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"O que nós vemos das cousas são as cousas"

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Inês Escalda

on 2 March 2014

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Transcript of "O que nós vemos das cousas são as cousas"

"O que nós vemos das cousas são as cousas"
Quem é Alberto Caeiro?
Ele é uma personagem ficcional (heterónimo) criada por Fernando Pessoa, sendo considerado o "Mestre Ingénuo" dos restantes heterónimos e do seu próprio autor,

Alberto Caeiro é um poeta:
Ligado à natureza
Despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão
Proclama-se um anti-metafísico, pois ele afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro.
Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade.
É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade
Ideologias de Alberto Caeiro
- Mestre dos outros heterónimos e do próprio Fernando Pessoa Ortónimo porque, ao contrário destes,
consegue submeter o pensar ao sentir,
o que lhe permite:
viver sem dor;
envelhecer sem angústia e morrer sem desespero;
não procurar encontrar sentido para a vida e para as coisas que o rodeiam;
sente sem pensar;
é um ser uno (não fragmentado);

- Poeta do real e objectivo,
pois aceita a realidade e o mundo exterior como são, com alegria ingênua e contemplação, recusando a subjetividade e a introspecção.

- Poeta da Natureza
, pois ele integra-se nas leis do universo como se fosse um rio ou uma árvore, rendendo-se ao destino e à ordem natural das coisas.

- Temporalidade estática
, ele vive no presente, não quer saber do passado ou do futuro. Para ele cada instante tem igual duração. É um tempo objectivo que coincide com a sucessão dos dias e das estações.

- A Natureza é a sua verdade absoluta.

-
Crença que

as coisas não têm significação: têm existência,
a sua existência é o seu próprio significado.

Análise do Poema XXIV
Exercícios da página 86
a) Características do "eu" enunciador.
O eu enunciador caracteriza-se por não admitir a subjetividade na perceção do real, fiando-se apenas nos sentidos, nomeadamente na visão e na audição, pois “Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra / Por que é que ver e ouvir seria iludir-nos.”.

b) Sentimentos expressos pelo sujeito lírico.
O sujeito lírico ao longo do poema ilustra sentimentos de incerteza, desagrado e inconformismo, pois ele não compreende "por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?".

c)Exemplos da exploração da dicotomia pensar/sentir.
Um dos exemplos da exploração da dicotomia pensar/sentir é “Saber ver sem estar a pensar/ Saber ver quando se vê,”.

d) Importância da referência a "poetas".
Esta referência aos “poetas” é importante pois o sujeito poético demonstra como os poetas utilizam coisas simples para fazer metáforas e como eles modificam a realidade

e)Relevância e valor expressivo das interrogações
As interrogações utilizadas pelo poeta funcionam como questões de auto-conhecimento pois ele questiona-se com o objetivo de encontrar respostas para as suas dúvidas.

f)Significado da frase "tristes de nós que trazemos a alma vestida!"
Através da frase sublinhada “tristes de nós que trazemos a alma vestida!" o sujeito poético lamenta, através da metáfora “alma vestida”, o facto de os homens cultos, possuidores de conhecimento teórico, não terem acesso ao real de uma forma livre, imediata e objetiva.

g)Sentido produzido pela forma verbal "veríamos".
O sentido produzido pela forma verbal “veríamos”, que se encontra no condicional no segundo verso, é de condição.

h)Efeitos gerados pela utilização de traços de discurso oral.
Os traços de discurso oral utilizados pelo poeta servem para nos questionar sobre o seu auto-conhecimento, pois ele quer que o leitor também reflita sobre as coisas, ele quer obrigar o leitor a questionar-se também.
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
“O que nós vemos das cousas são as cousas”, assim se inicia o poema.
Desta forma Caeiro explica que as coisas são como as vemos e nada mais para além disso, pois segundo a filosofia do “Mestre” querer ver para além das coisas, raciocinando, é iludir-se.
Nesta primeira estrofe o poeta questiona o pensar e ele defende que a nossa visão mostra-nos uma realidade pura e sem necessidade de questionamento.
Nos versos 5 e 6, “O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar” , o poeta diz-nos que o essencial é ter consciência de sentir sem raciocinar, ou seja, sentir sem pensar.
Na segunda estrofe o poeta explica a forma de ver e sentir sem pensar nem refletir.
Ele explica que o pensamento altera e manipula a nossa realidade, mudando assim o que vemos para algo falso e irreal

No décimo verso o poeta anti-metafórico contempla-nos com a metáfora “…Alma vestida” em que o eu poético lamenta o peso dos nossos ensinamentos e convicções que, tal como uma roupa vestida, protegem a nossa alma e impossibilitam a visão das coisas tal como elas o são.
Caeiro dá ênfase à naturalidade e espontaneidade, excluindo o excesso de reflexão e pensamento.
A roupa e tudo que nos cobre os olhos e os sentidos, são imposições culturais, filosóficas e religiosas que nos impossibilitam de ver a realidade como ela é.
O paradoxo: “uma aprendizagem de desaprender” diz respeito à libertação do peso da metafísica em que foi tradicionalmente formado.
Trata-se de um novo processo de aprendizagem que pressupõe a libertação de todas as convicções e pensamentos adquiridos.
Paradoxalmente, para aprender é preciso abandonar as formas e conteúdos pré-impostos e pré-concebidos, pensando menos para libertar-se de tudo o que possa alterar a captação da realidade.
Nos três últimos versos, as estrelas e as flores são como que uma expressão de fuga para a simplicidade da Natureza, aqui mais uma vez está implícita a simplicidade das coisas, elas são o que os olhos vêem, são apenas elas mesmas.
Na última estrofe o poeta explica que a poesia parte de uma análise profunda, enquanto que ver e ouvir são atividades meramente existenciais,
Em conclusão o poeta aborda a beleza e simplicidade da vida criticando o complicado e o sobre-analisado.
Caeiro adota uma filosofia simples onde pensar é algo negativo e prejudicial.
Assim sendo ele esforça-se por ver as coisas como elas são, sem dar valor mais profundo do que a visão aparenta.
Estrutura externa:
o poema é um terceto
as estrofes têm versos livres
o esquema rimático é espontâneo e não possui uma ordem certa
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