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Poemas de Fernando Pessoa

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by

Marta Novais

on 12 November 2012

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Transcript of Poemas de Fernando Pessoa

Entre o sono e sonho


Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
Esse rio sem fim. Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem. Trabalho elaborado:
- Cláudia Sofia Nº 6
- Marta Novais Nº 16 Extrutura externa - Composto por: Introdução ao poema -> Refugia-se no sonho e evade-se da realidade, porque não consegue viver a vida tal como ela é. -> O "sono" (a vida) e o "sonho" (a vida ideal, sonhada), entre o "mim" (agora) e o "em mim" (o futuro desejado, suposto); O rio, parece ter, por outro lado vida própria, tem a sua própria vontade e a sua própria experiência. Esta impossibilidade marca de maneira decisiva a mente de qualquer pensador - que tenta lutar contra os obstáculos da vida. Se pensa sobre eles, vê que não pode ultrapassar, mas se os ignora, eles passam por ele sem que ele dê sequer por isso. Reflecte sobre o seu estado actual, o seu "eu presente", o seu que não se supunha. Mas a ousadia é demasiada e a força diminuta. O homem falha no seu sonho e tem de ser dar por vencido pelo destino, nas horas finais da sua vida amargurada. - > "corre um rio sem fim". "rio sem fim" é uma barreira, que divide o hoje do futuro sonhado, sendo impossível de atravessar. 1ª Parte Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim. 5 sílabas métricas -Pentassílabos Rima Cruzada -> Trata-se da incapacidade prática de atingir na vida real o que se imagina podendo ser a vida ideal. -> Ideia de Fragmentação, sendo a fonte da angústia do poeta quando analisa a sua própria vida. -> Por um lado a sua personalidade é marcada por um forte idealismo, um forte "sonhar", é também dominada por uma fraca capacidade de concretizar esse sonhar em realidade. -> Por outro lado, é o "sonhar" sendo demasiado intenso para poder ser concretizado - é demasiado inalcançável. -> a alma de um poeta sem esperança de dar a volta a uma vida demasiada cruel. O rio é o "Destino". É afinal o destino que se opõe a Pessoa, que o faz sofrer no caminho que é actualmente o seu. Pessoa escolhe a imagem de um rio, porque como um rio,
o destino é uma sucessão de viagens contínuas, sem fim. Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou. O rio chegou à vida actual de Pessoa. A casa simboliza o seu "eu todo", a totalidade de quem ele é. Mas o destino é ilusório Mas se Pessoa desperta do seu pensamento, o Destino já passou, e não é possível regressar a ele. Qualquer das realidades é infrutífera e angustiante. E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
Esse rio sem fim. E esse eu "dorme onde o rio corre". Ou seja, ele está dominado pelo Destino e preso nos seus movimentos de água. Para terminar a sensação de perda e prisão, Pessoa acrescenta à descrição dizendo que é um "rio sem fim". Um rio eterno, que prende e controla, que domina e limita - eis a descrição final do Destino e de como este domina os homens e as suas vidas, impedindo afinal que eles sejam como se supõem, como se ousam sonhar. Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar. Introduçao ao poema O poema "Tenho tanto sentimento" é um poema ortónimo tardio de Fernando Pessoa, datado de 18 de Setembro de 1933.


O ano de 1933 é o ano de uma grande crise psíquica de Fernando Pessoa, que se sente numa encruzilhada na sua vida. É o ano posterior ao falhanço da sua candidatura a bibliotecário do museu Castro Guimarães em Cascais - que ele via como possível solução económica para estabilizar a sua vida - e faz com que ele entre num período de grande criatividade, mas de igual desespero.


Sabemos já que a poesia ortónima é essencialmente racional, directa, sem artifícios. É por isso curiosíssimo este poema, porque trata aparentemente desse problema, do sentimento em Pessoa e da forma como ele lida com esse sentimento. Análise do poema Te/nho/tan/to/sen/ti/men/to composto por sete sílabas métricas - redondilha maior 3 sextilhas (3 estrofes com 6 versos cada) rimas A e B são pobres, pois são de mesma classe gramatical

rimas C são ricas, pois são de classes gramaticais distintas aliteração, que consiste na repetição de uma letra ao longo do poema, nesse caso, a letra T na primeira estrofe


aliteração com a letra V na segunda estrofe Tenho tanto sentimento A
Que é frequente persuadir-me B
De que sou sentimental, C
Mas reconheço, ao medir-me, B
Que tudo isso é pensamento, A
Que não senti afinal. C

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar. RIMA INTERPOLADA RIMA INTERPOLADA RIMA CRUZADA Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal. Nos três primeiros versos Pessoa reconhece para si mesmo que é um "sentimental". Sentimental, ou seja, emocional, regido pela emoções.

É muito curiosa esta confissão, porque Pessoa será sempre reconhecido como sendo um poeta eminentemente racional.

No entanto, nos três últimos versos Pessoa desfaz o que tinha dito inicialmente, pois o pensamento não sai da sua mente. Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada. A poesia ortónima é também marcada por oposições. Sobretudo pela oposição "imaginado"/"conseguido" ou "passado"/"presente".

Vemos como nesta estrofe Pessoa opera essa mesma oposição, entre vida pensada e vida vivida - ou seja, entre o que ele desejaria que fosse a sua vida e o que a sua vida é realmente.

Ele chega à conclusão que a "vida que temos" está dividida entre esses dois pólos, sem nunca ser perfeita como desejamos que seja. Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar. Na estrofe anterior Pessoa parece considerar que a vida vivida é a verdadeira e a pensada é a errada. Mas nada é assim tão certo.

Na realidade Pessoa põe isso em causa ao dizer: "Qual porém é verdadeira / E qual errada, ninguém / Nos saberá explicar". Ou seja, não há maneira de sabermos se na verdade atingimos o nosso destino ou não.

Temos apenas a inevitabilidade de aceitar a vida que "temos" e que é a vida que podemos analisar (pensar). Análise dos Poemas "Entre o sono e sonho " e "Tenho tanto sentimento" de Fernando Pessoa Ortónimo En/tre o/ so/no e/ so/nho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
Esse rio sem fim. Verso grave A B A B Rima rica

"sonho" e "suponho"

"mim" e "fim"
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