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Teoria da História

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by

Alex Zzz

on 21 June 2016

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Teoria da História
Teoria da História
1º Semestre/2016

Questões preliminares

História: campo de conhecimento

Conceitos fundamentais

História da Historiografia

Escolas, Paradigmas, Correntes e Perspectivas

Abordagens, métodos e técnicas operacionais

ORIENTAÇÕES GERAIS

Cronograma: plano de trabalho

Atividades avaliativas

TDE

Sobre o curso: leituras, debate, estudo
ATIVIDADE

Organizar-se em grupos para dicutir as questões

Redigir um texto individual e responder:

O que é História?
Qual sua função?
Como se faz História?
Existem diferenças entre História, história e estória?
PARA PRÓXIMA AULA

Ler os textos 01 e 02 (BLOCH e ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA) 42 páginas
Introdução à Teoria da História


O que é História e o que fazem os historiadores?


Debate
: Funções da História e do seu ofício

O que seria um teoria? E mais especificamente, uma teoria da história?
Como vocês definiriam a História?

Ciência?
Arte?
Técnica?
Diversão?
Hobby?
Uma resposta para essa questão abrange um certo tempo de estudo e maturação

Primeiro
partimos de uma ideia intuitiva, quase expontânea do que é História

Depois
, a partir das leituras que desenvolvemos e da discussão que empreendemos, vamos formando uma ideia cada vez mais sofisticada do que é
O NOSSO OFÍCIO
É por essa razão que precisamos fazer essa reflexão constantemente:

O que é esse nosso ofício?
O que é essa História que eu estudo?
O que é que faz um historiador?
Qual seu papel e qual o papel do conhecimento que ele produz?
Qual a relevância da História e daqueles que a produzem?

TUDO ISSO CHAMAMOS:
META-ANÁLISE
Em certo sentido, então, as respostas anteriores tem um tom bastante pessoal, pois dependem das nossas idiossincrasias, das nossas experiências e conhecimentos

Para mim, a História é um campo de conhecimento distinto, que produz um tipo de conhecimento distinto, apoiado em um conjunto de normas, princípios e em uma ética

É um campo que faz fronteira e invade outros campos de conhecimento: como o da filosofia, das artes, da ciência
Esboço dos campos de saber
(existem outros...)
HISTÓRIA
FILOSOFIA
ARTES
CIÊNCIAS
Os historiadores são os responsáveis por
produzir
e
zelar
pelo conhecimento histórico

Produzir: uma vez que são os historiadores aqueles munidos suficientemente dos instrumentos necessários à construção desse tipo de conhecimento

Zelar: uma vez que é a comunidade de historiadores os responsáveis diretos por fazer a crítica e o controle do conhecimento histórico produzido
Quais são as funções que o conhecimento histórico possui na sua opinião?

Para que ele serve?

Ele possui uma função ou múltiplas funções?
Um
campo de conhecimento
nada mais é do que um:

1. espaço próprio relativamente autônomo
2. possuidor de um conjunto de interesses
3. dotado de singularidades
4. dividido intradisciplinarmente
5. um modo de expressar-se
6. dotado de certas normas (éticas, metodológicas, teóricas)
7. oposições e diálogos interdisciplinares
8. interditos e tabus
9. rede humana
10. olhar sobre si
É um espaço próprio de produção
É relativamente autônomo
Tem suas normas
Produz um conhecimento original
A História seria um ofício?

Porque?
Duas razões para pensarmos que a História é um ofício, uma profissão:

a) é um campo de conhecimento que possui uma tradição milenar

b) produz um tipo de conhecimento específico
O QUE É UMA TEORIA
:

a) campo de estudos

b) cada um dos modelos explicativos criados para compreender um fenômeno, aspecto da realidade ou objeto de estudo

c) visão de mundo ou forma de apreender o mundo
FUNÇÕES DE UMA TEORIA DA HISTÓRIA
:

a) dar uma visão geral das teorias já produzidas no campo

b) especificar e refletir sobre aspectos de cada teoria

c) discutir e refletir conceitos fundamentais ao trabalho do historiador
Em geral, cada historiador terá respostas diferentes para essa questão:

Jörn Rüsen
: a história serve para localizar-nos no tempo, serve como orientação da vida através da estrutura do tempo
Klaus Bergmann
: fornece a oportunidade de emancipação e de construção de uma identidade pessoal
Marc Bloch
: no mínimo, a história serve para entreter
Eric Hobsbawm
: “A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX.
Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem
. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim do milênio. Por esse motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores”
PARA PRÓXIMA AULA

Ler os textos 08 e 17 (BRAUDEL e DOSSE)

Pesquisar o que é:
CONCEITO
,
TEORIA
,
HIPÓTESE
,
DISCURSO
Ideias-chave do texto
:

O que é História?

"método regressivo"

"legitimidade da História"
Quem é o autor?

Quais outros nomes são mencionados?

Qual o contexto dessa obra?

Qual a ideia central que ele quer desenvolver?

Como ele defende essa ideia? (quais argumentos?)
Resumo do livro todo
(segundo Le Goff)

Em primeiro lugar, a
definição
de história

Em segundo lugar, iniciando o ofício: a
observação
histórica

Terceiro: a
crítica

Quarto: a
compreenção

Quinto: provavelmente seria sobre a
explicação
História não é a ciência do passado

História não é ciência do homem

História não é (apenas) ciência das sociedades

História é a ciência dos homens no tempo
"A ignorância do passado não se limita a prejudicar o conhecimento do presente, comprometendo, no presente, a própria ação"

"O homem também mudou muito: em seu espírito e, sem dúvida, até nos mais delicados mecanismos de seu corpo. Sua atmosfera mental transformou-se profundamente; não menos sua higiene, sua alimentação."

"Isolado, nenhum especialista nunca compreenderá nada senão pela metade, mesmo em seu próprio campo de estudos."
Ele não deve ignorar "a imensa massa dos testemunhos não-escritos"

Deve portanto deixar de ser, "na ordem documentária, obcecado pelo relato, assim como, na ordem dos fatos, pelo acontecimento"

Mas deve também se resignar a não poder compreender tudo do passado, a utilizar "um conhecimento através de pistas"
O essencial é enxergar que os documentos e os testemunhos "só falam quando sabemos interrogá-los toda investigação histórica supõe, desde seus primeiros passos, que a investigação já tenha uma direção"
Busca por um método racional de crítica aplicado ao testemunho humano

A História deve compreender e não julgar

A ciência histórica se consuma na ética. A história deve ser verdade
Sobre a complexidade do tempo histórico
Sobre a necessidade da explicação histórica
Sobre a natureza da história do presente
Sobre as relações entre presente e passado
Sobre "o ídolo das origens"
Sobre a noção de "causa" em história
Sobre a natureza e a construção do fato histórico
Sobre o papel da tomada de consciência o tratamento do "acaso" e as formas da mentira e do erro em história
Sobre o discurso histórico
Sobre as maneiras legítimas de fazer história
Sobre a definição de uma busca necessária da "verdade" histórica
Sobre a exigência de uma ética da história e do historiador
ASPECTOS QUE ESTE LIVRO PODE AINDA SER ÚTIL
TEXTO
: O STF NÃO SABE O QUE É HISTÓRIA

Qual o problema apresentado no texto?
Por procurar estabelecer “por decreto” o que é ou não histórico

Por apontar como subsídio para essa classificação critérios considerados ultrapassados há, pelo menos, um século (“grande repercussão nos meios de comunicação”)

Por limitar a tarefa a magistrados, desconsiderando o saber específico dos profissionais de História
Não se trata apenas de um problema intelectual, mas de moral e cívico: O historiador tem responsabilidades e deve "prestar contas"

Nossa civilização ocidental inteira está interessada nele (no debate sobre a legitimidade da História)

A tradição ocidental é baseada fundamentalmente na História

"Decerto, mesmo que a história fosse julgada incapaz de outros serviços, restaria dizer, a seu favor, que ela entretém"
O que, precisamente, torna legítimo um esforço intelectual?

Satisfação pessoal?
Impactos mais abrangentes, sociais?
Transformar o mundo?
Transformar a vida da gente?
Serem aptos a incentivar a ação?
A História é uma coisa em movimento: tentar defini-la aqui e agora é traí-la um pouquinho devido a isso

É mais importante dizer como ela espera ser capaz de progressivamente ser feita

Pois a história não apenas é uma ciência em marcha: É também uma ciência na infância

"A história, falando genericamente, é a mais difícil de todas as composições que um autor pode empreender ou uma das mais difíceis" (Fustel de Coulanges)
Apreciaria que, entre os historiadores de profissão, os jovens em particular se habituassem a refletir sobre essas hesitações e esses perpétuos "arrependimentos" de nosso ofício. Será para eles a maneira mais segura de se preparar, por uma escolha deliberada, para orientar racionalmente seus esforços
TEXTOS 01, 02 e 03
(Le Goff, Bloch, Anpuh, Jenkins)

No final do século XIX, Fustel de Coulanges pode ser tomado como um dos marcos da transformação na acepção de documento (e sua expanção):

"Onde faltam os monumentos escritos, deve a história demandar às línguas mortas os seus segredos... Deve escrutar as fábulas, os mitos, os sonhos da imaginação... Onde o homem passou, onde deixou qualquer marca da sua vida e da sua inteligência, aí está a história"
As ideias de documento e de monumento se alteram historicamente

No século XVII a ideia de documento encontra maior difusão
Somente no XIX ganha o sentido de testemunho histórico

Para a escola positivista tem um significado de prova (objetiva e neutra) e constitui-se basicamente como um documento escrito
Tanto a memória como a História (que é a forma científica da memória) se utilizam de
DOCUMENTOS
e
MONUMENTOS

O que sobrevive do passado é apenas uma parte minúscula, selecionada algumas vezes, fortuitamente preservada na maior parte

O
monumento
tem como características o ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária ou involuntária, das sociedades históricas (é um legado à memória coletiva) e o reenviar a testemunhos que só numa parcela mínima são testemunhos escritos

Ja
documento
deriva do latin docere (ensinar) e evolui para o sentido de "prova"

monumentos = herança do passado
documentos = escolha do historiador
Então, nesse período, na virada do século XIX para o XX, podemos dizer que há uma preponderância do documento sobre o monumento

O século XX será o momento de triumfo do documento, no bojo da
REVOLUÇÃO DOCUMENTAL

Essa revolução é a da ampliação e enriquecimento do que se toma como "documento"

Os Annales são os maiores responsáveis por essa revolução (embora não sejam os únicos)
Essa revolução é ao mesmo tempo qualitativa e quantitativa

Qualitativa
: porque os tipos de documentos são muito variados

Quantitativa
: porque os métodos seriais (com o auxílio dos avanços tecnológicos) se tornam possíveis

A História quantitativa nasce da confluência de duas revoluções: a documental e a tecnológica
Com a sofisticação da crítica documental caminha-se para a unidade do
documento/monumento

O que transforma o documento em monumento: a sua utilização pelo poder

Não existe um documento objetivo, inócuo, primário

O documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder

Só a análise do documento enquanto monumento permite à memória coletiva recuperá-lo e ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa
O documento é antes de mais nada o
resultado de uma montagem
, consciente ou inconsciente, da história, da época, da sociedade que o produziram, mas também das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, ainda que pelo silêncio

O documento é uma coisa que fica, que dura, e o testemunho, o ensinamento (para evocar a etimologia) que ele traz devem ser em primeiro lugar analisados desmistificando-lhe o seu significado aparente

O documento
resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias
Keith Jenkins em seu "A História Repensada" trabalha várias questões propedêuticas, iniciáticas para o estudante de História (além de querer também apresentar um texto crítico e polêmico)

No começo apresenta um argumento do que seja a História

Existem várias histórias, diferentes e divergentes, cujo único traço em comum é que pretendem investigar o passado
O primeiro capítulo intitula-se "o que é História?"

E é essa pergunta que o autor busca responder

Primeiro, respondendo o que a História é na
teoria
Depois, o que ela é na
prática
Por fim, juntar teoria e prática numa
definição
O pedacinho de mundo que é objeto de investigação da história é o passado.

Passado e história são coisas distintas, um existe independente do outro. Mas por que isso é importante?

1) O passado já aconteceu. Ele só é trazido de volta através de veículos (livros), através do discurso sobre o passado. Ela é aprendida e informada por outros textos. A história é essencialmente texto. "[...] constructo linguística intertextual"
1) nenhum historiador consegue recuperar a totalidade;

2) nenhum relato consegue recuperar o passado tal qual era; o passado são acontecimentos, situações e não um relato; só se podem comparar relatos, e não o relato com o passado;

3) a história está fadada a ser um constructo pessoal, uma manifestação da perspectiva do autor enquanto narrador; o trabalho do historiador é condicionado pelo presente em que vive.
Para os historiadores o que limita a liberdade seria um método rigoroso, regras rígidas de proceder...

Para o autor o que limita em última instancia a interpretação é a ideologia. Sempre existe a pergunta, qual método?
A história é a maneira pela qual as pessoas criam suas identidades...
Da Definição de História
: É quando a história se insere no campo das relações de poder que começa a ficar complicado explicar a história. O que é a história? Torna-se para quem é a história?

Resposta individual.
Responder a essa questão, nos ajuda a pensar sua importância/relevância
Por muito tempo o problema da didática da História foi encarado como um problema externo ao campo da História, e não problemático nele.

A diferença entre historiadores e pedagogos dentro desse paradigma anterior de Didática da História era de
ênfase
: historiadores imaginavam que ensinar História consistia basicamente em saber bem História, enquanto pedagogos enfatizavam que ensinar História consistia basicamente em saber bem ensinar.
A Didática da História, nesta formulação de Bergmann, investiga:

o que é (
tarefa empírica
)
o que pode (
tarefa reflexiva
)
o que devia ser transmitido (
tarefa normativa
) no que se refere à História
Da Prática
: As histórias “profissionais” são formas de se ver como as ideologias formulam suas histórias em moldes acadêmicos.

Quando vão trabalhar os historiadores levam:

1- a si mesmos
2- seus pressupostos epistemológicos
3- rotinas e procedimentos para lidar com o material
4- obras de outros autores historiadores.

Esse ato básico de transformação do passado em história é o trabalho do historiador.

5- tendo feita a sua pesquisa, precisam colocar por escrito. Aqui novamente as pressões atuando.
6- leitura, consumo das publicações.
Da teoria
: 2 argumentos:

a) a história é um dentre outros discursos sobre o mundo: os discursos não criam o mundo, mas se apropria dele e lhe dão significado (a parte do mundo que a História tem como objeto é o passado)

(
discurso
: história como campo de forças, idéias das pessoas sobre a história relacionada a interesses e a poderes)

b) um problema que advém da distinção entre história como discurso e o passado: como conciliar as duas coisas?
2) Você está estudando parte do passado brasileiro. Em aula o professor está trabalhando a ditadura militar, mas você não presta atenção na aula e se resume a estudar em casa o conjunto de livros do Élio Gaspari sobre o assunto. O que é mais correto dizer: que você está habilitado a discutir sobre ditadura militar ou sobre Élio Gaspari? Uma vez que nesta fase sua leitura do passado - ditadura militar - se resume a sua leitura do autor mencionado
3) As mulheres, por exemplo, quase não aparecem nas histórias, apesar de existirem milhões de mulheres que viveram no passado. O mesmo se dá com outros grupos.

Então, o passado e o discurso sobre esse passado (história) são a mesma coisa?
A história é menos que o passado...
Nesse conciliar as duas coisas surgem para o autor três campos teóricos muito problemáticos:
epistemologia, metodologia e ideologia
.

Epistemologia: campo filosófico da teoria do conhecimento, assim a história integra outro conhecimento que é a filosofia.
Resumo das atividades (manhã e noite)
O QUE É HISTÓRIA?

* Aquilo que se constrói com fontes
* É o estudo, relato e a divulgação do passado dos homens
* É uma construção temporal das relações que um grupo produz
* É uma ciência ou arte que busca interpretar a trajetória humana
* É o estudo do desenvolvimento humano no tempo
* É a compreensão das "marcas" deixadas pelo ser humano
* É o estudo das mudanças e permanências na cultura, sociedade, religião, etc.
* É a análise das interesecções entre passado, presente e futuro
* É uma espécie de biblioteca da humanidade
* É o fruto da crítica do passado
* É a ciência que estuda, investiga e interpreta os acontecimentos
* É um agregado de conhecimentos sobre a humanidade
* É o estudo das civilizações através do tempo
* Dentre outras coisas, o estudo dos comportamentos e do cotidiano humano
* É o estudo das causas e consequências das ações humanas
Resumo das atividades (manhã e noite)
QUAL A FUNÇÃO DA HISTÓRIA?

* Permitir a análise dos acontecimentos dos homens no tempo
* Atender a uma necessidade de registrar os feitos humanos (preservá-los)
* De mostrar os passos da humanidade (bons ou ruins)
* Dar consciência existencial à raça humana
* Compreender o tempo e detalhar os acontecimentos
* Auxiliar num entendimento mais amplo do mundo junto dos outros saberes
* É decodificar o passado e transformá-lo em ferramenta de uso no presente
* Moldar a sociedade a partir dos exemplos do passado
* Preservar a memória dos homens, das sociedades e da humanidade
* Comparar o que já aconteceu com o que está acontecendo e acontecerá
* Instruir a sociedade e fazê-la compreender sua complexidade
* Formar sociocultural e politicamente as pessoas
* Não é a de criar certezas, mas possibilitar um melhor entendimento do mundo
* Mostrar o - ou dar um - sentido da jornada humana na terra
* Responder à curiosidade humana sobre o que aconteceu
* Permitir o conhecimento de quem somos como individuos e sociedade
* Auxiliar na transformação do mundo e dos individuos
Vocês acham relevante responder a essas questões?
Porque?
Temporalidades
para Braudel:

a)
Uma história quase imóvel
: a do homem em suas relações com o meio que o cerca; uma história lenta no seu transcorrer e a transformar-se, feita com freqüência de retornos insistentes, de ciclos incessantemente recomeçados (Ex. história do mediterrâneo)

b)
Uma história lentamente ritmada
: uma história social, a dos grupos e dos agrupamentos, as economias e os Estados, as sociedades e as civilizações (Ex. as correntes e ondas do fundo)
c)
Uma história da ocorrência ou acontecimento
: história tradicional, se quisermos, da história à dimensão não do homem, mas do indivíduo, a história ocorrêncial (événementiele) (Ex. agitação de superfície, as ondas que as marés elevam em seu poderoso movimento, espuma do mar)

Uma história com oscilações breves, rápidas, nervosas
O historiador é um proficional que tem por objeto, não o tempo, mas as temporalidades

Presente
= pois é no tempo presente que o historiador constrói sua História, elabora suas perguntas e é incitado por sua curiosidade

Passado
= é para onde o historiador direciona sua análise, pois, à rigor, todo nosso conhecimento do passado (há uma impossibilidade lógica de se conhecer o presente)

Futuro
= na medida em que conhecemos mais e mais, estamos, mesmo que não desejemos ou saibamos, pavimentando nosso caminho ao futuro
Assim chegamos a uma decomposição da história em planos escalonados

Ou, se quisermos, à distinção, no tempo da história, de um tempo geográfico, de um tempo social, de um tempo individual
TEXTOS 08 e 09
(Braudel, Veyne)
A História para o Paul Veyne não é ciência, não tem método, não explica nada e quanto as suas teorias, precisam ser olhadas de perto

A
História é um romance verdadeiro
!

Nada mais do que uma
narrativa verídica
.

Ponto básico para se fazer História: suprir nossa curiosidade.

Para isso não precisamos buscar apenas leis, forças da natureza, ou a presença humana...

Tal como no romance, a História seleciona, simplifica, organiza
Um pouco de erudição:

A História admite o
ethos
e a
hipotipose
, mas não o
pathos

É
diegesis
e não
mimesis

:)

Com facécias, sem pejo, cavilosas
O grande diferencial entre História e romance, para Veyne:

O historiador não é um colecionador (de fatos individuais), nem um esteta (passado pelo passado), a beleza não o interessa, a raridade tampouco:
APENAS A VERDADE

Um fato deve preencher apenas uma condição para ter a dignida de história: ter acontecido REALMENTE

Verdadeiro X (in)Verossímel
Para Veyne não existem nem mesmo um método em História

O que chamamos "método" seria outra coisa, como uma crítica simples, que teria por função responder: este documento me ensina algo? Posso confiar nele?

No trabalho do historiador distinguem-se três momentos:

Leitura de documentos
Crítica
Retrodicção
A História ditingue-se da fábula e o romance, pois busca o verdadeiro

Distingue-se da Ciência, pois se contenta com a busca pela verdade, enquant a Ciência também busca o rigor

A História busca o rigor apenas na crítica
História
(com H maiúsculo): usualmente utilizado para se referir à disciplina

Historiografia
: se refere a produção histórica, ao conhecimento histórico materializado em livros, artigos, ensaios, etc.

história
(com h minúsculo): usual para se referir a história nela mesma, essa que acontece

Estória
: embora seja considerada um brasileirismo ou neologismo, é usual para diferenciar contos, narrativas populares, folclore
Relato
: é um sinônimo muito utilizado em História para se referir à escrita da história

Discurso
: já é um termo mais específico que também diz respeito a um conceito

Conceito
: é uma definição, concepção, formulação de uma ideia através de palavras, concebido pelo pensamento, um símbolo mental, uma abstração

Teoria
: é o conjunto de princípios fundamentais de uma arte ou de uma ciência, é uma opinião sintetizada, é uma noção geral

Hipótese
: suposição de algo verosímil, possível de ser verificado, a partir da qual se extrai uma conclusão
História, história (com "h" minúsculo), estória

Sentidos diferentes?


E Historiografia, o que é?
O que é um
CONCEITO
?

E uma
TEORIA
?

E uma
HIPÓTESE
?
Algumas definições e conceituações
:

FONTE, DOCUMENTO, REGISTRO
: todos termos correlatos que fazem referência à herança material e imaterial legada pelos nossos antepassados

E que servem de base para nossa - enquando historiadores - construção do conhecimento histórico

EMPÍRIA
: várias acepções, mas uma própria para Ciência e para História

VESTÍGIO
e
INDÍCIO
: termos utilizados por Carlo Ginzburg
EMPÍRIA, EMPÍRICO, EMPIRISMO

Acepção mais comum e trivial
: Que é baseado na experiência (ex.: conhecimento empírico)

Que se baseia na experiência ou dela resulta. Que resulta da prática, da observação e não da teoria.

Acepção filosófica
, que designa uma corrente de pensamento, uma teoria que afirma que a base para todos os nossos conhecimentos advém de nossas experiências sensoriais
Acepção científica
e, também, usual na
pesquisa histórica
: é um tipo de evidência inicial, fruto da observação e da prospecção

Em História, a empíria é a base fundamental de construção do conhecimento histórico

Claro que existe um campo da História que se debruça exclusivamente sobre a teoria, mas o seu resultado não é, a rigor, conhecimento histórico, mas reflexão teórica

O conhecimento histórico é produto da pesquisa histórica e a empíria é sua condição sine qua non
Algumas definições e conceituações
:

MÉTODO
: Maneira de dizer, de fazer, de ensinar uma coisa, segundo certos princípios e em determinada ordem. Maneira de agir.

* Temos também um
Método científico
e um método para várias facetas do ofício historiador: o método delimita o modo de obtenção de um tipo de conhecimento.

* O método científico é constituído por uma série de passos codificados que se têm de tomar, de forma mais ou menos esquemática para atingir um determinado objectivo científico
MÉTODO NA HISTÓRIA:

No geral, falamos de UM método, mas na verdade são vários. Um para cada aspecto da nossa atividade. Nesse sentido, temos (alguns mais, outros menos complextos):

Um método para prospectar fontes
Um método para organizá-las e classificá-las
Um método para analisá-las
Um método para sintetizar nossas reflexões e achados num texto

Em linhas gerais, método em História é
toda abordagem composta por certos critérios e princípios que visam auxiliar a obtenção do conhecimento histórico
(vale lembrar: só pode ser chamado de CH aquele que visa a verdade e que se encaminha através de um percurso honesto em termos intelectuais)
ELEMENTOS QUE CARACTERIZAM O MC:

Caracterização
- Quantificações, observações, medidas e descrições

Hipóteses
- Explicações hipotéticas das observações e medidas

Previsões
- Deduções lógicas das hipóteses

Experimentos
- Testes dos três elementos acima

Controle
- Experiência controlada é aquela que é realizada com técnicas que permitem descartar as variáveis passíveis de mascarar o resultado

Falseabilidade
- é uma propriedade que uma asserção, hipótese ou teoria tem de poder ser provada como falsa

Explicação das Causas
- Identificação das causas, Correlação dos eventos e Ordem dos eventos
VERDADE:

Da mesma forma que o método, a verdade se torna um fator de distinção na História

A busca pela verdade diferencia o ofício do historiador de outros campos de saber, como a literatura (ficção) ou a filosofia (especulação)

O tipo de verdade buscada também diferencia a História de outras áreas: em História busca-se uma verdade de tipo
idiográfica
ou
idiotética
(que busca o individual, o específico, o único, o singular), ao contrário da Sociologia que busca uma verdade de tipo
nomotética
prioritariamente (busca por leis, regularidades, repetições, aspectos gerais)
Na História, preocupações com o método são bastante antigas, remetendo possivelmente à Tucídides

Mas é só no século XVII que se torna algo digno de reflexão com Jean Mabillon, Daniel van Papenbroeck, Charles du Fresne, sieur du Cange, Richard Simon e Jean Bolland, entre outros

Mas é só no século XIX, no auge da Ciência como conhecemos, que o método se torna objeto de reflexão legítimo da História, objeto de meta-análise

O método se torna também uma fonte de distinção da História enquanto campo de saber (diferente da filosofia e das outras humanidades)
Coisificar o real - Cientificismo do final do XIX e começo do XX

Sociologia de Durkheim --> busca por uma espécie de física social (estabelecendo redes de causalidade)

Princípios epistemológicos dessa que se quer A Ciência Social por excelência:

a) no
objetivismo de método
(com a superação da subjetividade do pesquisador)
b) na premissa da
realidade do objeto
(fatos sociais devem ser analisados como coisas; separação entre fatos psicologicos e fatos sociais)
c) na
independencia da explicação
que permite reduzir o fato social à causalidade sociológica considerada como a única eficiente
(a explicação é autônoma, desde que reduzidos os fenômenos sociais a explicações puramente sociologicas)
Tanto Durkheim, quanto seu discípulo François Simiand, defendem que a História se tornaria (ou deveria se tornar) uma peça acessória da Sociologia (uma ciência auxiliar)

E a Sociologia seria a Ciência Social por excelência, que buscaria leis (fugindo do contingente e do ocasional)

Três ídolos
de Simiand: Ídolo político, ídolo individual e ídolo cronológico
HISTÓRIA COMO CIÊNCIA

O século XIX foi o momento de uma renovação forçada na História: ao mesmo tempo que ela se tornara um campo independente de produção de conhecimento (em relação à filosofia e as letras) e também uma disciplina escolar/acadêmica, acabou sendo contaminada com a febre cientificista da época

*
Tomar cuidado
: cientificismo é uma coisa, científico é outra
CIENTIFICISMO
: A crença de que a ciência pode explicar tudo

O exagero na importância de uma teoria científica pretendendo aplicá-la a fenômenos que vão além do escopo da mesma

Uma ideologia baseada em uma interpretação errada ou que extrapola o que uma teoria científica diz

Em linhas gerais: é um apelo dogmático à ciência como forma prioritaria e principal de explicação do mundo e seus fenômenos
Essa divisão é apresentada pela primeira vez por um discipulo de Kant chamado Windelband

Nomotético = é a tendência de generalizar
Idiográfico = é a tendência de especificar

De toda forma, em História seria imprescindível a correspondência entre conhecimento histórico e verdade

Nenhuma hipótese explicativa ou descritiva poderia se furtar ao confronto com os fatos, instância decisiva dos valores de verdade
Aliado à busca pela verdade e a necessidade do método, a construção da distinção se deu através de um terceiro elemento (depois tornado um verdadeiro ídolo):
a busca pela neutralidade e isenção

Que se dava por uma busca metódica por extrair toda subjetividade daquele que analisa

A partir da segunda metade do XX, todos esses ídolos serão desconstruídos pela crítica pós-moderna

De um modo geral, a História foi se desfazendo desse traje cientificista ao longo de todo o século XX
A verdade é fruto de uma relação de conhecimento entre sujeito (cognoscente) e objeto (cognoscível)

Por muito tempo pensou-se:

a) o
sujeito como passível de ser neutro

b) e o
objeto como passível de ser puro
(sem contaminação do sujeito)

e dessa relação, a verdade surgiria como a
correspondência entre o conhecimento produzido e a realidade
No século XX esses pressupostos foram postos em xeque

O pressuposto do sujeito neutro passou a ser seriamente questionado, na impossibilidade deste se despir de suas idiossincrasias (uma vez que ele nem é capaz de percebê-las, todas)

O objeto puro também foi questionado, uma vez que posto o interesse de conhecer, o sujeito já contaminaria o objeto com seus a-prioris (não haveria uma forma de se conhecer o objeto em sua pureza ontológica) - em outras palavras, o sujeito, no ato de conhecer, construiria o objeto
História e historiografia, relato e discurso

História e verdade, método e cientificidade

História e causalidade, tempo e memória
ATIVIDADE
:

Desenvolva os problemas mencionados no texto da ANPUH criticando a ação do STF?


O que Marc Bloch quer dizer quando afirma que a história entretém e é divertida (em sua introdução ao "Apologia da História")? Desenvolva a argumentação do autor...
Mesa-redonda
:
dias 12, 19 e 26 de abril (manhã)
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Fichamento de leitura (03, 04, 07 e 08)

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ATIVIDADE
:

Comente algo que você tenha julgado interessante na leitura do JENKINS. Desenvolva.


Sobre a questão das diferentes temporalidades para Fernand BRAUDEL, explique-as.

Explique o que você entende por historiografia.
História da Historiografia
Antiguidade

Medievo

Renascença

Modernidade

Século XIX, XX e XXI
Século XX

A história vai se afirmando como uma ciência social, uma disciplina científica envolvida com a sociedade

Gradativamente a História vai ganhando força como uma disciplina acadêmica

Nos princípios do século XX, a história já havia adquirido uma dimensão científica incontestável
Periodização das teorias, correntes e escolas teóricas

História no mundo clássico (Grécia e Roma)

História no mundo medieval

História na renascença e no mundo moderno

Iluminismo

Século XIX

Século XX

Tendências atuais
História no mundo clássico (Grécia e Roma)

Essencialmente narrativa, mas buscando uma separação de outros gêneros narrativos

O importante é narrar os fatos com detalhes, enfatizando grandes personagens e feitos (TEMA CENTRAL = GUERRAS)

Sem análise e comprensão, apenas descrição

ROMA = História serve para exaltar Roma
História no mundo medieval ocidental

A historiografia medieval é feita principalmente por hagiógrafos, cronistas, membros do clero episcopal próximos ao poder, ou pelos monges

Escrevem-se genealogias, áridos anais, listas cronológicas de acontecimentos ocorridos nos reinados dos seus soberanos (anais reais) ou da sucessão de abades (anais monásticos); "vidas" (biografias) de carácter edificante, como as dos santos Merovíngios, ou, mais tarde, dos reis da França, e "histórias" que contam o nascimento de uma nação cristã, exaltam uma dinastia ou, inversamente, fustigam os ignóbeis de uma perspectiva religiosa
Convém mencionar que, além da História feita na antiguidade clássica, uma das bases e origens da nossa História atual, é a História sagrada de bases cristãs

Já no final do Império Romano do Ocidente, a História será influenciada pelo modo cristão de ver o mundo, em uma mudança metodológica radical, introduzindo o
providencialismo
nas bases explicativas do desenrolar da história ou do tempo histórico
Grécia Antiga
(do século V a.C. até o século IV d.C.)

de Heródoto até Zósimo, passando por Tucídides, Posidônio, Políbio, etc.

Ao todo, Félix Jacoby, em Fragmente der griechischen Historiker, diferenciou
856 historiadores gregos
, incluídos os mitógrafos e cronistas locais

No século V a.C. Heródoto de Halicarnaso diferenciou-se dos mitógrafos pela sua vontade de distinguir o verdadeiro do falso

Uma geração mais tarde, com Tucídides, esta preocupação tornou-se crítica, com base na confrontação de diferentes fontes orais e escritas
HERÓDOTO
de Halicarnasso

Foi o autor da história da invasão persa da Grécia nos princípios do século V a.C., conhecida simplesmente como As histórias de Heródoto

Esta obra foi reconhecida como uma nova forma de literatura (ou melhor, um novo gênero narrativo) pouco depois de ser publicada
Antes de Heródoto, tinham existido crônicas e épicos, e também estes haviam preservado o conhecimento do passado, mas Heródoto foi o primeiro não só a gravar o passado mas também a considerá-lo um problema filosófico ou um projeto de pesquisa que podia revelar conhecimento do comportamento humano

A sua criação deu-lhe o título de "pai da história" e a palavra que utilizou para o conseguir, historie, que previamente tinha significado simplesmente "pesquisa", tomou a conotação atual de "história"
POLÍBIO
de Megalópolis

Famoso pela sua obra "Histórias", cobrindo a história do mundo Mediterrâneo no período de 220 a.C. a 146 a.C.

Exilado em Roma, tornou-se amigo de Cipião Africano

Assistiu a destruição de Cartago
Procurando obter rigor na descrição histórica, entrevistou veteranos das guerras que descreveu, procurando obter informação presencial dos eventos mais recentes

Através da sua influência em Roma, obteve acesso privilegiado aos arquivos públicos, tendo cuidadosamente compulsado as fontes documentais existentes
TÚCIDIDES
de Atenas

Escreveu a História da Guerra do Peloponeso, da qual foi testemunha e participante, em que, em oito volumes, conta a guerra entre Esparta e Atenas ocorrida no século V a.C.
Preocupado com a
imparcialidade
, ele relata os fatos com concisão e procura
explicar-lhes as causas

Tucídides escreveu essa obra pois pensava a Guerra do Peloponeso como um acontecimento de grande relevância para a história da Grécia, mais do que qualquer outra guerra anterior
XENOFONTE
de Atenas

É conhecido pelos seus escritos sobre a história do seu próprio tempo e pelos seus discursos de Sócrates

Sua obra mais conhecida é Anábase, que narra acontecimentos ocorridos entre 401 e 399 a.C., uma jornada épica de retorno a Grécia após a derrota em Cunaxa
A dissertação histórica que Xenofonte faz na obra Anábase é um dos mais antigos exemplos de análise de caráter de um líder feitas por um historiador

Esse tipo de análise tornou-se conhecido nos dias de hoje como a Teoria dos Grandes Homens

Xenofonte descreveu o caráter de Ciro, o Moço
Em sua obra "Pragmateia" (traduzido também como "História"), talvez tentando escrever uma obra de Geografia, abordou a questão da sucessão dos regimes políticos para explicar como é que o seu mundo entrou na órbita romana

Ele foi o primeiro a procurar causas intrínsecas para o desenvolvimento da história, mais do que invocar princípios externos
Roma Antiga
(do século III a.C. até século IV d.C.)

A primeira obra histórica latina completa é "As Origens" de Catão, do século III a.C. - mas o primeiro historiador é considerado Quinto Fábio Pictor

O contato de Roma com o mundo Mediterrâneo, primeiro com Cartago, mas sobretudo com a Grécia, o Egito e o Oriente, foi fundamental para ampliar a visão e utilidade do seu gênero histórico

Os historiadores (quer romanos, quer gregos) acompanharam os exércitos nas campanhas militares, com o objetivo declarado de preservar a sua memória para a posteridade, de recolher informações úteis e de justificar as suas ações
SALÚSTIO

Desiludido com a corrupção em Roma, escreveu sobre a decadência do povo romano e foi útil ao descrever dois grandes momentos do fim da república romana, a saber, a Conjuração de Catilina e a Guerra de Jugurta

Usa de suas narrativas como um pretexto para criticar os erros políticos cometidos pelos que detiveram o poder em Roma, principalmente aqueles de Cícero, seu inimigo político e pessoal
Não é a precisão histórica que lhe interessa e sim a narração de alguns fatos com as suas causas e consequências, assim como a oportunidade de esclarecer o processo de degeneração em que a República se viu imersa

Além dos indivíduos, o objeto da sua observação centra-se nas classes sociais e nas facções políticas: idealiza um passado virtuoso, e detecta um processo de decadência que atribui aos vícios morais, à discórdia social e ao abuso do poder pelas diferentes facções políticas
PLUTARCO

Conhecido por suas biografias dos imperadores romanos, de Augusto a Vitélio

Interessado em questões morais e religiosas, atribuiu pouca importância às questões teóricas e duvidou da possibilidade de algum dia estas questões serem resolvidas
TÁCITO

É considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade

Tácito tem as características usuais do historiador antigo: o gosto pela moralização - ele é um severo juiz de caráter -, pelo retrato dos grandes homens, o mais absoluto desinteresse pelo povo comum e o amor à retórica dos grandes discursos

É, acima de tudo, um investigador das causas
TITO LÍVIO

Nos últimos quarenta anos de sua vida dedicou-se à narrativa da História de Roma, desde a sua fundação até o ano de 9 d.C.

Essa obra, denominada Ab Urbe condita libri (Desde a fundação da cidade), é composta por 142 livros, dos quais apenas 35 chegaram até nós

O seu objetivo geral é ético e didático: é dever da História dizer a verdade e ser imparcial, mas a verdade deve apresentar-se de uma maneira elaborada e literária

É um historiador de gabinete, não viaja nem conhece pessoalmente os cenários dos eventos que descreve
É providencialista, de inspiração agostiniana, e circunscreve as acções dos homens nos desígnios de Deus

É preciso esperar até ao século XIV para que os cronistas se interessem pelo povo, o grande ausente da produção deste período
O providencialismo é a crença filosófica de que Deus é o verdadeiro protagonista e sujeito da história, e por isso tudo deve ser atribuído à providência divina

O homem é apenas seu objeto, um instrumento nas mãos de Deus
Nomes importantes do período:

Eusébio de Cesaréia
Agostinho de Hipona
Beda, o Venerável
Isidoro de Sevilha
Jean Froissart
Matteo Villani
Paulo Orósio
Gregório de Tours
Paulo, o Diácono
Geoffrey de Villehardouin
Jean de Joinville
História na renascença e no mundo moderno

Durante o Renascimento, o Humanismo trouxe um gosto renovado pelo estudo dos textos antigos, gregos ou latinos, mas também pelo estudo de novos suportes: as inscrições (epigrafia); as moedas (numismática) ou as cartas, diplomas e outros documentos (diplomática)

Estas novas ciências auxiliares da era moderna contribuíram para enriquecer os métodos dos historiadores

Busca-se a autenticidade dos documentos
Neste período a história não é diferente da geografia e nem mesmo das ciências naturais

É dividida em duas partes: a
história geral
(atualmente denominada simplesmente como "história") e a
história natural
(atualmente as ciências naturais e a geografia)
Ainda temos providencialismo, como por exemplo em Jacques-Bénigne
Bossuet


A questão da unidade do reino que se colocou pelas guerras de religião na França no século XVI, deu origem a trabalhos de historiadores que pertencem à corrente chamada de "
história perfeita
"
Ao mesmo tempo, a história se mostra como um
instrumento de poder
: põe-se ao serviço dos príncipes, desde Nicolau Maquiavel até aos panegiristas de Luís XIV de França, entre os quais se incluiu Jean Racine
Nomes importantes do período:

Jean Mabillon
Lorenzo Valla
Giorgio Vasari
Johann Winckelmann
Iluminismo

No século XVIII, ocorreu uma mudança fundamental: as abordagens intelectuais do Iluminismo por um lado, e a descoberta de um "outro" em culturas fora da Europa (o exotismo, o mito do "bom selvagem") por outro, suscitam um novo espírito crítico

São postos em questão os prejuízos culturais e o universalismo clássicos

Valoriza-se a razão e o otimismo - a história é um processo linear que representa o progresso da razão
A descoberta de Pompeia renovou o interesse pela Antiguidade clássica (neoclassicismo) e fornece os materiais que inauguram a ciência emergente da arqueologia

As nações europeias distantes do mar Mediterrâneo buscam as suas origens históricas nos mitos e lendas que, por vezes, foram inventadas (como em "Ossian" de James Macpherson, que simulou ter encontrado o Homero celta)
Também se interessam pelos costumes nacionais os franceses François Fénelon, Voltaire e Montesquieu, que teorizou sobre ele em "O Espírito das Leis"

Na Inglaterra, Edward Gibbon escreveu a sua monumental obra "História do declínio e queda do Império Romano" (1776-1788), onde fez da precisão um aspecto essencial do trabalho do historiador

Os limites da historiografia no século XVIII são a submissão à moral e a inclusão de juízos de valores, de modo que o seu objetivo continua limitado
Século XIX

Um período revolucionário para a História, tanto na maneira de concebê-la como na de escrevê-la

É tempo de rivalizar com as outras ciências nascentes e de se desvincular da literatura e das artes

É o momento de fundação das grandes histórias nacionais
Temos grandes desenvolvimentos na História:

na França
na região que irá se tornar a Alemanha unificada
na Inglaterra
Na Inglaterra, já no século XVIII temos grandes nomes na História:

Edward Gibbon
é o mais expressivo
Ponto culminante do Iluminismo na História

Já no XIX, temos
Thomas Carlyle
e
Thomas Macaulay
como os grandes nomes do período
Mas os grandes marcos que vão marcar a historiografia posterior vem publicados em língua germânica:

Theodor
Mommsen
Leopold Von
Ranke
Theodor Mommsen

Um dos maiores especialistas em História de Roma, foi agraciado com o Nobel em 1902 por sua "História de Roma"

Contribuiu para dar à erudição histórica as suas bases críticas
Leopold Von Ranke

É frequentemente considerado como o pai da "História científica"

Definiu o tom de boa parte dos escritos históricos posteriores, introduzindo ideias de vital importância para o uso do método científico na pesquisa histórica como o uso prioritário de fontes primárias, uma enfâse na história narrativa e especialmente em política internacional e um comprometimento em mostrar o passado tal como realmente foi
Foi responsável por ampliar o hall de fontes usuais ao historiador, utilizando memórias, cartas, diários, testemunhos oculares, etc.

Nesse sentido, se apoiou na filologia, mas trazendo documentos considerados mundanos para sua prática
No centro do seu método estava a crença de que teorias gerais não poderiam cortar o tempo e o espaço, mas que a única forma de chegar ao tempo histórico seria através de fontes primárias

Em outros termos, para conhecer contextos históricos específicos, o historiador não pode se valer de teorias gerais (como nas ciências exatas), mas do conhecimento específico e objetivo obtido através de fontes da época estudada (primárias)
Não acreditava em leis que regiam a história

Era um empirista

Inaugura a História Historicista - Corrente chamada
Historicismo
Não deve existir uma teoria histórica, com esquemas prévios que se imponham sobre o passado, como se acreditava anteriormente

Ranke dizia que é o passado que deve falar e que o historiador não tem boca

O método rankeano é fundamentado na filologia: os documentos (fontes) são fundamentais para a História
Na França também teremos marcos fundadores para a História que será praticada posteriormente

Fustel de Coulanges
Jules
Michelet
Fustel de Coulanges

Escreveu "a história não é uma arte, é uma ciência pura, como a física ou a geologia"

Foi o principal representante do positivismo aplicado à História
Jules Michelet

Os historiadores românticos, como Augustin Thierry e Jules Michelet, mantendo a qualidade da reflexão e a exploração crítica das fontes, não recearam espraiar-se no estilo, mantiveram-na como uma arte

Sobre a sua História, diz: "Augustin Thierry tinha chamado a história narrativa; Guizot, análise; chamo-o ressurreição"
No século XIX surgem grandes teorias filosóficas, as quais foram desdobradas e aplicadas à reflexão histórica:

POSITIVISMO
de Auguste Comte
MATERIALISMO HISTÓRICO
de Karl Marx

Depois trataremos especificamente dessas correntes de pensamento, aqui apenas mencionaremos alguns nomes importantes do período
Até os anos 30 pelo menos, a História se viu entre duas vertentes principais de produção:

de um lado tinhamos uma história herdeira de uma versão empobrecida do positivismo

de outra lado tinhamos uma história ensaísta
Pretendendo
objetividade
, a história limitou o seu objeto: o fato ou evento isolado, o centro do trabalho de um historiador, é considerado como a única referência para responder correctamente ao imperativo da objetividade

Tampouco se ocupa por estabelecer relações de causalidade, substituindo por retórica o discurso que se pretendia científico
Simultaneamente, e em contraste, desenvolvem-se disciplinas similares, que tendem à generalização como a história cultural e a história das ideias

Momento de profundas reflexões sobre o próprio conceito de civilização

Ensaístas famosos; Oswald Spengler, Arnold Toynbee, José Ortega y Gasset, Henri Pirrene
Ao mesmo tempo em que a História já era uma disciplina institucionalizada, surgem novas disciplinas que irão travar contatos com a História (de oposição muitas vezes, mas também de compartilhamentos)

Sociologia, Arqueologia, Antropologia, Psicologia, Demografia
O Materialismo Histórico de inspiração marxista ganha força, trazendo o foco na economia para os estudos históricos
Até os anos 30
: história metódica, de inspiração positivista, ensaísta

Anos 30 (França)
: Annales
Anos 70/80 (França)
: Nova História

ANTIGUIDADE

O surgimento do Histor e o culto da Verdade

Heródoto

e

Tucídides

O problema da causalidade e do tempo

Políbio
e
Aristóteles

Preocupações com a narrativa

Tácito
A História sempre se comunicou com outras áreas produtoras de conhecimento

Desde sua origem com Heródoto, depois Tucídides, Políbio, Tito Lívio, Tácito, etc., trocou e emprestou dados, informações, conceitos, métodos, técnicas

Primordialmente com a Retórica, com a Poesia, com as artes de um modo geral, mas principalmente com a Filosofia
Depois, já na idade média e moderna, também começou sua comunicação com disciplinas e campos produtores de conhecimento nascentes

Tais como a Heráldica, a Diplomática, a Epígrafia, a Numismática

Temos as hagiografias (biografias), as crônicas, os anais monásticos e reais, as genealogias, gestas
Com o Iluminismo temos um renovado contato com a Filosofia, a razão como fio condutor do fazer historiográfico

Ao mesmo tempo, renova-se o contato com as artes na História romântica de Michellet
No século XIX, com o advento e popularização das ciências ditas "duras" (física, química, biologia, etc.) a História também quer ser ciência

Deixa-se de lado qualquer comunicação com as artes e com a Filosofia, sob pena de contaminação a-científica

O método passa a ser o fundamento da História científica
Ao mesmo tempo, o século XIX assiste a uma reoganização dos campos produtores de conhecimento

Temos o surgimento de vários outros campos, tais como a Sociologia, Antropologia, Arqueologia, Psicologia

Todas também querem ser ciência e querem conquistar um lugar institucional (que a História já possuí)
O século XX é o período de extensos contatos com as chamadas, a partir de então, "Ciências Sociais", com a Economia, com a Psicologia

Na
França
, capitaneado pelos Annales
Na
Inglaterra
, capitaneado pela New Left Review e pela Past and Present
Nos
EUA
, com a cliometria, os estudos de caso e a World History
Na
Itália
, com os Quaderni Storici
Na
Alemanha
, com a História dos conceitos, História semântica
A História existe como campo produtor de conhecimento lá com Heródoto e Tucídides

Mas é somente no século XIX que ela ganha um estatuto diferenciado

Passa a ter um método científico, reflexiva e crítica
Se instituicionaliza (disciplina acadêmica e escolar)
Ganha funções importantes dentro da sociedade
Ganha reconhecimento como campo produtor de conhecimento
No século XIX surgem três grandes correntes de pensamento historiográfico

Positivismo
aplicado à História
Historicismo
Historicismo positivista
Na passagem do XIX e começo do XX, temos três outras perspectivas para o estudo da história

Weber
Marx
Presentismo
Em primeiro lugar, há os
paradigmas fundadores
(nas palavras de Rüdiger)

Que fundam a História moderna, que se quer ciência

Historicismo, Positivismo e o hibridismo dessas duas
HISTORICISMO:

Na passagem para o nosso século, passou a ser associado à concepção filosófica acionada pela chamada historiografia tradicional, baseada na
postura contemplativa do passado
, no
cultivo do particular pelo particular
, no
registro aparentemente neutro dos fatos
e a conseqüente
aceitação do relativismo dos valores
Na verdade, o termo historicismo serve especialmente
para designar a corrente de pensamento
que, vinculada originalmente à chamada Escola Histórica Alemã, empreendeu um trabalho de fundamentação das ciências históricas calcados nas seguintes teses:

1. Os fenômenos sócio-culturais distinguem-se qualitativamente dos fenômenos naturais, na medida em que constituem fenômenos espirituais dotados de
significado humano

2. Os fenômenos sócio-culturais só podem ser estudados na sua historicidade, através da
compreensão
, mediada pelas fontes, do seu significado vivido ou montado pelos contemporâneos

3. O
historiador
, não menos que seus fenômenos de análise, encontra-se no fluxo da história, que determina suas perspectivas e conceitos de estudo
Johann G. Droysen, que estabeleceu a tese-chave do historicismo e demais paradigmas que se incluem em sua linhagem: a distinção entre as ciências naturais e as ciências históricas (em 1858)
Droysen subordina a metodologia da pesquisa histórica à reflexão sobre o estatuto de seu campo de estudo

A história se ocupa do movimento do mundo moral, das mudanças verificadas no ser ético do homem, cuja categoria fundamental é a
compreensão
"A compreensão é o ato mais humano do ser humano e todo fazer verdadeiramente humano se baseia na compreensão, visa a compreensão, encontra a compreensão. A compreensão é o laço mais estreito entre os homens e a base moral de todo ser moral"
A história consiste na compreensão do movimento desse mundo moral

Sua necessidade surge porque fazemos parte dele e através do seu conhecimento ampliamos o nosso próprio

Nosso conhecimento do presente se aprofunda com a compreensão do seu devir
Em vista disso, Droysen rejeitou as concepções em voga nos estudos históricos de seu tempo, procurando mostrar que
as fontes do historiador não são um meio de acesso objetivo ao passado
, não são jazidas de fatos brutos, como supunha a consciência imediata dos historiadores filiados a escola de Ranke

As fontes históricas são manifestações do espírito, de modo que é impossível reconstruir os fatos como eles efetivamente foram
Depois de Droysen, tivemos também Wilhelm Dilthey e Georg Simmel que aprofundaram as discussões sobre o historicismo
O historicismo pode ser resumido segundo o pensamento destes autores, mas não se esgota neles na medida em que seus postulados sofreram uma série de revisões desde sua primeira formulação em meados do século passado
Por um lado, a reinterpretação desses postulados em termos cientificistas, ou seja, reduzidos ao plano metodológico, gerou dentro de sua própria dinâmica a corrente híbrida que chamamos de
historicismo positivista

Por outro, seu comprometimento e adequação aos princípios da ciência positiva resultaram na reforma do paradigma, promovida por
Max Weber

Finalmente, seu próprio desenvolvimento interno levou à dissolução do historicismo na
hermenêutica
POSITIVISMO:

Embora deva seu nome à filosofia de um autor, constitui um paradigma comum a várias tendências do pensamento epistemológico moderno, na medida em que
procedem a uma compreensão metodológica do conhecimento
(
baseada no postulado da explicação causal nomológica dos fenômenos
)

Nele, a reflexão sobre a história tende a se confundir com a metodologia de estudo do processo histórico, derivada de ciências fundamentadoras, cujo uso geralmente esconde a construção de uma filosofia da história
Para essa corrente, a história só pode se tornar uma ciência a partir do momento em que aprender a considerar seus
temas de estudo como fenômenos naturais
, ainda que produzidos pela vontade humana

Os
fatos históricos precisam ser tratados como coisas
por um método positivo; o historiador não deve se limitar apenas ao estabelecimento dos fatos, mas avançar no sentido de
determinar as leis capazes de darem sua explicação

A tese da
unidade metodológica das ciências
deve se traduzir na explicação nomológica dos fenômenos históricos. Em suma, a
historiografia deve visar ao estabelecimento de leis gerais
, que, no caso são as próprias leis da história
O paradigma pode ser recapitulado tomando-se como ponto de partida o nome de
Augusto Comte

O autor apenas resume as tendências positivas verificadas na compreensão do pensamento histórico da primeira metade do século passado, cuja primeira sistematização se encontra na Introdução ao estudo da história (1842) de Philippe-Joseph-Benjamin Buchez
Para Buchez, a história é uma ciência que visa descobrir a ordem de sucessão dos fenômenos e determinar suas relações de dependência, de modo que, através dela, possamos conhecer o passado e prever o futuro
Para Comte, o
conhecimento dos fenômenos sociais não se distingue do conhecimento dos fenômenos naturais
, seus objetos não constituem domínios distintos

A ciência resume-se em estabelecer os fatos e descobrir as conexões causais entre eles
, devendo se libertar das concepções teológicas e metafísicas que dominaram o conhecimento em épocas anteriores

Os fatos sociais são fatos de observação empírica, devem ser tratados da mesma maneira que tratamos os fatos naturais. Eles estão submetidos a leis necessárias que devem ser descobertas pelo ramo do saber a que o autor deu o nome de
sociologia
A filosofia positivista pretende estabelecer as bases para a elevação da história à condição de ciência. O caminho é dotá-la de um método positivo

O primeiro passo, é elaborar procedimentos capazes de estabelecer precisamente, sem julgamentos de valor, os fatos

Porém, isso não basta, é preciso vencer a repugnância em considerar os fenômenos históricos como submetidos a verdadeiras leis naturais e estabelecer as conexões necessárias existentes entre esses fatos

O curso da história está sujeito não menos que outros processos a leis naturais. O conhecimento que se ocupa dele está baseado, portanto, no seu estabelecimento, que constitui ainda seu legítimo fim. Os fatos históricos estão submetidos a essas leis e como tais comportam previsão racional
Outros autores que continuaram as reflexões dentro deste paradigma foram Stuart Mill, Paul Lacombe, Dimitri Xenopol, François Simiand, Henri Berr (citados por Francisco Rüdiger), entre vários outros
Os desenvolvimentos posteriores do Positivismo (já no XX), geraram um movimento complexo pelo qual:

* por um lado, abandonou as questões de métodos à prática do historiador

* por outro, reservou para si a análise teoricamente orientada dessa última

Assim, a corrente acabou adotando uma postura neutra no tocante à pesquisa ou postulado das leis especificamente históricas, que não desfigurou porém os fundamentos de sua concepção da historiografia
O termo
historicismo positivista
denomina aqui a reflexão epistemológica configurada no final do XIX pela combinação dos princípios historicistas do caráter individualizante do método histórico com as exigências de objetividade do positivismo, cujos principais exemplos são os manuais de Bernheim e Langlois & Seignobos

Na verdade, a tendência em questão resulta da compreensão positivista do paradigma historicista
A proposta põe em questão a filosofia da história e os compromissos partidários e morais no estudo da história, tirando do historiador a missão de julgar o passado ou fornecer exemplos aos seus contemporâneos; ela reserva-lhe exclusivamente o papel de elaborar o conhecimento dos fenômenos históricos
Se baseia no suposto de que não há nenhuma relação entre o historiador e seu objeto, pode-se pô-lo à distância, tratá-lo como coisa, de modo objetivo e imparcial, aplicando o método crítico

A problemática resume-se em estabelecer os fatos em cima das fontes; o ofício do historiador consiste no seu manuseio e estudo
Finalmente, a proposta supõe que o processo histórico tem uma estrutura dada objetivamente, acessível ao conhecimento sem mediação, que o historiador se limita a descrever de forma objetiva com base em suas fontes

A reflexão teórica e o conhecimento generalizante servem apenas para estimular o gênio maligno da especulação e introduzir elementos subjetivos numa atividade que deve se restringir à reconstituição dos fatos
Chamados por Francisco Rüdiger de
projetos de superação

Superação da dicotomia historicismo versus positivismo
Pode-se dizer deles que consistem em duas formas alternativas de composição de seus postulados (do historicismo e do positivismo), caracterizadas pela tentativa de superar a oposição entre teoria e história, para dar à história cunho teórico; e, entre ciência e história, para fundamentar uma ciência da história
O pensamento marxiano sobre a história apresenta-se extremamente complexo devido aos vários aspectos que contém e às diversas fases de sua elaboração

Marx não formulou explicitamente uma epistemologia da história, que deve ser reconstruída nas suas proposições gerais através do exame de seus escritos científicos e filosóficos, com relação aos quais pode-se identificar no mínimo duas fases, além da fase de juventude
O marxismo constitui uma corrente de pensamento complexo em vários sentidos, devido à multiplicidade de suas formulações e o destino histórico de suas proposições originais, cujo entendimento não pode ser desvinculado de sua própria reinterpretação

O caso ainda é mais grave quando se trata da sua posição com relação à questão da história, na medida em que constitui um componente problemático no próprio pensamento de Marx. Como demonstram comentadores menos comprometidos, as concepções do autor contêm, conforme a etapa de sua elaboração, formulações derivadas tanto do paradigma historicista quanto do paradigma positivista
Em contrapartida, Weber revela-se autor de uma reinterpretação renovadora do paradigma historicista

O modelo de ciência construído por ele caracteriza-se por uma autocompreensão metodológica do conhecimento, que se distingue daquele elaborado pelo historicismo positivista pela valorização do componente teórico e o postulado da aplicação da explicação em história
Weber baseia-se nas análises de Windelband e Rickert, fundadas na chamada relação com os valores, para definir as ciências culturais, onde se inclui a história

Para o autor, essas ciências repousam na premissa transcendental de sermos homens de cultura, dotados da faculdade de tomar posição diante do mundo e de lhe conferir sentido

Elas investigam o sentido dos fenômenos potencialmente significativos para nós: e por isso geram um enfoque predominantemente individualizador, preocupado com a especificidade desses fenômenos em relação à nossa cultura
Em Weber, não existem relações concretas independentes do sujeito. As relações sociais e seus pontos de condensação institucional, como o Estado, as empresas, a Igreja, etc., são relações intersubjetivas
A compreensão do sentido assim definido dá-se, de modo mais ou menos claro, mediante conceitos, que o autor chama
tipos-ideais

Os tipos-ideais são construções que acentuam um ou vários aspectos da realidade, combinam determinadas relações para formar um quadro histórico homogêneo no pensamento

O historiador defronta-se com a tarefa de caracterizar em cada caso particular os fenômenos que estuda, a fim de distingui-los de outros, e para isso procede ao exame da maior proximidade ou afastamento entre a realidade e os conceitos
Trata-se em ambos os casos da constituição de
paradigmas de compromisso com os modelos de ciência
propostos pelo historicismo e o positivismo, que procuram combinar seus componentes, em medidas variáveis conforme o caso e o aspecto enfatizado, em sínteses capazes de se apresentarem como novas matrizes epistemológicas para a autocompreensão das ciências históricas
O
presentismo
, que constitui um paradigma epistemológico derivado do historicismo, caracterizado pela sustentação da tese idealista da identidade entre sujeito e objeto da história no pensamento do historiador, fornece um contraponto a essas empresas marxista e weberiana

Para seus promotores, ciência e história apresentam estruturas radicalmente distintas e incompatíveis, em termos gnosiológicos, são incomensuráveis e não têm qualquer possibilidade de compromisso
Com o desenrolar do XX, temos uma intricada rede de possibilidades no fazer historiográfico:

Positivismo e suas derivações
Marxismo e suas derivações
Contribuições da hermenêutica
Contribuições da Filosofia Analítica
O paradigma Crítico-dialético
Neo-historicismo
Correntes pós-modernas
Temas trabalhos atualmente:

Construção das identidades (e do Outro)
História e Memória (lugares de memória Pierre Nora)
Construção das representações
Imaginário social
Não existe uma filosofia da história, mas
várias
filosofias da história (propostas desde a antiguidade, passando pelo medievo e renascença, até os dias atuais)

E o elemento fundamental que caracteriza todas as filosofias da história é a questão do
sentido
, da
finalidade
da história
O estudo do telos (teleologia) é central na biologia de Aristóteles e também na sua teoria das causas

Além de fundamental para as filosofias da história posteriores, o telos também será objeto de reflexão na filosofia da biologia (Vitalismo) e na filosofia da ação (com Donald Davidson)
Em contraste com o telos,
techne
é o método racional envolvido na produção de um objeto ou na realização de uma meta ou objetivo

No entanto, as duas ideias não são mutuamente exclusivas

Em um dos diálogos platônicos, Sócrates enfrenta um sofista chamado
Górgias
: neste diálogo enfatiza-se a diferença entre telos (como as coisas deveriam ser) e techne (como fazer as coisas de tal maneira)
A
teleologia
é o estudo filosófico dos fins, isto é, do propósito, objetivo ou finalidade

Em seu sentido filosófico, teleologia refere-se ao estudo das finalidades do universo (e não necessariamente das finalidades e objetivos do homem, sociedade ou indivíduo)
Teleologia (telos + logos) pode ser definida, então, como uma perspectiva que considera o mundo como um sistema de relações entre meios e fins

E que estuda esse mundo e seus fenômenos, de modo que a análise do referente/objeto sempre busca uma explicação ou razão em função de seus fins ou uma explicação que se serve de propósitos ou de fins
O que é filosofia da história?

Qual sua principal característica?

Como podemos definí-las?
História da Filosofia da História
Antiguidade Clássica

Medievo

Renascença

Modernidade

Atual
FILOSOFIAS DA HISTÓRIA:
Aspectos Preliminares
Telos (ou télos)




Teleologia
SÉCULO XIX
SÉCULO XIX XX
SÉCULO XX
SÉCULO XVII XVIII
Filosofias da História

Razão e progresso
ANTIGUIDADE
Surgimento da História

Concepção cíclica

Foco na narrativa
MEDIEVO
História providencialista

Concepção teleológica

Foco na compreensão dos desígnios de deus
MEDIEVO

A funcção principal da História

Agostinho

e

Eusébio

A explicação do devir histórico

Agostinho

e

Eusébio

Preocupações com o tempo da História:
a teleologia

Agostinho
RENASCENÇA
História continua providencialista e teleológica

Mais humanista

Se torna instrumento de poder
RENASCENÇA

O discurso do método

Descartes

O problema da causalidade e do tempo: a história providência humanista


Preocupações com a narrativa:
memórias e a razão de Estado

Commynes
MODERNIDADE

A Verdade para os modernos:
cosmopolitismo, progresso

Kant

As leis da História

Voltaire
e
Montesquieu
e
Condorcet

Preocupações com a narrativa


TDE's

O que são?

O que fazer?

Como fazer?

Como postar?
Sobre as mesas que apresentamos nas últimas semanas, algumas perguntas:

Como o trabalho foi
desenvolvido
?

Quais as
etapas
?

Qual
orientação
inicial o grupo tomou?

Explicar em
pormenor
como se desenvolveu a pesquisa
O que
caracteriza
a História na Antiguidade, tanto na Grécia como na Roma clássica?

Quais os
principais fatos históricos
, relacionados com o surgimento do campo de conhecimento da História?
Um dos precursores da História cristã,
Eusébio de Cesareia
(265 a 341 d.C.)

Em sua “História da Igreja”, retrata em dez volumes os detalhes factuais dos primeiros anos de formação da Igreja, enfocando-se basicamente nas perseguições que os primeiros cristãos foram vítimas
Outro nome importante para o desenvolvimento da História na Idade Média é
Agostinho de Hipona
, ou Santo Agostinho (354 a 430)

Foi um dos autores mais prolíficos daquele contexto, tendo produzido por volta de cem obras, abordando os mais diversos assuntos

Dentre eles, a própria História. Por sinal, a sua concepção de história, extraída da sua obra principal Cidade de Deus, é o esquema dominante em todo o período da chamada Alta Idade Média
História no mundo medieval bizantino

A História em Bizâncio é marcadamente um campo de saber orientado para a religião cristã e para o elogio panegirista dos reis e grandes figuras de poder

Além disso, também os historiadores bizantinos também têm uma característica marcante, presente em quase todos os seus trabalhos: o aticismo

Que seria a influência que a historiografia da Ática, região da Grécia onde se localiza Atenas, acabou exercendo, principalmente nas figuras de Tucídides e Xenofonte

Fócio I de Constantinopla (810 a 893)
Ana Comnena (1083 a 1153)
Nicetas Coniates (1155 a 1215)
História no mundo medieval islâmico

Vários nomes desenvolveram suas Histórias de um modo, às vezes, até bem mais elaborado e sofisticado do que seus análogos no mundo europeu cristão

Embora a religião também fosse um dos fundamentos da historiografia islâmica, tal como nos seus congêneres da Europa Ocidental e em Bizâncio, algumas inovações, principalmente no que tange o modo de fazer (metodologia) e o modo de comunicar (historiografia) históricos, são verificáveis

Ibn Ishaq (704 a 767)
Al-Tabari (839 a 923)
Ibn Khaldoun (1332 a 1406)
Um aspecto muito interessante relacionado com a maneira como os estudiosos islâmicos construíam a legitimidade dos escritos e dos ensinamentos, e que acaba repercutindo na própria maneira de se construir a História, diz respeito ao Isnad, que seria a “
cadeia de autoridades


Para todo texto, as opiniões expressas são construídas a partir de um encadeamento histórico das sucessões de emissores que, além de lhe serem atribuídas a veracidade da informação expressa, também lhes é conferida a responsabilidade por essa mesma informação
O que
caracteriza
a História no Medievo, tanto na Europa ocidental, como em Bizâncio e no Islã?

Quais os
principais fatos históricos
, relacionados com o contexto de desenvolvimento do campo de conhecimento da História?
RENASCENÇA

A erudição e o nascimento da diplomática

Lorenzo Valla

e

Mabillon

O problema da causalidade e do tempo

Jean Bodin
e
La Popelinière

Preocupações com a narrativa:
os valores cavalheirescos

Froissart
O que
caracteriza
a História na Renascença?

Quais os
principais fatos históricos
, relacionados com o contexto de desenvolvimento do campo de conhecimento da História?
A partir do século XV temos algumas mudanças significativas que podem ser verificadas no campo da História

Mudanças advindas, quase sempre, de acontecimentos importantes que marcam o período chamado de Renascença, tais como a
invenção da imprensa
e tudo mais que a acompanha (maior difusão dos livros, maior qualidade das publicações, popularização do ato de escrever, etc.), a
expansão do mundo
com as grandes navegações, as
descobertas científicas
, além das reviravoltas políticas, religiosas e no próprio imaginário social e nas mentalidades
Com o advento e difusão do
humanismo
– uma visão de mundo que coloca os homens como o centro explicativo do mundo e dos seus fenômenos – vemos também transformações acontecerem na História

A História, em uma de suas vertentes, continua contribuindo como ferramenta da religião, mas surgem novas modalidades e funções para o campo de conhecimento

Temos as
Histórias que operam ao serviço dos Estados
e de seus monarcas, além de uma História cada vez mais independente desse tipo de serviço,
voltada para a erudição
A partir do século XV e principalmente XVI podemos verificar uma ruptura cada vez mais nítida, entre a orientação medieval do fazer histórico e uma abordagem nova, que irá caracterizar os próximos três séculos

Além disso, é também cada vez mais pronunciado o distanciamento entre a História e os outros gêneros narrativos, principalmente os aparentados com a Literatura
Nesse período surge um gosto novo pela Antiguidade clássica greco-latina, derivada de um descontentamento com o tratamento dado até então aos textos provenientes daquela época

As traduções incorretas e, na maior parte das vezes, incompreensíveis, já não satisfaziam as demandas dos leitores e estudiosos da época

A visão dogmática e a utilização dos textos antigos como ferramental da fé e da apologética cristã, de igual modo, rendiam uma abordagem muito limitante e superficial para o potencial reflexivo e de informações que os textos de autores como Heródoto, Tucídides, Salústio e Tito Lívio poderiam oferecer
Parte integrante do que se veio a conhecer como um novo humanismo, a
pesquisa antiquaria
foi desenvolvida em sua maior parte por amadores, que, no interesse de melhor entender o mundo antigo, acabam por acumular objetos, insígnias e artefatos diversos

O antiquarista é aquele que nutre uma paixão pelo passado e por coisas antigas, adotando, até certo ponto, a antiga concepção romana de antiquitates, como coleções sistematizadas de relíquias do passado

Como objetivo principal dos antiquaristas dessa época temos a busca incessante por fontes de informação sobre o mundo antigo mais confiáveis do que até então se tinha acesso

E essas fontes de informação poderiam ser objetos concretos remanescentes de um passado distante, tais como estelas, monumentos, insígnias, utensílios, moedas, etc
Lorenzo Valla (
1407 a 1457), um escritor humanista italiano, foi um grande admirador de Tito Lívio, representando um dos seus continuadores no período renascentista

Autor de uma extensa obra, ficou conhecido muito mais pelo rigor metodológico que aplicava à análise e crítica dos documentos submetidos ao seu crivo, principalmente aqueles utilizados pelo Santa Sé como fonte de apoio e justificação para seu poder temporal

Publicou um panfleto que apontava a falsidade do documento chamando Doação de Constantino, que até então legitimava a propriedade da Igreja medieval sobre o território que um dia fora do Império Romano
Nesse mesmo período temos um subcapítulo, à parte, nessa História da História

Que se dá com o desenvolvimento e aprofundamento das
Filosofias da História


Telos = significa "fim", "objetivo", "propósito"


O que
caracteriza
a História no período?

Quais os
principais fatos históricos
, relacionados com o contexto de desenvolvimento do campo de conhecimento da História?
ATIVIDADE
:

1. A história tem um sentido? Explique.

2. Nos livros de história que vocês leram até agora, nota-se que os autores pensam a história como dotada de um objetivo, uma finalidade?
Próximas aulas (MANHÃ)

07/06 - Concluímos o panorama do século XIX e XX
:

14/06 - Escola dos Annales
:
BURKE, Peter. A escola dos Annales (1929-1989)

21/06 - New Left, Escola de Frankfurt
:
PARADA, Marcelo (org.). Os historiadores

Tendências atuais
:
DOSSE, François. A História
TÉTART, Phillipe. Pequena história dos historiadores
Próximas aulas (NOITE)

09/06 - Concluímos o panorama do século XIX e XX
:

16/06 - Escola dos Annales
:
BURKE, Peter. A escola dos Annales (1929-1989)

23/06 - New Left, Escola de Frankfurt
:
PARADA, Marcelo (org.). Os historiadores

Tendências atuais
:
DOSSE, François. A História
TÉTART, Phillipe. Pequena história dos historiadores
MANHÃ
NOTURNO
ESCOLA DOS ANNALES
O contexto

França nas primeiras décadas do XX

Paradigma e Escola

Fases
Os fundadores

Características

Marc Bloch e Lucien Febvre

Estrasburgo e a fundação da revista

Dispersão e institucionalização
A Era Braudel

Características

Febvre no poder

Fernand Braudel: o filho e herdeiro
A terceira geração

Características

Fragmentação dos nomes importantes

Nova História
A França é desde a Idade Média um dos mais importantes centros de produção histórica

Nesse longo decurso de tempo, várias propostas surgiram, tanto no campo histórico, como em outros campos de conhecimento (que tem relações com o campo histórico)

Quais autores importantes vocês lembram?

Quais paradigmas e escolas?
E aí entramos numa questão importante que é diferenciar alguns conceitos, tais como:

PARADIGMA
= conjunto de crenças, valores e técnicas comuns a um grupo que pratica um mesmo tipo de conhecimento

ESCOLA
= uma corrente de pensamento, que reúne um certo números de profissionais, que se inter-comunicam e que apresentam certas bases comuns
O contexto das primeiras décadas do século XX na França, no que tange ao fazer histórico, era de uma completa superficialização

A História se resumia a uma fria coleção de fatos que gravitavam em torno das questões relacionadas ao poder

Conflitos, ocupações, combates, problemas diplomáticos, homens ilustres, as relações entre as nações, etc.
Em resumo: fazia-se basicamente uma
história política

Engendrada como um reflexo dos jogos de poder europeus, resumia-se à
narrativa de acontecimentos
políticos e militares

E essa História era também basicamente
descritiva

Além disso, uma história contaminada pela noção de hierarquia das civilizações, ou seja, uma história fortemente
eurocêntrica
É claro que já haviam existido formas diversas de se olhar a história, inclusive trazendo temáticas e sujeitos novos, ou uma visão mais abrangente do que seria a história

Marx (social e o econômico), Michelet (povo), Burckhardt (cultura)

Mas o padrão que se mantinha era o de uma História Tradicional
Núcleo central dos Annales:

Lucien Febvre
Marc Bloch
Fernand Braudel
Georges Duby
Jacques Le Goff
Emmanuel Le Roy Ladurie
Outros nomes importantes:

Ernest Labrousse
Pierre Vilar
Maurice Agulhon
Michel Vovelle
Em geral, divide-se a trajetória da escola em quatro fases:

Primeira geração
- liderada por Marc Bloch e Lucien Febvre

Segunda geração
- dirigida por Fernand Braudel

Terceira geração
- vários pesquisadores tornaram-se diretores, destacando-se a liderança de Jacques Le Goff e Pierre Nora, além de Philippe Ariès e Michel Vovelle; na arqueologia, destaca-se Jean-Marie Pesez

Quarta geração
- a partir de 1989, destacando-se Bernard Lepetit
A partir disso, a Revista dos Annales é fundada e desenvolve um
conjunto de diretrizes
que a marcam historicamente:

* substituição da tradicional narrativa dos acontecimentos por uma
história-problema

* a
história de todas as atividades humanas
(e não apenas história política)

*
colaboração com outras disciplinas
(para complementar as duas diretrizes anteriores)
A primeira fase dos Annales vai de 1920 a 1945

Será marcada por possuir um caráter reduzido, um movimento ainda muito pequeno, mas radical e subversivo

Que conduzi uma espécie de guerra de guerrilha contra a história tradicional, a história política e a história dos eventos
A segunda fase começa com o final da segunda guerra, quando os "rebeldes" dos Annales se apoderaram do establishment histórico

Essa fase foi dominada pela presença de Fernand Braudel
Uma terceira fase se inicia mais ou menos a partir de 1968

Se caracteriza pela fragmentação

Não há um domínio dos Annales por um nome, como foi nos períodos anteriores (Bloch e Febvre, depois Braudel)

É a primeira geração à incluir mulheres entre os nomes importantes dos pesquisadores que compunham o grupo

Além disso, é também uma geração mais aberta às ideias vindas do exterior
Quando a História se torna uma
disciplina acadêmica
no século XIX é essa História tradicional que assume o primeiro plano

Tudo que não fosse desse viés era jogado para segundo plano, como História meramente diletante
As
revistas profissionais
de História que surgem nesse período também tem esse perfil tradicional:

Historische Zeitschrift (1865)
Revue Historique (1876)
English Historical Review (1886)
Jacob Burckhardt por exemplo entendia a história como um campo onde atuavam diferentes forças:

O Estado
A Religião
A Cultura
Jules Michelet defendia uma história das classes subalternas, ou, nas suas próprias palavras:

"a história daqueles que sofreram, trabalharam, definharam e morreram sem ter a possibilidade de descrever seus sofrimentos"
Ambos, Michelet e Burkhardt escreveram em um mesmo contexto, respectivamente 1865 e 1860

Mas esse modelo, de uma história que olha de uma maneira mais ampla os fenômenos históricos, é bem marginalizado
Em termos de
produções históricas
, as que melhor ilustram essa História dita "tradicional" são:

O manual de Langlois e Seignobos: Introdução aos estudos históricos (de 1897)

A Revue Historique, de Gabriel Monod (desde 1876)

A obra História da França, em dez volumes, de Ernest Lavisse (publicada entre 1900 e 1912)
No mesmo período, virada do XIX para o XX, começam a surgir as primeiras críticas à esse modelo tradicional da História

Nas nascentes Ciências Sociais (com Comte e Durkheim)

Na Revue de Synthèse Historique, de Henri Berr

Na crítica de François Simiand (sobre "os ídolos da tribo dos historiadores")
Em termos de personalidades, Febvre e Bloch diferiam significamente um do outro

Febvre era mais expansivo e veemente, irritava-se com a contrariedade

Bloch era mais discreto, lacônico e irônico
Febvre
foi influenciado por vários nomes importantes da sua formação acadêmica

A ideia da história como fruto do conflito, não apenas das classes sociais, mas também do conflito de ideias e sentimentos (Jean Jaurès)

Uma concepção geográfica da história, ou uma importância bem pronunciada da geografia na explicação histórica (Vidal de la Blache)

Marc Bloch
sofrera uma influência muito maior de Émile Durkheim

Tanto Bloch como Febvre estudaram na Escola Normal Superior e tiveram quase que os mesmos professores

Uma das principais características de Bloch foi seu approach sociológico (Émile Durkheim)
Ambos os historiadores só iriam se encontram quando da nomeação para cargos na
Universidade de Estrasburgo

A cidade de Estrasburgo, depois da primeira guerra, havia retornado ao domínio francês

A nova univerdade que lá se criou teve que contar com quadros profissionais novos, o que também engendrou um clima bastante interdisciplinar

O período em Estrasburgo foi de 1920 a 1933
As principais linhas de pesquisa e produções de ambos os historiadores nesse período, às vésperas de decidirem criar uma revista de história:

Bloch
= Os Reis Taumaturgos

Febvre
= pesquisas e publicações sobre Renascimento e Reforma
Em 1928 uma revista seria idealizada pelos dois historiadores, tendo por diretrizes iniciais:

Uma revista que exercesse um papel de liderança no campo da História social e econômica

E que fosse a porta-voz de uma nova abordagem para a História, além de ser interdisciplinar
Marc Bloch logo teria sua carreira encerrada pela Segunda Guerra, pois seria executado em 1944

Nesse período produziu vários trabalhos e ideias importantes, que ajudariam a afirmar os Annales como um verdadeiro paradigma e Escola histórica

A Sociedade Feudal

O Método Regressivo
1924
1928
1939
A partir de 1933 o grupo de Estrasburgo, que além de Bloch e Febvre, também contava com outros nomes de outras áreas do conhecimento, se dispersa

Em 1933, Febvre vai para o Collège de France
Em 1936, Bloch vai para a Sorbonne

O que também revela a maior institucionalização do movimento dos Annales
Já Febvre, continua produzindo mesmo depois da Guerra (morre em 1956)

O Problema da Incredulidade no século XVI: A Religião de Rabelais
(1942)

A ideia de "utensilagem mental"
Entre os anos 1930 e 1940, Febvre foi o responsável por uma verdadeira guerra de guerrilha com o que ele considerava uma história empiricista e canhestra

Publica inúmeros artigos e manifestos, ora em prol de uma história interdisciplinar, ora de uma história fundamentada na resolução de problemas, ora de uma história da sensibilidade
Já nesse período começam a surgir outros historiadores influenciados por Bloch e Febvre, tais como:

Maurice Agulhon
Georges Duby
Fernand Braudel
As obras de Bloch e Febvre, respectivamente Os Reis Taumaturgos e A Religião de Rabelais, foram as mais importantes influências para um campo de estudos dos anos 1960 chamado
História das Mentalidades
Ler o texto sobre Roger Chartier e responder
:

1. Qual é o contexto de sua produção historiográfica?

2. Quais os principais conceitos que ele trabalha?
Logo após o fim da segunda guerra, Febvre alcança uma posição de poder até então jamais vista para a figura de um historiador nos últimos séculos

Foi convidado para participar da reorganização de uma das instituições mais prestigiosas do ensino superior francês: a École Pratique de Hautes Études

Além disso, tornou-se também delegado da UNESCO, participando da organização da coleção sobre "História Cultural e Científica da Humanidade"
Febvre passou a controlar lugares de poder no contexto de ensino universitário francês, além de se tornar um historiador de magnitude mundial

Em 1947, junto a EPHE, cria a 6ª seção - depois chamada École des hautes études en sciences sociales

E nessa sexta seção passa a trazer nomes ligados ao seu, para ocupar as principais funções

Robert Mandrou, Charles Morazé e, seu principal herdeiro, Fernand Braudel (todos "filhos" intelectuais)
Braudel tinha 27 anos com a Revista dos Annales foi fundada em 1929

Nessa época, já havia se formado em História na Sorbone, lecionava na Argélia e trabalhava em sua tese

Entre 1935 e 37 lecionou como professor convidado na USP, São Paulo

No seu retorno à França conheceu Febvre
A tese que começara a rascunhar desde 1929, só seria concluída em 1947

Publicada em 1949

Chamava-se "
O Mediterrâneo e Felipe II
"

Nela temos pela primeira vez a elaboração e exposição de suas ideias sobre o
tempo tripartido
Braudel foi influenciado por vários nomes importantes da época

Friedrich Ratzel, Vidal de La Blache, Henri Pirenne

Mas principalmente Lucien Febvre
Porém, em um aspecto, Braudel fora o oposto de Febvre

Enquanto Febvre via a história e a ação humana de um ponto de vista voluntarista (ou seja, as pessoas tomavam decisões e eram capazes de tomar ações conscientes)

Braudel, ao contrário, era determinista (em relação à geografia e em relação à estrutura mental de uma época)
Desde a morte de Febvre em 1956 até a sua própria em 1985, Braudel foi o mais importante historiador francês, mas também o mais poderoso

No mesmo ano de publicação de sua tese sobre o Mediterrâneo, em 1949, tornou-se professor no Collège de France e diretor do Centro de Pesquisas Históricas da EHESS

Após a morte de Febvre, é Braudel quem torna-se o diretor efetivo da Revista dos Annales
A partir de 1968 passa a atrair nomes de historiadores jovens, para "renovar a pele" da revista

Jacques Le Goff
Emannuel Le Roy Ladurie
Marc Ferro

Ao mesmo tempo, contatos com nomes importantes de outras áreas também eram constantes: Claude Lévi-Strauss (Antropologia) e Pierre Bourdieu (Sociologia)
Paralelamente as abordagens de Braudel, temos o desenvolvimento de duas vertentes no bojo dos Annales

História Quantitativa
História das Mentalidades
OUTRAS CORRENTES E ESCOLAS

PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS
Escola de Frankfurt

História

Características

New Left

História

Características

É uma escola de
teoria social interdisciplinar
, surgida em torno de e associada com o Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt

A escola formou-se inicialmente a partir de cientistas sociais de origem marxista dissidentes, que acreditavam que alguns dos seguidores de Karl Marx tinham se tornado "papagaios" de uma limitada seleção de ideias de Marx, usualmente em defesa dos partidos comunistas ortodoxos
Muitos desses teóricos admitiam que a teoria marxista tradicional não poderia explicar adequadamente o turbulento e inesperado desenvolvimento de sociedades capitalistas no século XX

Críticos tanto do capitalismo e do socialismo da União Soviética, os seus escritos apontaram para a possibilidade de um caminho alternativo para o desenvolvimento social
Apesar da forte fundamentação marxista, os pesquisadores da Escola se apoiam também em outros nomes relevantes, como Kant, Hegel, Marx, Freud, Weber e Lukács

Sua ênfase no componente "crítico" da teoria foi derivada significativamente da sua tentativa de superar os limites do positivismo, do materialismo e do determinismo retornando à filosofia crítica de Kant e aos seus sucessores no idealismo alemão
Membros originais da Escola de Frankfurt:

Max
Horkheimer
Theodor W.
Adorno
Herbert
Marcuse
Friedrich Pollock
Erich Fromm
Otto Kirchheimer
Leo Löwenthal
A "Segunda geração" de teóricos da Escola:

Jürgen Habermas
Franz Neumann
Oskar Negt
Alfred Schmidt
Albrecht Wellmer
Axel Honneth
Em 1930 Max Horkheimer (filósofo, sociólogo e psicólogo social), que se tornou diretor do instituto e passou a recrutar vários intelectuais como Adorno, Fromm, Marcuse, Walter Benjamim

Em 1933 a Escola se transfere para Genebra (Suiça) e em 1935 para Nova Iorque (junto a universidade de Colúmbia)

Só em 1953 retorna para Frankfurt
A Nova Esquerda (New Left) é um movimento que ocorreu em vários países, principalmente de lingua inglesa

Surge a partir dos anos 1960, como uma crítica a ortodoxia e as limitações dos movimentos de esquerda

A partir dos anos 1950 o mundo ocidental começou a entrar em contato com o que estava acontecendo (ou aconteceu) na URSS stalinista
A partir de 1960, duas revistas anteriores fundem-se em uma única chamada New Left Review

Formou-se a partir da Crise de Suez de 1956, gravitando em torno da crítica a maneira como o Partido Trabalhista britânico (Labour Party) encarou o problema (é um partido social-democrata de centro-esquerda)
Um dos principais responsáveis por iniciar a revisão crítica da esquerda na Inglaterra foi
Edward P. Thompson

Mas vários outros nomes foram importantes para o movimento:

Perry Anderson
(e seu irmão
Benedict Anderson)
Stuart Hall
Raymond Williams
Outras características marcantes do movimento:

Humanismo
Culturalismo
Ativismo anti-nuclear
Pacifismo
O Estruturalismo e Michel Foucault

História

Características

O estruturalismo é uma corrente de pensamento das Humanidades, que teve grande influência do modelo presente nos estudos da linguística

Depreende a realidade social a partir de um conjunto considerado elementar (ou formal) de relações

Para a sociologia, antropologia e linguística, o estruturalismo é a metodologia pela qual elementos da cultura humana devem ser entendidos em face a sua relação com um sistema ou estrutura maior, mais abrangente
A Guinada Linguística

História

Características

O pós-estruturalismo e a pós-modernidade

História

Características

O termo estruturalismo tem origem no livro Curso de linguística geral de Ferdinand de Saussure (de 1916)

Se propunha a abordar qualquer língua como um
sistema no qual cada um dos elementos só pode ser definido pelas relações de equivalência ou de oposição que mantém com os demais elementos

Esse conjunto de relações forma a
estrutura
O estruturalismo é uma abordagem extensamente utilizada para analisar objetos diversos de estudo, tais como a língua, a cultura, a filosofia da matemática e a sociedade na segunda metade do século XX

"Estruturalismo" não se refere a uma "escola" claramente definida de autores, embora o trabalho de Ferdinand de Saussure seja geralmente considerado um ponto de partida

O estruturalismo é mais bem visto como uma abordagem geral com muitas variações diferentes
Alguns nomes importantes de pesquisadores estruturalistas:

Fernand Braudel
Claude Lévi-Strauss
Roland Barthes
Jacques Lacan
Michel Foucault
Foucault foi um filósofo, historiador das ideias, teórico social, filólogo e crítico literário

Suas teorias abordam a relação entre poder e conhecimento e como eles são usados ​​como uma forma de controle social por meio de instituições sociais
Foucault é conhecido pelas suas críticas às instituições sociais, especialmente à psiquiatria, à medicina, às prisões

Por suas ideias sobre a evolução da história da sexualidade, suas teorias gerais relativas à complexa relação entre poder e conhecimento

Por estudar a expressão do discurso em relação à história do pensamento ocidental
Também chamada Virada ou Giro Linguístico (linguistic turn)

Foi um importante desenvolvimento da filosofia ocidental ocorrido durante o século XX, cuja principal característica é o
foco da filosofia e de outras humanidades primordialmente na relação entre filosofia e linguagem
Na década de 1970 as humanidades reconheceram a importância da linguagem como um agente estruturador

Foram decisivas para a virada linguística nas humanidades os trabalhos de outra tradição, especificamente o estruturalismo de Ferdinand de Saussure e o consequente movimento do pós-estruturalismo
Entre os teóricos influentes estão incluídos:

Judith Butler
Luce Irigaray
Julia Kristeva
Michel Foucault
Jacques Derrida

Para a História, principalmente
Hayden White
Pós-estruturalismo refere-se a uma tendência à radicalização e à superação da perspectiva estruturalista

No campo propriamente filosófico seus principais representantes são: Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Jean-François Lyotard

Também podem ser considerados pós-estruturalistas ou próximos às teses pós-estruturalistas Giorgio Agamben, Jean Baudrillard, Judith Butler, Félix Guattari, Julia Kristeva, Sarah Kofman, Philippe Lacoue-Labarthe e Jean-Luc Nancy
O prefixo pós não é todavia interpretado como sinal de contraposição ao estruturalismo

De fato, esses pensadores levaram às últimas consequências os conceitos e desenvolvimentos do estruturalismo, até dissolvê-los no desconstrutivismo, construtivismo ou no relativismo e no pós-modernismo

O movimento pós-estruturalista está intimamente ligado ao pós-modernismo
O pós-estruturalismo instaura uma teoria da desconstrução na análise literária, liberando o texto para uma pluralidade de sentidos

A realidade é considerada como uma construção social e subjetiva
O pós-estruturalismo carateriza-se pela recusa em atribuir ao cogito cartesiano, ao sujeito ou ao homem, qualquer privilégio gnoseológico ou axiológico

Privilegiando, em vez disso, uma análise das formas simbólicas, da linguagem, mais como constituintes da subjetividade do que como constituídas por esta
A chamada Revolução Quantitativa foi importante entre as décadas de 1950 e 70

Primeiramente na faceta econômica, na história dos preços

Depois espraoiou-se para a História Social, especialmente para os estudos das populações

Depois ainda, já na terceira geração, chegou até a História Cultural, nos estudos sobre a religião e as mentalidades
Acerca da História dos preços, temos alguns estudos que foram muito influentes entre os historiadores, por se utilizarem de análises estatísticas

As crises de inflação na Alemanha do entreguerras, junto com a Crise de 29, foram os fatos que marcaram e influenciaram esse tipo de estudos

Ernest Labrousse
é o nome mais influente, participa dos Annales de um modo meio que marginal (professor na Sorbone e marxista)

Outro nome importante:
Pierre Chaunu
Da mesma forma que a História dos preços está diretamente relacionada com os acontecimentos econômicos, a
História Demográfica
também está relacionada com a explosão demográfica a partir dos anos 1950

Nomes importantes:
Pierre Goubert
e
Jean Meuvret

Jean Le Roy Ladurie
(o mais conhecido)
Nos anos 60, nos moldes dos estudos quantitativos (também podem ser chamadas de "análises seriais"), temos um boom de estudos específicos

É a
fase das monografias regionais
, que se debruçam sobre estudos de regiões da frança muito precisas

São estudos orientandos por Braudel e por Labrousse
A
História das mentalidades
é uma modalidade historiográfica que privilegia os modos de pensar e de sentir dos indivíduos de uma mesma época

Segundo Michel Vovelle, é o "
estudo das mediações e da relação dialética entre, de um lado, as condições objetivas da vida dos homens e, de outro, a maneira como eles a narram e mesmo como a vivem
"
TEMAS E DEBATES ATUAIS
:

O papel e a natureza da escrita histórica

Identidade e alteridade

Construção das subjetividades

História dos subalternos e marginais

Relações entre memória e história
OUTROS CAMPOS DE ESTUDOS EM HISTÓRIA
:

História do Imaginário Social

História Cultural (e das Representações)

Nova História Política

Micro-história

História Oral

História do Cotidiano (e da Vida Privada)
A fragmentação não ocorre apenas nos termos administrativos e dos principais nomes

Mas também no que tange a profusão de objetos de pesquisa, cada vez mais diversos

Pesquisa-se ainda nos moldes da história quantitativa, mas também pesquisa-se o amor, o sonho, a infância, o corpo, o odor
Nomes importantes dessa geração:

Cristiane Klapisch
(história da família no medievo e renascimento)
Arlete Farge
(mundo social das ruas na Paris do XVIII)
Mona Ozouf
(festivais durante a revolução francesa)
Michele Perrot
(história do trabalho e da mulher)
Philippe Ariès
Marc Ferro
Jacques Le Goff
Emmanuel Le Roy Ladurie
Pierre Nora
Surge o termo "nova história", para intitular a própria produção desses historiadores da terceira geração

Um conjunto de publicações ilustrava essa "novidade" (coleção de 1970: Fazer a História)
Alguns autores falam de uma Quarta Geração:

André Burguière
Roger Chartier
Bernard Lepetit
Jacques Revel
Michel de Certeau
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