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REVISÃO DE TEORIA DA HISTÓRIA

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Alex Zzz

on 20 April 2015

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REVISÃO DE TEORIA DA HISTÓRIA
História da História

O que é TEORIA da História? Pra que serve?

Periodização

Escolas, Paradigma, Correntes

Tendências e temas atuais

A teoria da história tem por objetivo analisar o que sempre foi a base do pensamento histórico em sua versão científica e que, sem a explicitação e a explicação por ela oferecidas, nunca passaria de pressupostos e de fundamentos implícitos (Rüsen, 2001, p. 14)
Antes de responder a questão, é conveniente pensar sobre alguns outros aspectos pertinentes:

CONHECIMENTO HISTÓRICO (PRODUÇÃO E FUNÇÃO)
HISTORIOGRAFIA
EPISTEMOLOGIA DA HISTÓRIA
METODOLOGIA DA PESQUISA HISTÓRICA
Característica básica do conhecimento histórico: a sua própria historicidade
CONHECIMENTO HISTÓRICO (PRODUÇÃO E FUNÇÃO)

O trabalho do historiador é interpretar os fatos históricos ou as experiências humanas com a ajuda dos registros e vestígios que foram deixados por um povo em um determinado local e tempo

O conhecimento histórico se produz através da interpretação e reflexão sobre estes vestígios (que também chamamos
fontes
)

O conhecimento histórico é produzido no presente, embora relate acontecimentos ocorridos no passado

É fruto de um trabalho dotado de método e fundamentos teóricos (implícitos ou explícitos)
HISTORIOGRAFIA

É um termo polissêmico: designa não apenas o registro escrito da História, a memória estabelecida pela própria humanidade através da escrita do seu próprio passado, mas também a ciência da História

Também pode ser pensada como META-HISTÓRIA

Se a História é uma ciência, precisa ter um MÉTODO
EPISTEMOLOGIA DA HISTÓRIA

Epistemologia, de um modo geral, é um ramo da filosofia que estuda o conhecimento

As circunstâncias históricas, psicológicas e sociológicas que levam a obtenção do conhecimento

Os critérios de validação (ou invalidação) desse conhecimento

A definição clara e precisa dos principais conceitos, tais como verdade, objetividade, realidade, justificação

No caso específico da epistemologia da História, além dos conceitos acima: causalidade, sentido, relato, tempo, memória
METODOLOGIA DA HISTÓRIA

Diz respeito as técnicas, procedimentos e diretrizes que historiadores seguem para escrever a História, a partir de fontes, evidências, vestígios

Toda História escrita e toda pesquisa histórica respeita algum tipo de método, por mais que se diga o contrário há algum tipo de diretriz que conduz o trabalho de pesquisa ou escrita
Por muito tempo a História virou as costas para discussões epistemológicas

A profissionalização progressiva da História no XIX e o contato íntimo com as Ciências Sociais no XX, não permitiram aproximar a prática da História do pensamento sobre a História efetuado pela filosofia

Filosofar era visto como uma contaminação a-científica
Século XX

A história vai se afirmando como uma ciência social, uma disciplina científica envolvida com a sociedade

Gradativamente a História vai ganhando força como uma disciplina acadêmica

Nos princípios do século XX, a história já havia adquirido uma dimensão científica incontestável
A
Filosofia da História
é o ramo da filosofia que concerne ao significado/sentido da história humana (se é que ela o tem)

Especula acerca de um possível fim teleológico do desenvolvimento histórico, ou seja, pergunta-se se há um esboço, um propósito, princípio diretor ou finalidade no processo da história humana

No século XX entrou em desuso pensar uma filosofia da História
Sobre as FONTES, por muito tempo (e ainda hoje) fala-se em fontes primárias, secundárias e terciárias. Embora esteja em desuso, vale entender o que significa:

FONTE PRIMÁRIA
: (também chamada de fonte original) é um documento, gravação ou outra fonte de informação, como um documento escrito ou uma figura por exemplo, criado no tempo em que se estuda, por uma fonte dotada de autoridade, geralmente uma com conhecimento pessoal direto dos eventos descritos. Serve como fonte original da informação sobre o tópico
FONTE SECUNDÁRIA
: é um documento ou gravação que relaciona ou discute informações originalmente apresentadas em outros lugares

Envolvem generalizações, análises, sínteses, interpretações, ou avaliações da informação original
FONTE TERCIÁRIA
: é uma seleção e compilação de fontes primárias (material original sobre alguma informação) e secundárias (comentários, análises e crítica baseados nas fontes primárias)

Exemplos típicos de fontes terciárias são as bibliografias, listas de leituras e artigos sobre pesquisas. As enciclopédias e manuais de instrução são exemplos de peças que reúnem tanto fontes secundárias como terciárias, apresentando por um lado comentários e análises, e por outro tratando de proporcionar uma visão resumida do material disponível sobre a matéria
Essa diferenciação vem entrando em desuso, principalmente devido ao atual estatuto da pesquisa histórica, onde praticamente qualquer produto humano é tomado como fonte

Nada é negligenciado na pesquisa histórica atual
Produção historiográfica, registro escrito da História

Conjunto da produção historiográfica de um país ou escola

Ciência da História ou a metodologia da História

Desenvolvimento da História como disciplina
A
Teoria da História
é um ramo do conhecimento que procura compreender as diversas formulações do conhecimento histórico

Por não existir uma concepção única e consensual para a análise do passado, as diversas teorias da História alimentam debates constantes entre os defensores de diversas concepções
Podemos dizer que existe uma metodologia para cada etapa da produção do conhecimento histórico

METODOLOGIA PARA A
ABORDAGEM DAS FONTES
METODOLOGIA PARA O
PROCEDIMENTO ANALÍTICO
METODOLOGIA PARA A
SÍNTESE
(E
ESCRITA
)

Mas englobamos todas em uma
METODOLOGIA DA HISTÓRIA
A questão da natureza do método histórico, e incluso, da própria possibilidade de sua existência como método científico, se discute pela epistemologia e filosofia da História

Epistemologia da História, Teoria da História, Historiologia >>> podem ser tomados como sinônimos
Teorias são propostas por autores individuais ou por um pequeno grupo de autores que compartilham aspectos presentes na teoria proposta

Essas teorias podem vir a influenciar outros pesquisadores formando
correntes teóricas
, ou em casos mais abrangentes, que envolvem várias gerações de pesquisadores, formando
escolas teóricas
Em primeiro lugar, temos o fenômeno histórico, independente do que possa se escrever sobre ele, a história que acontece, a história como objeto

Em segundo lugar, temos a História como disciplina ou campo que estuda a primeira, que no ocidente, em geral, atribui-se seu início à Heródoto
Reflexões sobre "o que é a história?" existem desde a antiguidade clássica, mas a tomada da História como objeto de estudos é bem mais recente, do século XIX

E a escrita da História, ainda mais recente, nos anos 1950
São
meta-reflexões
, refletir sobre o ato de refletir

Meta-história
: reflexões sobre a escrita da história (historiografia), sobre os procedimentos na construção da História

Essas meta-reflexões no âmbito da História como disciplina que começa no XIX e se desenvolve no XX
E é nesse contexto que entram os estudos sobre os:

* paradigmas da pesquisa histórica

* paradigmas da escrita histórica

Ambos vinculados à concepções do que a história é, como ela se desenvolve em seu devir, quais suas características, se ela possuí leis, se ela possuí um fim, etc.
Outro aspecto importante é notarmos que a nossa atual
organização dos saberes e campos
nem sempre foi assim

Essa atual constituição dos saberes, ainda muito discutida, começa a ganhar forma no XIX e XX
Antiguidade clássica:

Academia de Platão
Liceu de Aristóteles
Educação Bizantina
Campos de reflexão
: Estética, Cosmologia, Epistemologia, Ética, Lógica, Metafísica,
Filosofia natural (Aristóteles chama de "física")
Filosofia social
Idade Média: nós temos as
Artes Liberais
, oriundas das Antiguidade, e que compõe os Studium Generale nas universidades medievais

As Ars Liberales são formadas por dois grupos de disciplinas: o
Trivium
e o
Quadrivium
As Sete Artes Liberais, figura do 'Hortus deliciarum' de Saraiva von Landsberg (século XII)
Durante o medievo, a teologia prepondera sobre a filosofia

Século XIII, Roger Bacon propagou o conceito de "leis da natureza" e começa a descolar a Filosofia Natural da Filosofia
Com o Renascimento, a Filosofia Natural cada vez mais se torna experimental e se destaca ainda mais do tronco da Filosofia (tornar-se-á a Ciência do século XIX)
Nos séculos XVIII e XIX, o termo
história natural
era usado com frequência, a fim de designar todos os estudos científicos, contrapondo-os à história política ou eclesiástica
O século XIX é o ponto da grande guinada na História

Antes do século XIX, em se tratando da escrita da História, temos:
Em sua evolução, a História se apresentou em pelo menos três formas. Do simples registro à análise científica houve um longo processo

História Narrativa
- O narrador contenta-se em apresentar os acontecimentos sem preocupações com as causas, os resultados ou a própria veracidade

Também não emprega qualquer processo metodológico

É a História que registra os acontecimentos, os relata, acreditando que esse procedimento é neutro e objetivo
História Pragmática
- Expõe os acontecimentos com visível preocupação didática

O historiador quer mudar os costumes políticos, corrigir os contemporâneos e o caminho que utiliza é o de mostrar os erros do passado

Os gregos Heródoto e Tucídides e o romano Cícero ("A História é a mestra da vida") representam esta concepção
História Científica
- há uma preocupação com a verdade, com o método, com a análise crítica de causas e consequências, tempo e espaço

Esta concepção se define a partir da mentalidade oriunda das ideias filosóficas que nortearam a Revolução Francesa de 1789

Toma corpo com a discussão dialética (de Hegel e Karl Marx) do século XIX e se consolida com as teses de Leopold Von Ranke, o qual contesta o chamado "Positivismo Histórico" (que não é relacionado ao positivismo político de Augusto Comte) e posteriormente com o surgimento da Escola dos Annales, no começo do século XX
Desde Heródoto, passando por todo o medievo, Renascimento até o século XVIII: são os dois primeiros modelos que dominam

Até essa época, as concepções naturalistas, mecanicistas de mundo - não havia espaço para refletir sobre a ação humana

A História, nesse sentido, se liga de um lado à arte, de outro à História Natural
Aliado à esses modelos de escrita histórica, estão as próprias concepções do que é a história
Concepção Providencialista
- Segundo tal corrente, os acontecimentos estão ligados à determinação de Deus

Tudo, a partir da origem da Terra, deve ser explicado pela Divina Providência

No passado mais remoto, a religião justificava a guerra e o poder dos governantes

Na Idade Média Ocidental, a Igreja Católica era a única detentora da informação e, naturalmente, fortificou a concepção teológica da História
Concepção Idealista
- Teve em Georg Wilhelm Friedrich Hegel, autor de "Fenomenologia do Espírito", seu corporificador

Defende que os factos históricos são produto do instinto de evolução inato do homem, disciplinado pela razão

Desse modo, os acontecimentos são primordialmente regidos por ideias. Em qualquer ocorrência de ordem econômica, política, intelectual ou religiosa, deve-se observar em primeiro plano o papel desempenhado pela ideia como geradora da realidade. Para os defensores dessa corrente, toda a evolução construtiva da humanidade tem razão idealista
Até o Século XIX, são essas duas concepções para o processo histórico as preponderantes
Concepção Materialista
- Surgiu em oposição à concepção idealista, embora adotando o mesmo método dialético

A partir da publicação do Manifesto Comunista de 1848, Karl Marx e Friedrich Engels lançam as bases do Materialismo Histórico, onde argumentavam que as transformações que a História viveu e viverá foram e serão determinadas pelo fator econômico e pelas condições de vida material dominantes na sociedade a que estejam ligadas
A preocupação primeira do homem não são os problemas de ordem espiritual, mas os meios essenciais de vida: alimentação, habitação, vestimenta e instrumentos de produção

No prefácio de "Crítica da Economia Política", Karl Marx escreveu: “As causas de todas as mudanças sociais e de todas as revoluções políticas, não as devemos procurar na cabeça dos homens, em seu entendimento progressivo da verdade e da justiça eternas, mas na vida material da sociedade, no encaminhamento da produção e das trocas”
E aí, já nos fins do XIX e principalmente no XX, com o advento da psicologia como campo de conhecimento próprio, com a psicanálise, a sociologia, surgem novas concepções
Concepção Psicológico-social
- Apóia-se na teoria de que os acontecimentos históricos são resultantes, especialmente, de manifestações espirituais produzidas pela vida em comunidade

Segundo seus defensores, que geralmente se baseiam em Wilhelm Wundt ("Elementos de Psicologia das Multidões"), os fatos históricos são sempre o reflexo do estado psicológico reinante em determinado agrupamento social

(História das mentalidades e História das ideias)
História no século XIX

Passa a ser objeto de reflexão nela mesma

Propagação do pensamento científico no território dos estudos históricos

Surgem novas concepções do que é o fenômeno ou processo histórico
Ainda no século XIX surgiu a discussão em torno da natureza dos fenômenos históricos

A que espécie de preponderância estariam ligados? Aos agentes de ordem espiritual ou aos de ordem material?
Periodização das teorias, correntes e escolas teóricas

História no mundo clássico (Grécia e Roma)

História no mundo medieval

História no mundo moderno

Iluminismo

Século XIX

Século XX

Tendências atuais
Algumas questões filosóficas relevantes para o historiador:

O que é a unidade adequada para o estudo do passado humano - o indivíduo? A polis? A civilização? A cultura? O Estado-nação?

Existem padrões gerais e progresso? Existem ciclos? É a história humana aleatória e desprovida de qualquer significado?
Método histórico básico
: questões

Quando a fonte, escrita ou não, foi produzida (data)?

Onde foi produzida (localização)?

Por quem foi produzida (autoria)?

A partir de que pré-existente material foi produzida (análise)?

Qual sua forma original (integridade)?

Qual é o valor probatório de seu conteúdo (credibilidade)?

Os quatro primeiros são conhecidos como
alta crítica
; o quinto,
crítica menor
; e, em conjunto,
crítica externa
. O sexto e último inquérito sobre a fonte é chamada
crítica interna
.
História no mundo clássico (Grécia e Roma)

Essencialmente narrativa

O importante é narrar os fatos com detalhes, enfatizando grandes personagens e feitos

Sem análise e comprensão, apenas descrição
História no mundo medieval

A historiografia medieval é feita principalmente por hagiógrafos, cronistas, membros do clero episcopal próximos ao poder, ou pelos monges

Escrevem-se genealogias, áridos anais, listas cronológicas de acontecimentos ocorridos nos reinados dos seus soberanos (anais reais) ou da sucessão de abades (anais monásticos); "vidas" (biografias) de carácter edificante, como as dos santos Merovíngios, ou, mais tarde, dos reis da França, e "histórias" que contam o nascimento de uma nação cristã, exaltam uma dinastia ou, inversamente, fustigam os ignóbeis de uma perspectiva religiosa
Recortes temporais

Desde as periodizações clássicas (Pré-história, História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna ou Idade Contemporânea), até às histórias por séculos, reinados, e outras
A questão da perspectiva

A história não tem outra alternativa senão seguir a tendência de especialização de qualquer disciplina científica

O conhecimento de toda a realidade é epistemologicamente impossível, ainda que o esforço de conhecimento transversal, humanístico, de todas as partes da história, seja exigível a quem verdadeiramente queira ter uma visão correcta do passado

Precisamos por motivos práticos sempre
RECORTAR
A História, portanto, deve segmentar-se, não apenas porque a perspectiva do historiador esteja contaminada com subjetividade e ideologia, mas porque ele deve optar, necessariamente, por um ponto de vista

Com o ponto de vista determina-se a seleção da parte da realidade histórica que se toma como objeto, e que, sem dúvida, dará tanto a informação sobre o objeto estudado como sobre as motivações de um historiador que o estuda

Essa visão preferencial pode ser consciente ou inconsciente, assumida com maior ou menor cinismo pelo historiador, e é diferente para cada época, para cada nacionalidade, religião, classe social ou âmbito no qual o historiador pretenda situar-se
No polo inverso da tendência da segmentação e especialização, temos as perspectivas holísticas, como da História Total ou da História das Civilizações
Recortes espaciais

São exemplos de recortes espaciais a História continental, a História nacional e a História regional.
Recortes metodológicos

Diz respeito as fontes utilizadas ou enfatizadas na pesquisa

Diz respeito aos conceitos enfatizados, a teoria enfatizada

Diz respeito à metodologia empregada
Tratamento diacrônico
estuda a evolução temporal de um fato, por exemplo, a formação da classe operária na Inglaterra ao longo dos séculos XVIII e XIX - HORIZONTAL

Tratamento sincrônico
, concentra-se nas diferenças que o fato histórico estudado tem ao mesmo tempo, mas em diferentes níveis, por exemplo: compara a situação da classe trabalhadora na França e na Inglaterra, na conjuntura da revolução de 1848 - VERTICAL
Recortes temáticos

São os que dão lugar a uma História mais setorial e específica

História Política, Econômica, Cultural, Social
História da Igreja, da Arte, das Religiões
História das Ideias, dos Intelectuais
Micro-história, História das Representações
História do Cotidiano, da Vida Privada
História da Mulher, do Tempo Presente
Convém mencionar que, além da História feita na antiguidade clássica, uma das bases e origens da nossa História atual, é a História sagrada de bases cristãs

Já no final do Império Romano do Ocidente, a História será influenciada pelo modo cristão de ver o mundo, em uma mudança metodológica radical, introduzindo o providencialismo
Grécia Antiga
(do século V a.C. até o século IV d.C.)

de Heródoto até Zósimo, passando por Tucídides, Posidônio, Políbio, etc.

Ao todo, Félix Jacoby, em Fragmente der griechischen Historiker, diferenciou
856 historiadores gregos
, incluídos os mitógrafos e cronistas locais

No século V a.C. Heródoto de Halicarnaso diferenciou-se dos mitógrafos pela sua vontade de distinguir o verdadeiro do falso

Uma geração mais tarde, com Tucídides, esta preocupação tornou-se crítica, com base na confrontação de diferentes fontes orais e escritas
HERÓDOTO
de Halicarnasso

Foi o autor da história da invasão persa da Grécia nos princípios do século V a.C., conhecida simplesmente como As histórias de Heródoto

Esta obra foi reconhecida como uma nova forma de literatura pouco depois de ser publicada
Antes de Heródoto, tinham existido crónicas e épicos, e também estes haviam preservado o conhecimento do passado, mas Heródoto foi o primeiro não só a gravar o passado mas também a considerá-lo um problema filosófico ou um projeto de pesquisa que podia revelar conhecimento do comportamento humano

A sua criação deu-lhe o título de "pai da história" e a palavra que utilizou para o conseguir, historie, que previamente tinha significado simplesmente "pesquisa", tomou a conotação atual de "história"
POLÍBIO
de Megalópolis

Famoso pela sua obra "Histórias", cobrindo a história do mundo Mediterrâneo no período de 220 a.C. a 146 a.C.

Exilado em Roma, tornou-se amigo de Cipião Africano

Assistiu a destruição de Cartago
Procurando obter rigor na descrição histórica, entrevistou veteranos das guerras que descreveu, procurando obter informação presencial dos eventos mais recentes

Através da sua influência em Roma, obteve acesso privilegiado aos arquivos públicos, tendo cuidadosamente compulsado as fontes documentais existentes
TÚCIDIDES
de Atenas

Escreveu a História da Guerra do Peloponeso, da qual foi testemunha e participante, em que, em oito volumes, conta a guerra entre Esparta e Atenas ocorrida no século V a.C.
Preocupado com a
imparcialidade
, ele relata os fatos com concisão e procura
explicar-lhes as causas

Tucídides escreveu essa obra pois pensava a Guerra do Peloponeso como um acontecimento de grande relevância para a história da Grécia, mais do que qualquer outra guerra anterior
XENOFONTE
de Atenas

É conhecido pelos seus escritos sobre a história do seu próprio tempo e pelos seus discursos de Sócrates

Sua obra mais conhecida é Anábase, que narra acontecimentos ocorridos entre 401 e 399 a.C., uma jornada épica de retorno a Grécia após a derrota em Cunaxa
A dissertação histórica que Xenofonte faz na obra Anábase é um dos mais antigos exemplos de análise de caráter de um líder feitas por um historiador

Esse tipo de análise tornou-se conhecido nos dias de hoje como a Teoria dos Grandes Homens

Xenofonte descreveu o caráter de Ciro, o Moço
Em sua obra "Pragmateia" (traduzido também como "História"), talvez tentando escrever uma obra de Geografia, abordou a questão da sucessão dos regimes políticos para explicar como é que o seu mundo entrou na órbita romana

Ele foi o primeiro a procurar causas intrínsecas para o desenvolvimento da história, mais do que invocar princípios externos
Roma Antiga
(do século III a.C. até

A primeira obra histórica latina completa é "As Origens" de Catão, do século III a.C..

O contacto de Roma com o mundo Mediterrâneo, primeiro com Cartago, mas sobretudo com a Grécia, o Egito e o Oriente, foi fundamental para ampliar a visão e utilidade do seu género histórico

Os historiadores (quer romanos quer gregos) acompanharam os exércitos nas campanhas militares, com o objetivo declarado de preservar a sua memória para a posteridade, de recolher informações úteis e de justificar as suas ações
SALÚSTIO

Desiludido com a corrupção em Roma, escreveu sobre a decadência do povo romano e foi útil ao descrever dois grandes momentos do fim da república romana, a saber, a Conjuração de Catilina e a Guerra de Jugurta

Usa de suas narrativas como um pretexto para criticar os erros políticos cometidos pelos que detiveram o poder em Roma, principalmente aqueles de Cícero, seu inimigo político e pessoal
Não é a precisão histórica que lhe interessa e sim a narração de alguns fatos com as suas causas e consequências, assim como a oportunidade de esclarecer o processo de degeneração em que a República se viu imersa

Além dos indivíduos, o objeto da sua observação centra-se nas classes sociais e nas facções políticas: idealiza um passado virtuoso, e detecta um processo de decadência que atribui aos vícios morais, à discórdia social e ao abuso do poder pelas diferentes facções políticas
PLUTARCO

Conhecido por suas biografias dos imperadores romanos, de Augusto a Vitélio

Interessado em questões morais e religiosas, atribuiu pouca importância às questões teóricas e duvidou da possibilidade de algum dia estas questões serem resolvidas
TÁCITO

É considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade

Tácito tem as características usuais do historiador antigo: o gosto pela moralização - ele é um severo juiz de caráter -, pelo retrato dos grandes homens, o mais absoluto desinteresse pelo povo comum e o amor à retórica dos grandes discursos

É, acima de tudo, um investigador das causas
TITO LÍVIO

Nos últimos quarenta anos de sua vida dedicou-se à narrativa da História de Roma, desde a sua fundação até o ano de 9 d.C.

Essa obra, denominada Ab Urbe condita libri (Desde a fundação da cidade), é composta por 142 livros, dos quais apenas 35 chegaram até nós

O seu objectivo geral é ético e didático; é dever da História dizer a verdade e ser imparcial, mas a verdade deve apresentar-se de uma maneira elaborada e literária

É um historiador de gabinete, não viaja nem conhece pessoalmente os cenários dos eventos que descreve
É providencialista, de inspiração agostiniana, e circunscreve as acções dos homens nos desígnios de Deus

É preciso esperar até ao século XIV para que os cronistas se interessem pelo povo, o grande ausente da produção deste período
O providencialismo é a crença filosófica de que Deus é o verdadeiro protagonista e sujeito da história, e por isso tudo deve ser atribuído à providência divina

O homem é apenas seu objeto, um instrumento nas mãos de Deus.
Nomes importantes do período:

Beda, o Venerável
Isidoro de Sevilha
Jean Froissart
Matteo Villani
História no mundo moderno

Durante o Renascimento, o Humanismo trouxe um gosto renovado pelo estudo dos textos antigos, gregos ou latinos, mas também pelo estudo de novos suportes: as inscrições (epigrafia); as moedas (numismática) ou as cartas, diplomas e outros documentos (diplomática)

Estas novas ciências auxiliares da era moderna contribuíram para enriquecer os métodos dos historiadores

Busca-se a autenticidade dos documentos
Neste período a história não é diferente da geografia e nem mesmo das ciências naturais

É dividida em duas partes: a história geral (atualmente denominada simplesmente como "história") e a história natural (atualmente as ciências naturais e a geografia)
Ainda temos providencialismo, como por exemplo em Jacques-Bénigne
Bossuet


A questão da unidade do reino que se colocou pelas guerras de religião na França no século XVI, deu origem a trabalhos de historiadores que pertencem à corrente chamada de "
história perfeita
"
Ao mesmo tempo, a história se mostra como um
instrumento de poder
: põe-se ao serviço dos príncipes, desde Nicolau Maquiavel até aos panegiristas de Luís XIV de França, entre os quais se incluiu Jean Racine
Nomes importantes do período:

Jean Mabillon
Lorenzo Valla
Giorgio Vasari
Johann Winckelmann
Iluminismo

No século XVIII, ocorreu uma mudança fundamental: as abordagens intelectuais do Iluminismo por um lado, e a descoberta de um "outro" em culturas fora da Europa (o exotismo, o mito do "bom selvagem") por outro, suscitam um novo espírito crítico

São postos em questão os prejuízos culturais e o universalismo clássicos

Valoriza a razão e o otimismo - a história é um processo linear que representa o progresso da razão
A descoberta de Pompeia renovou o interesse pela Antiguidade clássica (neoclassicismo) e fornece os materiais que inauguram uma ciência emergente da arqueologia

As nações europeias distantes do mar Mediterrâneo buscam as suas origens históricas nos mitos e lendas que, por vezes, foram inventadas (como em "Ossian" de James Macpherson, que simulou ter encontrado o Homero celta)
Também se interessam pelos costumes nacionais os franceses François Fénelon, Voltaire e Montesquieu, que teorizou sobre ele em "O Espírito das Leis"

Na Inglaterra, Edward Gibbon escreveu a sua monumental obra "História do declínio e queda do Império Romano" (1776-1788), onde fez da precisão um aspecto essencial do trabalho do historiador

Os limites da historiografia no século XVIII são a submissão à moral e a inclusão de juízos de valores, de modo que o seu objetivo continua limitado
Século XIX

Um período revolucionário para a História, tanto na maneira de concebê-la como na de escrevê-la

É tempo de rivalizar com as outras ciências nascentes e se desvincular da literatura e das artes

É o momento de fundação das grandes histórias nacionais
Temos grandes desenvolvimentos na História:

na França
na região que irá se tornar a Alemanha unificada
na Inglaterra
Na Inglaterra, já no século XVIII temos grandes nomes na História:
Edward Gibbon
é o mais expressivo. Ponto culminante do Iluminismo na História

Já no XIX, temos
Thomas Carlyle
e
Thomas Macaulay
como os grandes nomes do período
Mas os grandes marcos que vão marcar a historiografia posterior vem publicados em língua germânica:

Theodor
Mommsen
Leopold Von
Ranke
Theodor Mommsen

Um dos maiores especialistas em História de Roma, foi agraciado com o Nobel em 1902 por sua "História de Roma"

Contribui para dar à erudição histórica as suas bases críticas
Leopold Von Ranke

É frequentemente considerado como o pai da "História cientifica"

Definiu o tom de boa parte dos escritos históricos posteriores, introduzindo ideais de vital importância para o uso do método cientifico na pesquisa histórica como o uso prioritário de fontes primárias, uma enfâse na história narrativa e especialmente em política internacional e um comprometimento em mostrar o passado tal como realmente foi
Foi responsável por ampliar o hall de fontes usuais ao historiador, utilizando memórias, cartas, diárias, testemunhos oculares, etc.

Nesse sentido, se apoiou na filologia, mas trazendo documentos considerados mundanos para sua prática
No centro do seu método estava a crença de que teorias gerais não poderiam cortar o tempo e o espaço, mas que a única forma de chegar ao tempo histórico seria através de fontes primarias

Em outros termos, para conhecer contextos históricos específicos, o historiador não pode se valer de teorias gerais (como nas ciências exatas), mas do conhecimento específico e objetivo obtido através de fontes da época estudada (primárias)
Não acreditava em leis que regiam a história

Era um empirista

Inaugura a História Historicista - Corrente chamada Historicismo
Não deve existir uma teoria histórica, com esquemas prévios que se imponham sobre o passado, como se acreditava anteriormente

Ranke dizia que é o passado que deve falar e que o historiador não tem boca

O método rankeano é fundamentado na filologia: os documentos (fontes) são fundamentais para a História
Na França também teremos marcos fundadores para a História praticada atualmente

Fustel de Coulanges
Jules
Michelet
Fustel de Coulanges

Escreveu "a história não é uma arte, é uma ciência pura, como a física ou a geologia"

Foi o principal representante do positivismo aplicado à História
Jules Michelet

Os historiadores românticos, como Augustin Thierry e Jules Michelet, mantendo a qualidade da reflexão e a exploração crítica das fontes, não recearam espraiar-se no estilo, mantiveram-na como uma arte

Sobre a sua História, diz: "Augustin Thierry tinha chamado a história narrativa; Guizot, análise; chamo-o ressurreição"
No século XIX surgem grandes teorias filosóficas, as quais foram desdobradas e aplicadas à reflexão histórica:

POSITIVISMO
de Auguste Comte
MATERIALISMO HISTÓRICO
de Karl Marx

Depois trataremos especificamente dessas correntes de pensamento, aqui apenas mencionaremos alguns nomes importantes do período
Até os anos 30 pelo menos, a História se viu entre duas vertentes principais de produção:

de um lado tinhamos uma história herdeira de uma versão empobrecida do positivismo

de outra lado tinhamos uma história ensaísta
Pretendendo
objetividade
, a história limitou o seu objeto: o fato ou evento isolado, o centro do trabalho de um historiador, é considerado como a única referência para responder correctamente ao imperativo da objetividade

Tampouco se ocupa por estabelecer relações de causalidade, substituindo por retórica o discurso que se pretendia científico
Simultaneamente, e em contraste, desenvolvem-se disciplinas similares, que tendem à generalização como a história cultural e a história das ideias

Momento de profundas reflexões sobre o próprio conceito de civilização

Ensaístas famosos; Oswald Spengler, Arnold Toynbee, José Ortega y Gasset, Henri Pirrene
Ao mesmo tempo em que a História já era uma disciplina institucionalizada, surgem novas disciplinas que irão travar contatos com a História (de oposição muitas vezes, mas também de compartilhamentos)

Sociologia, Arqueologia, Antropologia, Psicologia, Demografia
O Materialismo Histórico de inspiração marxista ganha força, trazendo o foco na economia para os estudos históricos
Até os anos 30
: história metódica, de inspiração positivista, ensaísta

Anos 30 (França)
: Annales
Anos 70/80 (França)
: Nova História

A História sempre se comunicou com outras áreas produtoras de conhecimento

Desde sua origem com Heródoto, depois Tucídides, Políbio, Tito Lívio, Tácito, etc., trocou e emprestou dados, informações, conceitos, métodos, técnicas

Primordialmente com a Retórica, com a Poesia, com as artes de um modo geral, mas principalmente com a Filosofia
Depois, já na idade média e moderna, também começou sua comunicação com disciplinas e campos produtores de conhecimento nascentes

Tais como a Heráldica, a Diplomática, a Epígrafia, a Numismática

Temos as hagiografias (biografias), as crônicas, os anais monásticos e reais, as genealogias, gestas
Com o Iluminismo temos um renovado contato com a Filosofia, a razão como fio condutor do fazer historiográfico

Ao mesmo tempo, renova-se o contato com as artes na História romântica de Michellet
No século XIX, com o advento e popularização das ciências ditas "duras" (física, química, biologia, etc.) a História também quer ser ciência

Deixa-se de lado qualquer comunicação com as artes e com a Filosofia, sob pena de contaminação a-científica

O método passa a ser o fundamento da História científica
Ao mesmo tempo, o século XIX assiste a uma reoganização dos campos produtores de conhecimento

Temos o surgimento de vários outros campos, tais como a Sociologia, Antropologia, Arqueologia, Psicologia

Todas também querem ser ciência e querem conquistar um lugar institucional (que a História já possuí)
O século XX é o período de extensos contatos com as chamadas, a partir de então, "Ciências Sociais", com a Economia, com a Psicologia

Na
França
, capitaneado pelos Annales
Na
Inglaterra
, capitaneado pela New Left Review e pela Past and Present
Nos
EUA
, com a cliometria, os estudos de caso e a World History
Na
Itália
, com os Quaderni Storici
Na
Alemanha
, com a História dos conceitos, História semântica
A História existe como campo produtor de conhecimento lá com Heródoto e Tucídides

Mas é somente no século XIX que ela ganha um estatuto diferenciado

Passa a ter um método científico, reflexiva e crítica
Se instituicionaliza (disciplina acadêmica e escolar)
Ganha funções importantes dentro da sociedade
Ganha reconhecimento como campo produtor de conhecimento
No século XIX surgem três grandes correntes de pensamento historiográfico

Positivismo
aplicado à História
Historicismo
Historicismo positivista
Na passagem do XIX e começo do XX, temos três outras perspectivas para o estudo da história

Weber
Marx
Presentismo
Em primeiro lugar, há os
paradigmas fundadores
(nas palavras de Rüdiger)

Que fundam a História moderna, que se quer ciência

Historicismo, Positivismo e o hibridismo dessas duas
HISTORICISMO:

Na passagem para o nosso século, passou a ser associado à concepção filosófica acionada pela chamada historiografia tradicional, baseada na
postura contemplativa do passado
, no
cultivo do particular pelo particular
, no
registro aparentemente neutro dos fatos
e a conseqüente
aceitação do relativismo dos valores
Na verdade, o termo historicismo serve especialmente para designar a corrente de pensamento que, vinculada originalmente à chamada Escola Histórica Alemã, empreendeu um trabalho de fundamentação das ciências históricas calcados nas seguintes teses:

1. Os fenômenos sócio-culturais distinguem-se qualitativamente dos fenômenos naturais, na medida em que constituem fenômenos espirituais dotados de
significado humano
.
2. Os fenômenos sócio-culturais só podem ser estudados na sua historicidade, através da
compreensão
, mediada pelas fontes, do seu significado vivido ou montado pelos contemporâneos.
3. O
historiador
, não menos que seus fenômenos de análise, encontra-se no fluxo da história, que determina suas perspectivas e conceitos de estudo
Johann G. Droysen, que estabeleceu a tese-chave do historicismo e demais paradigmas que se incluem em sua linhagem: a distinção entre as ciências naturais e as ciências históricas (em 1858)
Droysen subordina a metodologia da pesquisa história à reflexão sobre o estatuto de seu campo de estudo. A história se ocupa do movimento do mundo moral, das mudanças verificadas no ser ético do homem, cuja categoria fundamental é a
compreensão
"A compreensão é o ato mais humano do ser humano e todo fazer verdadeiramente humano se baseia na compreensão, visa a compreensão, encontra a compreensão. A compreensão é o laço mais estreito entre os homens e a base moral de todo ser moral"
A história consiste na compreensão do movimento desse mundo moral; sua necessidade surge porque fazemos parte dele e através do seu conhecimento ampliamos o nosso próprio; nosso conhecimento do presente se aprofunda com a compreensão do seu devir
Em vista disso, Droysen rejeitou as concepções em voga nos estudos históricos de seu tempo, procurando mostrar que
as fontes do historiador não são um meio de acesso objetivo ao passado
, não são jazidas de fatos brutos, como supunha a consciência imediata dos historiadores filiados a escola de Ranke. As fontes históricas são manifestações do espírito, de modo que é impossível reconstruir os fatos como eles efetivamente foram
Depois de Droysen, tivemos também Wilhelm Dilthey e Georg Simmel que aprofundaram as discussões sobre o historicismo
O historicismo pode ser resumido segundo o pensamento destes autores, mas não se esgota neles na medida em que seus postulados sofreram uma série de revisões desde sua primeira formulação em meados do século passado
Por um lado, a reinterpretação desses postulados em termos cientificistas, ou seja, reduzidos ao plano metodológico, gerou dentro de sua própria dinâmica a corrente híbrida que chamamos de
historicismo positivista

Por outro, seu comprometimento e adequação aos princípios da ciência positiva resultaram na reforma do paradigma, promovida por
Max Weber

Finalmente, seu próprio desenvolvimento interno levou à dissolução do historicismo na
hermenêutica
POSITIVISMO:

Embora deva seu nome à filosofia de um autor, constitui um paradigma comum a várias tendências do pensamento epistemológico moderno, na medida em que procedem a uma compreensão metodológica (baseada no postulado da explicação causal nomológica dos fenômenos) do conhecimento.

Nele, a reflexão sobre a história tende a se confundir com a metodologia de estudo do processo histórico, derivada de ciências fundamentadoras, cujo uso geralmente esconde a construção de uma filosofia da história
Para essa corrente, a história só pode se tornar uma ciência a partir do momento em que aprender a considerar seus
temas de estudo como fenômenos naturais
, ainda que produzidos pela vontade humana

Os
fatos históricos precisam ser tratados como coisas
por um método positivo; o historiador não deve se limitar apenas ao estabelecimento dos fatos, mas avançar no sentido de
determinar as leis capazes de darem sua explicação

A tese da
unidade metodológica das ciências
deve se traduzir na explicação nomológica dos fenômenos históricos. Em suma, a
historiografia deve visar ao estabelecimento de leis gerais
, que, no caso são as próprias leis da história
O paradigma pode ser recapitulado tomando-se como ponto de partida o nome de
Augusto Comte
. O autor apenas resume as tendências positivas verificadas na compreensão do pensamento histórico da primeira metade do século passado, cuja primeira sistematização se encontra na Introdução ao estudo da história (1842) de Philippe-Joseph-Benjamin Buchez
Para Buchez, a história é uma ciência que visa descobrir a ordem de sucessão dos fenômenos e determinar suas relações de dependência, de modo que, através dela, possamos conhecer o passado e prever o futuro
Para Comte, o
conhecimento dos fenômenos sociais não se distingue do conhecimento dos fenômenos naturais
, seus objetos não constituem domínios distintos

A ciência resume-se em estabelecer os fatos e descobrir as conexões causais entre eles
, devendo se libertar das concepções teológicas e metafísicas que dominaram o conhecimento em épocas anteriores

Os fatos sociais são fatos de observação empírica, devem ser tratados da mesma maneira que tratamos os fatos naturais. Eles estão submetidos a leis necessárias que devem ser descobertas pelo ramo do saber a que o autor deu o nome de
sociologia
A filosófica positivista pretende estabelecer as bases para a elevação da história à condição de ciência. O caminho é dotá-la de um método positivo

O primeiro passo, é elaborar procedimentos capazes de estabelecer precisamente, sem julgamentos de valor, os fatos

Porém, isso não basta, é preciso vencer a repugnância em considerar os fenômenos históricos como submetidos a verdadeiras leis naturais e estabelecer as conexões necessárias existentes entre esses fatos

O curso da história está sujeito não menos que outros processos a leis naturais. O conhecimento que se ocupa dele está baseado, portanto, no seu estabelecimento, que constitui ainda seu legítimo fim. Os fatos históricos estão submetidos a essas leis e como tais comportam previsão racional
Outros autores que continuaram as reflexões dentro deste paradigma foram Stuart Mill, Paul Lacombe, Dimitri Xenopol, François Simiand, Henri Berr (citados por Francisco Rüdiger), entre vários outros
Os desenvolvimentos posteriores do Positivismo (já no XX), geraram um movimento complexo pelo qual,

por um lado, abandonou as questões de métodos à prática do historiador

por outro, reservou para si a análise teoricamente orientada dessa última

Assim, a corrente acabou adotando uma postura neutra no tocante à pesquisa ou postulado das leis especificamente históricas, que não desfigurou porém os fundamentos de sua concepção da historiografia
O termo
historicismo positivista
denomina aqui a reflexão epistemológica configurada no final do XIX pela combinação dos princípios historicistas do caráter individualizante do método histórico com as exigências de objetividade do positivismo, cujos principais exemplos são os manuais de Bernheim e Langlois & Seignobos

Na verdade, a tendência em questão resulta da compreensão positivista do paradigma historicista
A proposta põe em questão a filosofia da história e os compromissos partidários e morais no estudo da história, tirando do historiador a missão de julgar o passado ou fornecer exemplos aos seus contemporâneos; ela reserva-lhe exclusivamente o papel de elaborar o conhecimento dos fenômenos históricos
Se baseia no suposto de que não há nenhuma relação entre o historiador e seu objeto, pode-se pô-lo à distância, tratá-lo como coisa, de modo objetivo e imparcial, aplicando o método crítico

A problemática resume-se em estabelecer os fatos em cima das fontes; o ofício do historiador consiste no seu manuseio e estudo
Finalmente, a proposta supõe que o processo histórico tem uma estrutura dada objetivamente, acessível ao conhecimento sem mediação, que o historiador se limita a descrever de forma objetiva com base em suas fontes

A reflexão teórica e o conhecimento generalizante servem apenas para estimular o gênio maligno da especulação e introduzir elementos subjetivos numa atividade que deve se restringir à reconstituição dos fatos
Chamados por Rüdiger de
projetos de superação

Superação da dicotomia historicismo versus positivismo
Pode-se dizer deles que consistem em duas formas alternativas de composição de seus postulados (do historicismo e do positivismo), caracterizadas pela tentativa de superar a oposição entre teoria e história, para dar à história cunho teórico; e, entre ciência e história, para fundamentar uma ciência da história
O pensamento marxiano sobre a história apresenta-se extremamente complexo devido aos vários aspectos que contém e às diversas fases de sua elaboração

Marx não formulou explicitamente uma epistemologia da história, que deve ser reconstruída nas suas proposições gerais através do exame de seus escritos científicos e filosóficos, com relação aos quais pode-se identificar no mínimo duas fases, além da fase de juventude
O marxismo constitui uma corrente de pensamento complexo em vários sentidos, devido à multiplicidade de suas formulações e o destino histórico de suas proposições originais, cujo entendimento não pode ser desvinculado de sua própria reinterpretação

O caso ainda é mais grave quando se trata da sua posição com relação à questão da história, na medida em que constitui um componente problemático no próprio pensamento de Marx. Como demonstram comentadores menos comprometidos, as concepções do autor contêm, conforme a etapa de sua elaboração, formulações derivadas tanto do paradigma historicista quanto do paradigma positivista
Em contrapartida, Weber revela-se autor de uma reinterpretação renovadora do paradigma historicista

O modelo de ciência construído por ele caracteriza-se por uma autocompreensão metodológica do conhecimento, que se distingue daquele elaborado pelo historicismo positivista pela valorização do componente teórico e o postulado da aplicação da explicação em história
Weber baseia-se nas análises de Windelband e Rickert, fundadas na chamada relação com os valores, para definir as ciências culturais, onde se inclui a história

Para o autor, essas ciências repousam na premissa transcendental de sermos homens de cultura, dotados da faculdade de tomar posição diante do mundo e de lhe conferir sentido

Elas investigam o sentido dos fenômenos potencialmente significativos para nós: e por isso geram um enfoque predominantemente individualizador, preocupado com a especificidade desses fenômenos em relação à nossa cultura
Em Weber, não existem relações concretas independentes do sujeito. As relações sociais e seus pontos de condensação institucional, como o Estado, as empresas, a Igreja, etc., são relações intersubjetivas
A compreensão do sentido assim definido dá-se, de modo mais ou menos claro, mediante conceitos, que o autor chama
tipos-ideais

Os tipos-ideais são construções que acentuam um ou vários aspectos da realidade, combinam determinadas relações para formar um quadro histórico homogêneo no pensamento

O historiador defronta-se com a tarefa de caracterizar em cada caso particular os fenômenos que estuda, a fim de distingui-los de outros, e para isso procede ao exame da maior proximidade ou afastamento entre a realidade e os conceitos
Trata-se em ambos os casos da constituição de
paradigmas de compromisso com os modelos de ciência
propostos pelo historicismo e o positivismo, que procuram combinar seus componentes, em medidas variáveis conforme o caso e o aspecto enfatizado, em sínteses capazes de se apresentarem como novas matrizes epistemológicas para a autocompreensão das ciências históricas
O
presentismo
, que constitui um paradigma epistemológico derivado do historicismo, caracterizado pela sustentação da tese idealista da identidade entre sujeito e objeto da história no pensamento do historiador, fornece um contraponto a essas empresas marxista e weberiana

Para seus promotores, ciência e história apresentam estruturas radicalmente distintas e incompatíveis, em termos gnosiológicos, são incomensuráveis e não têm qualquer possibilidade de compromisso
Com o desenrolar do XX, temos uma intricada rede de possibilidades no fazer historiográfico:

Positivismo e suas derivações
Marxismo e suas derivações
Contribuições da hermenêutica
Contribuições da Filosofia Analítica
O paradigma Crítico-dialético
Neo-historicismo
Correntes pós-modernas
Gabarito:

14 (Heródoto): C
13 (Duby): D
12 (Revel): A
8 (Eça de Queiroz): A
12 (Memória): C
13 (Ranke): D
15 (Wells): B
41 (Ginzburg): D
42 (Freyre): A
39 (Darnton): C
9 (Funes): E
40 (Objetos): E
Temas trabalhos atualmente:

Construção das identidades (e do Outro)
História e Memória (lugares de memória Pierre Nora)
Construção das representações
Imaginário social
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