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Análise Crítica do Romance: Madame Bovary

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by

gabriela Marques

on 1 March 2016

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Transcript of Análise Crítica do Romance: Madame Bovary

Madame Bovary: Romance de perfil feminino da Literatura Francesa, de 1856 (segunda metade do século XIX), do escritor Gustave Flaubert.
Madame Bovary
foi considerada pela crítica da literatura francesa o
primeiro romance propriamente realista.









Então... Flaubert inaugurou com Madame Bovary, o
Realismo na França.
Referência Bibliográfica
1856:
mostra o
importante papel de ruptura
, do texto de Gustave Flaubert,
com padrões de comportamento e de visão do feminino na época:

A mulher:

angústia permanente do pecado,

sendo conduzida a seguir dois caminhos:

o amor maternal e o amor espiritual.


Madame Bovery,
de Gustave Flaubert

Acadêmicas: Bibiana
Maria do Carmo
Docente: Naura Martins
Disciplina: Literatura da Língua Portuguesa II

Em 1851, deu início à escrita de Madame Bovary, sua obra prima, que demorou 5 anos para concluir.

Estas heranças femininas, com Madame Bovary são deflagradas perante a nova sociedade, procurando
novos olhares sobre o relacionamento amoroso da mulher.
O romance é a denúncia de um pseudo-romantismo,
alimentado por
falsos princípios de educação feminina,
que já
não teriam lugar na nova sociedade,
e que seriam
objeto de destruição da própria mulher,
como o foi no caso de Emma, que se suicida no final do romance.
A denúncia de Flaubert fala de uma perversidade na educação romanesca privada às mulheres como Emma.

O próprio Charles comenta, (o que julga ser o maior gosto da mulher), ao farmacêutico Homais: "O que mais lhe agrada, apesar de precisar de exercícios, é ficar fechada em seu quarto, lendo." (2ª parte - cap.2)
Essa
atitude crítica de Charles,
aponta para a
denúncia do narrador onisciente
de que a tendência feminina às
leituras medíocres,
que contando sobre a
"felicidade sobre o amor",
nunca vão satisfazer as suas leitoras com a realidade encontrada.

No decorrer do livro, Flaubert mostra como a formação de uma idealização romântica na mulher pode ser prejudicial ao seu desempenho na sociedade.

O consumo:
é o grande tema, o desejo insatisfeito da "felicidade pelo amor": que a conduz de amor em amor, sem que encontre a felicidade almejada.









Inicialmente com
Charles

(o marido);
Em seguida com
Rodolphe
( um Dom Juan) e
Depois com
León
(um jovem empregado).
Antes de se envenenar Emma toma consciência do seu abismo interior, e o narrador onisciente coloca na voz da heroína uma dramática e direta visão da realidade:


Através de um dialogismo interior vivido por Emma quando estava grávida (prenuncia a consciência da importância feminina (narrador onisciente)):
Assim, a presença de "um desejo que atrai" e de uma convenção que impede a realização desse: é a sina do feminino que permeia a obra de Flaubert.
"Para agradá-la, como se ela vivesse ainda, adotou suas predileções e suas ideias. Comprou botas de verniz e passou a usar gravatas brancas. Usava cosméticos no bigode e subscreveu, tal qual ela, notas promissórias. Ela o corrompia até mesmo do túmulo".

O narrador onisciente, assume aspectos de transcedência religiosa, com comentário denunciador e moralisante, quando o leitor "assiste" à redenção do sofrimento de Emma pelos trabalhos do religioso.
"O padre ergueu-se para tomar o crucifixo; ela estendeu o pescoço como quem tem sede e, colando os lábios no corpo do Deus-Homem, depôs com toda a força agonizante o maior beijo de amor que jamais dera. Em seguida Bournisien retirou o "Miseratur" e o "Indulgentiam", mergulhou o polegar direito no óleo e começou as unções:
primeiro nos olhos, que tanto haviam cobiçado as suntuosidades mundanas; depois nas narinas, gulosas de brisas mornas e perfumes de amor; na boca, que se abrira para a mentira, que gemera de orgulho e gritara na luxúria; nas mãos, que se tinham deleitado aos contatos suaves, e finalmente nas plantas dos pés, tão rápidos outrora, quando corriam para a satisfação dos desejos, e que agora não caminhariam mais."
Seria possível aprofundar a análise durante páginas e páginas, lembrando inúmeras relações escondidas e significativas.
Os ambientes sociais, políticos, culturais daquela época já desapareceram. Mas as consequências continuam e com elas os tipos humanos criados por aqueles ambientes. Os homens e as mulheres ainda são assim; e assim continuarão por muito tempo.
- FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. Prefácio de Otto Maria Carpeaux. - Tradução de Sérgio Duarte. Ediouro S.A.
-"Mas, quando se é pobre, não se guarnece o fuzil de prata! Não se compra um relógio com incrustações de madrepérola! - continuava ela mostrando a pêndula - nem guizos de ouro para o chicote (ela os mostrava); nem berloques para o relógio de bolso! Oh! Nada te falta! Até um licoreiro no quarto! Tu te cuidas, vives bem, tens um castelo, fazendas, bosques; vais a caçadas, viajas a Paris... E ainda que não fosse senão com isto - e apanhou sobre a cômoda as abotoaduras dele - ainda que não fosse senão com a menor destas futilidades, poder-se-ia fazer dinheiro! Oh! Não os quero; guarda-os. - E jogou para longe de si os dois botões, cuja corrente se rompeu ao bater na parede. - Mas eu te daria tudo, venderia tudo, trabalharia com minhas mãos, pediria esmolas nas ruas por um sorriso, um olhar, para te ouvir dizer: "Obrigado!".
"Desejava um filho, que seria forte e moreno. Ela o chamaria Georges. A ideia de ter um filho homem era como a esperança de desforra de sua impotência passada. Um homem, pelo menos, é livre; pode percorrer as paixões e os países, atravessar os obstáculos, buscar os prazeres mais distantes. Mas uma mulher está sempre presa. Inerte e flexível ao mesmo tempo, tem contra si as fraquezas da carne e as imposições da lei. Sua vontade, como o véu da cabeça, estremece a todos os ventos, há sempre um desejo que atrai e uma convenção que a impede."
O feminino assume o lugar do masculino para sobreviver. Emma, que já no título do romance
"Madame Bovary"

é personificada pelo nome do marido
"Bovary",
e que desejou ter um filho homem para ir a "desforra de sua impotência passada", após a morte continua vivendo através de Charles:

O universo romanesco feminino, em M.B., não há um final feliz, onde homem e mulher se completam.

O consumo material de Emma:
é um reflexo e um desdobramento do seu
desejo desperto e insatisfeito pelas imposições da sociedade que a cerca.

Desesperada e pressionada pelas dívidas ela vai ao encontro do ex-amante Rodolphe e lhe
pede dinheiro emprestado, e ele diz que não tem. (3ª parte - cap.8)
O casamento: não era baseado no amor, mas sim em
interesses políticos, econômicos e estratégicos.

É alvo da
manipulação masculina,
mantendo sempre uma
aura da culpa e do pecado nas suas relações amorosas.

o
legado do comportamento amoroso feminino

era o de uma musa sublimada, vista como
uma santa, ou o de uma devassa prostituta, relegada ao pecado completo, ou de uma paixão culpável.
O Autor...
Nasceu em Rouen, noroeste da França, em 12/12/1821. Foi um dos seis filhos de uma família burguesa, cujo patriarca era cirurgião-chefe do hospital local.

Na adolescência se apaixona por Elisa Schlésinger, esposa de um editor de música. A paixão, de caráter platônico, só foi declarada cerca de trinta anos mais tarde, quando ela se tornou viúva - a declaração foi feita por carta.
Desde a infância, Flaubert manifestava um temperamento melancólico, pessimista e observador. Quando adolescente, ele se identificou com a exaltação romântica e a literatura de René de Chateaubriand.

Foi reprovado nos exames da faculdade e desenvolveu uma doença nervosa, provavelmente epilepsia.

Viajou para Oriente, tendo visitado o Egito, Jerusalém, Constantinopla e parte da Itália.
Na volta da viagem, ele decidiu se tornar escritor em tempo integral e se isolou em seu sítio, ficando conhecido como o "urso de Croisset". Sua vida pessoal resumia-se aos encontros com os amigos, em especial o poeta Louis Bouilhet (1822-1869) e seu relacionamento com Louise Colet (1810-1876), (mulher mais velha, separada e mãe) - a relação durou 25 anos.


O romance chocou a sociedade da época por abordar temas como o adultério e o suicídio, além de expor duras críticas à burguesia. Em 1857, com a publicação do livro, Flaubert sofreu um processo no Tribunal de Paris por ofensa à moral pública e religiosa.
Com o apoio de amigos e sua própria defesa célebre, em que declarou que "Madame Bovary sou eu".
"Emma Bovary, c'est moi."
O artista foi inocentado.
No fim de sua vida, enfrentou dificuldades financeiras, após ajudar uma sobrinha à beira da falência. O sucesso de seu livro de contos Trois Contes (1877) o reconfortou, assim como a ascensão literária de seu discípulo Guy de Maupassant (1850-1893) e a admiração da geração naturalista representada por Émile Zola (1840-1902).

Em Croisset, a 08/05/1880, morreu subtamente, em decorrência de um possível AVC. Foi sepultado no cemitério de Rouen.
A narrativa satírica Bouvard et Pécuchet, em que estava trabalhando, foi editada e publicada postumamente por sua sobrinha em 1881.

Principais obras

Madame Bovary (1856)
Salammbô (1862)
Éducation Sentimentale (1869)
Trois Contes (1877)
Estilo:
Se, na adolescência, Flaubert possuía um ritmo de trabalho mais impulsivo, na fase madura, ele passou a se dedicar integralmente à literatura, revisando diversas vezes sua escrita; portanto, demorava anos a fio na produção de seus romances, sem descanso. Por essa busca pela perfeição formal, o autor se aproxima um pouco do estilo parnasiano. Apesar de frequentemente ser classificado como realista, Flaubert criticava o movimento e se associava mais a escritores românticos e naturalistas. Mas ele também era contra o ultrarromantismo, alienado e pouco crítico.
Contexto do Realismo e da Obra
O Realismo é um movimento cultural predominante na França entre 1850-1880. Aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, sendo também objeto de ação contra o capitalismo progressivamente mais dominador.
Surge numa época marcada pela artificialidade, formalidade e exagero, típicos do Romantismo.

O princípio do Realismo: representa a realidade, quer o assunto fosse bonito ou feio, nobre ou trivial, com o objetivo de alcançar a beleza, a fraternidade e a justiça.

A sociedade do século XIX organiza-se por estratos sociais.
O Realismo na literatura deixa de ser apenas distração e torna-se veículo de crítica a instituições, como a Igreja Católica e à hipocrisia burguesa.

Flaubert deixou claro que o livro é a retratação fiel da errônea sociedade burguesa com seus hábitos poucos louváveis e sua ostentação moral falsa.

É a descaracterização da idealizada mulher romântica.


Mais características...

Veracidade:
despreza a imaginação romântica;
Contemporâneidade:
descreve a realidade;
Retato fiel das personagens:
caráter, aspectos negativos da natureza humana;
Gosto pelos detalhes:
lentidão na narrativa;
Materialismo do amor:
mulher objeto de prazer/adultério;
Denúncia das injustiças sociais
;
Determinismo e relação entre causa e efeito
;
Linguagem próxima à realidade:
simples, natural, clara e equilibrada.

Narrativa do Romance
"Estávamos em plena hora de estudo [...]"
: assim inicia o romance, apresentando na
primeira pessoa do plural, um personagem - observador, dando a impressão que o narrador seja um dos colegas de classe de Charles Bovary.

Este enfoque narrativo é rompido ainda no 1º capítulo, quando Charles sai do colégio para estudar medicina. A partir desse momento
o narrador transforma-se num mero observador
atento aos fatos que se seguirão
na vida do personagem até encontrar-se com Emma.
Dado o encontro,
o narrador consegue manter-se onisciente e onipresente:
por um curto período de tempo (até que aconteça a união do casal).

A partir do casamento,
a voz de Emma ganha força e começa a falar por si.
Tentará mostrar-se em sua complexidade, anseios, razões, sonhos... e será
nessa busca que se defrontará com a sua condição de personagem anacrônica.

Com a morte de Emma,
o narrador onisciente e onipresente é retomado.
E será,
através da agonia de Emma, na hora da morte
(friamente descrita!) que
será concretizada sua condição de narrador de onisciente.
A
mudança do enfoque narrativo
cria, na obra de
Flaubert
, um dado de dúvida: que
permite ao leitor posicionar-se frente ao que lê de diferentes maneiras.

O narrador não consegue ser imparcial, toma partido de diversas maneiras.
Assim, percebemos que, em Madame Bovary, o narrador não só nos aparece como único:
é personagem, é onisciente, é confundido com outros personagens e em particular, com a principal: Emma Bovary.
É a perfeição da prosa. É a obra original da arte de narrar.
(Carpeaux)


- Dicionário Larousse Ilustrado da Língua Portuguesa

- RICCIO, Adriana Lichtenfels - O narrador em Madame Bovary, de Gustave Flaubert Fonte: https://alriccio.wordpress.com/2013/08/18/o-narrador-em-madame-bovary-de-gustave-flaubert/

- Imagens: Escritor francês- Gustave Flauber thttp://educacao.uol.com.br/biografias/gustave-flaubert.jhtm


- Imagens: MELLO, Cristina Homem de Fonte: http://www.cristinamello.com.br/?p=13624

para se ver bonita;
bem vestida;
com objetos caros à sua volta, para se sentir amada.

Assim, como o consumo do amor, o consumo material também é estimulado.
Emma se vê envolvida em dívidas ao gastar demasiadamente:
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