo é apresentado constantemente como um período de excessivo criticismo que teria minado as sólidas bases do saber escolástico do século XIII.
Falar de ciência na época nominalista é mover-se já no interior da cultura medieval, definida como “escolástica” (escolas monásticas cristãs, de modo a conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega. Colocava uma forte ênfase na dialética para ampliar o conhecimento por inferência e resolver contradições. A obra-prima de Tomás de Aquino, Summa Theologica, é frequentemente vista como exemplo maior da escolástica.).
João Buridano, Guilherme de Ockham, João Duns Scotus e outros, aplicaram a lógica refinada na releitura da física e da cosmologia.
Dois fatores se tornaram operativos a partir dos primeiros decênios do século XIV:

1º de caráter lógico-linguístico
2º ligado à metodologia teológica

2. A Renovação nominalista da filosofia da natureza
Da análise lógica da linguagem chegou-se à metalinguagem que indica todo discurso acerca de proposições, de termos e de outras entidades lógicas, diferentemente da linguagem que fala das coisas, das realidades.
Ockham observa ser possível falar somente “mediantibus vocibus, vel conceptibus, vel aliis signis” (através da meditação de palavras ou conceitos ou outros sinais). [ “Singular e universal” cap. III ]

Como segundo fator de renovação da ciência no século XIV, foi a mencionada Metodologia Teológica: as condenações do aristotelismo na obra de Estevão Tempier, em 1277, refletiram sobre a epistemologia científica, pelas contínuas implicações de temas conexos com a onipotência de Deus.

3. As novidades de Buridano no campo da Física
Uma de suas contribuições mais significativas foi desenvolver e popularizar da teoria do Ímpeto, que explicava o movimento de projéteis e objetos em queda livre. Essa teoria pavimentou o caminho para a dinâmica de Galileu e para o famoso princípio da inércia, de Isaac Newton.
Buridano distingue o
impossibile secundum naturam
do
impossibile simpliciter
: o que segundo as leis naturais parece impossível não o é, em absoluto, em relação à potência soberana de Deus criador. Essa distinção torna-se um instrumento privilegiado para introduzir hipóteses novas, fora do vínculo com a física aristotélica, como a possibilidade do espaço tridimensional vazio, a possível existência de outros mundos, a eliminação das substâncias separadas como motor das esferas celestes.
Buridano distingue, nas Quaestiones de coelho (perguntas sobre o clima/ ou céu), a ordem natural da ordem das puras possibilidades.
Possibilidade pura em relação à onipotência de Deus: “Com efeito, a penetração de um corpo não é impossível para a onipotência divina, pois Deus poderia formar, em qualquer corpo móvel, uma outra dimensão igual, no mesmo lugar, segundo a penetração das dimensões”.

“Não é necessário um lugar para que qualquer coisa seja movida com movimento retilíneo pelo poder divino... Portanto, Deus pode mover o mundo inteiro”

3.1 O problema do espaço
3.2 O problema do movimento e do impetus
Utilizando-se do exemplo do projétil, Buridano, pesquisa a possibilidade do projétil, depois de ter deixado o lançador, ser movido por um impulso, ou, impetus, diretamente proporcional à força motriz inicial e à quantidade de matéria do projétil. Tal impetus aumentaria com a velocidade do movimento e diminuiria por obra da resistência dos elementos (ar)
4. Da ciência da baixa Idade Média à revolução científica moderna


Esta foi a incontestável novidade, tanto do estudo científico da natureza como da releitura crítica do aristotelismo, operada no século XIV e a orientação para a revolução científica que, no século XVI, levou ao nascimento da ciência moderna empírica e indutiva, ao abandono da física qualitativa e da concepção de um mundo fechado, ligada ao geocentrismo.
Houve uma proximidade entre as intuições e hipóteses dos sábios medievais e as descobertas dos modernos (Galileu, Newton, Copérnico, Francis Bacon...).

“A principal NOVIDADE do século XIV não foi a mecânica, mas a revisão global da linguagem filosófica com a criação das novas linguagens da matemática, da lógica, da teologia, que abriram novas pistas para a pesquisa em todos os ramos do saber. A originalidade do período (final) da Idade Média é ter feito uma revisão geral da metodologia da pesquisa científica”. Alexandre Koyré
“É preciso imaginar que o corpo pesado receba do seu motor principal, ou seja, a gravidade, não somente o movimento mas, junto com este, um certo impulso (impetus) que tem a capacidade de mover o referido corpo pesado, permanecendo a gravidade natural. Como esse impulso é geralmente adquirido com o movimento, quanto mais veloz for o movimento, tanto maior e mais forte será o impulso. Portanto, no início, o corpo é movido somente pela sua gravidade natural, movendo-se, por isso, lentamente. Em seguida, é movido pela gravidade e pelo impulso adquirido simultaneamente, movendo-se por isso mais violentamente.
Desse modo, Buridano deu o primeiro passo na direção da afirmação de um único sistema de leis que governam a mecânica do universo físico, seja ele celeste, seja sublunar, lançando a hipótese do abandono da crença na natureza das potências motoras do céu, e voltando a pesquisa para o que mais tarde será chamado o princípio da inércia.
Buridano, foi por assim dizer o precursor do conceito de inércia na Idade Média, com a teoria do impetus (ímpeto).

"Cada um assume de fato, como fim último, aquilo que parece como ótimo a quem está agindo, como no caso de quem, por desespero, comete suicídio. Parece-lhe a melhor coisa possível ver-se livre da ansiedade que o aflige e, por isso, mata-se".
Buridano
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