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INTRODUÇÃO À LITERATURA

Definições; Gêneros Literários; Apolíneo x Dionisíaco; Mimesis, Catarse; Metrificação,ritmo e rima
by

Alexandre Martinês

on 17 July 2013

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Transcript of INTRODUÇÃO À LITERATURA

LITERATURA
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Soneto a Quatro Mãos

Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.
Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
RUA TORTA
LUA MORTA
TUA PORTA
RUA MORTA
LUA TORTA
RUA PORTA
Quero apenas cinco coisas

Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda
ORION

A primeira namorada,
tão alta que o beijo não a alcançava,
o pescoço não a alcançava,
nem mesmo a voz a alcançava.
Eram quilômetros de silêncio.
Luzia na janela do sobradão.

Carlos Drummond de Andrade.
Poema Tirado de uma Notícia de Jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro.

Bebeu
Cantou
Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Pica-Flor

A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".

Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteia a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Pica-Flor

A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".

Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteia a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.
Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
O que é Literatura?
Literatura é a arte de compor escritos artísticos, em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos e práticos, o exercício dessa arte ou da eloquência e poesia.
A palavra Literatura vem do latim "litteris" que significa "Letras", e possivelmente uma tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística.
O fato literário é histórico, isto é, acontece num tempo e num espaço determinados. Há nele elementos históricos que o envolvem como uma capa e o articulam com a civilização - personalidade do autor, língua, raça, meio geográfico e social, momento: e elementos estéticos, que constituem o seu núcleo, imprimindo-lhe ao mesmo tempo características peculiares, que o fazem distinto de todo outro fato da vida (econômico, político, moral, religioso).

Afrânio Coutinho
Literatura é a arte que usa a palavra como matéria-prima. Melhor aqui pois consigo incluir a literatura oral (a primeira que tivemos). Também as artes plásticas, a música e até a dança podem participar da literatura no seu aspecto de transmissão. A literatura engloba tudo, de crônicas do dia-a-dia até a poesia mais diáfana, passando por obras de não-ficção cuja construção textual vai além da simples função informativa. A boa literatura é aquela que transmite adequadamente o que procura transmitir. O raso ou o profundo dependem do leitor.

Milton Ribeiro
CONCEITOS
LITERÁRIOS
ESTÉTICA
RETÓRICA
POÉTICA
SIGNO LINGUÍSTICO
CONOTAÇÃO X DENOTAÇÃO
DEFINIÇÕES CLÁSSICAS
ESTÉTICA
Estética (do grego aisthésis: percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado belo, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como: as diferentes formas de arte e da técnica artística; a ideia de obra de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se do sublime, ou da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo.
No âmbito do Belo, dois aspectos fundamentais podem ser particularmente destacados:

A estética iniciou-se como teoria que se tornava ciência normativa às custas da lógica e da moral - os valores humanos fundamentais: o verdadeiro, o bom, o belo. Centrava em certo tipo de julgamento de valor que enunciaria as normas gerais do belo;

A estética assumiu características também de uma metafísica do belo, que se esforçava para desvendar a fonte original de todas as belezas sensíveis: reflexo do inteligível na matéria (Platão), manifestação sensível da ideia; (Hegel) o belo natural e o belo arbitrário (humano).
Pós-modernidade ou Pós-modernismo é a condição sócio-cultural e estética que prevalece sobre os conceitos predominandes a era moderna, dando início a uma nova era. Tem como principio a consequente desvalorização dos conceitos ideológicos dominante a era moderna.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo do jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipê, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Os estilos são a força dinâmica dos períodos. Revelar-lhes a essência íntima é penetrar a própria natureza da época. As formas estilísticas desenvolvem-se e transformam-se à medida que mudam e envolvem a concepção do mundo e do propósito, consciente ou inconsciente, do artista. Ao interpretar e reinterpretar o mundo, o artista exige que as formas estilísticas se transformem e se adaptem às suas necessidades.

AFRÂNIO COUTINHO
Eis que chega Rita Baiana, depois de ter sumido por meses. Foi uma alegria geral. Um moleque a acompnhava trazendo suas compras de mercado. O menino colocou tudo na casa número nove, pegou a gorjeta se foi. E foi uma saudação geral, gente perguntando onde ela esteve e reclamando que achavam que tinha até morrido. Quando ela parou no meio do pátio, todos, homens, mulheres e crianças a cercaram. Vestia-se com uma simplicidade reluzente. O farto cabelo estava puxado sobre a nuca, e em seu odor sensual pairava o asseio das brasileiras. Seu quadril não parava quieto, e respondia à todos monstrando o brilho dos dentes claros, com uma feição fascinante. Bem acolhida por seus vizinhos, disse que estava em Jacarepaguá ocupada com seus pagodes, junto com o Firmo. Bruno brincava, falando das paixões de Rita, uma por ano. Ela porém negava, dizia que quando estava com um homem, nem olhava pra outro. Leocádia a abraçou com força, pois era louca pela amiga. Sugeriu que Rita se casasse com Firmo, mas Augusta achou fora de cogitação. Florinda e a mãe preparavam o almoço, mas assim que souberam da chegada da mulata, vieram correndo. Marciana apareceu da janela para saudá-la. Das Dores parou a limpeza para vir repreendê-la por ter sumido por tanto tempo. Então começaram a rir e se abraçaram. A Bruxa apenas apertou a mão dela e se foi. Rita bem que desejou que a Bruxa fizesse um feitiço para agarrar seu homem. Quando viu Dona Isabel, perguntou por Pombinha, que estava saindo de casa para ir rezar. Rita a abraçou, fazendo elogios sobre a aparência e a roupa. Jurou que matava o Costa se ele não fizesse Pombinha feliz, e perguntou se a “regra” já tinha vindo.
RETÓRICA
A retórica, ou a arte retórica, surge no século V a.C., com o objetivo de sistematizar os recursos capazes de dotar de eficiência a argumentação pela palavra, bem como de tornar o discurso mais atraente e convincente. [...]
A retórica cuida da oratória e do raciocínio.

ROBERTO ACÍZELO DE SOUZA
É narrado que Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu, repreendeu um pirata que fora trazido à sua presença porque roubava os pescadores; porém o pirata respondeu que ele por roubar em uma barca era considerado um ladrão e que Alexandre ao usar uma armada para roubar era considerado imperador.
POÉTICA
- Função hedonística: prazer
- Bem, Belo e Verdadeiro: as formas
- Mimesis: representação da realidade
- Catarse: terror e piedade - purificação
- Verossimilhança: coerência entre os fatos criados
- Gêneros Literários: classificação do textos - Lírico, Épico e Dramático
A questão do belo, em direta correlação com a do bem e a do verdadeiro, tem sido daquelas questões cruciais para o pensamento ocidental em todas as suas fases. Tanto assim que cada uma dessas questões suscitou a criação de disciplinas filosóficas dedicadas à sua tematização. A reflexão sobre o BEM cabe à ética e à política; sobre o VERDADEIRO, à lógica e à metafísica; e sobre o BELO, à estética.

ROBERTO ACÍZELO DE SOUZA
Seu objeto é a poesia, é a literatura em geral, entendida como um conjunto de formas em prosa ou verso dotadas de propriedades consideradas artísticas e/ou ficcionais.
A PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
SIGNO LINGUÍSTICO
Todo sistema que serve para a comunicação humana pode ser considerado uma linguagem. Esta se define como um conjunto de signos regido por regras de combinação e apto a expressar um modelo do mundo, uma visão ideológica da existência. [...]
A língua natural é o primeiro sistema de signos que o homem aprende a usar para se comunicar, quer porque o sistema linguístico é a base para a construção de qualquer outro sistema semiótico.

SALVATORE D'ONOFRIO
A linguagem literária é um sistema semiótico cujo "plano da expressão" é constituído pelo plano da expressão e pelo "plano do conteúdo" de uma semiótica básica e fundamentalmente denotativa, o sistema semiótico da língua natural.

LOUIS HJELMSLEV
SIGNIFICANTE - PLANO DA EXPRESSÃO: conjunto dos fonemas e/ou símbolos gráficos.

SIGNIFICADO - PLANO DO CONTEÚDO: referência a um objeto do mundo real.
ROSA
['ro za]
Irene é uma rosa.
Irene é uma fada da rosa silvestre, arbusto espinhoso, mas muito apreciado por suas propriedades medicinais. Pertence as fadas das flores de outono. Se apresenta como uma criança de pele morena com uma túnica presa por uma cinta de tom alaranjado. Possui asas de borboleta e seus pés estão sempre descalços.
Irene é uma pessoa amorosa, delicada, pura, sensível, perfumada, apaixonante, frágil, sedutora como uma rosa é.
Na linguagem literária, o conjunto significante e significado iniciais torna-se significante (constitui o plano da expressão) de um novo significado, de um significado virtual.
DENOTAÇÃO x CONOTAÇÃO
LINGUAGEM DENOTATIVA - SIGNIFICADO CONCEPTUAL:

Empregada na linguagem científica e quotidiana. É o sentido presente no dicionário.
Na língua comum, os signos assumem um caráter convencional e arbitrário.
LÁBIOS
LABIRINTOS
LINGUAGEM CONOTATIVA - LINGUAGEM POÉTICA
É impregnada de linguagem literária. Em poesia um referente pode corresponder dois ou mais significados, cujos sentidos variam em função do repertório cultural e da situação afetiva do leitor.
O signo artístico possui em sua essência a iconicidade.
HJELMSLEV: atualização da palavra no discurso - PLURISSIGNIFICAÇÃO
BARTHES: a palavra poética constitui um objeto inesperado -
DELEITE E PRAZER ESTÉTICO
SEUS LÁBIOS SÃO LABIRINTOS
Refrão De Bolero
Engenheiros do Hawaii

Eu que falei nem pensar
Agora me arrependo roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão

Mas eu falei nem pensar
Coração na mão
Como um refrão de um bolero
Eu fui sincero como não se pode ser.
SEUS LÁBIOS SÃO LABIRINTOS
E um erro assim, tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E quando acaba a bebedeira
Ele consegue nos achar

Num bar,
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro
E uma cara embriagada
No espelho do banheiro

Teus lábios são labirintos
Que atraem os meus instintos mais sacanas
E o teu olhar sempre distante sempre me engana
Eu entro sempre na tua dança de cigana.
DEFINIÇÕES CLÁSSICAS
PLATÃO - no livro A República diz: a comédia e a tragédia se constroem inteiramente por imitação, os ditirambos apenas pela exposição do poeta e a epopeia pela combinação dos dois processos.
Como Platão atribuísse às artes uma função moralizante, a classificação das obras literárias através do seu conceito de imitação, serviria de base à condenação que faz aos poetas que, ao concederem autonomia à voz das personagens, em nada contribuiam para o projeto político de edificação de uma pólis ideal.
ARISTÓTELES - recusa a hierarquia platônica, apresentando na Poética uma nova percepção do processo da mimesis artística.

MIMESIS: representação da realidade
CATARSE: purificação - terror e peidade
TRAGÉDIA
A tragédia apresentava homens melhores do que nós, de mais elevada psique, portadores de possibilidades de transformações do mundo.
COMÉDIA
A comédia ocupa-se de homens piores do que nós, de menos elevada psique, portadores de vícios e limitações.
ESCOLAS
LITERÁRIAS
APOLO era o deus da Beleza, da Perfeição, da Harmonia, do Equilíbrio e da Razão.

Apolo é apresentado por Nietzsche como o deus do sonho, das formas, das regras, das medidas, dos limites individuais. O apolíneo é a aparência, a individualidade, o jogo das figuras bem delineadas.

Apolo representa domínio da imagem, da metáfora, isto é, da dissimulação. Esta categorização identifica a conceptualização com a aparência. Mas Apolo representa também o equilíbrio, a moderação dos sentidos e, num certo sentido, a própria civilidade, ou melhor, o modo como esta é ordinariamente compreendida.
DIONISO era o deus das festas, do vinho e da insanidade.

Dioniso é apresentado como o gênio ou impulso do exagero, da fruição, da embriaguez extática, do sentido místico do Universo, da libertação dos instintos. É o deus do vinho, da dança, da música e ao qual as representações de tragédias eram dedicadas. Dionísio representa, portanto, o irracional, a quebra das barreiras impostas pela civilização, à dissolução dos limites dos indivíduos e o eterno devirem.
Dioniso é o princípio metafísico do ser que é assim, paradoxalmente, compreendido como eterno fluir.
GÊNEROS
TEXTUAIS
GÊNERO
LÍRICO

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre, em verso humilde, celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene .

Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda ,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda.
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no Universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.

Os Lusíadas (I, 4-5)
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