The Internet belongs to everyone. Let’s keep it that way.

Protect Net Neutrality
Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Literatura e Autoficção: a construção literária

No description
by

Jacques Fux

on 10 November 2017

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Literatura e Autoficção: a construção literária

Livros
Fragmentos
Binjamin Wilkomirski, autor do livro
Fragmentos: memórias de uma infância 1939-1948
, ou no original
Buchstücke: aus einer Kindheit 1939-1948
, problematiza a questão de se fazer ficção ou não com a Shoah.

Virou um best-seller e um livro fundamental para os estudos da Shoah, adotado inclusive em escolas.

Posteriormente, foi descoberto que era uma ficção estrita, apesar de clamar por uma verdade histórica e memorialística do autor.
O filho eterno
Serge Doubrovsky
Relaciona a autoficção à psicanálise sendo o
exercício autoficcional uma “prática da cura”.

O termo autoficção tem origem francesa,
autofiction
, e foi criado pelo escritor francês
e professor de literatura Serge Doubrovsky,
publicado, oficialmente, em 1977.

Lejeune lança uma questão nos seus estudos
sobre a autobiografia: “O herói de um
romance declarado pode ter o mesmo
nome que o autor?”. Doubrovsky parte dessa
indagação para dar início ao debate
autoficcional. Tal discussão perdura, ainda, e o seu cerne consiste nos diferentes conceitos
de literatura que cada teórico tem.
Jacques Fux
Memória e Autoficção
K
A chave de casa
O Divórcio
Anti
terapias
Discute sobre o que é e o que não é uma autoficção.

O autor cria uma “falsa terceira pessoa” ao narrar uma experiência autobiográfica e consegue criar um duplo ficcional na narrativa.

Estabelece uma certa distância da experiência pessoal: a aceitação de um filho com síndrome de Down e a sua superação como pai .
Ao encontrar o diário da mulher, na mesinha de cabeceira do quarto,
Ricardo depara-se com revelações que o levam ao divórcio e à “perda da pele”.

O casamento de quatro meses é arruinado pelas confissões registradas pela mulher (como infidelidade e frustrações em relação ao marido).

Superexposição de si e do outro na literatura, também do luto e da vingança
elaborados através da escritura, bem como as possíveis consequências disso.

“[...] o diário que reproduzo aqui é sem nenhuma diferença o mesmo que xeroquei antes de sair de casa. Aliás, não há uma palavra de ficção nesse romance”.
Nas primeiras páginas o leitor supõe que o livro
seja uma confissão. Dados biográficos da narradora coincidem com seus dados biográficos, apresentados na orelha e no material de divulgação. A descrição que ela faz de si se repete em sua fotografia estampada na orelha do livro: olhos de azeitona, nariz comprido, boca pequena.

Mas na página 18, a mãe, que estaria morta, fala. As certezas começam a se deslocar.
Trata da memória traumática do período da Ditadura Militar no Brasil.

O livro narra, na voz do pai da vítima, o desparecimento de Ana Rosa Kucinski, professora de Química na Universidade de São Paulo (USP), e de seu marido, o físico Wilson Silva, durante a ditadura militar brasileira, e o processo instaurado pela Universidade por ‘abandono de emprego’.

Discute, também, os efeitos políticos que a obra literária provoca. Uma mudança na realidade: a abertura de um processo de um desaparecido político.
"Construída em primeira pessoa, a obra mantém uma
inegável relação com as reminiscências íntimas do autor. Está
tudo ali: a infância e a dura constatação de “ser diferente”,
a presença marcante da família e da comunidade judaica, as
primeiras descobertas amorosas, o deleite alcançado através
da literatura e das paixões mundanas, o alicerçar do futuro
intelectual..."

"A obra traz um relato “paralelo”, na persona de um judeu perseguido pelos nazistas, fugitivo de um passado que teima
em atormentá-lo, e cuja voz emerge em vários momentos,
assinalada por uma grafia diferenciada, sinalizando tratar-se
de “uma história dentro da história" (ou seria uma
personagem dentro da personagem?)'.

"Ler Antiterapias causa efeitos: a vontade de sinceridade. A sinceridade se diz de diversos modos, também a sinceridade literária."

"Antiterapias comove por sua verossimilhança. Ele parece mesmo real, assim como Emma Bovary era, em certo sentido, real".
Bibliografia
http://repositorio.pucrs.br/dspace/bitstream/10923/5746/1/000456796-Texto%2BCompleto-0.pdf

http://seer3.fapa.com.br/index.php/arquivos/article/view/100/106

http://saopauloreview.com.br/2014/12/08/literatura-de-testemunho/

http://seer.ufc.br/index.php/revistadeletras/article/view/106/65

http://revistacult.uol.com.br/home/2014/11/sinceridade-literaria-%E2%80%93-sobre-antiterapias-de-jacques-fux-2/
1960: Barthes
A morte do autor
O autor perdia o 'poder' sobre o
texto publicado, enquanto o texto e o leitor
ganhavam autonomia.
Lejeune inova com o seu “pacto autobiográfico”, uma concepção de contrato de leitura entre o autor e o leitor que consiste nos princípios de veracidade e de identidade entre Autor, Narrador e Personagem-protagonista (A = N = P).
O leitor toma o texto como a
“verdade do indivíduo”, marcando
assim a diferença entre romance e autobiografia (ou memórias).

No romance, o compromisso com a realidade é
flou.
Na autobiografia, o pacto de veracidade traz consequências legais para o autor (ele passa a ser responsável pelo que afirma, seja isso verdade ou não, ele terá de se justificar).

Problemas e repercussão! Mas ele
repensa e recria a própria teoria!
Doubrovsky
"Autobiografia? Não, esse é um privilégio reservado aos importantes desse mundo, ao fim de suas vidas, e em belo estilo. Ficção, de acontecimentos e fatos estritamente reais; se se quiser, autoficção, por ter confiado a
linguagem de uma aventura à aventura da linguagem, fora da sabedoria e fora da sintaxe do romance, tradicional ou novo. Encontro, fios de palavras, aliterações, assonâncias, dissonâncias, escrita de antes ou de depois da literatura, concreta, como se diz em música. Ou ainda: autofricção,
pacientemente onanista, que espera agora compartilhar seu prazer".
Conceito mais 'livre' que o do pacto autobiográfico!
Também revisou seu conceito!
O que
não
é autoficção?
A autoficção não é um relato retrospectivo como
a autobiografia imagina ser.
Tende a mostrar “as rupturas absolutas entre o que eu
era
no presente em diversas épocas da minha vida"
A autoficção não é somente uma recapitulação da história do autor.
O movimento da autobiografia é da VIDA para o TEXTO, enquanto o da autoficção é do TEXTO, da literatura, para a VIDA.
Na autoficção, o autor não precisa escrever sobre
a sua 'vida' seguindo, necessariamente, uma linha
cronológica.
A escrita autoficcional parte de 'fragmentos'.
O autor pode escrever para criar e recriar um episódio ou uma experiência de sua 'vida', recortando um pequeno instante de um tempo vivido.
A autoficção não precisa ser uma narração em prosa,
como Lejeune constrói a sua teoria.
A autoficção é uma história em que “a matéria é inteiramente
autobiográfica, a maneira inteiramente ficcional”.
A autoficção não é somente invenção.
Porém hoje há uma flexibilização, 'permitindo' que o autor invente e se reinvente de diferentes formas no seu
texto literário.
Autoficção fantástica, autoficção biográfica, autoficção
especular, autoficção intrusiva....
“Lamentavelmente não funciona, nunca funcionou,
nunca funcionará. O que não impedirá que sigamos durante
muito tempo classificando os animais pelo seu número ímpar
de dedos ou por seus chifres ocos.
Revisionistas!
Pode?
A autoficção não é autobiografia, nem romance. Nem um, nem outro. Ela instaura-se no entre-lugar, entre a autobiografia e o romance,
Autobiografia
Não-ficção;
Pacto autobiográfico;
Princípio da verdade;
Identidade.
Autoficção
Pacto ambíguo;
Princípio da ambiguidade;
Identidade e não-identidade;
Veracidade e invenção.
Ficção
Pacto ficcional;
Princípio da invenção;
Não-identidade.
“A autoficção é a ficção que decidi,
enquanto escritor, dar a mim mesmo e por mim mesmo, nela incorporando, no sentido pleno
do termo, a experiência da análise, não apenas na temática, mas na produção do texto". Doubrovsky
Autobiografia
Romance
Autoficção
Eu autobiográfico;

Eu comprometido.
Eu autofictício;

Eu performático.
Eu romanesco;

Eu desconectado.
"Quando expõem questões íntimas, escritores franceses também violam a
privacidade de seus maridos, mulheres, amantes e filhos. Alguns convertem
conflitos típicos de telenovelas em romances esteticamente elegantes. No
entanto, a deselegância dessa superexposição alheia vem gerando crescente
número de reclamações de parentes nos tribunais, levando a questão da ética
na autoficção e injetando um viés de escândalo na literatura – o que até ajuda
a vender livros, mas afeta a reputação do autor e influencia a leitura do texto
em si."
"A autoficção francesa é frequentemente rotulada de narcisista, devido aos
excessos de um eu que transborda e muitas vezes fere o outro. Vários
romances trazem esse tom de acerto de contas, revanche ou vingança. [...]
Enfim, o ajuste de problemas domésticos na literatura pode render ótimos
livros, desde que apresentem qualidade literária suficiente para diluir o tom
lavagem-de-roupa-suja".
Luciana Hidalgo
Judeu;
Acadêmico;
Pesquisador: Shoah e Autoficções;
Leitor;
Borges e Perec: "Kafka e seus precursores e
os "Plagiários por antecipação";
Neurociência: a questão da memórias;
Estilo e linguagem.
Fragmentos
e
K
: Martin Bormann
A chave de casa
e
Divórcio
: questão do corpo x memória
O filho eterno
e
A Queda
: pessoal especial
Bibliografia importante!

ANNA FAEDRICH MARTINS
AUTOFICÇÕES
Do conceito teórico à prática na literatura brasileira contemporânea

Exercício
1 - Escreva uma autoficção;
2- Escreva uma polêmica;
Full transcript