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Manifestações de junho

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Mário Messagi Júnior

on 25 March 2016

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Transcript of Manifestações de junho

Juventude, cultura e participação
Histórico - primeiro ato - 6 de junho - SP
500 pessoas, segundo a PM. 3 mil, segundo o MPL. Repressão da polícia e ataque a pontos de ônibus, cabines da polícia e sacos de lixo queimados. 3 feridos com balas de borracha. Cobertura normal (criminalizadora). Manifestações em mais três capitais: Rio, Goiânia e Natal.
MPL, sobre a violência: “As depredações só se iniciaram depois de um segundo momento de repressão brutal e prisões, realizadas na região da Avenida Paulista.
O Movimento Passe Livre não incentiva a violência em momento algum de suas manifestações, mas é impossível controlar a frustração e a revolta de milhares de pessoas com o poder público e com a violência da Polícia Militar.”
Sakamoto, colunista UOL: Ao mesmo tempo, quem rompe a barreira do conformismo e protesta é criminalizado ou reduzido a um mero causador de congestionamentos. Para esses insurgentes, que não entendem que a cidade é um organismo autônomo que lhes presta um favor por deixarem nela viver, só gás nos olhos resolve.
Segundo ato - 7 de junho - SP
5 mil pessoas, segundo a PM. Repressão policial. 16 pessoas detidas. Veículos de comunicação acusam a participação de partidos no movimento.
MPL nega: “Há partidos políticos participando das manifestações contra o aumento, mas, ao contrário do que foi publicado em alguns veículos de imprensa, os partidos não fazem parte do MPL.” MPL responde Haddad e lembra que a proposta de tarifa zero foi proposta pela prefeitura de São Paulo, na gestão de Luíza Erundina – 1990.
— Uma coisa é manifestação, que se respeita. Outra coisa é vandalismo. Isso é inaceitável. Você destruir um patrimônio público, estações do Metrô, impedir as pessoas de terem acesso. Prejudicar o trânsito, interromper avenidas em região com grandes números de hospitais. Isso é vandalismo, não é manifestação. A Polícia tem que tratar como tem que ser tratado, vandalismo. Não é possível aceitar a depredação de patrimônio público e prejuízo para a população — disse.
(http://oglobo.globo.com/pais/protesto-contra-aumento-da-passagem-tem-principio-de-confronto-em-sp-8622437#ixzz2YmpNPIA7)
Alckmin ataca: “O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, condenou o vandalismo praticado pelo grupo na quinta-feira" (O Globo)
10 de junho – ato no RJ
31 estudantes detidos. Segundo O Globo, apenas 300 participaram. Cobertura é feita pelo olhar da PM e do motorista que tem o trânsito atrapalhado.
Manifestantes cercaram dois ônibus e o Batalhão de Choque usou dezenas de bombas de efeito moral e spray de pimenta para dispersar o protesto. Em resposta, os jovens queimaram lixo e entulho para interditar vias, além de arremessar cocos e pedras contra os agentes. O Globo: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/06/manifestantes-voltam-protestar-contra-tarifa-de-onibus-no-rio.html
Goiânia revoga o aumento.
Terceiro ato - 11 de junho - SP
MPL pede reunião com a prefeitura para discutir revogação do aumento.
No ato, diversos detidos. Anonymous entra no movimento de vez. 10 mil, segundo a PM. Mais de 20 detidos. O ato é o mais violento. Agências bancárias e lojas foram depredadas, pelo menos dois ônibus foram incendiados. Manchete de O Globo: São Paulo vira ‘praça de guerra’ no confronto mais violento em ato contra aumento de tarifa
MPL sobre detidos: "Enquanto isso, o movimento e os advogados apoiadores buscam dar todo o apoio possível aos detidos, assim como outras diversas organizações que se solidarizaram com os presos, como a Consulta Popular, Movimento Luta Popular, a Conlutas, o Grupo Tortura Nunca Mais, o PSTU e o PSOL, entre vários outros."
Quarto ato - 13 de junho - SP
A imprensa bate e apanha
Editoriais detonam movimento

Editorial (Folha, 13/6): Retomar a Paulista
Oito policiais militares e um número desconhecido de manifestantes feridos, 87 ônibus danificados, R$ 100 mil de prejuízos em estações de metrô e milhões de paulistanos reféns do trânsito. Eis o saldo do terceiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), que se vangloria de parar São Paulo --e chega perto demais de consegui-lo.
Sua reivindicação de reverter o aumento da tarifa de ônibus e metrô de R$ 3 para R$ 3,20 --abaixo da inflação, é útil assinalar-- não passa de pretexto, e dos mais vis. São jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária, que buscam tirar proveito da compreensível irritação geral com o preço pago para viajar em ônibus e trens superlotados.
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/06/1294185-editorial-retomar-a-paulista.shtml

Manifestação é a mais violenta, de parte a parte, mas sobretudo pela polícia
Segundo a PM, 5 mil participam do ato. Segundo o MPL, foram 20 mil. 300 são detidos, 40 antes do protesto, alguns apenas por portarem vinagre. Repórter da TV Folha é atingida no olho por bala de borracha. A polícia apreendeu facas, estiletes, tesouras, martelos, coquetéis-molotóvs, machadinha, aerosol, garrafas de álcool, tinta e sprays.
Logo após esses editoriais, no fim do dia, a PM reprimiu cerca de 20 mil pessoas. Acompanhei tudo de casa, em outra cidade. Na primeira hora de concentração para a manifestação foram presas 70 pessoas, por sua intenção de participar do protesto. Essa intenção era identificada pela PM com o agora famoso “porte de vinagre” (já que vinagre atenua efeitos do gás lacrimogêneo). Muitas pessoas saíram feridas nesse dia e, com os horrores novamente transmitidos - mas dessa vez também pelos grandes meios de comunicação, inclusive esses dos editoriais da manhã, que tiveram suas equipes de reportagem gravemente feridas -, muita gente se mobilizou para o próximo ato. https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a
A imprensa muda de lado
Alckmin prometera agir
Antes do protesto, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que não iria tolerar atos de vandalismo. Na manifestação de hoje, a PM mobilizou grande aparato, com tanques blindados, helicópteros e até a cavalaria. Além da Tropa de Choque, policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e da Força Tática atuaram na repressão, totalizando efetivo de 900 homens. http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/13/em-dia-de-maior-repressao-da-pm-ato-em-sp-termina-com-jornalistas-feridos-e-mais-de-60-detidos.htm
Violência também explode no RJ
Questão 1
A partir do ato do dia 13, a comoção se espalhou.
As
manifestações ganharam força e se transformaram num fenônemo sem precedentes no Brasil.
O movimento perdeu o caráter racional (luta pelo Passe Livre) e se tornou afetivo, movido por ódio e esperança, pelo direito de se expressar, talvez.
Qual motivo, afetivo ou racional, levou tantas pessoas às ruas? Entender isso é entender o combustível do movimento, mas é equívoco esperar que as pessoas saibam suas razões. É preciso sondar o inconsciente.
Protestos se espalham pelo Brasil
http://blogs.estadao.com.br/estadao-urgente/manifestantes-fazem-quinto-ato-contra-o-aumento-da-tarifa-de-onibus-em-sao-paulo/
A coisa fica mais estranha; além da velha mídia, outros atores chegam...
No próprio dia 13, à noite, aconteceu a segunda “coisa estranha”. Logo no final da pancadaria na região da Paulista, sabíamos que o próximo ato seria na segunda-feira, dia 17 de junho. Me incluíram num evento no Facebook, com exatamente o mesmo nome dos eventos do MPL, as mesmas imagens, bandeiras, etc. Só que marcado para sexta-feira, o dia seguinte. Eu dei “ok”, entrei no evento, e comecei a reparar em posts muito, mas muito esquisitos. Bandeiras que não eram as do MPL (que conheço desde adolescente), discursos muito voltados à direita, entre outros. O que estava ali não era o projeto de cidade e de país que eu defendo, ou que o MPL defende.
(...)
Alguém me deu um toque e observei que a descrição dizia o trajeto da manifestação (coisa que o MPL nunca fez, até hoje, sabiamente). Além disso, na descrição havia propostas como “ir ao prédio da rede globo” e “cantar o hino nacional”, “todos vestidos de branco”. O alerta vermelho novamente acendeu na minha cabeça. Hino nacional é coisa de integralista, de fascista. Vestir branco é coisa de movimentos em geral muito ou totalmente despolitizados. Basta um mínimo de perspectiva histórica pra sacar. Pois bem.

Ajudei a alertar sobre a desonestidade de quem quer que estivesse organizando aquilo e meu alerta chegou a uma das pessoas que, parece, estavam envolvidas nessa organização (ou conhecia quem estava). O discurso dela, que conhece alguém que eu conheço, era totalmente despolitizado. Ela falava em “paz”, “corrupção” e outras palavras de ordem vazias que não representam reivindicação concreta alguma, e muito menos um projeto de qualquer tipo para a sociedade, a cidade de São Paulo, etc. Mais um pouco de perspectiva histórica e a gente entende no que é que palavras de ordem e reivindicações vazias aleatórias acabam. Depois de fazer essa breve mobilização na internet com várias outras pessoas, acabaram mudando o nome e a foto do evento, no próprio dia 13 de noitão. No dia seguinte transferiram o evento para a segunda-feira, “para unir as forças”, diziam.
Marília Moschkovich, editado.
Origens da violência
Polícia Militar: militarizada, afeita aos velhos métodos herdados da ditadura, mas com atitudes muito suspeitas.

Black blocks: grupo anarco punk, que ataca e destrói, no mundo, símbolos do sistema capitalista.

Skinheads: grupos nazifascistas, como os Carecas do ABC.

Delinquência: violência com saques, quebradeiras.

Jovens de classe média.
1. o que é o Movimento Passe Livre (MPL)
o Movimento Passe Livre (MPL) é um movimento social autônomo, apartidário, horizontal e independente, que luta por um transporte público de verdade, gratuito para o conjunto da população e fora da iniciativa privada.
2. História do MPL
o MPL foi batizado na Plenária Nacional pelo Passe Livre, em janeiro de 2005, em Porto Alegre. mas antes disso, há seis anos, já existia a Campanha pelo Passe Livre em Florianópolis.
3. Formas de organização
3.1. Autonomia e independência
3.2. Apartidarismo
defendemos na nossa prática cotidiana que existe política além do voto. no entanto, é preciso deixar claro que ser “apartidário” não significa ser “antipartidário”. militantes de partidos políticos são totalmente bem vindos para colaborar na luta por passe livre.
3.3. Horizontalidade
4. O que é o passe livre
passe livre é a gratuidade no transporte coletivo.
5. O que é um serviço público
serviço público é aquele que não tem exclusão, que permite o acesso de todas as pessoas.
6. Mas é mesmo possível pegar ônibus de graça?
não se trata de “ônibus de graça”, esse ônibus teria um custo, mas pago por impostos progressivos, não pela tarifa.
7. Sobre aumentos de tarifas
no Brasil, 35% da população que vive nas cidades grandes não tem dinheiro para pagar ônibus regularmente (IPEA, 2003).
AS NOSSAS PROPOSTAS PARA O TRANSPORTE
Municipalização do sistema
Criação de um Fundo Municipal de Transporte Coletivo gerido com participação popular
TARIFA ZERO para todas as pessoas
Combate à cultura do automóvel
Eles já faziam parte dos protestos contra o preço das passagens, mas, depois que a meta de redução da tarifa foi atingida e deixou de ser a “força motriz” das passeatas, eles assumiram de vez a dianteira ideológica.
Prova disso é a fanpage principal do Anonymous no Facebook, que teve uma guinada explosiva nos últimos dias.
O crescimento semanal de curtidas, segundo as estatísticas da página, pulou de 7.000 a 8.000 por semana para cerca de 130 mil.
Eram 400 mil fãs na semana passada — hoje, são quase 850 mil. A página, alimentada frequentemente, tem muitos posts por dia. (R7: http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/ativo-no-facebook-anonymous-assume-lideranca-das-manifestacoes-pelo-brasil-20130620.html)
Os vídeos no youtube tinham mais de 1,5 milhões de visualizações.
Acorda Brasil
Movimento em rede cujo combate à corrupção, aos políticos e à política é o mote principal. Tem forte viés de direita despolitizada. O discurso, agressivo, tem muito apelo. Bate na Globo, mas compra todas as agendas da mídia, como a luta contra a PEC 37.

O PSDB teve um papel, não premeditado, mas claro:

1) PSDB teria contratado marombados para atacar manifestantes com máscaras V, tanto em São Paulo como em Porto Alegre.
2) Vídeo do Anonymous sobre as cinco mentiras de Dilma, feito pela juventude do PSDB.
3) Alckmin dispensa ponto para servidores participarem de atos.

Todas esta afirmações devem ser apuradas. Bom jornalismo resolve.
Questão 3
A violência, ao contrário do que afirmou a cobertura da imprensa, passou a ser um componente inerente aos movimentos, a partir do dia 17. Violência de atores organizados, com sentido político, ou violência sem sentido político, mas o ódio compunha o movimento como um todo. As manifestações começam a apresentar vários traços fascistas.
Como diz Marcuse, estamos longe de uma sociedade pacificada. É a vitória de Tanatos. Que violência é esta, latente, esperando explodir?
Fruto do mal-estar da civilização, produzido pela sociedade administrada?
Escala F
Na década de 50, (...) Adorno uniu-se a um grupo de psicólogos sociais norte-americanos para desenvolver um estudo pioneiro sobre o potencial autoritário inerente a sociedades de democracia liberal, como os Estados Unidos.
O resultado foi, entre outras coisas, um conjunto de testes que permitiam produzir uma escala que visava medir as tendências autoritárias da personalidade individual. (...)
O que Adorno percebeu na sociedade norte-americana vale também para o Brasil. Na semana passada, esta Folha divulgou pesquisa mostrando como a grande maioria dos entrevistados apoia ações truculentas como a internação forçada para dependentes de drogas e intervenções policiais espetaculares como as que vimos na cracolândia. (...)
Tais pesquisas demonstram como a idealização da força é uma fantasia fundamental que parece guiar populações marcadas por uma cultura contínua do medo. (...)
Questão 4
Qual a relação das redes com a forma de manifestação que ela produz: horizontal, sem líderes, por causas? Tanto MPL quanto Anonymous defendem a horizontalidade.

Que consciência é inerente às redes?

Que relação há entre a violência anônima das redes e a violência anônima que surgiu nas ruas?

Qual a relação entre consumo cultural e violência? (É um bom momento para checar as teses de Adorno)
O papel da imprensa
O grande dia 20
http://blogs.estadao.com.br/estadao-urgente/protestos-ocorrem-em-75-cidades-e-terao-seguranca-reforcada/?doing_wp_cron=1373732200.9695739746093750000000
Esquerda atônita denuncia, abandona, combate ou disputa
Questão 2
Por que a imprensa é hostilizada, mas ao mesmo tempo pauta o movimento? Há uma contradição nesta relação com a velha mídia.
Todos acreditam que a mídia distorce. É provável que o conceito de mídia e de distorção variem nas pessoas. Segundo o conceito de círculo ideológico, cada pessoa busca mais argumentos para reforçam suas posições do que para questioná-las. De fato, elas rejeitam in limine argumentos contrários. A imprensa, quando reforça a percepção das pessoas, é vista como honesta. Quando ela contraria, ela é vista como distorção.
O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos.

Toda força para quem luta por uma vida sem catracas. (MPL-SP)
A partir do 7° ato (20.06), percebia-se nas ruas e redes sociais a apresentação de uma extensa agenda de insatisfações e a tentativa de expurgar aqueles que deram origem às manifestações: movimentos sociais, coletivos organizados e partidos de esquerda. Os mesmos que gritavam “sem violência” foram protagonistas de um ataque violento aos membros de partidos que integravam a manifestação.
Vimos muita truculência por parte dos auto-intitulados “nacionalistas”. Vimos pessoas com bandeira do Brasil e máscaras do Guy Fawkes (“V de Vingança”) agindo como reacionários. Sentimos na pele um clima de tensão, em que “antipartidários” se exaltavam raivosamente ao exigir que bandeiras de partidos fossem baixadas e queimadas: “o ato é do povo brasileiro, não dos partidos”, gritavam cegos e indignados. Em síntese, presenciamos a maior passeata de caráter integralista de nossas vidas.
Clara F. Figueiredo, Lucas Amaral de Oliveira, Rafael de Souza e Rafael Schincariol (pós-gradunado na USP e militantes de coletivos de esquerda)
Ódio de classe, intolerância e truculência marcaram as manifestações gigantes do dia 20 de junho, numa imensa catarse coletiva pós-moderna, mobilizada a partir das redes sociais. Não por acaso, jovens do PSTU, PSOL, PT, MST e até do MPL, o protagonista com mais legitimidade, apanharam nas ruas das principais capitais do país, simplesmente porque estavam vestindo cores e/ou portando suas bandeiras vermelhas. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos dizem que mais de 15 milhões de brasileiros (7,9% da população) são filiados aos 29 partidos que atuam no país. Se esses cidadãos resolvessem aparecer nas ruas talvez recebessem o mesmo tratamento dos “sem-partido” e “apartidários” em São Paulo, representados pelos grupos neonazistas Carecas do ABC e Carecas do Brasil, que agrediram covardemente manifestantes de esquerda.
(Samuel Lima, docente da FAC/UnB)
A guinada reacionário-fascista, portanto, é uma possibilidade nada absurda para este movimento que nasce tão bem intencionado.
Isto, aliás, é que me deixa tão preocupado: os jovens que vi hoje na rua eram… lindos. Lindos. Felizes em seu papel democrático, acreditavam estar desempenhando uma função histórica fundamental. E estão. Mas se não surgir um foco para esta embrionária revolução, o perigo para que ela se desvirtue e seja cooptada pelo que temos de mais reacionário, conservador, atrasado e estúpido é real e imediato.
Rodrigo Viana - O Escrevinhador
Como jornalista, militante político de esquerda e cidadão, já firmei uma convicção a respeito do que está acontecendo. Uma multidão cuja direção (rumo) passou a ser atacar instituições públicas, sem representantes, sequestrada por grupos de extrema-direita, que rejeita partidos políticos e hostiliza manifestantes de esquerda, não só não me representa como passa a ser algo a ser combatido politicamente. Ou alguém acha que setores das forças armadas e da direita brasileira estão assistindo a tudo isso de braços cruzados?

Marco Aurélio Weissheimer,editor da Carta Maior
A direita também se posiciona
E caiu a máscara daqueles que são manipulados pelo governo, o que não foi nenhuma surpresa, seja ele estadual, municipal ou federal. O Movimento Passe Livre informou em entrevista que agora é hora de “descansar” é que no momento a organização não irá mais convocar protestos.
No site Viomundo do jornalista Luiz Carlos Azenha eles explanaram: “Sim, somos de esquerda e temos uma pauta de esquerda”.
Lucas Oliveira, o Legume, falou em nome do MPL. Ele e ativistas ligadas ao movimento descreveram a unidade que conseguiram forjar com integrantes de partidos de esquerda nos últimos dias — PSOL, PSTU e PCO, entre outros — além de militantes do PT e de um grande número de movimentos sociais, dentre os quais se destacam o MST, a UJS (do PCdoB) e a UNE.
Uns dizem que eles venderam aos anseios do Governo Federal. Eu sou da turma que acha que esse pessoal já nasceu vendido.

Blog Contrafeminismo
Quando existe aderência massificada da população, e esta população não se politizou ainda, ela infla o protesto com discursos ideológicos. Ela enche o protesto de muito pacifismo, muitas reivindicações vazias (contra a corrupção! pela educação!), de bandeiras de Brasil beirando o nacionalismo de cantarmos o hino nacional, e, principalmente, de discursos opressivos, que se já entre as pessoas “politizadas” são sempre prevalentes, entre pessoas que não se politizaram são ainda mais. O machismo, o racismo, o heterossexismo e o discurso higienista burguês são alguns problemas que cada vez mais aparecem relatos de estarem surgindo nestas manifestações recentes, inclusive nos cartazes que estamos segurando e nos gritos que estamos bradando.
Blog Incandescência, anarco-feminista.
22 de junho - MPL sai do movimento
23 de junho – MPL volta ao movimento, na periferia e com pauta ampliada mas específica.
24 de junho - Dilma propõe plebiscito e cinco pactos
25 de junho - Câmara derruba PEC 37. Protesto na Rocinha. Vários protestos específicos emergem.
Protestos passa a acompanhar calendário da Copa das Confederações.
1 de julho - greve geral chamado por perfil do Facebook tem mais de 1 milhão de confirmações, mas desaparece.
11 de julho - Centrais tentam demonstrar força, mas greve geral apenas reforça crise de representatividade.
Desfecho
Conclusões provisórias
No primeiro momento, o MPL-SP, ao tomar como tática as ações de rua e a luta de enfrentamento (em detrimento da via pacificadora da negociação sem luta), conseguiu realizar um feito histórico: pôs em xeque, à extrema-esquerda do espectro político, a engenharia conciliatória solidamente construída por todos estes anos de hegemonia petista no Brasil. (Coletivo Passa Palavra)
A juventude, sem sonhos, conformada, limitada às redes, é o combustível perfeito para projetos autoritários (a verificar) ou mero objeto da sociedade administrada.
Na esfera político-eleitoral, os agentes políticos tentam responder e capitalizar o movimento.
A eleição de 2014 está aberta. É provável que todos os que tentem reeleição, sobretudo Dilma, tenham mais dificuldade do que teriam se junho não tivesse existido. Pesquisas já mostram isso.
A democracia representativa, toda ela, está em cheque. Juventude redes e coletivos se empoderam.
A democracia de coalizão e a forma como o PT se conformou a ela elimina as utopias.
As formas de organização em coletivos, horizontalizadas, se espalham no Facebook, mas qual seu limite político? Até onde elas podem promover mudanças?
A democracia participatia não substitui nem a representativa, nem a deliberativa, com a qual mal se aproxima. Mas ignorar os novos meios na democracia é um erro político.
Como as manifestações de junho vão mudar as práticas profissionais na área de comunicação? Como vão impactar nas campanhas de comunicação eleitoral, por exemplo?
Às favas com o método
Não havia condições estruturais, nem conjunturais para os movimentos de junho. Eles ainda são um mistério, mas é possível é compará-los com maio de 1968 e com outras mobilizações no mundo, como Occupy, Indignados, Primavera Árabe, mas também com a Marcha das Vadias e o Dia sem calças.
Projeto de pesquisa sobre cultura, política e tecnointeração
As ciências da comunicação são o campo científico do século XXI. Sem delimitação claro de fronteiras, sem metodologias próprias, o campo é o que mais tem condições de entender os fenônomos relativos à cultura, política e tecnointeração que estão na base das manifestações de junho de 2013.
Ao contrário do que parece, o movimento indicou uma força que parecia já não existir dos meios tradicionais. Eles potencializaram as manifestações a partir do dia 13, deram a ele um caráter de massa e, mesmo hostilizados, pautaram as manifestações. É precipitado ver a vitória das novas mídia contra a derrota das velhas. Ambos, no auge do movimento, atuaram pela sua ampliação e manutenção.
O Facebook foi pra rua?
Há um número insondável de atores presentes no movimento
Os partidos de extrema esquerda, de esquerda, de direita, de extrema direita, os integralistas, militares com saudades da ditadura, coletivos de diversas naturezas disputavam a hegemonia das manifestações. A disputa, para a esquerda, duraria pouco até se transformar em dúvida entre permanecer ou se retirar. A direita tenta manter as manifestações, potencializar a violência, mas não consegue manter os movimentos.
O PSDB percebe a oportunidade
Como checar a hipótese?
É necessário primeiro verificar o que as pessoas concebem como mídia ou imprensa e se elas vêem distorção. Quando identificada uma pessoas que vê a mídia como produtora de distorções, é possível pedir para que cada um aponte quais matérias ela vê como distorcidas.
3. Deu tudo errado para os petistas: o objetivo das manifestações em SP era desgastar Alckmin e colocá-lo contra a parede. Como controlam a prefeitura e o Planalto, falta o Palácio dos Bandeirantes. A estratégia foi um desastre. Pior ainda quando Rui Falcão ordenou os petistas ir para as ruas;
Marco Villa
Villa aponta que o movimento surgiu para atacar Alckmin
Movimento sem lideranças é contra a corrupção. Quem a representa é quem comanda o país: o governo do PT, os partidos e os politicos.
Não é preciso grandes habilidades sociológicas para tirar o estrato das manifestações: a revolta é contra a corrupção. E a corrupção tem como representantes visíveis, não necessariamente nesta ordem, o governo petista, os partidos e os políticos em geral. Análise precipitada? Não. Pesquisa realizada pelo Datafolha em São Paulo indicou que 50% dos manifestantes estavam ali para protestar contra ela, a corrupção.
Blog Coturno Noturno
Coerente do início ao fim
Movimento Passe Livre, chamado de pacífico por certa imprensa, se nega a condenar saqueadores e diz que eles são protagonistas de uma “revolta popular”. E ainda há gente que me pede para aplaudir essa gente! Não há a menor chance de isso acontecer!
Reinaldo Azevedo
Contra a corrupção
"Mesmo que as reivindicações sejam várias e muitos cartazes exibam anseios mal explicados ou utopias inalcançáveis, há um ponto comum nessas manifestações dos últimos dias: a luta contra a corrupção."
Merval Pereira
A escala faz a diferença. As quimeras das seitas esquerdistas tornaram-se inaudíveis nos protestos de multidões. No lugar delas, desenhavam-se os contornos de uma agenda implícita, ainda não cozida no fogo da linguagem política. As pessoas estão fartas do governo e da oposição, da corrupção e da impunidade, da arrogância e do cinismo, da soberba e do descaso. O estádio superfaturado, o ônibus superlotado, a escola arruinada, a inflação, a criminalidade, o Dirceu e o Eike — é sobre isso que falam os manifestantes, ecoando palavras de milhões ainda inseguros quanto à conveniência de protestar nas ruas. O inimigo, que ninguém se engane, é toda a elite política reorganizada durante a década de balofa euforia do lulopetismo. Um preocupado Gilberto Carvalho alertou contra a tentação de “tirar proveito político, de um lado ou de outro” dos eventos da segunda-feira. Mestre no ofício de “tirar proveito político”, ele já percebeu que um ciclo se fechou.
Demétrio Magnoli
O campo da comunicação não tem compromisso com nenhum método específico. Este projeto visa constituir os problemas e, em função deles, elaborar o método. Inclusive o método pode ser apenas jornalismo.
Os produtos deste projeto também devem ser variados: artigos, livros, documentários, reportagens, blogs, etc
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