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Os significados dados pelo corpo à cognição nas ciências cognitivas contemporâneas: por uma ressignificação antirreducionista da cognição

UERJ 2013
by

Tom Lemos

on 30 April 2014

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Transcript of Os significados dados pelo corpo à cognição nas ciências cognitivas contemporâneas: por uma ressignificação antirreducionista da cognição

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Os significados dados pelo corpo à cognição nas ciências cognitivas contemporâneas: por uma ressignificação antirreducionista da cognição
Autor: Thompson Lemos da Silva Neto
(Tom Lemos)
Doutorando em filosofia - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Membro do Grupo de Estudos Sociais e Conceituais em Ciência, Tecnologoa e Sociedade/CNPq
Antecedentes do cognitivismo
Anos 1930: dois artigos influentes


Campo de visão após giro da cabeça para a direita
A essência da
inteligência
(artificial ou não) está na percepção incorporada, não na abstração
Devemos construir sistemas inteligentes completos que colocaremos no mundo real, com sensibilidade e ação também reais.

Seguindo essa abordagem, construímos uma série de robôs móveis autônomos. Chegamos a uma conclusão inesperada
C
e temos uma hipótese radical
H

C)
Quando examinamos níveis de inteligência muito simples, descobrimos que representações e modelos explícitos do mundo são dispensáveis. Acaba sendo melhor usar o mundo como seu próprio modelo

H)
Representação é a unidade de abstração errada, mesmo na construção das maiores partes dos sistemas inteligentes
Delineamos a nossa abordagem de incrementalmente construir Criaturas inteligentes completas.

A decomposição fundamental do sistema inteligente não é entre unidades independentes de processamento de informação, que precisam interagir entre si mediante representações.

Em vez disso, o sistema inteligente é decomposto em produtores de atividade independente e paralela em que todos eles interagem diretamente com o mundo através de percepção e ação, ao invés interagirem particularmente muito entre si.

As noções de sistemas centrais e periféricas evaporaram - tudo é ao mesmo tempo central e periférico
Nosso robô móvel evita colidir com as coisas. Ele sente os objetos em sua vizinhança imediata e afasta-se deles, parando quando encontra alguma coisa no seu caminho

É um sistema decomposto em partes, mas sem distinção entre um "sistema central", um "subsistema de percepção" e um "subsistema de ação"

Há canais independentes conectando sensibilidade e ação

Para fora do caos local das interações emerge, aos olhos do observador, um padrão de comportamento
"O termo representação é enganoso. Não existe uma literal re-presentação de uma disposição óptica anterior. A cena não pode ser restabelecida; a disposição óptica não pode ser reconstituída"
O antirepresentacionismo de Rodney Brooks
Tom Lemos
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
tom-lemos@uol.com.br
Pesquisas em máquinas de computar
Desenvolvimento da lógica simbólica
Exemplo: logicismo de Frege
Exemplo: pesquisas de Babbage
1791 — 1871
máquina analítica
1848 — 1925
Alan Turing - “On computable numbers, with an application to the Entscheidungsproblem”, de
1936
-
MÁQUINA DE TURING
Claude Shannon - “A symbolic analysis of relay and switching circuits”, de
1938
-
bit
"Computador":
Suscetível a se encontrar em qualquer "estado mental" em dado momento
Fita ilimitada nos dois sentidos
Através da concepção dos cartões perfurados como meios de controle, antecipou a separação entre o nível lógico e o nível físico na computação artificial (inspiração nos teares Jacquard)
sim
não
ligado
desligado
1943
Artigo “A logical calculus of ideas immanent in nervous activity”, de Warren McCulloch e Walter Pitts
Envolvimento de John Von Neumann na criação do ENIAC, primeiro grande computador eletrônico construído
"Esse dinossauro informático foi realizado sem que se dispusesse da ideia de que a concepção lógica de uma máquina de calcular é separável da concepção de seus circuitos, (...) sem que fosse feita a distinção entre o “equipamento” (o hardware) e o “programa” (o software). Essa ideia foi formulada por John von Neumann, quando, chamado para consulta pelos construtores do ENIAC, já elaborou os conceitos da nova geração de computadores. Ora, de onde ele a tirou senão da leitura do artigo de McCulloch-Pitts? Ante esse recém-chegado no mundo material que é o computador, von Neumann adota exatamente a mesma atitude que estes últimos ante o cérebro biológico: dele abstrai uma máquina lógica – e, o que é mais, a mesma máquina lógica (DUPUY, 1996 [1994], p. 77 )
"A lei de tudo ou nada das atividades do sistema nervoso é suficiente para assegurar que a atividade de qualquer neurônio possa ser representada como uma proposição. As relações fisiológicas existentes entre as atividades nervosos correspondem, evidentemente, às relações entre as proposições; e a utilidade da representação depende da identidade destas relações com as da lógica das proposições. Para cada reação de qualquer neurônio há uma asserção correspondente a uma proposição simples" (MCCULLOCH & PITTS, 1943, p. 117).
Fase de institucionalização: 1946-1978
Primeiro conjunto de encontros:
Conferências Macy
, de1946 a 1953, promovidas pela Fundação Macy.

Participantes de destaque: Norbert Wiener, John Von Neumann, Warren McCulloch, Gregory Bateson, Margaret Mead, Roman Jakobson, Heinz Von Foerster

Trataram de cibernética mas, por contarem com a participação dos principais nomes das futuras ciências cognitivas, serviram como importante impulso para a formação do novo campo científico, desde já afirmando sua feição interdisciplinar e unificadora
Fremont-Smith, administrador da Fundação Macy:

"A especialização, a profissionalização e o isolamento crescentes das disciplinas científicas constituem atualmente um dos principais obstáculos ao progresso do conhecimento. Daí a palavra de ordem: derrubar as divisórias artificiais, pôr as diversas especialidades numa relação de comunicação, para permitir uma reunificação da ciência"

Paralelamente às Conferências Macy, ocorreu o congresso “Mecanismos Cerebrais do Comportamento”, ou First Hixon Symposium, no California Institute of Technology, em setembro de 1948, sendo financiado pelo Hixon Fund
Quadro das ciências do comportamento, antes no nascimento das ciências cognitivas:

INTROSPECÇÃO


BEHAVIORISMO


Gilbert Ryle, contra o dualismo:

"Não há fantasma na máquina" (1949)
Julho e agosto (verão) de 1956:

"Dartmouth Summer Research Conference on Artificial Intelligence", no Dartmouth College - principais fundadores da IA: John McCarthy, Marvin Minsky, Allen Newell e Herbert Simon.
Este encontro serviu para preparar uma nova geração da IA, que iria firmar a prática tecnológica das formulações teóricas anteriores.
Um mês após o final da conferência em Dartmouth:

“Simpósio sobre Teoria da Informação” no Massachusetts Institute of Technology (M.I.T.)

A ele compareceram, além de Newell e Simon, o linguista Noam Chomsky e o psicólogo cognitivo George Miller, que então apresentou seu artigo
“The magical number seven, plus or minus two: some limits on our capacity for processing information"
, a primeira utilização nos EUA da noção de processamento de informações na psicologia.

Para Gardner, Miller considera este encontro a ocasião de fundação das ciências cognitivas.
Programa de pesquisas interdisciplinares financiado pela a Fundação Alfred. J. Sloan, nos EUA, em meados dos anos de 1970
"[Neste relatório] descrevemos brevemente alguns dos pontos de vista teóricos e estratégias de investigação compartilhados que unem os cientistas cognitivos. (...) Em nossa opinião, a comunicação crescente entre os cientistas cognitivos que trabalham em uma variedade de contextos disciplinares é direcionada para a caracterização formal de determinadas faculdades mentais e sua realização no cérebro."
"O Comitê do Estado da Arte, que preparou esta declaração, reflete o caráter fundamentalmente interdisciplinar de trabalho em ciência cognitiva, e o relatório contém as contribuições diretas dos membros do comitê que representam as disciplinas da psicologia, linguística, ciência da computação, antropologia, filosofia e neurociência."
Processamento de informações: psicologia cognitiva
Algoritmo
Analogia da produção: linha de montagem
"Uma noção fundamental do esquema de Newell-Simon é o sistema de produção, no qual uma operação será executada se uma certa condição específica for satisfeita. Os programas consistem em longas sequências de tais sistemas de
produção
, operando sobre um banco de dados. Conforme descrição dos teóricos, o sistema de produção é uma espécie de ligação estímulo-resposta computacional; se os estímulos (ou condições) forem apropriados, a resposta (ou produção) será executada." (GARDNER, 1985, p. 150
Constituição de um modelo geral: o modelo lógico-proposicional
Modelo lógico-proposicional: analogia com a produção mecânico-industrial
"De fato, este é um dos sentidos legítimos em que os sistemas cognitivos podem ser vistos como fazendo algo chamado 'processamento de informações'. Enquanto os motores de automóveis transformam combustível e oxigênio em um eixo de acionamento girando, e cafeteiras convertem café em pó em café líquido, sistemas cognitivos transformam estados representacionais em diferentes estados representacionais" (RAMSAY, p. 69).
Modelo lógico-proposicional
Concebido pelos cientistas, com liderança da inteligência artificial, para proporcionar uma compreensão coletiva da cognição, valendo-se de analogias com o pensamento puramente lógico, com algoritmos, com processos produtivos, com softwares de computadores digitais
Não teria sido necessário, na gênese das ciências cognitivas, que as leis dos processos cognitivos fossem expressas através das leis da biologia, da química, ou mesmo da física, para que estes processos fossem compreendidos unificadamente, na forma de um objeto científico a ser compartilhado por diversas disciplinas.

A cognição pôde ser descrita de maneira comum por pesquisadores de várias origens científicas, solução que, para John Searle, está na origem da avaliação otimista, que ele atribui à IA forte, de que "a mente está para o cérebro como o programa está para o hardware, e assim podemos entender a mente sem fazer neurofisiologia” (SEARLE, 1980, p. 421).
Cognição corpórea
(embodied cognition)

Antecedentes da orientação corpórea das ciências cognitivas
Teoria da categorização prototípica de Eleanor Rosch
Desdobramentos da cibernética: auto-organização e conexionismo
Restrições filosóficas à metáfora computacional, como as do filósofo Hubert Dreyfus
Avanços da neurociência, como o trabalho de Benjamin Libet
Abordagens da orientação corpórea
Dinâmica corpóreo-conceitual
corpos e conceitos
ontologia
experiência
cognição e vida
Dinâmica corpóreo-afetiva
Dinâmica corpóreo-enativa
metáforas conceituais
processos analógico-metafóricos mediante os quais, a partir de experiências sensório-motoras de indivíduos no mundo e com outros indivíduos, os conceitos se constituem e compartilham corporeamente
imaginação
processos cognitivos não conscientes
a experiência é o meio elementar através do qual o corpo do indivíduo não apenas condiciona as suas crenças, conceitos, pensamentos e ações, como vai sendo modificado ao longo de interações cognitivas em um mundo natural e social
autopoiese e auto-organização
fenomenologia
enação
processo de codeterminação entre organismo e ambiente, com inseparabilidade entre sujeito e objeto e percepção e ação
Princípio do modelo lógico-proposicional e da orientação cognitivista
Transformação de conceitos ou representações, sem consideração essencial acerca das transformações no dispositivo físico envolvido, ou das influências da estrutura e da constituição deste dispositivo na transformação simbólica
1
0
- durante a Segunda Guerra Mundial
Formação de um modelo dominante para a cognição
Representação da atividade neuronal na forma de uma sequência simbólica de input-output
Cognitivismo, ou orientação cognitivista
Modelo de McCullloch-Pitts
Contracultura
George Lakoff & Mark Johnson
Mark Turner
Rafael Núñez
Vittorio Gallese
Gilles Fauconnier
Leonard Talmy
Tom Froese
Francisco Varela
Evan Thompson
Eleanor Rosch
Edwin Hutchins
Ezequiel Di Paolo
António Damásio
homeostasia
hipótese do marcador somático
Joseph LeDoux
Antoine Bechara
Jaak Panksepp
processo de tomada de decisões baseado nas marcas deixadas no corpo por emoções e sentimentos de experiências passadas
COGNIÇÃO: (TRANS)FORMAÇÃO CONTÍNUA DE CONCEITOS, MUNDO E CORPO
A cognição é compreendida como um processo em que tanto percepção e ação, quanto sujeito e objeto, são inseparáveis - o que implica uma ontologia realista, ainda que não objetivista e não subjetivista
A cognição é compreendida como um processo de formação de conceitos e crenças nos corpos individuais, através das marcas, necessariamente afetivas, deixadas pelas experiências vividas
A cognição é compreendida como continuidade do processo de sustentação e evolução da vida, baseada na necessidade de equilíbrio e conservação do organismo, no sentido de sua autopoiese ou auto-organização
Ah, só mais uma coisa!
Orientação cognitivista
Raymond Gibbs, Jr.
Ronald Langacker
Fenomenologia da percepção, de Merleau-Ponty
Humberto Maturana
Eve Sweester
Richard Davidson
Walter Freeman
Artigo "Behavior, purpose and teleology", de Arturo Rosenblueth, Norbert Wiener e Julian Bigelow
Artigo fundador da
cibernética
, inspirado na solução de problemas de defesa antiaéra, defende o papel do feedback como elemento de ajuste entre input e output. Embora tenha cunho ainda behaviorista, teria sido pioneiro no sentido de destacar o nível formal do nível material dos mecanismos de comportamento, sendo assim precursor da superação do reducionismo materialista nas ciências cognitivas clássicas


DUPUY, Jean-Pierre. Nas origens das ciências cognitivas. Trad. FERREIRA, R. L. São Paulo: Editora UNESP, 1996.

GARDNER, Howard. The mind’s new science: a history of the Cognitive Revolution. Nova York: Basic Books, 1985.

MCCULLOCH, Warren S. e PITTS, Walter. “A logical calculus of the ideas immanent in nervous activity”. Disponível em: < http://www.grappa.univ- lille3.fr/~ppreux/ensg/aeac/papiers/mculloch-pitts.pdf>. Data de acesso: 10/09/2012.

ROSENBLUETH, Arturo, WIENER, Norbert Wiener e BIGELOW, Julian. "Behavior, purpose and teleology" In: Philosophy of Science, nº 10, s. 18–24, 1943.

SEARLE, John. “Minds, brains, and programs”. In: The Behavioral and Brain Sciences, nº 3, p. 417-457, 1980.

SHANNON, C. E. “A symbolic analysis of relay and switching circuits”. In: Transactions of the American Institute of Electrical Engineers, nº 57, p. 1-11, 1938.

STILLINGS, Neil et al. Cognitive Science: An introduction. Cambridge: The MIT Press, 1985.

TURING, Alan. “On computable numbers, with an application to the Entscheidungsproblem”. In: Proceedings of the London Mathematical Society, séries 2 e 42, p. 230-65, 1936.
Referências básicas
As
ciências cognitivas
se estabeleceram como campo de estudos multidisciplinar em meados da década de 1950.

Sua constituição ocorreu graças à construção de um
modelo dominante
, que reuniu as diversas disciplinas que as integravam mediante a ideia de que a cognição é a operação de uma sequência ordenada de símbolos – proposta inicialmente pela tecnociência computacional, mas que se consolidou na forma da orientação conhecida como
cognitivismo
+ trabalhos de Russell & Whitehead, Hilbert, Gödel, Carnap
Em 1949 foi fundada a
RAND
Corporation (
R
esearch
AN
d
D
evelopment), sob o comando da Força Aérea norte-americana, e com patrocínio da Douglas Aircraft Company e da Ford Foundation

No início da Guerra Fria, isto é, a partir de 1952, e até o início dos anos 1960, Herbert Simon e Allen Newell trabalharam juntos na RAND, onde desenvolveram, entre outros trabalhos em IA, a Logic Theory Machine e o General Problem Solver
O funcionalismo, na sociologia, de modo muito semelhante ao que propõe o enfoque de mesmo nome nas ciências cognitivas, trata as funções de forma transcendente às suas encarnações


A teoria das escolhas racionais, na economia, supõe que agentes econômicos autônomos se igualam não somente em sua tendência a maximizarem ganhos e minimizarem perdas, mas também pelo padrão racional de seus processos decisórios
O modelo dominante nas ciências cognitivas clássicas, com sua estrutura baseada na razão lógica formal, pretendia ser um modelo de todo pensamento humano
Sendo assim, este modelo se oferecia à compreensão do ser humano por outras disciplinas, como as ciências sociais
Exemplos mais evidentes de influência do modelo lógico proposicional nas ciências sociais são encontrados em autores como:
o sociólogo Aaron Cicourel
o antropólogo Roy D'Andrade
Ambos se basearam, em maior ou menor grau, numa concepção inatista do pensamento, compreendido essencialmente na forma de estrutura sintática, segundo o modo proposto pela linguística gerativa, tal como formulada por Chomsky
Esta suposição é inseparável da compreensão do indivíduo humano como unidade racional básica da estrutura social
Porém, há abordagens muito mais influentes nas ciências sociais que adotaram pressupostos semelhantes aos cognitivistas - ainda que menos explicitamente do que Cicourel e D'Andrade - no sentido de naturalizar a compreensão do ser humano e da sociedade na forma de estruturas racionais essenciais
Exemplos principais:
Funcionalismo, na sociologia
Teoria das escolhas racionais, na economia
I
mportante característica do modelo: ser independente dos dispositivos em que se encarna. Esta sua feição é dada pelo
funcionalismo
e pela tese da realizabilidade múltipla
A conexão entre

as ciências cognitivas tradicionais e a teoria das escolhas racionais em economia e administração é mais clara na obra de
Herbert Simon
, que é conhecido pela formulação da teoria da racionalidade limitada
A orientação corpórea das ciências cognitivas pode contribuir para enfraquecer as tentativas de reduções naturalistas das ciências so
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