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O Velho Do Restelo, Os Lusíadas, Luís de Camões

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Ana Raquel Pereira

on 7 October 2013

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Transcript of O Velho Do Restelo, Os Lusíadas, Luís de Camões

Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?

Mas ó tu, geração daquele insano,
Cujo pecado e desobediência,
Não somente do reino soberano
Te pôs neste desterro e triste ausência,
Mas inda doutro estado mais que humano
Da quieta e da simples inocência,
Idade d'ouro, tanto te privou,
Que na de ferro e d'armas te deitou:

Já que nesta gostosa vaidade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidades
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la quem a dá:

Não tens junto contigo o Ismaelita,
Com quem sempre terás guerras sobejas?
Não segue ele do Arábio a lei maldita,
Se tu pela de Cristo só pelejas?
Não tem cidades mil, terra infinita,
Se terras e riqueza mais desejas?
Não é ele por armas esforçado,
Se queres por vitórias ser louvado?

Deixas criar às portas o inimigo,
Por ires buscar outro de tão longe,
Por quem se despovoe o Reino antigo,
Se enfraqueça e se vá deitando a longe?
Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a fama te exalte e te lisonge,
Chamando-te senhor, com larga cópia,
Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?

Ó maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas velas pôs em seco lenho,
Dino da eterna pena do profundo,
Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
Nunca juízo algum alto e profundo,
Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória.

Trouxe o filho de Jápeto do Céu
O fogo que ajuntou ao peito humano,
Fogo que o mundo em armas acendeu
Em mortes, em desonras (grande engano).
Quanto melhor nos fora, Prometeu,
E quanto para o mundo menos dano,
Que a tua estátua ilustre não tivera
Fogo de altos desejos, que a movera!

Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande Arquiteto co'o filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando,
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte, estranha condição!"

Luís de Camões
O Velho Do Restelo
Os Lusíadas
Os Lusíadas
O Velho do Restelo
Estrutura Externa
Canto IV
Estâncias 94 a 104
Estrutura Interna
Reinado de D. Manuel
Preparação da partida da Armada Portuguesa
Despedidas de Belém
Apresentação da Personagem
Idade avançada
Aspeto respeitável
Sabedoria e experiência
Atitude de descontentamento
Voz solene e audível
Condenação do envolvimento Português nos Descobrimentos
Visão negativa
Campo lexical
Apresentação de consequências negativas
Proposta de Alternativa aos Descobrimentos
Alternativas
Religiosas
Materiais
Militares
Apresentação de novas consequências maléficas do abandono territorial
Recordação das figuras míticas representantes da ambição humana
Inventor da navegação à vela
Prometeu - o criador da espécie humana
Ícaro
Faetonte
Simbolismo
Voz do senso comum
Conservadorismo
Apologia do quotidiano
Voz do Poeta (Plano de Reflexão do Poeta)
Humanismo
Ana Raquel Pereira
Beatriz Martins
Bruna Santos
Catarina Alfama
12ºB
Apóstrofe
Acusação direta de serem responsáveis por tantas desgraças
Recursos Estilísticos
Apóstrofe
("Ó glória de mandar"; "ó vã cobiça"; "Ó fraudulento gosto")
Interrogação Retórica
Perífrase
Enumeração
("de fazendas, de reinos e de impérios")
Anáfora
("Chamam-te ilustre, chamam-te subida")
Dupla Adjectivação
("Da quieta e da simples inocência")
("Nas ondas vela pôs em seco lenho")
("Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?)
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