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Tenho Tanto Sentimento

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by

Gabriela Pinto

on 14 December 2013

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Transcript of Tenho Tanto Sentimento

Análise do poema "Tenho tanto sentimento" de Fernando Pessoa ortónimo
Segunda estrofe
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
"Viver é ser outro! Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu, sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida."

Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Poema
Primeira estrofe
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Fernando Pessoa sente-se condenado a ser lúcido, a ter de pensar;

O próprio pensamento corrompe a inconsciência, inerente à felicidade de viver

Racionalização em excesso
Lucidez


Vive num costante sofrimento causado pela vastidão dos seus pensamentos e, por uma consciência ativa.
Temática:
Dor de Pensar
Fernando Pessoa reconhece que é um "sentimental", ou seja, um ser emocional regido pela emoções. Contudo, numa análise mais profunda, revela ser racionalista, tendo por vezes a ilusão que é sentimental.
A poesia ortónima é também marcada por oposições, sobretudo pela oposição "imaginado"/"conseguido" ou "passado"/"presente". Nesta estrofe, podemos constatar o referido anteriormente, Pessoa opera essa mesma oposição, entre vida pensada e vida vivida - ou seja, entre o que ele desejaria que fosse a sua vida e o que a sua vida é realmente, chegando à conclusão que a "vida que temos" está dividida entre esses dois pólos, sem nunca ser perfeita como desejamos que seja.


Terceira estrofe
Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar,
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Nesta estrofe está patente a impossibilidade de discernir qual a vida certa e a errada, não há maneira de sabermos se na verdade atingimos o nosso destino ou não.
Nos últimos dois versos enfatiza-se a subordinação dos sentimentos à razão/pensamento, isto é, Pessoa aceita que, na impossibilidade de sabermos qual é a vida verdadeira, teremos de aceitar pensar na vida, é a aceitação de que a racionalização da vida é a nossa melhor opção, sobretudo para não nos deixarmos dominar pelo sentimento.
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