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O enigma da canção em Rosa e Caetano

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Sílvio Ramiro

on 10 November 2016

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Transcript of O enigma da canção em Rosa e Caetano

O enigma da canção em
"O recado do morro" e "Cajuína"

Cajuína e O Recado do morro
* Sina
* Enigma
* Textos grávidos
* Significantes em busca de significados
o recado do morro
O grande mote da narrativa, no entanto, não é o recado propriamente, mas o incômodo que seu subtexto causa, quando a mensagem chega por meio do Gorgulho, um “velhote grimo, esquisito”, que anuncia que o “morro não tem preceito de estar gritando... Avisando de coisas...” (ROSA, 2007, p. 23).
A Cajuína
Em “Cajuína”, de Caetano Veloso, o subtexto já se apresenta no primeiro verso, ao nos defrontarmos com a pergunta fundadora: “existirmos, a que será que destina?” (VELOSO, 1979).
a sina na canção
Existirmos, a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A
cajuína cristalina em Teresina
(VELOSO, 1979)

Se, por um lado, vimos não haver uma explícita resposta para a pergunta, por outro, podemos perceber uma tentativa de organização pela forma do texto, pois há um jogo com os significantes, o que sugere a pretensão de uma conclusão de cunho estético. Nesse percurso poético, o termo “sina”, não por acaso, pode ser um centro de som e sentido para a canção, pelo fato de representar um destino e uma sonoridade que perseguem a canção do início ao fim. O tema da canção está justamente marcado por essa sina, para a qual se busca o sentido; entretanto, como ele não é, conscientemente, alcançado, é a rima – como sina da canção – que mantém a resposta velada enquanto as formas poéticas se desvelam.
o enigma do morro
Do início ao fim do texto, existe uma misteriosa sonoridade que ganha corpo ao passar pelas bocas e ouvidos dos diversos personagens (Gorgulho => Catraz => o Menino => Guêgue => Nomindome => o Coletor => Laudelim Pulgapé), a qual assim se inicia:

– Que que disse? Del-rei, ô, demo! Má-hora, esse Morro, ásparo, só se é de satanás, ho! Pois-olhe-que, vir gritar recado assim, que ninguém não pediu: é de tremer as peles... Por mim, não encomendei aviso, nem quero ser favoroso... Del-rei, del-rei, que eu cá é que não arrecebo dessas conversas, pelo similhantes! Destino, quem marca é Deus, seus Apóstolos! E que toque de caixa? É festa? Só se for morte de alguém... Morte à traição, foi que ele Morro disse. Com a caveira, de noite, feito História Sagrada, del-rei, del-rei!... (ROSA, 2007, p. 37).
A coisa e seus possíveis significados
especulações existenciais no texto de superfície
a canção em rosa
E é nas mãos do músico que, de fato, o fundo e a forma do texto são engendrados, como vemos já na primeira estrofe da canção composta por ele:

Quando o Rei era menino
já tinha espada na mão
e a bandeira do Divino
com o signo-de-salomão.
Mas Deus marcou seu destino:
de passar por traição.
(ROSA, 2007, p. 108).

Conforme analisa José Miguel Wisnik,

em Laudelim Paulgapé a disposição lunática, nele identificável sob a fonte da inspiração poético-musical (a proustiana e benjaminiana memórica involuntária), associada à disposição mercurial de viajante da linguagem (sugerida no próprio apelido), remete à capacidade (apolínea e solar) de dar forma ao símbolo, integrando os elementos dispersos, intensos e conflituados da experiência do limite e da fantasia, da negatividade e da positividade. (WISNIK, 1998, p. 168).

o discurso apolíneo
e serpential
Assim como o final da obra de Rosa nos remete ao seu início, pela busca sedutora de atar “a noite com o dia” – indo do caos ao cosmos –, conforme a própria canção de Laudelim enuncia, “Cajuína”, de Caetano Veloso, também nos provoca esse percurso, cujos passos são musicais, poéticos e existenciais, tendo em vista que, ao percorrer novamente o discurso cancional, percorrermos também nossos dilemas e sinas.

Como no “Grande sertão: veredas”, obra célebre da literatura brasileira e de Rosa, as duas pontas dos textos unem-se, remetendo ao símbolo do infinito (∞), o qual, em seu movimento serpential, demonstra o eterno retorno e a infinitude de nossa caminhada rumo ao entendimento da existência e de nossa sina.

O recado que recebemos de Rosa, ao retomar o início de sua narrativa, inicia-se já permeado pela presença desse caminho serpential, ad infinitum, cuja presença do S está tanto no movimento da estrada que a comitiva de Pedro Osório segue, quanto na reiteração do som desse S ao longo das frases, as quais mantêm acessa a sina da narrativa e de seu personagem: “Sem bem que se saiba, conseguiu-se rastrear pelo avesso um caso de vida e de morte, extraordinariamente comum (...). Desde ali, o ocre da estrada, como de costume, é um S, que começa grande frase.” (ROSA, 2007, p. 5).
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