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POESIA ROMÂNTICA: GERAÇÕES

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Fernando Juarez de Cardoso

on 6 August 2015

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Transcript of POESIA ROMÂNTICA: GERAÇÕES

PRESSUPOSTOS – Ocidente (Era do Liberalismo)
PRESSUPOSTOS
1ª geração da poesia Romântica
(Nacionalista/Indianista)

Influência de Chateaubriant
AUTORES E OBRAS
2ª Geração Romântica

Ultra-romântica
Subjetivista/Individualista
Byroniana
Mal-do-século
AUTORES E OBRAS
Castro Alves (1847-1871)
POESIA ROMÂNTICA
LITERATURA BRASILEIRA
Nova mentalidade acerca da obra de arte, que passa a ser valorizada como um produto com valor de mercado.
formação de um novo público leitor – democratização da arte (ou o liberalismo na literatura) – surgimento da imprensa;
Ideia de NAÇÃO
Revolução industrial (1760)
Revolução Francesa (1789)
Independência Americana (1776)
Ascenção da burguesia e o fim das rígidas barreiras entre as classes sociais;
PRESSUPOSTOS – Brasil
Subjetivismo

O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa.
CARACTERÍSTICAS
Independência, Regência e Segundo Reinado.
Criação de várias instituições e órgãos como a Biblioteca Nacional, a Escola de Belas Artes, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o primeiro curso superior de Direito.
Vinda da família real para o Brasil (1808)
CARACTERÍSTICAS:

Individualismo
Liberdade
Nacionalismo
Indianismo

É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone para a origem nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade européia. Mas servia para
ocultar a miscigenação mulata do Brasil.
Procura de uma
língua nacional


Tentativa de desenvolvimento da língua nacional como conseqüência da busca de uma identidade nacional.
Medievalismo

Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo de retratar as culturas de seu país. Esses poemas se passam em eras medievais e retratavam grandes guerras e batalhas.
Grotesco e sublime

Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo que visa a idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição. Como exemplo, temos o conto de
A Bela e a Fera
, no qual uma jovem idealizada, se apaixona por uma criatura horrenda.
Natureza
interagindo com o eu lírico

A natureza, no Romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do ano, como formas de passagens, à tempestades, ou dias de muito sol.
Escapismo

O artista romântico se torna o paradigma do seu próprio mundo e ao não concretizar esse mundo se sente perdido e infeliz buscando outros espaços de atuação: Sonho, lugar exótico, passado individual (infância) e até mesmo a morte.
Idealização

Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é uma virgem frágil, o índio é um herói nacional, e a pátria sempre perfeita. Essa característica é marcada por descrições minuciosas e muitos adjetivos.
Sentimentalismo

Praticamente todos os poemas românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre uma vida.
Egocentrismo

Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os no texto. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.
Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra. O eu é o foco principal do subjetivismo, o eu é egoísta, forma de expressar seus sentimentos.
Principais temas:

Pátria
Natureza
Índio
Saudade
Amor impossível
AS TRÊS GERAÇÕES ROMÂNTICAS
José Gonçalves de Magalhães (1811 – 1887)
Dela, vale-nos mais o prefácio do que o seu conteúdo em si.
Responsável pela publicação de
Suspiros poéticos e saudades
(1836), obra que inaugura o romantismo no Brasil.
“Seja qual for o lugar em que se ache o poeta, ou apunhalado pelas dores, ou ao lado de sua bela, embalado pelos prazeres; no cárcere, como no palácio; na paz, como sobre o campo da batalha, se ele é verdadeiro poeta, jamais deve esquecer-se de sua missão, e achar sempre o segredo de encantar os sentidos, vibrar as cordas do coração, e elevar o pensamento nas asas da harmonia até às ideias arquétipas. (...)
“Quanto à forma, isto é, a construção, por assim dizer, material das estrofes, e de cada cântico em particular, nenhuma ordem seguimos; exprimindo as ideias como elas se apresentaram, para não destruir o acento da inspiração; além de que, a igualdade dos versos, a regularidade das rimas, e a simetria das estâncias produz uma tal monotonia, e dá certa feição de concertado artificio que jamais podem agradar. Ora, não se compõe uma orquestra só com sons doces e flautados; cada paixão requer sua linguagem própria, seus sons imitativos, e períodos explicativos.
Além dessa obra, Magalhães publica um poema épico chamado Confederação dos Tamoios, que seria altamente criticado por José de Alencar.
Cabe notar, em sua poesia, que demonstra, principalmente, uma inspiração e consciência artística de alto nível.
Antônio Gonçalves Dias (1823 –1864)
Dotado de um maior senso crítico e qualidade do que seus contemporâneos, Gonçalves Dias é tido como um dos grandes poetas da sua geração, servindo de exemplo e inspiração para os seus sucessores.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá

Características:

Saudade da pátria
Aqui: exílio e lá: Brasil
Versos do hino nacional
Natureza: cor local
Caracterização do Brasil sem a utilização de adjetivos
Por esse e outros poemas, Gonçalves Dias é considerado, simbolicamente, como o verdadeiro criador da Literatura Nacional.
Gonçalves Dias é um grande poeta, em parte pela capacidade de encontrar na poesia o veículo natural para a sensação de deslumbramento ante o Novo Mundo (...) O seu verso, incorporando o detalhe pitoresco da vida americana ao ângulo romântico e europeu de visão, criou (verdadeiramente criou) uma convenção poética nova. (CANDIDO, A. Formação da Lit. Brasileira, p. 404)
Atentando para essa função propriamente estética do pitoresco e do exótico, vemos quanto carece do sentido a conhecida alegação de que o valor dum escritor indianista é proporcional à sua compreensão da vida indígena. Sendo recurso ideológico e estético, elaborado no seio de um grupo europeizado, o Indianismo, longe de ficar desmerecido pela imprecisão etnográfica, vale justamente pelo caráter convencional; pela possibilidade de enriquecer processos literários europeus com um temário e imagens exóticas, incorporados deste modo à nossa sensibilidade. (CANDIDO, A. Formação da Lit. Brasileira, p. 405)
Ainda, é na obra desse importante poeta que o Indianismo será registrado de forma profunda, como realidade da experiência nacional.
“O poema épico I-Juca PIrama (aquele que há de morrer, em Tupi) narra a estória de um jovem tupi que cai prisioneiro dos timbiras, os quais se preparam para devorá-lo no ritual da antropofagia.
I-JUCA PIRAMA (1851)
Libertado, o índio retorna ao pai, que, ao saber que o filho rompera o ritual da morte, leva-o de volta aos timbiras e exige que o filho seja morto como um valente.
No momento de ser morto, o prisioneiro chora. Então, os timbiras se recusam a comê-lo, por o considerarem um covarde. Todavia, o jovem tupi chorara porque se lembrou de que, com sua morte, seu velho pai ficaria desamparado.
AINDA UMA VEZ ADEUS
CANTO V e CANTO VIII
Poesias americanas X Poesias diversas

Lirismo amoroso
Lirismo reflexivo
Medievalismo
Esta foi geração que negou o índio e negou o outro pela sua preocupação consigo mesmo.
Abandona-se o tema do indianismo universalizando a poesia nacional, pesquisando aspectos mais íntimos do indivíduo (erotismo, morbidez, solidão)
Porque buscam a morte têm um amor que não pode ser consumado, sendo simplesmente platônico.
Seus poetas estão centrados no tédio de viver, porque a vida é chata e blasé eles buscam a morte.
Principais caraterísticas:

Tédio (Spleen)
Fuga (escapismo)
Sonho (espaço onírico)
Infância (passado individual)
Platonismo (amor idealizado)
Morte (solução para o tédio)
Álvares Azevedo (1831-1852)
É tido como a personalidade mais rica da sua geração, por demonstrar um programa poético conscientemente traçado, no qual apresenta uma grande diversidade das formas e temas sobre os quais versou.
No entanto, é importante notar que o drama que apresenta nos seus poemas (individualismo dramático) não se origina das condições exteriores.
Dentre seus principais temas, podemos identificar um Lirismo sentimental e um lirismo irônico em seus poemas, que em geral, versam sobre o amor, a morte, o tédio e o prosaico.
SE EU MORRESSE AMANHÃ
LEMBRANÇA DE MORRER X O POETA MORIBUNDO
O AMOR VIRGINAL X AMOR PLEBEU
É ELA! X QUANDO À NOITE NO LEITO PERFUMADO
A mulher, na obra de Alvares de Azevedo, “aparece com a força obsessiva que tem na adolescência (...) exprime, com a força ampliadora da arte, a condição normal do adolescente burguês e sensível em nossa civilização,
mais acentuada ou prolongada nuns do que noutros: a dificuldade inicial de conciliar a ideia de amor com a de posse física.” (CANDIDO, A. Formação da Lit. Brasileira, p. 499)
Lugares-comuns da poesia de Alvares de Azevedo:

gozo;
dormir;
palidez;
sonho.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Canção do exílio
Soltai-o! - diz o chefe. Pasma a turba; 
Os guerreiros murmuram: mal ouviram, 
Nem pode nunca um chefe dar tal ordem! 
Brada segunda vez com voz mais alta, 
Afrouxam-se as prisões, a embira cede, 
A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo.
Tu choraste em presença da morte? 
Na presença de estranhos choraste? 
Não descende o cobarde do forte; 
Pois choraste, meu filho não és! 
Possas tu, descendente maldito 
De uma tribo de nobres guerreiros, 
Implorando cruéis forasteiros, 
Seres presa de via Aimorés.
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei!
Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que atua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera…
E eu, eu fui que não a quis!
Adeus, qu’eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve adeus!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
O poeta moribundo

Poetas! amanhã ao meu cadáver
Minha tripa cortai mais sonorosa!...
Façam dela uma corda e cantem nela
Os amores da vida esperançosa!
(...)
Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia...
Como o cisne de outrora... que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.
Coração, por que tremes? Vejo a morte,
Ali vem lazarenta e desdentada...
Que noiva!... E devo então dormir com ela?
Se ela ao menos dormisse mascarada!
(...)
Antes mil vezes que dormir com ela.
Que dessa fúria o gozo, amor eterno
Se ali não há também amor de velha,
Dêem-me as caldeiras do terceiro inferno!

No inferno estão suavíssimas belezas,
Cleópatras, Helenas, Eleonoras;
Lá se namora em boa companhia,
Não pode haver inferno com Senhoras!
Lembrança de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
e o eco ao longe murmurou — é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura —
a minha lavadeira na janela.
(...)
Esta noite eu ousei mais atrevido,
nas telhas que estalavam nos meus passos,
ir espiar seu venturoso sono,
vê-la mais bela de Morfeu nos braços!

Como dormia! que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!
Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela
um bilhete que estava ali metido...

Oh! decerto... (pensei) é doce página
onde a alma derramou gentis amores;
são versos dela... que amanhã decerto
ela me enviará cheios de flores...

Tremi de febre! Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
eu beijei-a a tremer de devaneio...
Quando à noite no leito perfumado
Lânguida fronte no sonhar reclinas,
No vapor da ilusão por que te orvalha
Pranto de amor as pálpebras divinas?

E, quando eu te contemplo adormecida
Solto o cabelo no suave leito,
Por que um suspiro tépido ressona
E desmaia suavíssimo em teu peito?
Virgem do meu amor, o beijo a furto
Que pouso em tua face adormecida
Não te lembra no peito os meus amores
E a febre de sonhar da minha vida?

Dorme, ó anjo de amor! no teu silêncio
O meu peito se afoga de ternura
E sinto que o porvir não vale um beijo
E o céu um teu suspiro de ventura!
AUTORES E OBRAS
A poesia Condoreira
Influenciada por temas sociais, a terceira geração da poesia romântica no Brasil passa por um contexto de mudanças na estrutura social do país.
Sendo assim, alguns acontecimentos influenciaram diretamente essa geração, tais como a Guerra do Paraguai (1853) e a campanha abolicionista iniciada no país.
Características da 3ª geração:

Causas humanitárias;
Educação;
República;
Escravidão;
Abolicionismo;
Amor erótico.
“A praça é do povo
Como o céu é do condor”
O condor é o pássaro que voa mais alto na América do Sul, metáfora para a linguagem e para a preocupação social do poeta.
Único poeta relevante da geração, Antônio de Castro Alves apresentará uma obra que se divide em duas vertentes principais:
Poesia lírica: causas liberais e humanitárias;

Poesia lírica: natureza e amor sensual.
Ainda, devemos lembrar que associada às causas humanitárias, a poesia de Castro Alves é predominantemente declamatória e grandiloquente.
Obras:

Espumas Flutuantes (1870)

Gonzaga (drama) (1875)

A cachoeira de Paulo Afonso (1876)

Os escravos (1883)
O "Adeus" de Teresa
 
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse‑lhe a tremer co'a fala...
 
E ela, corando, murmurou‑me: "adeus."
Uma noite... entreabriu‑se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando‑a presa...
 
E ela entre beijos murmurou‑me: "adeus!“
Passaram tempos... sec'los de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei!... descansa!...
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquesta
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"
Mocidade e Morte

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.
 
Mas uma voz responde‑me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.
Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher—camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas.
Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas...
 
E a mesma voz repete‑me terrível,
Com gargalhar sarcástico: —impossível!
Adeus, pálida amante dos meus sonhos!
Adeus, vida! Adeus, glória! amor! anelos!
Escuta, minha irmã, cuidosa enxuga
Os prantos de meu pai nos teus cabelos.
Fora louco esperar! fria rajada
Sinto que do viver me extingue a lampa...
Resta‑me agora por futuro — a terra,
Por glória—nada, por amor—a campa.
 
Adeus! arrasta‑me uma voz sombria
Já me foge a razão na noite fria!..
O Livro e a América
 
Talhado para as grandezas,
P'ra crescer, criar, subir,
O Novo Mundo nos músculos
Sente a seiva do porvir.
—Estatuário de colossos —
Cansado doutros esboços
Disse um dia Jeová:
"Vai, Colombo, abre a cortina
"Da minha eterna oficina...
"Tira a América de lá”
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto —
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe—que faz a palma,
É chuva—que faz o mar.
Vós, que o templo das idéias
Largo — abris às multidões,
P'ra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse "rei dos ventos“
—Ginete dos pensamentos,
—Arauto da grande luz!...
Bravo! a quem salva o futuro
Fecundando a multidão!...
Num poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goethe moribundo
Brada "Luz!" o Novo Mundo
Num brado de Briaréu...
Luz! pois, no vale e na serra...
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu! . . .
Navio negreiro
CANTO I: A poesia inicia com uma evocação de beleza: o mar e o céu formando dois espaços infinitos por onde passam os barcos. O poeta observa um barco e busca saber de onde vem, para onde vai.
No final, pergunta-se: por que razão aquele barco foge dele? O poeta termina pedindo ajuda ao albatroz, para que este lhe dê asas e o faça aproximar-se do barco que passa ao longe.
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço 
Brinca o luar — dourada borboleta; 
E as vagas após ele correm... cansam 
Como turba de infantes inquieta.  (...)

Por que foges assim barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?...
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar doudo cometa.
CANTO II: Na segunda parte o poeta dedica-se a elogiar os marinheiros que, ao longo da história da humanidade, realizaram esta tarefa, a de descobrir e interligar novos mundos. Assim, espanhóis, italianos, ingleses, franceses e até os gregos, representados mitologicamente por Ulisses, herói da Odisséia, são relembrados por suas façanhas e por seu valor.
CANTO III: Nas asas do albatroz, o poeta aproxima-se do barco inicialmente citado e espanta-se com o que acontece ali dentro. Aqui se dá a virada no poema. O que antes era visto como algo belo e divino (estar no mar, ser um marinheiro...), passa a ser visto por um outro ângulo, que vai ser apresentado nas partes seguintes.
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais, inda mais... não pode o olhar humano,
Como o teu mergulhar no brigue voador...
Porém que vejo aí... que quadro de amarguras!
Que canto funeral!... que tétricas figuras!
Que cena infame e vil!... Meu Deus! meu Deus! Que horror!
Negros escravos são açoitados cruelmente, e os sons que habitam aquele navio (chicotes, ferros que são arrastados pelos escravos, os gritos e gemidos) parecem ser música produzida por uma orquestra irônica: é uma música de terror e não de beleza. E todo este horror só pode trazer contentamento a Satanás; é o inferno.
CANTO IV: Buscando imagens infernais (daí a citação a Dante, poeta italiano, autor d’A divina comédia), o poeta passa a descrever os horrores que acontecem naquele navio.
Era um sonho dantesco... O tombadilho,
Que das luzes avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar...

Negras mulheres suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães.
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas
Em ânsia e mágoa vãs.
São apresentados como heróis em suas terras, transformados em escravos pelos conquistadores. No final, o poeta pede ao mar que engula este navio, pede ao tufão que apague este horror que transita pelos mares.
CANTO V: Numa súplica aos céus, o poeta pergunta-se quem são estes homens que tanto sofrem. E a resposta vem através da fala de uma musa, a partir da terceira estrofe desta parte.
o poeta lembra horrorizado que existe um país que permite que esta cena selvagem se repita. Existe um país que “empresta sua bandeira para cobrir tanta infâmia e cobardia”, e este país é o Brasil.
CANTO VI: Nesta parte, certamente a mais importante do poema, aquela que legitima Castro Alves como um autor da terceira geração romântica, dentro dos ideais condoreiros,
E existe um povo que a bandeira empresta
Pra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transportar-se nessa festa
Em manto impuro de Bacante fria!...
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa! chora, chora tanto,
Que o pavilhão se lave no teu pranto...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da Liberdade após a guerra
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
CANTO VI: O poeta lamenta que uma bandeira que simbolizou a liberdade (na Independência) agora sirva de mortalha para um povo, para os escravos. Na estrofe final, o poeta apela para os heróis dos mares e da pátria (Colombo e José Bonifácio de Andrada) para que evitem que este mal permaneça.
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