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Análise da Obra Cacau de Jorge Amado

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Jessilene Mota

on 22 June 2015

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Transcript of Análise da Obra Cacau de Jorge Amado

Análise da Obra Cacau de Jorge Amado
Denúncia da condição social dos trabalhadores:

"Eu fui morar com ele (Honólio) numa casa de palha com um único cômodo que servia de quarto, sala e cozinha...morávamos quatro na casinha." (p. 42)
Características da Obra
ROMANCE ABERTO
-Nasceu em 10 de agosto de 1912, no município de Itabuna, sul da Bahia.

-Bacharel em Direito, Jornalista, militante de esquerda.

-Cacau, obra publicada em 1933, segundo romance de Jorge Amado.
Jorge Amado
5- Foco Narrativo

A narrativa é intradiegética.
O livro narra a história de José Cordeiro, que na cidade do Rio de Janeiro lembra de sua vida na fazenda de cacau, Fazenda Frateridade, localizada em Ilhéus, Bahia, e dos personagens que ao longo da marrativa vão compondo o romance e servindo de argumento para o posicionamento ideológico do autor.
O autor expõe, de forma realista e crítica, a vida dos trabalhadores, como podemos ver a seguir:

" A despensa levava todo o nosso saldo. A maioria dos trabalhadores devia ao coronel e estava amarrada à fazenda. Também quem entendia as contas de João Vermelho, o despenseiro? Éramos todos analfabetos." ( p. 12)
O personagem principal, conhecido como Sergipano, perde no início da narrativa a condição de filho de industrial, com a morte de seu pai em Sergipe, e logo torna-se pobre, quando seu tio intervém na fábrica
Logo nas primeiras páginas podemos perceber o caráter crítico-social da obra:

"A fábrica prosperava muito. Nunca consegui compreender por que o salário dos operário dimunuiu." (p. 17)
Crítica à religião:

"Haviam-no apenas quatro frades, mas esses quatro frades dominavam a cidade. Faziam sermões, onde fatasiavam das cores mais negras o inferno. E essas coisas ditas naquela língua meio alemã, meio brasileira, pareciam mais horríveis ainda. Nós, os garotos, temíamos o inferno e temíamos ainda mais os frades." (p. 18)
"O padre vestido de ouro e seda, nos metia inveja. Fazia depois um sermão bem falado. Afirmava que a gente devia obedecer aos patrões e aos padres. Que não se devia dar ouvidos a teorias igualitárias (a gente ficava morto de vontade de saber dessas teorias)" (p. 81)
Descrição da rotina de trabalho:

"Às sete horas já estávamos a derrubar os cocos de cacau, depois de haver afiado nossos facões jacaré..." (p. 43)

"Nove horas da noite o silêncio enchia tudo e a gente se estirava nas tábuas que serviam de cama e dormíamos um sono só, sem sonhos e sem esperança... a nossa miséria não interessava a ninguém" (p. 47)
A aparência das mulheres que trabalhavam na fazenda:

Magnólia era bonita, sim. Não como essas roceiras heroínas de romances de escritores que nunca visitaram uma roça. Mãos calosas e pés grandes...seios fartos que muitas vezes apareciam sob os rasgões do vestido velho, mas a gente não ligava. Noiva de Colodino. Nós a respeitávamos. Um pouco envelhecida talvez pra os seus vinte anos." (p. 50)
" Mariazinha podia ter dezoito anos, mulata nova, mas entre ela e a Zefa, velha de cinquenta, não havia diferença. A mesma cara gasta e as mesmas pernas cheias de feridas." (p. 54)
Acabada pelos desgostos ela aparentava cinquenta anos, porém, penso que mal fizera os trinta. A história de Sinhá Margarida seria chamada pelos escritores de horrorosa trajédia, se escritores viessem às roças de cacau." (p.73)
Prostituição infantil:

"Zilda era uma mulatinha clara, olhos grandes de criança que nada sabe da vida...sobre o seu corpo apenas um vestido, grávido de rasgões. Quase não tinha seios a pobre criança... João Grilo, que dormira com ela, beijava-a. Ela se deixava beijar sem revolta, naturalmente. Aquilo fazia parte da profissão. E ela, com treze anos apenas, conhecia muito bem a profissão." ( p. 61)
"Pobres mulheres, que choravam, rezavam e se embriagavam na Rua da Lama. Pobres operárias do sexo. Quando chegará o dia da vossa redenção? (...) mas os ricos não se envergonham da prostituição. Contentam-se em desprezar as infelizes. esquecem-se de que foram eles que as lançaram ali"(p. 65)
Descrição das crianças:

"Os pés espalhados pareciam de adultos, a barriga enorme, imensa da jaca e da terra que comiam. O rosto amarelo, de uma palidez tenebrosa, denuncava heranças de terríveis doenças. Pobres crianças amarelas, que corriam entre ouro dos cacauais, vestidas de farrapo, os olhos mortos, quase imbecis. A maioria deles desde os cinco anos trabalhava na juntagem." (p. 77)
"O sexo desenvolvia-se cedo. Aquelas crianças pequenas e empapuçadas tinham três coisas desconformes: os pés, a barriga e o sexo... fumavam cigarrões de fumo picado e bebiam grandes tragos de cachaça desde a mais tenra infância...crianças que nunca tiveram brinquedos e bonecas." (p. 78)
"Foi numa dessa carreiras que um garoto bateu no cacaueiro que derrubou um fruto verde. O coronel, que olhava da varanda, voou em cima do menino, que ante o tamanho do seu crime parara boquiaberto...Uma tábua de caixão, abandonada perto, serviu de chicote. O garoto berrava. Depois, dois pontapés...era o coronel quem batia e demais o castigado derrubara um coco de cacau. De cacau...maldito cacau..." (p.87)
1- Monofônica

* Toda a história está a serviço de José Cordeiro
2- Espaço

A história inicia-se em São Cristóvão e, em seguida, as ações principais se sucedem em Ilhéus (Bahia).
3- Tempo

o tempo da obra é psicológico, porque rememora o percurso vivenciado por José Carneiro na Fazenda Fraternidade.
"Depois, já no Rio de Janeiro, relendo essas cartas, pensei em escrever um livro. Assim nasceu Cacau. Não é um livro bonito, de fraseado, sem repetição de palavras." (p. 123)
4- Personagem

José Cordeiro (plano)

* Primeiro o personagem tem uma queda, quando perde todos os seus bens e vira operário da fábrica, no entanto, fica sem o emprego após brigar com o tio. Depois, torna-se trabalhador da Fazenda Fraternidade e, por fim, ascende, quando desiste do amor de Mária para seguir fiel à sua ideologia.
"Demais não tive preocupação literária ao compor essas páginas. Procurei contar a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau." (p. 124)
o narrador deixa aberto para a história responder: é possível mudar a condição social através da luta de classes?
"matá coroné é bom, mas trabaiadô não mato...só muito tempo depois eu soube que o gesto de Honório não se chamava generosidade.Tinha um nome mais bonito: Consciência de Classe." (p.121)
"...quando souberem essas coisas (ideologia marxista), os meninos não comerão mais jaca. Se levantarão com a toco do facão em punho..." (p. 83)
"Eu partia pra a luta de coração limpo e feliz." (p. 137)
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