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Livre arbítrio

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by

José Joaquim Fernandes

on 20 November 2016

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Transcript of Livre arbítrio

O problema do livre arbítrio
Existem 2 grandes problemas filosóficos que podemos colocar face à situação descrita:

1)
O pai de Tracy Latimer foi livre de fazer o que fez, ou foi vítima das circunstâncias?
O 1º problema é, filosoficamente, conhecido como
o problema do livre arbítrio
.
O 2º problema é
o problema da fundamentação moral ou ética da acção
.
Aqui, vamos tratar do 1º destes problemas.
O problema do livre arbítrio
O problema do livre arbítrio pode ser formulado do seguinte modo:
Quando realizamos
ações
estamos condenados a agir
determinados
pelas circunstâncias , ou, pelo contrário, ao agirmos somos
livres
de fazer o que fazemos?
O problema da fundamentação ética da acção pode ser formulado do seguinte modo:
Com base em que critério é que podemos decidir se uma dada acção é moralmente certa ou errada?
Os
deterministas radicais
defendem que um indivíduo, ao agir, está sempre condicionado pelas circunstâncias - físicas, sociais, culturais, emocionais, etc. - que envolvem a sua acção. São estes factores que determinam a intencionalidade, a vontade e o desenrolar da própria acção.
Para um determinista, a liberdade de decisão de um indivíduo é, em última análise, uma ilusão. Qualquer acção humana está sujeita ao mesmo tipo de leis deterministas que governam os fenómenos naturais.
Quem defende uma perspectiva determinista, como a que acabamos de caracterizar, enfrenta uma objecção grave que podemos exprimir no seguinte argumento:
Se as acções humanas, como qualquer outro acontecimento que ocorre no mundo, são resultado de causas prévias não controladas pelos agentes, então não somos moralmente responsáveis pelo que fazemos e não há qualquer razão para sermos julgados pelos nossos actos.
Uma vez que os deterministas consideram verdadeira a proposição que afirma que "todos os acontecimentos (incluindo as acções humanas) são determinados por causas anteriores", isso implica, logicamente, aceitar que não existe responsabilidade moral, ou seja,
ninguém é responsável pelo que faz
.
Na verdade, esta conclusão vai contra a nossa intuição directa e contra a nossa experiência: todos os dias fazemos escolhas e quando decidimos fazer "isto" e não "aquilo" tudo indica que, efectivamente, podemos livremente escolher o rumo da nossa acção.
Os
libertistas
opõem-se aos determinitas e defendem que as acções humanas
, ao contrário do que acontece com os fenómenos naturais,
são acontecimentos que resultam da vontade livre do agente que as realiza
.
Um libertista diria que o Sr. Latimer, independentemente do estado em que se encontrava a sua filha Tracy, ao tomar a decisão de a meter na cabine da sua carrinha para que ela morresse asfixiada, agiu livremente e é responsável moralmente pelo que fez.
Portanto, o pai de Tracy não pode ser condenado pelo que fez: a sua acção resultou das circunstâncias que ele enfrentava e, face a tais circunstãncias, ele não tinha escolha nem escapatória. Tinha que fazer o que fez: a sua dor insuportável ao ver a filha no estado de sofrimento em que se encontrava, a perspectiva de que as coisas só podiam piorar "obrigaram-no" a fazer o que fez. Para um determinista não há nenhuma razão para condenarmos o Sr. Latimer.
Será aceitável uma conclusão como esta?
O libertismo enfrenta uma objecção difícil de resolver:
Se a acção é uma livre escolha do agente sem este estar condicionado por quaisquer factos do passado ou do contexto em que age, o que é que o leva a fazer o que faz?
Nada? Ele age "no ar", sem ter razões para fazer o que faz?
Parece difícil aceitar uma tal perspectiva. Mas se dizemos que ele age por esta ou aquela razão estamos a dar razão aos deterministas...
Os
filósofos compatibilistas
defendem as seguintes teses:
1. A acção humana desenrola-se em contextos que a condicionam mas não a determinam do mesmo modo que acontece com os fenómenos naturais.
2. Os agentes, desde que não sejam obrigados a agir num certo sentido, podem fazer escolhas livres dentro das condicionantes em que se movem.
3. Os agentes morais são responsabilizáveis moralmente face a essas escolhas.
Um compatibilista diria: a acção do pai de Tracy esteve claramente condicionada pela situação que enfrentava.
Todavia, face a essa situação, ele não era obrigado a acabar com a vida da filha.
Ele fez uma livre escolha face à qual não pode escapar em termos de responsabilidade moral.
A sua mulher disse que não tinha a
coragem moral
do marido em enfrentar essa responsabilidade...
2)
A acção do Sr. Robert Latimer foi correcta ou incorreta? Porquê?
Acabámos de ler um relato de uma situação em que um
agente moral
- o pai de Tracy Latimer - tomou a difícil decisão de por termo à vida da filha, dadas as circunstâncias dolorosas em que ela se encontrava.
Julgado em dois tribunais, um absolveu-o, o outro condenou-o a 25 anos de prisão.
2) O pai de Tracy agiu bem ou agiu mal?
Analisando o modo como formulámos este problema parece estarmos face a duas posições antagónicas:

1) Existem os que defendem que, quando colocados face a certas circunstâncias, não temos escolha: tudo está previamente determinado pelo jogo de forças em que se desenrola a nossa ação.
2) Em oposição a estes, outros defendem que, independentemente das condições em que nos encontramos submetidos, temos liberdade de escolha, somos livres de fazer o que entendermos.
Os primeiros são
deterministas radicais
: segundo eles, as ações humanas estão sujeitas ao determinismo que governa qualquer acontecimento do mundo físico. Dadas certas causas, necessariamente ocorrem certos efeitos.
O determinismo tem aspectos atractivos: o pai de Tracy não aguentava mais ver o sofrimento da filha...
Mas, como resposta global ao problema, esta posição parece inaceitável!
Como aceitar que alguém venha dizer que não é responsável por ter roubado o telemóvel de um colega no balneário da escola?
Ou como aceitar que alguém venha dizer que não podia ter evitado difamar um colega dizendo que ele traiu a namorada, sabendo que isso é mentira?
Muitos de vocês devem estar a pensar:
É claro que o pai de Tracy agiu como agiu dada a situação intolerável em que se encontrava a filha e, nesse sentido, a sua ação foi determinada por essas circunstâncias.
Mas isto é diferente de dizer que ele não poderia ter deixado de fazer o que fez: isso foi uma decisão dele!

Isto significa que é possível encontrar um meio termo entre o determinismo radical e o libertismo.
A posição filosófica que defende, face ao problema do livre-arbítrio uma combinação entre o determinismo e o libertismo toma a designação de
compatibilismo
.
Se fossemos membros de um tribunal, deveríamos condenar ou absolver o Sr. Latimer?
Ele agiu bem, ou agiu mal?
Este é o nosso problema para a próxima sessão.
Estes diriam que o pai da Tracy, face à situação de sofrimento em que a filha estava, não tinha nenhuma saída: foi levado a fazer o que fez "empurrado" pelas circunstâncias. Ele não aguentava mais vê-la no estado em que estava...
Estes diriam: o pai da Tracy, mesmo vendo o estado da filha, não era obrigado a acabar com a vida dela. Ele fez isso de livre vontade; podia ter feito muitas outras coisas...
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