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A Teoria do Conhecimento de Platão

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Andre Basseres

on 1 November 2016

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Transcript of A Teoria do Conhecimento de Platão

A Teoria do Conhecimento de Platão


"A melhor caracterização geral da tradição filosófica europeia é que ela consiste em uma série de notas de pé de página a Platão".
Alfred North Whitehead
1. A questão da
possibilidade do conhecimento
: é possível conhecer a realidade, o mundo, tal qual ele é?

2. A questão do
método
: como é possível esse conhecimento? Ou seja, como se justifica uma determinada pretensão ao conhecimento como legítima, verdadeira?

3. A questão dos
instrumentos
do conhecimento: os sentidos e a razão.

4. a questão do
objeto
do conhecimento: o mundo material ou a realidade superior, de natureza inteligível? A realidade mutável e perecível ou a essência eterna e imutável?

Para Platão, a principal tarefa da filosofia seria estabelecer como como podemos avaliar determinadas pretensões ao conhecimento; o sucesso nesta empreitada permite que a filosofia se estabeleça como uma espécie de árbitro, de legislador de uma cultura, de uma sociedade, consistindo basicamente nisso sua função
crítica
.
Como a democracia ateniense era baseada na diversidade de
opiniões
, e não em uma busca pela verdade, Platão claramente a condenava (principalmente quando consideramos que ela havia condenado seu mestre, Sócrates, à morte). Nesse sentido, podemos pensar sua filosofia como "uma longa reflexão sobre a decadência da democracia ateniense".

A obra de Platão, portanto, se caracteriza como a síntese de uma preocupação com a
ciência
(o conhecimento verdadeiro e legítimo), com a
moral
e a
política
. Envolve assim um reconhecimento da função pedagógica e política da questão do conhecimento. Por isso essa reflexão será sempre realizada a partir do
diálogo
. Sua conclusão é que o
conhecimento
em seu sentido mais elevado identifica-se com a visão do
Bem
.

Oposições platônicas:
Opinião X Verdade; Desejo X Razão; Interesse Particular X Interesse Universal; Senso Comum (Doxa)X Filosofia.


Platão e a Alegoria da Linha Dividida

Platão. A República.

SÓCRATES – Ora, o que comunica a verdade aos objetos conhecidos e ao sujeito cognoscente a faculdade de conhecer, podes afirmar que é a idéia do bem; é a fonte primitiva do conhecimento e da verdade, tanto quanto estes podem ser conhecidos; mas, por mais belos que sejam ambos, o conhecimento e a verdade, se admitires que muito mais belo é esse outro elemento – a idéia do bem – terás pensado com acerto. Conhecimento e verdade: assim como há pouco nos foi lícito admitir que a luz e a visão têm analogia com o sol, porém que seria erro identificá-los com ele, agora
podemos considerar o conhecimento e a verdade como semelhantes ao bem, sem que nenhum, no entanto, possa ser com ele identificado
, pois a natureza do bem deve ser tida em muito maior apreço.

(...)
S - Então, observa que se trata de dois poderes, como dissemos; um reina no gênero e na sede do inteligível; o outro, no mundo visível. Não falo em céu, para não pensares que estou jogando com as palavras, como fazem os sofistas. Mas, decerto, apanhas bem esses dois conceitos: o visível e o inteligível?

GLAUCO – Entendo, sim.

S - Sendo assim, imagina uma linha cortada em duas partes desiguais, a qual dividirás, por tua vez, na mesma proporção: a do gênero visível e a do inteligível. Assim, de acordo com o grau de clareza ou obscuridade de cada uma, acharás que a primeira seção do domínio do visível consiste em imagens. Dou o nome de
imagens
, em primeiro lugar, às sombras; depois, aos simulacros formados na água e na superfície dos corpos opacos, lisos e brilhantes, e a tudo o mais do mesmo gênero, se é que me compreendes.

G - Compreendo, sem dúvida.

S - Imagina agora a outra seção, da qual a anterior é simples imagem: os animais à volta de nós, o mundo das plantas e o conjunto de objetos fabricados pelo homem.

G - Perfeitamente.

S - E não quererás admitir também, continuei, que o gênero visível se subdivide, ainda, de acordo com o critério da verdade e da inverdade e que o objeto da opinião está para o conhecimento na mesma relação em que está a imagem para o original?

G - Aceito a distinção.

S - Considera agora como devemos dividir a seção do inteligível. (...) É o seguinte: numa das subdivisões, a alma, empregando como imagem os objetos imitados da seção anterior, vê-se obrigada a instituir suas pesquisas a partir de
hipóteses
e sem prosseguir na direção do começo, mas na da conclusão. Ao passo que na outra subdivisão, a que conduz ao princípio absoluto, parte da hipótese, e, dispensando as imagens que havia no caminho, faz caminho só com o auxílio das idéias.



1) O termo
eikasia
, que significa imaginação em grego, foi usado por Platão para se referir ao modo humano de lidar com as aparências. É a inabilidade para perceber se uma percepção é uma imagem de qualquer outra coisa. Platão também usa a expressão "simulacro" para se referir a essas imagens que são "cópias de cópias", como sonhos, memórias, o reflexo em um espelho, as obras de arte "representativas", etc. É o nível mais baixo do conhecimento.

2) Pístis: significa
crença
, equivale à
doxa
. A
filodoxia
é a atitude daqueles que, atraídos pelas aparências sensíveis, amam a opinião, a crença infundada e irrefletida, em oposição ao procedimento filosófico, movido pelo amor ao conhecimento e à verdade.

3)
Dianóia
é um termo usado por Platão para designar o conhecimento de assuntos matemáticos e técnicos. É o resultado, o processo ou a capacidade para o pensamento discursivo, em contraste com a
apreensão imediata
que é característica da noesis, que apenas a filosofia alcança.

4) Noésis significa inteligência, pensamento. Para Platão, era o tipo de conhecimento mais elevado, imediatamente acima do conhecimento matemático. A sabedoria obtida apenas por aqueles que compreendem a natureza ou as formas do conhecimento, da justiça ou do bem. Este nível de conhecimento, o mais alto, é o que conhece as
essências
, que Platão designa com a palavra
eîdos
, a idéia, a forma inteligível, a verdade incondicionada, o princípio.

Fontes: Platão,
A República.
Danilo Marcondes,
Iniciação à História da Filosofia
.
"Ao aceitar as regras do diálogo, os interlocutores abandonam progressivamente a opinião. Instaura-se entre eles uma nova relação, não mais baseada em interesses, desejos e inclinações particulares que dão origem a antagonismos. Trata-se agora da busca da universalidade, e o discurso que tem a pretensão de ser universal, capaz de superar as divergências de opinião e ter um caráter legislador, legitimador, é a
filosofia
. A possibilidade e garantia dessa universalidade, seu critério de legitimidade e fundamento último, só pode ser a
verdade
, o conhecimento verdadeiro, o conhecimento de uma outra realidade que não apenas a sensível, material, mutável".
Danilo Marcondes.
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